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Ormuz, Riad e houthis e o dilema dos EUA no Oriente médio

Ormuz, Riad e houthis: os acontecimentos e o dilema dos EUA

Relatório de 11 de outubro de 2026 do História em Gotas. Notícias e análise autoral organizadas por tema, com o conteúdo do material enviado preservado.

Para orientar a leitura: o incêndio em Ormuz é uma alegação da Marinha IRGC. As 12 mortes e mais de 300 pessoas feridas em Riad pertencem ao ataque de sábado, 10 de outubro; o impacto relatado no domingo, 11 de outubro, é outro episódio. Os resultados da operação colombiana são preliminares. A análise final expressa as avaliações e hipóteses do professor.

Ataques russos na Ucrânia

Atribuição: Autoridades regionais ucranianas e Zelensky, citados no material enviado.

Pelo menos duas pessoas morreram e outras 25 ficaram feridas na Ucrânia nas últimas 24 horas, enquanto a Rússia continua a atacar edifícios residenciais e infraestrutura energética em todo o país. Na região de Dnipropetrovsk , uma criança morreu e outras cinco pessoas ficaram feridas, sendo duas delas crianças, afirmou Serhii Lysak, chefe da administração militar da região. Após esse anúncio, a Rússia atacou um prédio residencial, ferindo pelo menos quatro pessoas, entre elas duas meninas de oito anos, disse Lysak , elevando o total de feridos na região para pelo menos nove. A Rússia atacou Kharkiv, a segunda maior cidade da Ucrânia, em 11 de outubro, matando uma pessoa e ferindo pelo menos outras oito, disse o chefe da administração militar da região. Duas bombas aéreas guiadas atingiram o distrito de Nemyshlyanskyi, em Kharkiv, informou Oleh Syniehubov, chefe da administração militar da região de Kharkiv, em uma publicação no Telegram. As equipes de resgate ainda estão avaliando os danos, mas Syniebuhov afirmou que uma mulher de 36 anos morreu no ataque. Após um ataque ocorrido no mesmo dia na cidade de Sloviansk, o presidente Volodymyr Zelensky afirmou: "Só nesta semana, os russos lançaram cerca de 1.450 bombas aéreas, 75 mísseis de vários tipos e mais de 1.640 drones de ataque, dos quais cerca de 60% são movidos a jato." "Hoje, continuaremos a coordenar com nossos parceiros — haverá discussões com os líderes europeus".

Oleh Hryhorov, Chefe da Administração Militar do Oblast de Sumy, disse no  Telegram, que uma pessoa morreu em consequência de um ataque de drone russo contra um carro na região de Sumy. O drone russo atingiu  carro, que pegou fogo após o impacto, matando o motorista que ainda não foi identificado.

Alegação naval ucraniana e centros de dados da Yandex

Atribuição: Marinha ucraniana e Yandex, citadas no material enviado.

Mas os ucranianos continuam atacando os russos.

A Marinha ucraniana divulgou um vídeo mostrando a destruição de duas embarcações russas. Sobra isso eles disseram o seguinte: "Os russos pensaram mais uma vez que poderiam passar despercebidos. Não conseguiram." Duas embarcações inimigas, juntamente com suas tripulações, foram destruídas. Todas as tentativas dos ocupantes de reverter a situação a seu favor terminam da mesma maneira para eles. A operação teria sido realizada pela 34ª Brigada Independente de Fuzileiros Navais "Borysfen".

Além disso, a empresa russa de tecnologia e IA Yandex informou no domingo que sua infraestrutura foi danificada em um ataque de drone, resultando no fechamento total de seu data center na região de Vladimir.

Ninguém ficou ferido no ataque, mas alguns dos serviços da Yandex estão atualmente indisponíveis para os usuários, disse a empresa. Na sexta-feira, o Yandex, que está fortemente envolvido no desenvolvimento da IA na Rússia e às vezes é chamado de "Google da Rússia", disse que seu data center na região de Kaluga, a sudoeste de Moscou, foi atingido por drones ucranianos e parcialmente inutilizado.

Um dia antes, um ataque ucraniano desligou o hub de dados da Yandex em Sasovo, sudeste de Moscou, onde estão alojados dois dos três supercomputadores usados para desenvolver o modelo de IA da empresa.

Aeroporto de Riad e ameaças dos houthis

Atribuição: Coalizão liderada pela Arábia Saudita, comunicado dos houthis e declaração de Trump, citados no material enviado.

A coalizão liderada pela Arábia Saudita que combate os rebeldes houthis no Iêmen informou que um projétil atingiu um terminal de passageiros no aeroporto internacional de Riad hoje. Eles afirmaram que as defesas aéreas sauditas interceptaram um míssil de cruzeiro nas proximidades do Aeroporto Internacional King Khalid. O Aeroporto continua fechado desde ontem quando sofreu o maior e mais letal ataque em um país árabe do Golfo desde o início da guerra com o Irã e que deixou 12 mortos e mais de 300 feridos.

Os Houthis haviam dito em um comunicado no X o seguinte:

"Renovamos nosso alerta a todas as companhias aéreas, especialistas, funcionários, trabalhadores e viajantes contra o uso dos aeroportos e do espaço aéreo sauditas, pois eles são vulneráveis a ataques e se tornaram um teatro de operações para nossas forças, com exceção dos aeroportos nas cidades sagradas de Meca e Medina." "Pedimos a todos que levem nossos avisos a sério, e a Arábia Saudita assume a responsabilidade por quaisquer interceptações fracassadas." "A menos que o inimigo saudita pare sua agressão e interferência no Iêmen, o pior ainda está por vir, se Deus quiser"

Trump disse no sábado que os Estados Unidos estavam considerando se juntar a ataques sauditas contra os Houthis no conflito.

Relato da Marinha IRGC sobre Ormuz

Atribuição: Comunicado da Marinha da Guarda Revolucionária iraniana, citado no material enviado; alegação sem confirmação independente.

Enquanto isso, Oumuz continua sendo uma área de risco para o transporte marítimo, apesar do número que tem melhorado. A Marinha do IRGC, em comunicado, anunciou que um superpetroleiro transportando petróleo bruto — que tentava sair do Estreito de Ormuz por uma rota não autorizada — sofreu uma explosão massiva após atingir uma mina naval dentro da zona designada como de alto risco.

Esse superpetroleiro, que havia desligado seus sistemas de navegação e posicionamento, agora está envolvido em um incêndio massivo após atingir uma mina naval — um incêndio claramente visível até mesmo para pessoas na costa.

Um incêndio devastador é o destino que aguarda qualquer petroleiro descontrolado que escolha desrespeitar a segurança e as regulamentações do Estreito de Ormuz.

Operação militar na Colômbia

Atribuição: Relatos preliminares das autoridades, citados no material enviado; resultados oficiais pendentes.

À 1h da manhã deste domingo, dois caças Kfir da Força Aeroespacial Colombiana lançaram bombas sobre um local identificado pela inteligência como esconderijo de membros da 33ª Frente, grupo dissidente das FARC. Este é o quarto bombardeio realizado pelo governo de la Espriella. Após o bombardeio, por volta das cinco da manhã, vários helicópteros Black Hawk do Exército partiram de uma base militar em direção à área da operação para consolidar o posicionamento e bloquear a passagem dos membros dissidentes. Naquele momento, o presidente pediu que depusessem as armas e se submetessem à justiça. Caso contrário, advertiu que enfrentariam todo o poder das Forças Armadas e do Estado. O alerta surgiu durante sua primeira reunião regional em Cúcuta, onde De la Espriella declarou ambos os líderes como alvos militares de seu governo e deu-lhes um prazo para se renderem. Agora, após a operação militar na região, espera-se que as autoridades divulguem informações oficiais sobre seus resultados nas próximas horas. Relatórios preliminares das autoridades indicam duas mortes e um menor recuperado.

Análise do Professor Arão Alves: Estados Unidos, Irã e houthis

Atribuição: Análise autoral do Professor Arão Alves.

Bom, gente, vamos conversar um pouco sobre a situação no O. Médio

A situação no Oriente Médio precisa ser analisada a partir de dois conflitos que, embora estejam relacionados, possuem características diferentes. De um lado, temos a guerra entre os Estados Unidos e o Irã. Do outro, temos o confronto entre os houthis, no Iêmen, e a Arábia Saudita, juntamente com os grupos iemenitas aliados aos sauditas. Essa distinção é importante porque os interesses envolvidos, as capacidades militares e as consequências de uma escalada não são exatamente os mesmos.

Os Estados Unidos estão em guerra com o Irã, embora, neste momento, não estejam ocorrendo combates diretos entre americanos e iranianos. Isso não significa que a guerra tenha terminado. Estamos diante de uma interrupção temporária das hostilidades, que podem ser retomadas a qualquer momento. Já em relação aos houthis, os Estados Unidos não estão atualmente envolvidos em operações militares diretas contra eles. O confronto ocorre principalmente entre os houthis e a Arábia Saudita, além das forças iemenitas alinhadas a Riade.

Para entender melhor essa situação, precisamos voltar ao início do segundo mandato de Trump, em janeiro de 2025. Naquela ocasião, Trump deixou claro que pretendia derrotar militarmente os houthis e retirar esse grupo da equação estratégica do Oriente Médio. Em março daquele ano, apenas dois meses depois de retornar à Casa Branca, ele iniciou uma campanha militar contra o grupo.

Entretanto, em maio de 2025, aproximadamente dois meses depois do início das operações, Trump decidiu encerrar a campanha. Naturalmente, apresentou a decisão como uma vitória americana. Mas, na prática, os Estados Unidos não conseguiram alcançar seu principal objetivo, que era derrotar os houthis e eliminar sua capacidade de atuar militarmente na região.

Esse episódio é particularmente importante porque demonstra as dificuldades enfrentadas pelas forças americanas diante de um adversário que, embora possua recursos militares muito inferiores aos dos Estados Unidos, conseguiu resistir aos ataques e preservar sua capacidade operacional.

Na minha avaliação, os Estados Unidos abandonaram aquela campanha porque perceberam que não conseguiriam alcançar uma vitória militar decisiva. E isso precisa ser considerado antes de qualquer tentativa de iniciar uma nova ofensiva contra os houthis.

Não estamos falando de um grupo irrelevante no cenário regional. Pelo contrário. Os houthis são atores estratégicos importantes no Oriente Médio e representam uma ameaça concreta aos interesses americanos, principalmente por sua capacidade de atingir instalações na Arábia Saudita e de ameaçar o tráfego marítimo pelo estreito de Bab el-Mandeb.

Esse estreito é uma passagem fundamental para o comércio internacional, especialmente para o transporte de petróleo e de outras mercadorias que circulam entre o mar Vermelho, o oceano Índico e os mercados internacionais. A possibilidade de interferir nesse fluxo comercial oferece aos houthis um instrumento de pressão econômica e estratégica que vai muito além de seu poder militar convencional.

Além disso, sua capacidade de atacar instalações petrolíferas sauditas representa uma ameaça direta a um dos pilares do abastecimento energético mundial. Portanto, não há dúvida de que os houthis possuem meios para prejudicar interesses americanos e de seus aliados.

O problema é que reconhecer essa ameaça não significa que os Estados Unidos tenham condições de eliminá-la por meio de uma nova campanha militar.

Na minha avaliação, os americanos simplesmente não dispõem de uma estratégia capaz de derrotar os houthis militarmente. Já tentaram fazer isso em 2025 e não conseguiram. E as condições atuais são ainda menos favoráveis para Washington.

Um dos principais motivos que levaram Trump a interromper as operações em maio de 2025 foi o consumo de munições de elevado valor estratégico. Os Estados Unidos estavam gastando uma quantidade muito grande de armamentos sofisticados em uma campanha que não produzia os resultados esperados.

Isso significa que Washington estava consumindo recursos militares importantes sem conseguir neutralizar definitivamente a capacidade de combate dos houthis.

Agora, precisamos acrescentar outro elemento a essa equação. Desde 28 de fevereiro de 2026, os Estados Unidos estão envolvidos em uma guerra contra o Irã. Esse conflito consumiu uma quantidade ainda maior de munições, incluindo armamentos de precisão e sistemas de defesa aérea.

Consequentemente, os estoques americanos disponíveis para uma nova campanha contra os houthis são hoje mais limitados do que eram na primavera de 2025.

E esse é um problema que não pode ser ignorado. Os Estados Unidos precisam dessas munições tanto para operações ofensivas quanto para defender suas próprias forças e seus aliados no Oriente Médio.

Uma nova ofensiva contra os houthis teria, portanto, duas consequências bastante previsíveis. Em primeiro lugar, dificilmente produziria uma vitória militar decisiva. Em segundo lugar, consumiria ainda mais armamentos que já estão em quantidade limitada.

É exatamente essa combinação de dificuldades que ajuda a explicar a situação atual com o Irã.

Embora os Estados Unidos continuem tecnicamente em guerra com os iranianos, os combates diretos estão interrompidos. Na minha avaliação, isso ocorre porque Washington não dispõe dos meios necessários para impor uma derrota militar ao Irã e, ao mesmo tempo, enfrenta dificuldades crescentes relacionadas à disponibilidade de munições.

A mesma lógica se aplica aos houthis. Os americanos não possuem os recursos militares necessários para garantir uma vitória rápida e decisiva e tampouco dispõem de estoques suficientes para assegurar a proteção de todos os seus aliados caso o conflito se intensifique.

Isso nos leva a outro problema: a capacidade de retaliação dos houthis.

Mesmo que os Estados Unidos consigam atingir instalações militares, depósitos de armas e posições de lançamento de mísseis no Iêmen, isso não significa que os houthis perderão a capacidade de responder.

Pelo contrário. Eles podem utilizar mísseis e drones para atacar instalações estratégicas na Arábia Saudita, provocando danos econômicos que ultrapassariam amplamente o território saudita.

Há, inclusive, informações recentes de que os houthis teriam conseguido interromper novamente o funcionamento do principal oleoduto que atravessa a Arábia Saudita de leste a oeste.

Esse oleoduto é particularmente importante porque permite transportar petróleo das regiões produtoras do leste saudita até instalações no litoral do mar Vermelho, de onde pode ser embarcado para os mercados internacionais.

É necessário tratar essas informações com cautela, porque os relatos provenientes do Oriente Médio nem sempre permitem confirmar imediatamente os acontecimentos. Entretanto, existem razões para considerar plausível a possibilidade de uma interrupção provocada por ataques houthis.

Se essas informações estiverem corretas, estaremos diante de mais uma demonstração da capacidade do grupo de atingir pontos vulneráveis da infraestrutura energética saudita.

E isso revela uma dificuldade estratégica bastante importante para Washington.

Uma ofensiva americana destinada a enfraquecer os houthis pode produzir justamente o efeito contrário ao desejado. Em vez de reduzir a instabilidade regional, poderia estimular ataques contra instalações petrolíferas sauditas, prejudicando o abastecimento energético e ampliando as consequências econômicas do conflito.

A situação se tornaria ainda mais complicada caso os Estados Unidos e a Arábia Saudita conseguissem realmente impor perdas militares graves aos houthis.

Suponhamos que minha avaliação esteja errada e que uma nova ofensiva americana seja muito mais eficiente do que a campanha realizada em 2025. Nesse cenário, os houthis poderiam sofrer danos tão graves que sua capacidade de continuar combatendo ficaria ameaçada.

Mesmo nessa hipótese, não acredito que Washington conseguiria resolver o problema estratégico.

Isso porque o Irã possui interesses muito profundos na preservação dos houthis como força militar e política no Oriente Médio.

Para Teerã, a existência de um grupo armado capaz de pressionar a Arábia Saudita e ameaçar rotas marítimas estratégicas representa um instrumento importante de influência regional.

Os houthis também oferecem aos iranianos uma maneira de exercer pressão sobre os Estados Unidos e seus aliados sem a necessidade de recorrer permanentemente ao confronto militar direto.

Por esse motivo, acredito que, diante de uma ameaça real de derrota dos houthis, os iranianos acabariam entrando no conflito para impedir que isso acontecesse.

E, nesse momento, os Estados Unidos voltariam ao mesmo problema que enfrentam atualmente.

Washington não dispõe, na minha avaliação, de capacidade militar suficiente para derrotar decisivamente o Irã. Além disso, teria enormes dificuldades para impedir que os iranianos atacassem instalações petrolíferas sauditas e outros alvos estratégicos na região.

Portanto, mesmo uma campanha inicialmente bem-sucedida contra os houthis poderia acabar provocando uma intervenção iraniana e ampliando consideravelmente a dimensão da guerra.

Esse é o grande dilema estratégico dos Estados Unidos no Oriente Médio.

Se Washington não atacar os houthis, continuará convivendo com um grupo capaz de ameaçar interesses americanos, a Arábia Saudita e importantes rotas comerciais internacionais.

Se decidir atacá-los, poderá consumir ainda mais seus estoques de munições, provocar retaliações contra seus aliados e, eventualmente, criar as condições para uma participação militar mais intensa do Irã.

E, mesmo no cenário em que os houthis sofram uma derrota militar importante, o resultado não necessariamente representaria uma vitória estratégica americana, justamente porque a intervenção iraniana poderia transformar um conflito relativamente localizado em uma confrontação regional muito mais ampla.

Tudo isso precisa ser considerado à luz da guerra iniciada em 28 de fevereiro de 2026.

Quando as operações militares contra o Irã começaram, a expectativa era que o conflito durasse aproximadamente três ou quatro semanas. Entretanto, muitos meses depois, os Estados Unidos continuam sem alcançar uma vitória decisiva.

Na realidade, a situação americana diante do Irã parece ter se tornado cada vez mais complicada.

Os recursos militares consumidos ao longo da guerra, as dificuldades para neutralizar a capacidade de retaliação iraniana e os riscos econômicos associados à segurança energética do golfo Pérsico colocaram Washington em uma posição extremamente delicada.

Diante desse quadro, imaginar que os Estados Unidos poderiam simplesmente abrir outra frente militar contra os houthis e alcançar no Iêmen uma vitória que não conseguiram obter contra o Irã me parece uma expectativa pouco realista.

Os próprios acontecimentos de 2025 já demonstraram as limitações de uma estratégia baseada principalmente em ataques aéreos e no emprego de armamentos de precisão contra os houthis.

Naquela ocasião, mesmo com uma enorme superioridade tecnológica e militar, Washington não conseguiu eliminar a capacidade de combate do grupo e acabou interrompendo suas operações.

Hoje, depois de meses de guerra contra o Irã e com estoques de armamentos ainda mais pressionados, não vejo razões para acreditar que uma nova campanha produziria resultados melhores.

Pelo contrário, considero mais provável que os Estados Unidos enfrentassem novamente dificuldades semelhantes, com o agravante de que os houthis poderiam retaliar contra instalações estratégicas sauditas em um momento de grande vulnerabilidade dos mercados energéticos.

E, caso os americanos conseguissem avançar militarmente a ponto de ameaçar a sobrevivência dos houthis como força regional, o envolvimento iraniano poderia recolocar Washington diante de um adversário que já demonstrou ser extremamente difícil de derrotar.

O problema central, portanto, não é simplesmente a capacidade dos Estados Unidos de destruir alvos militares no Iêmen ou no Irã. Os americanos continuam possuindo uma enorme capacidade de destruição e uma superioridade tecnológica considerável.

A dificuldade está em transformar essa superioridade militar em resultados políticos e estratégicos duradouros.

Destruir instalações, atingir depósitos de munições ou eliminar posições militares não equivale necessariamente a derrotar um adversário, especialmente quando esse adversário consegue preservar parte de sua capacidade de combate, dispersar suas forças e continuar impondo custos econômicos e militares ao inimigo.

No caso dos houthis, essa dificuldade é ampliada pela vulnerabilidade da infraestrutura petrolífera saudita e pela importância estratégica do estreito de Bab el-Mandeb.

No caso iraniano, o problema envolve um adversário com território muito maior, capacidade militar mais ampla e condições de atingir inúmeros interesses americanos e de seus aliados na região.

A combinação desses fatores produz uma situação na qual os Estados Unidos podem continuar realizando operações militares, mas não possuem uma estratégia clara para converter essas operações em uma vitória definitiva.

Na minha avaliação, Washington acabou se envolvendo em uma situação extremamente difícil no Oriente Médio, da qual não existe uma saída militar simples.

A guerra contra o Irã já demonstrou os limites da capacidade americana de impor seus objetivos pela força. Uma nova ofensiva contra os houthis provavelmente reproduziria essas mesmas limitações e poderia ampliar ainda mais os riscos enfrentados pelos Estados Unidos e por seus aliados.

E esse talvez seja o aspecto mais preocupante de toda essa situação: os americanos continuam possuindo um poder militar extraordinário, mas isso não significa que tenham condições de vencer todas as guerras que decidem travar.

No Oriente Médio, os Estados Unidos se encontram diante de adversários que não precisam derrotar militarmente as forças americanas em uma batalha convencional para alcançar seus objetivos. Basta que consigam resistir, preservar sua capacidade de retaliação e impor custos suficientemente elevados para tornar a continuação da guerra cada vez menos vantajosa para Washington.

É por isso que considero extremamente improvável que uma nova campanha contra os houthis consiga resolver os problemas americanos na região. A experiência anterior não oferece motivos para otimismo, a guerra contra o Irã tornou as condições ainda mais difíceis e a possibilidade de uma escalada regional continua presente.

Em última análise, os Estados Unidos se colocaram em uma posição estratégica muito complicada no Oriente Médio e, pelo menos neste momento, não vejo uma maneira de sair dessa situação por meio de novas operações militares.

Perguntas frequentes

Quem relatou o incêndio do superpetroleiro em Ormuz?

A Marinha da Guarda Revolucionária iraniana, por meio de comunicado. O relato não é apresentado como confirmação independente.

A qual ataque de Riad pertence o balanço de 12 mortos e mais de 300 feridos?

Ao ataque de sábado, 10 de outubro. O projétil relatado no domingo é um episódio separado.

Trump já anunciou o início de ataques americanos contra os houthis?

No material enviado, ele disse no sábado que os Estados Unidos estavam considerando se juntar aos ataques sauditas. Considerar essa participação não equivale a iniciar a operação.

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