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sexta-feira, 26 de abril de 2013

Uerj - Ciências Humanas e suas tecnologias - Questões discursivas com gabarito comentado.






1. (Uerj 2013)  China é vista como a principal economia mundial

A China já é percebida em grande parte do mundo como a principal economia mundial, embora na realidade seja a segunda, atrás dos Estados Unidos. Segundo pesquisa de opinião publicada pela imprensa chinesa, na qual foram ouvidas por telefone mais de 26 mil pessoas de 21 países, 41% disseram que a China é a maior potência econômica mundial, enquanto 40% acreditam que são os Estados Unidos. A tendência a favor dessa imagem da China é especialmente forte na Europa, onde 58% dos britânicos têm essa percepção.

Adaptado de , 14/06/2012.

Com elevadas taxas de crescimento em seu Produto Interno Bruto nos últimos anos, a China confirma sua posição de destaque nos cenários político e econômico mundiais.
Indique dois fatores que impulsionaram esse grande avanço da economia chinesa.


Resposta:

Dois dos fatores:
• mão de obra com baixo custo
• fragilidade da legislação ambiental
• disponibilidade de matérias-primas
• política de incentivo às exportações
• disponibilidade de fontes de energia
• crescimento recente do mercado interno
• abertura econômica com entrada de capital estrangeiro
• disponibilidade de infraestrutura moderna nas zonas especiais

Alguns dos fatores que podem ser considerados como determinantes para o avanço da economia chinesa são: processo de abertura econômica iniciado na década de 1980 que criou infraestrutura de transportes e energia, criação de enclaves de produção para exportação (ZEE’s), incentivos fiscais, atração de investimentos estrangeiros; oferta de mão de obra abundante e barata, e atualmente qualificada; abundância de recursos naturais e energéticos; legislação ambiental flexível; elevada poupança interna que em conjunto com a grande população absoluta cria um numeroso mercado consumidor; a política neoliberal que amplia a abertura dos mercados e a integração financeira mundial.



  
2. (Uerj 2012)  Leia.

A saída pelo porto

Aos poucos eles estão chegando. Ao fim de 15 anos serão 250 mil, mais de sete vezes o atual número de habitantes (32.747). Ou seja, a pacata São João da Barra, localizada no Norte Fluminense e que hoje não enche sequer o estádio do Engenhão, no Rio de Janeiro,terá uma população suficiente para lotar três Maracanãs em 2025. A razão para tamanho salto são as perspectivas de investimento no município a partir da construção do Porto do Açu, empreendimento da LLX, o braço logístico do grupo de Eike Batista. Em pouco mais de dez anos, a cidade deverá receber uma injeção de quase R$ 70 bilhões – R$ 3,4 bilhões do porto e outros R$ 64 bilhões de empresas que deverão se instalar no seu entorno.

Adaptado de O Globo, 15/05/2011

Apresente duas consequências positivas para a economia do Norte Fluminense e dois possíveis impactos negativos relacionados ao espaço urbano de São João da Barra, decorrentes das perspectivas de investimento abordadas no texto.


Resposta:

Entre as consequências positivas da construção do complexo portuário e industrial do Açu em São João da Barra, litoral norte do estado do Rio de Janeiro, destacam-se: geração de empregos, aumento da renda per capita, elevação da arrecadação de impostos pelo município, melhoria da infraestrutura e atração de empresas que vão aproveitar a localização portuária.
Porém, podem acontecer impactos negativos, caso o município não saiba planejar o crescimento, entre os quais:
– atração excessiva de imigrantes;
– problemas de moradia, como a favelização;
– aumento da violência urbana;
– sobrecarga dos serviços públicos de educação e saúde;
– especulação imobiliária com elevação do preço dos terrenos, imóveis e aluguéis;
– problemas ambientais.



  
3. (Uerj 2012)  Leia.

Multinacionais de alimentos agravam pobreza

Documento da ActionAid, apresentado no Fórum Social Mundial de 2011, revela que um pequeno grupo de empresas domina a maior parte do comércio mundial de itens como trigo, café, chá e bananas. Um terço de todo o alimento processado do planeta está nas mãos de apenas 30 empresas. Outras 5 controlam 75% do comércio internacional de grãos. Do total da produção e da venda de agrotóxicos, também 75% são dominados por 6 companhias, e uma única multinacional, a Monsanto, detém 91% do setor de produção e venda de sementes.

Adaptado de www.observatoriosocial.org.br

O texto faz referência ao processo de modernização da agropecuária mundial, com a formação e a expansão de complexos agroindustriais.
Defina o que são complexos agroindustriais.
Com base na reportagem, aponte duas consequências socioeconômicas negativas resultantes da situação de reduzida concorrência no setor agrícola.


Resposta:

Os complexos agroindustriais ou do agronegócio são complexas cadeias produtivas que articulam a produção agropecuária com a produção industrial e o setor terciário (comércio, serviços e finanças), a exemplo da produção de soja para exportação, intermediada por transnacionais, e vendida para diferentes indústrias (óleo, ração para animais, etc.).
Entre as consequências negativas da prevalência das transnacionais no agronegócio estão a elevação dos preços dos alimentos devido à lucratividade das empresas, o que pode fazer com que parcelas da população mais pobre não tenham acesso à alimentação. Outra consequência é o aumento da dependência do agricultor em relação às empresas produtoras de sementes, inclusive transgênicos (Monsanto), de agrotóxicos e fertilizantes. Também tem-se a exploração dos pequenos proprietários por grandes empresas, a exemplo daqueles que vendem a produção pecuária (aves e suínos) para a indústria de alimentos.



  
4. (Uerj)            Governo já tem data para tirar Angra 3 do papel: 10. de setembro

O Brasil está muito próximo de tirar do papel a retomada do programa nuclear. O governo debateu por anos se deveria ou não reiniciar as obras de Angra 3. Por fim, em junho do ano passado, o Conselho Nacional de  Política energética (CNPe) decidiu autorizar a eletronuclear a construir a terceira usina em Angra dos Reis.
Pelos planos que o governo vem anunciando recentemente, Angra 3 será apenas a primeira de uma série de novas usinas nucleares que deverão ser construídas no Brasil.
            LEONARDO GOY. Adaptado de "O Estado de São Paulo", 08/07/2008

A retomada do programa nuclear brasileiro traz à tona a polêmica que envolve essa forma de gerar energia não apenas no país, mas no mundo.
Aponte dois argumentos favoráveis e dois argumentos contrários à opção de ampliar a geração de energia elétrica em centrais termonucleares no Brasil.


Resposta:

Fatores favoráveis: autonomia geográfica na localização de unidades geradoras; aumento na oferta de energia.
Fatores desfavoráveis: Altos custos, geração de lixo atômico.



  
5. (Uerj)            Fábricas de brinquedos querem polo no Nordeste

            A forte concorrência dos chineses deve levar os maiores fabricantes nacionais de brinquedos a criar um polo de produção no Nordeste.
            A China já responde por 70% dos brinquedos vendidos no mundo e por 50% no mercado brasileiro.
            Atualmente, 80% das fábricas brasileiras de brinquedos estão no estado de São Paulo. O polo no Nordeste poderá significar a extinção de 18 mil dos 23 mil postos de trabalho existentes no mercado paulista.
            LINO RODRIGUES. Adaptado de "O Globo", 02/04/2008

Indique dois fatores explicativos para a relocalização industrial relatada na reportagem e aponte duas consequências socioeconômicas desse processo para a região Nordeste.


Resposta:

A mão de obra numerosa e custos tributários e de produção menores. Consequências: maior geração de emprego , dinamização da economia regional.



  
6. (Uerj)            O Brasil vai se tornar a Arábia Saudita verde?
           
            O Brasil é novamente o país do futuro. Depois de rodar pelo país e se encantar com o processo de produção do álcool a partir da cana-de-açúcar, Thomas Friedman, colunista do New York Times e um dos maiores especialistas em Oriente Médio, voltou para os Estados Unidos convencido de que o Brasil pode se tornar a Arábia Saudita do álcool. A comparação com o maior exportador mundial de petróleo não é delirante. O Brasil é o país mais avançado em produção de combustíveis de origem vegetal, também chamados biocombustíveis.
            ("Época", 12/02/2007)

Após vislumbrar a auto-suficiência na produção de petróleo, o Brasil desponta como possível destaque na utilização da biomassa como fonte de energia. Cite duas características do espaço físico brasileiro que favorecem a produção de biomassa no país. Cite também dois riscos, um socioeconômico e outro ambiental, caso se  confirme o prognóstico apresentado no texto.


Resposta:

Duas das características:
- grande disponibilidade de terras para o plantio, sem necessariamente diminuir a área destinada à produção de alimentos
- temperaturas que permitem mais de uma safra de um grande número de produtos
- fotoperíodos longos durante quase todo o ano, favorecendo o crescimento dos vegetais utilizados para produção de biocombustíveis
- pluviosidade adequada à produção agrícola na maior parte do país
- condições adequadas ao cultivo da cana-de-açúcar, cujo álcool é mais barato do que obtido a partir de plantas cultivadas em áreas temperadas, como o milho e a beterraba
Um dos riscos socioeconômicos:
- redução da área plantada destinada a alimentos
- aprofundamento da concentração fundiária
Um dos riscos ambientais:
- ampliação do desmatamento do cerrado e da Amazônia para realizar o plantio de espécies passíveis de gerar biocombustíveis
- possibilidade de aumentar a poluição hídrica causada por agrotóxicos em virtude da intensividade dos cultivos realizados pela agroindústria
- expansão de monoculturas, comprometendo a biodiversidade de ecossistemas regionais



  
7. (Uerj 2012)  Leia.

Sr. Presidente, Srs. Senadores, levamos a cabo a tarefa da transição.
Acredito firmemente que o autoritarismo é uma página virada na história do Brasil. Resta, contudo, um pedaço de nosso passado político que ainda atravanca o presente e retarda o avanço da sociedade. Refiro-me ao legado da Era Vargas, ao seu modelo de desenvolvimento autárquico e ao seu Estado intervencionista.
Esse modelo, que à sua época assegurou progresso e permitiu a nossa industrialização, começou a perder fôlego no fim dos anos 70. Atravessamos a década de 80 às cegas. No final da “década perdida”, os analistas políticos e econômicos mais lúcidos já convergiam na percepção de que o Brasil vivia não apenas um somatório de crises conjunturais, mas o fim de um ciclo de desenvolvimento a longo prazo.

FERNANDO HENRIQUE CARDOSO
Discurso de despedida do Senado, em 15/12/1994
Adaptado de www.planalto.gov.br

Em seus dois mandatos como presidente, Fernando Henrique Cardoso buscou apoio de diferentes forças políticas e partidárias para implementar um programa de reformas que rompesse com o que chamou de “legado da Era Vargas”. Essas reformas eram vistas pelo grupo político ao qual pertencia como fundamentais para que o país vencesse definitivamente as dificuldades enfrentadas na “década perdida”.
Explique o significado da expressão “década perdida” para a economia brasileira.
Cite, ainda, duas ações desenvolvidas durante os governos de Fernando Henrique Cardoso relacionadas a seu rompimento com a “Era Vargas”.


Resposta:

A década de 80, dos governos Figueiredo e Sarney, é valorizada pela transição política em direção à democracia, mas desprezada do ponto de vista econômico. Daí a expressão “década perdida”, pois foi caracterizada por forte recessão, com inflação crescente e retração das atividades econômicas, tendo como efeito o aumento do desemprego e forte redução no poder de compra.
Em contraposição à política considerada intervencionista do modelo varguista, o governo FHC promoveu a desestatização, com abertura da economia ao capital estrangeiro, além de uma política de flexibilização na legislação trabalhista.



  
8. (Uerj 2012)  Leia.

Nasce daqui uma questão: se vale mais ser amado que temido ou temido que amado. Responde-se que ambas as coisas seriam de desejar; mas porque é difícil juntá-las, é muito mais seguro ser temido que amado, quando haja de faltar uma das duas. Deve, todavia, o príncipe fazer-se temer de modo que, se não adquire amizade, evite ser odiado, porque pode muito bem ser ao mesmo tempo temido e não odiado; o que sempre conseguirá desde que respeite os bens dos seus concidadãos e dos seus súditos porque os homens esquecem mais depressa a morte do pai que a perda do patrimônio.
Mas quando um príncipe está com os exércitos e tem uma multidão de soldados sob o seu comando, então é de todo necessário que não se importe de passar por cruel; porque sem esta fama não se mantém um exército unido, nem disposto a qualquer feito.

O Príncipe, de Nicolau Maquiavel
Adaptado de www.arqnet.pt

Nicolau Maquiavel foi um pensador florentino que viveu na época do Renascimento. Ele é considerado um dos fundadores do pensamento político moderno e suas ideias serviram de base para a constituição do Absolutismo monárquico.
Identifique no texto duas práticas do Absolutismo monárquico.


Resposta:

A concentração de poderes está na essência da ideia do absolutismo, na medida em que o governo não faz apenas as leis, mas controla seu cumprimento. Destaca-se ainda a necessidade da força para a manutenção do poder e da ordem constituída, entendida como fundamental para a preservação da nação, impedindo que interesses particulares se sobreponham aos interesses sociais.



  
9. (Uerj 2012)  Leia.

Uma questão acadêmica, mas interessante, acerca da “descoberta” do Brasil é a seguinte: ela resultou de um acidente, de um acaso da sorte? Não, ao que tudo indica. Os defensores da casualidade são hoje uma corrente minoritária. A célebre carta de Caminha não refere a ocorrência de calmarias. Além disso, é difícil aceitar que uma frota com 13 caravelas, bússola e marinheiros experimentados se perdesse em pleno oceano Atlântico e viesse bater nas costas da Bahia por acidente.
Rejeitado o acaso como fonte de explicação no que tange aos objetivos da “descoberta”, fica de pé a seguinte pergunta: qual foi, portanto, a finalidade, a intenção da expedição de Cabral?

Adaptado de LOPEZ, Luiz Roberto. História do Brasil colonial. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1983.

Os descobrimentos marítimos dos séculos XV e XVI foram processos importantes para a construção do mundo moderno. A chegada dos portugueses ao Brasil decorre dos projetos que levaram diferentes nações europeias às grandes navegações.
Formule uma resposta à pergunta do autor, ao final do texto: qual foi a finalidade da expedição de Cabral?
Em seguida, cite dois motivos que justificam as grandes navegações marítimas nos séculos XV e XVI.


Resposta:

A viagem de Cabral ao litoral do Brasil fez parte de um projeto para reconhecer o litoral do Brasil, que pertencia a Portugal desde 1494, quando do Tratado de Tordesilhas. A posse do litoral do Brasil, somada a posse do litoral africano, garantiria ao reino lusitano o controle sobre a rota atlântica em direção ao oriente e suas especiarias.
As “grandes navegações” foram impulsionadas pela necessidade de superar a crise econômica do século XIV, determinada pela retração da produção agrícola devido às guerras e a peste negra; ao mesmo tempo contribuiu para consolidar o Estado Nacional, nova forma de organização política constituída no final do período medieval.



  
10. (Uerj)  A ALCA é parte de um projeto integral dos Estados Unidos que começa há muito tempo, na realidade, há quase dois séculos, quando, em 1823, James Monroe proclama a famosa doutrina que leva seu nome, a da América para os americanos.
            ATILIO BORON
            Adaptado de http://www.revistaforum.com.br

A política externa dos Estados Unidos sempre se constituiu em um elemento preponderante nas relações entre os povos americanos, apesar das diferentes conjunturas verificadas ao longo desses quase duzentos anos.
a) Descreva o contexto histórico em que surgiu a Doutrina Monroe e aponte seu principal objetivo.
b) Indique a proposta dos idealizadores da ALCA e a principal argumentação dos críticos dessa proposta.


Resposta:

a) A Doutrina Monroe surgiu no contexto das lutas em prol das independências das colônias americanas, marcado por tentativas de recolonização da Santa Aliança.
    Evitar a intervenção das potências europeias nos processos de independência das antigas colônias ibero-americanas.

b) Promover um aprofundamento das relações comerciais e diplomáticas entre os EUA e os demais países do continente americano, por meio do estabelecimento de uma área de livre comércio.
     Devido à superioridade econômica e tecnológica dos EUA, a formação do bloco acabaria por ampliar a dependência histórica da América Latina em relação aos EUA, contribuindo para a consolidação de sua hegemonia. 


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Bons estudos!!


Professor Arão Alves

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