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Oriente Médio e Palestina

terça-feira, 9 de novembro de 2010

A crise de Suez - A questão árabe-israelense




A crise do Canal de Suez
A crise se iniciou em julho de 1956, quando o presidente egípcio Gamal Abdel Nasser decidiu nacionalizar o Canal de Suez, única ligação entre o Mediterrâneo e o Mar Vermelho e principal escoadouro de petróleo dos países árabes para a Europa, que até então estivera sob o controle de capitais privados de origem principalmente britânica e francesa. Insatisfeitos com a decisão, e temerosos do nacionalismo pan-árabe defendido por Nasser, França e Grã-Bretanha decidiram fazer uma intervenção militar punitiva na região, contando para tanto com a ajuda de Israel. Assim, em outubro de 1956, Israel invadiu o Sinai, península pertencente ao Egito, e em novembro tropas britânicas e francesas ocuparam a região e assumiram o controle militar sobre o canal. Contudo, a manobra, que possuía clara motivação colonialista, repercutiu muito mal junto à opinião pública mundial, particularmente junto aos EUA.
Ainda durante os meses de outubro e novembro de 1956, o Conselho de Segurança da ONU exigiu, com os votos favoráveis dos EUA e da URSS, a retirada militar da França, Grã-Bretanha e Israel, e decidiu enviar uma Força Internacional de Paz ao canal, que foi reaberto em 1957.
Alexandra de Mello e Silva



30 de Outubro de 1956, começou mais um dos conflitos no Médio Oriente, entre o Egipto por um lado e a França e a Grã Bretanha pelo outro, juntamente com Israel.
O conflito ocorre na sequência da nacionalização do Canal do Suez em 26 de Julho desse ano. Até àquela altura o canal era propriedade dos britânicos pelo que a acção do dirigente egípcio Gamal Abdel Nasser foi vista como uma afronta às duas principais potência da Europa Ocidental.

Desde 1955 que o Egipto tinha entretanto estabelecido relações militares com países do Pacto de Varsóvia, e tinha começado a receber equipamentos militares de origem soviética.

Por causa do aumento dos contactos com os países do Pacto de Varsóvia e do reconhecimento da República Popular da China, as relações do Egipto com os países ocidentais tinham vindo a piorar bastante e especialmente no inicio de 1956, altura em que os Estados Unidos cancelaram o apoio à construção da enorme barragem de Assuão «Aswan».
A resposta ao cancelamento do auxílio americano, foi a nacionalização por Nasser da companhia que geria o Canal de Suez.

Começaram então a ser criadas as condições para uma aliança entre a Grã Bretanha, a França e Israel, no sentido de recuperar o controlo do canal, sem a intervenção dos Estados Unidos que não estavam interessados numa intervenção militar directa.

O apoio de Israel foi negociado, e aquele país ficou responsável por uma operação de diversão que consistia num ataque contra toda a península do Sinai, parando a apenas alguns quilómetros do canal. Com a segurança do canal em risco as forças da Grã Bretanha e da França teriam uma razão objectiva para intervir, alegando incapacidade do Egipto para defender o canal. 
Entre o dia 29 de Outubro e o dia 5 de Novembro, as forças de Israel avançaram por todo o Sinai. As forças egípcias entram rapidamente em total colapso, retirando em todas as frentes.
A 30 de Outubro a França e a Grã Bretanha lançam um ultimatum a Nasser, para que recue na sua decisão de nacionalizar o Suez e para que permita a presença de forças estrangeiras. Perante a recusa egípcia, britânicos e franceses começam a atacar pontos estratégicos no Egipto em preparação para o ataque, utilizando aeronaves de uma força conjunta que somava sete porta-aviões (cinco britânicos e dois franceses), a que se somavam forças em Chipre.

A força aérea do Egipto era relativamente poderosa no papel. Dispunha já de cerca de 100 caças MiG-15 que eram teoricamente superiores à maioria dos caças britânicos e franceses, mas apenas 30 deles estavam operacionais e mesmo assim o nível de treino era mau.
A acção de Israel, com caças franceses Mistere, com relativamente pouca autonomia ajudou a garantir a superioridade aérea.

A ataque também se deu na direcção de Gaza, onde navios franceses deram apoio ao avanço das forças de Israel, atacando os egípcios em áreas costeiras.

Acreditando não ter como resistir, Nasser jogou outra carta: Quando começam os bombardeamentos britânicos, mandou encerrar o canal, afundando vários navios que tinham sido previamente preparados para isso.
A partir daí, o objectivo dos franco-britânicos e o seu argumento principal, caiu por terra. A intervenção britânica já não podia garantir a segurança do canal, porque este estava encerrado.

Mas muito pior que isso é a condenação internacional que a França e a Grã Bretanha sofrem. A União Soviética, reagiu normalmente, ameaçando com a guerra atómica e o fim do mundo, mas pior que as ameaças soviéticas era a pressão dos Estados Unidos, que ameaçou agir contra a Grã Bretanha económicamente.

Durante os dias que antecedem o desembarque das forças britânicas e francesas os dois países são fortemente pressionados principalmente pelos seus aliados e quando o ataque efectivamente começa, tanto os dirigentes franceses como britânicos já estão com dúvidas sobre a sua utilidade.

O ataque

O ataque das forças franco-britânicas propriamente dito, dá-se a 5 de Novembro, por volta das 06:00 da manhã quando tropas paraquedistas britânicas (600 homens) e francesas (500 homens) foram lançadas em dois pontos na área de Port Said. Estas tropas deveriam garantir a segurança das áreas de desembarque e deveriam juntar-se ao fim do dia

Como os ataques aéreos se tinham concentrado sobre unidades militares e aeroportos, os egípcios tinham retirado parte das suas unidades mecanizadas para as áreas urbanas, para evitar o ataque da aviação. Mas aguardando um ataque directo contra Port Said, Nasser envia para a cidade um pelotão de caça tanques soviéticos do tipo SU-100. Também existiam bastantes carros de combate pesados egípcios entre os quais tanques IS-2.

As tropas francesas apesar de em menor numero, mostraram ser de melhor qualidade. Por volta das 09:00 da manhã, já tinham tomado parte da área portuária de Port Said.
A partir de aí a resistência egípcia aumentou, mas o apoio aéreo dado pelas aeronaves dos porta-aviões permitiu à força continuar a alargar o seu perímetro defensivo. Às 14 horas, já há 900 franceses e 600 britânicos no terreno, mas as duas forças ainda não conseguiram juntar-se.

Durante a tarde e perante a violência do ataque, especialmente das forças francesas, o comandante Egípcio propõe um cessar-fogo, e a rendição, mas a dificuldade de comunicação entre britânicos e franceses faz com que apenas às 22:00 se chegue a acordo.

Por volta das 04:00 da manhã do dia 6, começa o desembarque das forças navais britânicas. Os franceses começam a desembarcar às 06:00.
Os desembarques decorrem sem problemas. A resistência egípcia é mínima ou quase nula. As linhas de comunicação egípcias estão afectadas e o abastecimento das suas tropas está completamente desorganizado.

Ao fim do dia as tropas francesas já estão a caminho da cidade de Ismailia.

No entanto, não chegariam a avançar.

A pressão internacional sobre os britânicos levou a que estes calculassem que com a desvalorização da Libra que estava a ocorrer devido a um ataque concentrado à moeda britânica, o país ficasse sem capacidade para importar produtos alimentares em poucos dias.

85% das reservas de moeda britânicas tinham-se exaurido numa guerra económica que o país não podia suportar.

Durante o dia 6, e embora a operação estivesse a ocorrer sem problemas e exactamente como previsto, negoceia-se o cessar-fogo, que ocorrerá às 02:00 do dia 07 de Novembro de 1956.

Tinha acabado a mais curta invasão da História.



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