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Oriente Médio e Palestina

terça-feira, 19 de junho de 2012

Sugestão de estudo complementar para o provão de História 2º bimestre 1º ano 2012


Questões discusivas com gabarito comentado sobre baixa e alta idade média, crise do feudalismo, Renascimento urbano e comercial, mercantilismo, expansão marítima, invasões estrangeiras e expansão territorial na América Portuguesa.

Após as questões há 3 pequenos vídeos sobre alguns dos assuntos do provão.



1. (Ufpr 2012)  Leia os seguintes excertos da Magna Carta inglesa de 1215:

“12 - Nenhum imposto ou pedido será estabelecido no nosso reino sem o consenso geral. (...) que tudo se passe da mesma maneira no que respeita às contribuições da cidade de Londres (...)

61 - (...) Instituímos e concedemos aos nossos barões a seguinte garantia: elegerão vinte e cinco barões do reino, os quais deverão com todo o seu poder observar, manter e fazer cumprir a paz e as liberdades que nós concedemos. (...)”

(C. R. C. Davis, Magna Carta, The Trustees of the British Museum, 1963, p. 16-23 apud ESPINOSA, Fernanda. Antologia de textos medievais. Lisboa: Sá da Costa Editora, p. 326-327).

A partir dos trechos acima e de seus conhecimentos sobre a monarquia inglesa na Idade Média, discorra sobre a relação dos nobres e dos burgueses ingleses com a sua realeza e justifique por que a Magna Carta é considerada uma precursora das constituições modernas.
  
2. (Ufpr 2012)  Considere os dois trechos de documento a seguir:

1º trecho (século XI):

“I- A Igreja Romana foi fundada só pelo Senhor. (...)
III- Só ele [o pontífice romano] pode depor ou absolver os bispos. (...)
IX- O papa é o único homem a quem todos os príncipes beijam os pés. (...)
XII- É-lhe permitido depor os imperadores. (...)”

(Papa Gregório VII – 1075 apud ESPINOSA, Fernanda. Antologia de textos medievais. Lisboa: Sá da Costa Editora, 1981, p. 289)

2º trecho (século XIV):

“E aprendemos das palavras do Evangelho que nesta Igreja e em seu poder estão duas espadas, a espiritual e a temporal. Uma espada, portanto, deverá estar sob a outra, e a autoridade temporal sujeita à espiritual. (...) Por tudo isso que declaramos, estabelecemos e definimos que é necessário para a salvação de toda criatura humana estar submetida ao pontífice romano” (papa Bonifácio VIII, 1302 apud ESPINOSA, Fernanda. Antologia de textos medievais. Lisboa: Sá da Costa Editora, p. 337-338).

Identifique nesses dois trechos o conflito a que os dois papas se referem e explique as razões de sua persistência no período da Baixa Idade Média europeia.
  
3. (Ufes 2012)  A ocorrência de feiras livres é observada, em cidades brasileiras, desde a época colonial, quando se destacaram a Feira de Santana e as feiras de Sorocaba, Campina Grande, Caruaru, entre outras. Em cidades europeias, esses eventos econômicos e culturais se tornaram comuns, a partir da Idade Média, com o renascimento do comércio e da vida urbana, quando se notabilizaram as feiras de Provins e de Troyes, na região de Champagne; as feiras de Bruges e de Antuérpia, na região de Flandres; as feiras de Colônia, de Lubeck e de outras cidades que constituíram a Liga Hanseática.
Explique

a) dois fatores que contribuíram para o renascimento do comércio e da vida urbana, no contexto europeu;
b) o significado das corporações de ofícios, que se difundiram, a partir do século XII, nas cidades europeias.
  
4. (Ufmg 2011)  Observe este mapa:




Nesse mapa, estão representados os limites territoriais da Colônia Portuguesa na América estabelecidos pelo Tratado de Tordesilhas, em 1494, e pelo Tratado de Madri, em 1750.

1. Considerando os respectivos períodos históricos, identifique e explique uma diferença que caracteriza o traçado correspondente a cada um desses tratados.
    Tratado de Tordesilhas:
    Tratado de Madri:

2. Caracterize o contexto em que cada um desses tratados foi estabelecido.
    Tratado de Tordesilhas:
    Tratado de Madri:
  
5. (Unicamp 2010)  Segundo o historiador indiano K. M. Panikkar, a viagem pioneira dos portugueses à Índia inaugurou aquilo que ele denominou como a época de Vasco da Gama da história asiática. Esse período pode ser definido como uma era de poder marítimo, de autoridade baseada no controle dos mares, poder detido apenas pelas nações europeias.

(Adaptado de C. R. Boxer, O Império Marítimo Português, 1415-1835. Lisboa: Edições 70, 1972, p 55.)

a) Quais fatores levaram à expansão marítima europeia dos séculos XV e XVI?
b) Qual a diferença entre o domínio dos portugueses no Oriente e na América?
  
6. (Unifesp 2010)  Mercantilismo é o nome normalmente dado à política econômica de alguns Estados Modernos europeus, desenvolvida entre os séculos XV e XVIII. Indique
a) duas características do Mercantilismo.
b) a relação entre o Mercantilismo e a colonização da América.
  
7. (Ufc 2010)  Durante os séculos XII e XIII, a introdução de novos métodos de trabalho agrícola, de tecnologias, de plantio e desenvolvimento da pecuária provocou o crescimento econômico da sociedade feudal, que produziu cada vez mais alimentos. Entre o século 1000 e 1300, está estimado que a produção de alimentos na Europa e sua população dobraram. O crescimento econômico também criou as bases para o desenvolvimento de atividade comercial, cultural e para a expansão de cidades. As transformações introduzidas na sociedade feudal estimularam também mudanças nas relações sociais e políticas. Porém, ao se entrar no século XIV, o período de crescimento econômico e avanços tecnológicos rapidamente deu lugar à fome e à doença.

a) Apresente quatro exemplos de novos métodos de tecnologia e produção agrícola que foram introduzidos na sociedade feudal durante os séculos XII e XIII.
b) Cite quatro razões para a crise e o declínio da sociedade feudal na Europa no século XIV.
c) Que grande epidemia ocorrida no século XIV reduziu drasticamente a população europeia?
  
8. (Ufc 2009)  Leia o texto a seguir.

A Igreja, arcabouço principal da sociedade, tenta estabelecer uma ordem menos selvagem e procura convencê-los, antes, a ajudar Deus a manter a paz na terra, do que a semear o terror.
            DUBY, Georges. "Ano 1000, ano 2000: na pista de nosso medos". São Paulo: Unesp, 1999, p. 98-99.

A citação faz referência à relação entre a Igreja Católica e os cavaleiros na Europa cristã, por volta do ano 1000. Responda o que se pede a seguir.

a) Qual a relação entre o direito de herança prevalecente e o "terror" semeado pelos cavaleiros?
b) Cite os dois movimentos liderados pela Igreja que visavam "estabelecer uma ordem menos selvagem". Explique-os.
c) Explique como os cavaleiros poderiam "ajudar Deus a manter a paz na terra".
  
9. (Unicamp 2008)  Em 1750, o governador do Rio de Janeiro, conde de Bobadela, enviou uma carta ao Rei de Portugal, D. João V, na qual comentava a assinatura do Tratado de Madri:

No tratado, a nossa demarcação passa por parte das Missões jesuítas, e surpreende-me como os jesuítas, tão poderosos na Corte de Madri, não embaraçaram a conclusão desse tratado. Porém, pode ser que armem tantas dificuldades à execução do tratado, que tenhamos barreira para muitos anos. Como me persuado, Sua Majestade determinará não seja evacuada a Colônia do Sacramento, enquanto não houverem sido evacuadas as áreas das Missões.
            (Adaptado de http://www.historiacolonial.arquivonacional.gov.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm)

a) Quais as resoluções do Tratado de Madri em relação às fronteiras coloniais?
b) Quais as consequências do Tratado de Madri para a atuação dos jesuítas na América portuguesa?
  
10. (Unifesp 2008)  Sabe-se que o feudalismo resultou da combinação de instituições romanas com instituições bárbaras ou germânicas. Indique e descreva no feudalismo uma instituição de origem
a) romana.
b) germânica.
  
11. (Uerj 2008)                          Mar Português

Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!

Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quere passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.
            (Fernando Pessoa)

O poema de Fernando Pessoa descreve aspectos da expansão marítima portuguesa no século XV, dando início a um movimento que alguns estudiosos consideram um primeiro processo de globalização. Identifique duas motivações para a expansão portuguesa e explique por que essa fase de expansão pode ser considerada um primeiro processo de globalização.
  
12. (Ufpr 2007)  "Grandes são as alegrias - que acontecem no lugar
Quando Cid conquista Valença - e entra na cidade.
Os que foram a pé - cavaleiros se fazem;
E as outras riquezas - quem as poderia contar?
Todos eram ricos - quantos os que ali estavam.
Meu Cid don Rodrigo - a quinta mandou tomar,
Do lucro do saque - ele tinha trinta mil marcos;
E de outras riquezas - quem poderia contar?"
            (VILAR, Pierre. "Ouro e Moeda na História: 1450-1920". Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1980, p. 46.)

"O Cantar del mio Cid", escrito no ano de 1110, constitui-se em um exemplo significativo da épica medieval. O texto narra as aventuras e adversidades do nobre castelhano Rodrigo Diaz de Vivar na grande mobilização dos reinos cristãos da Península Ibérica para a retomada das regiões mantidas pelos mouros.
Tendo em vista que a reconquista de Granada pelos castelhanos se realiza em 1492, apresente dois exemplos que caracterizam a influência que a reconquista de Granada exerceu sobre a conquista da América.
  
13. (Ufg 2006)  "O ar da cidade torna o homem livre".
            PAIS, Marco Antonio de O. "O despertar da Europa". 4.ed. São Paulo: Atual, 1992. p. 38.

Relacione o provérbio alemão do século XI, anteriormente transcrito, com o renascimento comercial urbano.
  
14. (Unesp 2005)  Pregada por Urbano II, a primeira cruzada... [estendeu-se de 1096 a 1099] . O sucesso dos pregadores faz dela uma cruzada popular (aventureiros, peregrinos). É um choque militar, político, mas também cultural e mental, pois a cruzada dilata o espaço e o tempo.
            (P. Tétart, "Pequena história dos historiadores".)

O que foi escrito sobre a primeira cruzada aplica-se, de maneira geral, às demais.
a) Qual era a finalidade imediata das cruzadas?
b) Além das alterações culturais e mentais, as cruzadas provocaram modificações de ordem comercial no continente europeu. Discorra sobre essas últimas.
  
15. (Ufg 2003)  "Na cidade de Florença, nenhuma prevenção foi válida nem valeu a pena qualquer providência dos homens. A praga, a despeito de tudo, começou a mostrar, quase ao principiar a primavera do ano referido [1348], de modo horripilante e de maneira milagrosa, os seus efeitos. A cidade ficou purificada de muita sujeira, graças a funcionários que foram admitidos para esse trabalho. A entrada nela de qualquer enfermo foi proibida. Muitos conselhos foram divulgados para a manutenção do bom estado sanitário. Pouco adiantaram as súplicas humildes, feitas em número muito elevado, às vezes por pessoas devotas isoladas, às vezes por procissões de pessoas, alinhadas, e às vezes por outros modos dirigidas a Deus."
(BOCCACCIO, Giovanni. Decameron In: MOTA, Myriam B.; BRAYCK, Patrícia R. "História das cavernas ao Terceiro Milênio". São Paulo: Moderna, 1997. p. 91.)

No trecho acima, o escritor florentino descreveu o cenário urbano na época da peste negra (1348), a pandemia (doença epidêmica amplamente disseminada) que causou milhares de mortes por toda a Europa. Com base no exposto,
a) estabeleça as relações entre as atividades comerciais das cidades italianas com o Oriente e a presença da peste negra no continente europeu.
b) explique duas consequências sociopolíticas da peste negra na Europa no século XIV.
  
16. (Ufg 2001)  A casa de Deus, que cremos ser uma, está, pois, dividida em três: uns oram, outros combatem, e outros, enfim, trabalham.
            Bispo Adalbéron de Laon, século XVI, apud Jacques Le Goff. "A Civilização do Ocidente Medieval". Lisboa: Editorial Estampa, 1984, v.II. p 45-6.

Caracterize a sociedade feudal, destacando a relação entre os que "combatem" (nobreza) e os que "trabalham" (servos).
  
17. (Ufes 2001)  Enquanto a fragmentação e o particularismo ainda vigoravam no restante do continente europeu, Portugal foi pioneiro no processo de centralização política.
Explique esse pioneirismo com base no processo de Reconquista da Península Ibérica em relação

a) à distribuição de terras;

b) à expulsão dos mouros.
  
18. (Ufg 2000)  A história do Mediterrâneo é a história das migrações populacionais e da circulação de valores de culturas distintas.

Discorra sobre a Expansão Árabe, a partir da unificação islâmica na Idade Média.
  
19. (G1 1996)  Qual a importância da cidade de  Meca, antes de Maomé?
  
20. (Unesp 1994)  Os promotores das cruzadas e os cruzados haviam se colocado, pelo menos, três objetivos: a conquista da Terra Santa de Jerusalém, a ajuda aos bizantinos e a união da cristandade contra os infiéis. Mas nenhum desses objetivos havia sido alcançado plenamente. Nas palavras de um importante historiador da Idade Média, "Se os cruzados são os grandes perdedores da expansão cristã no Século XII, os grandes ganhadores foram, em definitivo, os comerciantes (...)".
                                                                 (Jacques Le Goff, A BAIXA IDADE MÉDIA)

a) Identifique "os infiéis", contra os quais se procurava unir a cristandade.
b) Cite pelo menos um acontecimento histórico que confirme o ganho dos comerciantes.
 
Gabarito:  

Resposta da questão 1:

Durante a Baixa Idade Média se constituíram as monarquias na Europa, muitas vezes denominadas de monarquias nacionais. Um dos momentos mais importantes dessa formação, na Inglaterra, foi a elaboração da Magna Carta, no século XIII, quando o rei João, sem terra, pressionado por nobres e membros do alto clero, outorgou o documento que garantia direitos e liberdades, que representava a limitação do poder real. Nesse momento, a burguesia é uma classe nascente, pouco numerosa e ainda pouco importante, mas que tem assegurado o direito ao livre comércio no Reino, com algumas garantias legais.

Resposta da questão 2:

 O primeiro trecho, anterior ao século XI, destaca a importância da Igreja Católica do ponto de vista religioso. O Papa Gregório VII preocupou-se com as questões de fé e os problemas internos que afetavam os membros do clero, grande parte deles com uma vida desregrada.
O segundo trecho, posterior ao século XIV, preocupa-se com a relação entre o poder religioso e espiritual, representado pelo poder da Igreja; e o poder dos reis, temporal, representado pelas monarquias que, na Baixa Idade Média, viviam um processo de fortalecimento, com a formação das nações.  

Resposta da questão 3:

a) Apesar de não ser uma exigência a ser verificada na elaboração da resposta, subentende-se que as invasões “bárbaras” ou germânicas marcaram um novo processo na formação social medieval, enquanto fenômenos que intensificaram a ruralização no contexto geográfico europeu, especialmente no Império Romano do Ocidente. Enquanto isso, as relações comerciais e a vida urbana mantiveram-se ativas no Império Romano do Oriente ou Império Bizantino, ou seja, na Ásia Menor e no Oriente Próximo ou Oriente Médio, bem como no mar Mediterrâneo, compreendendo aí as cidades litorâneas e a outrora denominada Magna Grécia. Assim, independentemente dos pressupostos acima, serão consideradas, positivamente, as citações de fatores e respectivas descrições que expliquem o renascimento do comércio e da vida urbana, no contexto europeu, entre outras citações afins ou correlatas:
- as peregrinações de cristãos europeus aos Lugares Santos, propiciando o estabelecimento de relações comerciais necessárias ao suprimento das necessidades gerais daqueles peregrinos em romaria, implicando em relações de trocas de produtos e/ou de produtos por moedas;
- as Cruzadas ou Guerra Santa, enquanto iniciativa do cristianismo representado pelo Bispo de Roma, para libertação dos Lugares Santos, que se encontravam sob o controle principalmente dos povos identificados com a fé islâmica; trata-se de um embate iniciado no final do século XI e que se estendeu até o final do século XIII, contribuindo significativamente para o incremento do intercâmbio comercial e para a própria expansão europeia, inclusive no que concerne ao intercâmbio comercial entre as regiões europeias e o Oriente;
- a estabilização dos reinos medievais e relativa pacificação, propiciando o incremento demográfico e o esgotamento das terras férteis, contribuindo para a migração dos excedentes demográficos em busca de alternativas de sobrevivência nas vilas e nos burgos e disponibilizando mão de obra para as atividades artesanais, bem como para as relações de trocas ou intercâmbios comerciais;
- enriquecimento da nobreza feudal decorrente da Guerra Santa ou Cruzadas, inclusive por meio de saques, propiciando acumulação de riqueza que seria empregada na aquisição de produtos disponibilizados pelos intercâmbios comerciais, incluindo o gosto pelos artigos de luxo geralmente observados no Oriente; também se incluem o conhecimento de novos produtos, como as especiarias, que se incorporaram aos hábitos alimentares e à conservação de alimentos perecíveis;
- a própria tradição comercial das cidades da outrora denominada Magna Grécia, no mar Mediterrâneo, destacando-se as cidades da península italiana, que atuaram como entrepostos e pontos de origem das novas rotas comerciais que se consolidaram no interior da Europa, em cujos entroncamentos se originaram ou se desenvolveram burgos ou cidades como polos comerciais;
- quanto à Guerra Santa, deve-se considerar que foi por ocasião da Quarta Cruzada que os mercadores europeus das cidades do Mediterrâneo obtiveram o privilégio de fixação de entrepostos comerciais para distribuição de mercadorias provenientes do Oriente para as rotas comerciais terrestres e fluviais, que adentravam ao interior do continente europeu, em direção às feiras que se consolidavam.

b) Apesar de não ser uma exigência a ser verificada na elaboração da resposta, é bom lembrar que a associação formal de pessoas com interesses comuns já ocorria desde os tempos dos reis de Roma, Numa Pompílio (716-673 aC) e Sérvio Túlio (578-526 aC), quando se constituíram as clássicas associações ou confrarias, com caráter religioso, bem como as primeiras corporações de arquitetos e as associações de artes e ofício, congregando pessoas segundo habilidades práticas e profissionais mais comuns. Portanto, desde a Antiguidade Tardia (cerca de 300—600 d.C.), e durante a Alta Idade Média (476-1000), constituíram-se, na península italiana, corporações de artis et officium, congregando artigianos, bem como corporações de comerciantes. Assim, independentemente dos pressupostos acima, serão consideradas, positivamente, nas respostas, explicações afins ou correlatas que tratem dos aspectos essenciais das corporações de ofícios, enquanto organização social urbana para fins de auxílio mútuo e proteção, no contexto do renascimento do comércio e da vida urbana em ambiente europeu, mormente a partir do século XII:
- as confrarias religiosas, comuns entre os cristãos, também influenciaram a formação de agremiações ou corporações de ofícios, bem como as guildas, nas cidades que renasciam, na Idade Média;
- as corporações de ofícios, bem como as guildas, tinham como significado ou importância a proteção mútua mediante constituição de um fundo, nos burgos, especialmente contra a predominância da aristocracia feudal, que se impunha nos feudos; enfim, as guildas ou corporações de ofícios tinham como objetivo principal a defesa dos interesses econômicos e profissionais dos trabalhadores que lhes eram associados;
- as corporações de ofícios, bem como as guildas, tinham como significado ou importância a associação de mestres, que eram donos de oficinas, bem como artesãos ou artistas e aprendizes das artes e ofícios; agregavam pessoas das relações familiares ou pessoas outras, desprovidas de status e condições econômicas, como aprendizes de uma profissão;
- as corporações de ofícios, bem como as guildas, tinham como significado ou importância a reprodução e consolidação do conhecimento, bem como a normatização e refinamento das competências e especializações profissionais; constituíram-se guildas de alfaiates, sapateiros, ferreiros, açougueiros, artesãos, comerciantes, artistas plásticos entre outros profissionais; - as corporações de ofícios, bem como as guildas, tinham como significado ou importância a associação de professores e estudantes que, a partir do final do século XII e início do século XIII constituíram corporações que se denominaram Universitas Magistrorum, reunindo professores, e Universitas Scholarium, reunindo estudantes, com vistas aos estudos gerais e que propiciaram a gênese das Universidades;
- também serão considerados, positivamente, os comentários críticos ou ressalvas sobre as supostas diferenças entre corporações de ofícios, enquanto ambientes de aprendizagem de uma profissão, diferentemente das guildas, consideradas como corporações de comerciantes, segundo o princípio de que o mestre de uma corporação de ofício é também um comerciante de sua produção artesanal, da mesma forma que o comerciante de uma guilda vem a ser também o mestre de sua oficina de produção artesanal; portanto, as duas denominações são equivalentes, mesmo porque são muito mais diferenciações dialetais ou idiomáticas;
- também serão considerados, positivamente, as ressalvas sobre as articulações entre corporações de cidades de uma região, constituindo as LIGAS, mormente de comerciantes, com a finalidade de protegerem o comércio, ou seja, com a finalidade protecionista tanto das relações comerciais quanto do mercado.  

Resposta da questão 4:

 1. Tratado de Tordesilhas: a linha de Tordesilhas é imaginária e foi estabelecida para dividir o mundo entre Portugal e Espanha; Tratado de Madri: a linha demarcatória divide as terras de Portugal e Espanha na América e baseia-se no princípio do uti possidetis, que leva em consideração a ocupação dessas regiões

2. O Tratado de Tordesilhas foi definido em 1494, época em que apenas Portugal e Espanha realizavam a expansão marítima e a conquista de terras fora da Europa. As duas nações eram as grandes potencias econômicas europeias. O Tratado de Madri foi definido em 1750, época de apogeu da exploração aurífera no Brasil, que garantia riqueza significativa para Portugal; ao mesmo tempo, a Espanha vivia um período de decadência, com a redução da extração de minérios em suas colônias e com a derrota na Guerra de Sucessão, encerrada em 1715, que a forçou a fazer diversas concessões.  

Resposta da questão 5:

 a) A Expansão Marítima e Comercial Europeia nos séculos XV e XVI decorreu das demandas geradas pelo desenvolvimento do comércio no final da Idade Média. Dentre os fatores que a estimularam pode-se apontar: a escassez de metais preciosos na Europa, pois as minas europeias não conseguiam atender a demanda estimulada pelo crescimento das trocas monetárias e era preciso, portanto, encontrar novas minas fora do continente; a aliança entre o rei e a burguesia, pois ambos almejavam respectivamente a valorização do comércio e a conquista de novos domínios visando centralização do poder; a procura de um caminho para as índias (Oriente), pois desde o século XI as cidades de Gênova e Veneza dominavam as rotas de comércio no Mediterrâneo Oriental e os avanços tecnológicos do século XV.

b) As feitorias foram entrepostos comerciais, geralmente fortificados e instalados em zonas costeiras, sobretudo na África e no Oriente, que os portugueses construíram para centralizar e, assim, dominar o comércio dos produtos locais para o reino.

No Brasil, durante o período pré-colonial também foi adotado o sistema de feitorias para a exploração do pau-brasil.
Com a colonização efetivada a partir de 1530, Portugal estimulou a produção açucareira orientada para exportação.  

Resposta da questão 6:

a) São características do Mercantilismo: metalismo (acumulação de metais preciosos), balança comercial favorável, intervencionismo estatal na economia, protecionismo alfandegário e sistema colonial.

b) A exploração de colônias na América constituía-se num dos meios de acumulação mercantilista para os Estados Nacionais Modernos da Europa, pois as colônias eram, de um lado, fornecedoras de gêneros tropicais, negociados no mercado europeu, de matérias-primas e metais amoedáveis, e por outro, consumidoras de manufaturas, além de integrarem o lucrativo tráfico negreiro.  

Resposta da questão 7:

Durante os séculos XII e XIII, foram introduzidos na sociedade feudal novos métodos de cultivo, com a introdução de aros que possibilitaram arar o solo pesado. Os agricultores dessa sociedade adotaram métodos asiáticos de utilizar cavalos para arar a terra ao invés do boi, tornando o processo mais rápido, e introduziram o cultivo de feijão e legumes para repor os nutrientes no solo.
Foram introduzidos novos métodos de pastagem do gado, o que permitiu a fertilização do solo. Por sua vez, o excesso de grãos, lã e outros produtos permitiu que agricultores trocassem o que não seria consumido por implementos (aros, foices etc.) feitos com aço que também aumentaram a produtividade. O aumento da produtividade e do consumo de alimentos estimulou a expansão da população. As razões do rápido declínio da produtividade agrícola e da economia feudal no século XIV refletem uma combinação de múltiplos fatores, tais como a fome e a incapacidade da produção de alimentos de acompanhar o crescimento populacional, as guerras entre senhores feudais, a transmissão de epidemias como a peste bubônica, principalmente nas regiões mais populosas das rotas de comércio, e a crescente intransigência e demandas dos senhores feudais sobre os agricultores obrigados a pagar tarifas cada vez mais elevadas para sustentar modos de vida que não condiziam com o nível de produtividade.  

Resposta da questão 8:

Uma vez que apenas o primeiro filho dos senhores feudais herdava o feudo (direito de primogenitura), os demais deveriam buscar outras formas de subsistência. Portanto, ser um cavaleiro era o destino de muitos nobres despossuídos. Aproveitando-se da posse das armas, esses nobres semeavam o "terror" por meio de constantes guerras e de ações violentas, como espoliar vilarejos, extorquir camponeses, saquear colheitas, sequestrar senhores em busca de resgate e assaltar nas estradas. Na tentativa de diminuir os conflitos e de se proteger dessas ações, a Igreja Católica instituiu a "Paz de Deus" (pax Dei) e as "Tréguas de Deus" (tregua Dei) em fins do século X e princípios do século XI, visando diminuir a "selvageria" da cavalaria. O movimento conhecido por "Paz de Deus" ameaçava de excomunhão e punição divina os cavaleiros que atacassem, roubassem ou extorquissem os que não pudessem se defender (eclesiásticos, mulheres nobres desacompanhadas, camponeses e camponesas e desprotegidos em geral). Já as "Tréguas de Deus" proibiam os cavaleiros de guerrear nos dias religiosos da semana (das noites de quinta-feira até segunda-feira pela manhã - lembrança da Paixão de Cristo) e em datas importantes do calendário litúrgico (Advento, Quaresma, Páscoa, Pentecostes). De acordo com a Igreja, Deus esperava que a ordem e a paz terrenas refletissem a ordem e a paz celestes. Construiu-se, assim, o discurso de que cada grupo social deveria cumprir seu papel: os nobres guerreavam, o clero orava e os servos trabalhavam (fórmula celebrada por Adalberon de Laon, no início do século XI). Os cavaleiros, por conseguinte, não deveriam usar das armas para espoliar os pobres, mas para fazer justiça e manter a ordem. Nesse mesmo contexto, foram inauguradas as cruzadas (1095). Perdurando até o século XIII, essas expedições militares e religiosas canalizaram para fora do centro da Europa católica as disputas por terras e riquezas que motivavam as ações dos cavaleiros, além de servir de justificativa para a coesão da comunidade católica, unida em oposição a um inimigo externo. Dessa forma, os cavaleiros tornaram-se "agentes de Deus", combatendo os infiéis e reconquistando territórios considerados sagrados. O controle da violência por meio da cristianização da cavalaria foi fundamental para consolidar o poder da Igreja Católica, assim como para manter o sistema feudal.  

Resposta da questão 9:

a) O tratado baseou-se no princípio do "uti possidetis" (os territórios deveriam pertencer a quem efetivamente os ocupasse), utilizado pelo representante português, o brasileiro Alexandre de Gusmão. Desse modo, a linha de Tordesilhas seria abandonada, ficando Portugal e Espanha com a posse das terras que já ocupassem. Pelo Tratado de Madri, o território do Brasil passou a ter os limites muito semelhantes aos que possui atualmente. No Sul, Portugal entregou à Espanha a Colônia do Sacramento e recebeu em troca os Sete Povos das Missões.

b) Com a recusa dos índios e jesuítas de origem espanhola de abandonar o território dos Sete Povos das Missões, teve início a chamada Guerra Guaranítica, que resultou no massare dos índios, quando um exército luso-espanhol atacou a região. O apoio dos jesuítas aos índios reforçou as tensões já existentes entre a Companhia de Jesus e os governos de Lisboa e Madri, contribuindo para a posterior expulsão dos inacianos de Portugal, da Espanha e de suas respectivas colônias, alguns anos depois da assinatura do Tratado de Madri.  

Resposta da questão 10:

a) A servidão feudal, caracterizada pelo vínculo dos camponeses à terra, teve origem no colonato surgido durante o Baixo Império Romano.

b) As relações de suserania e vassalagem entre os nobres feudais, têm suas origens no "comitatus", tradição germânica de alianças militares que estabeleciam laços de fidelidade entre os chefes tribais e seus guerreiros.  

Resposta da questão 11:

 Duas das motivações:
- espírito cruzadista do povo português
- expansão da fé cristã
- busca de ouro, pimenta, marfim e escravos na África
- procura de caminho marítimo para área de especiarias (Índias)
- busca de terras para a nobreza na Europa
- estabelecimento de relações comerciais com os chefes africanos

O encontro e a exploração de novos territórios produziram trocas culturais, políticas e comerciais ampliando o mundo até então conhecido pelos europeus.  

Resposta da questão 12:

O caráter predatório das conquistas, evidenciado na retratação da pilhagem das riquezas dos inimigos presente na narrativa  sobre a conquista de Granada, pode ser observado na conquista da América pelos espanhóis, sobretudo quando da conquista dos impérios Asteca e Inca.
O espírito cruzadista para a expansão da fé cristã, esteve presente não só nas iniciativas de Colombo, quando da capitação de recursos e pessoas para o seu empreendimento, como também no processo de conquista da América, diferenciando-se porém no contexto das Reformas Religiosas, orientado para a catequese dos nativos, por não se tratar de uma guerra contra infiéis, mas de cooptar fiéis para o catolicismo, diante do avanço do protestantismo na Europa.  

Resposta da questão 13:

O ar da cidade torna o homem livre, pois, na baixa Idade Média, os centros urbanos em luta por seus direitos libertaram-se, em parte, da tutela feudal. Os impostos cobrados em dinheiro, as atividades bancárias, a força política dos comerciantes (burguesia), o crescimento das corporações de ofícios, a retomada com mais vigor das rotas de comércio internacional impuseram um novo modo de viver ao mundo citadino.  

Resposta da questão 14:

a) Libertar a Terra Santa (Jerusalém) do domínio muçulmano.

b) As Cruzadas proporcionaram a reabertura do  Mediterrâneo Ocidental ao comércio europeu, intensificando as relações mercantis da Europa com o Oriente, sobretudo com Constantinopla, Alexandria e Antioquia, criando-se assim, as bases para o Renascimento Comercial e Urbano da Baixa Idade Média.  

Resposta da questão 15:

a) A Peste Bubônica chegou à Europa através dos ratos vindos nos navios mercantes do Oriente que aportavam em Gênova em razão de um intenso comércio entre as cidades italianas e o Oriente. A partir daí disseminou-se como epidemia favorecida pelas precárias condições de higiene no mundo europeu.

b) As altas taxas de mortalidade verificadas no século XIV, levaram á superexploração dos servos por parte dos senhores feudais devido à redução da oferta de mão de obra, o que desencadeou violentas revoltas camponesas. Para conter as revoltas, os nobres feudais recorriam à ajuda militar dos reis, o que contribuiu para o enfraquecimento do poder senhorial local em favor do fortalecimento do poder real no contexto da formação das Monarquias Nacionais europeias.  

Resposta da questão 16:

A sociedade feudal era estamental, polarizada por senhores e servos e incluindo-se os clérigos, os cavaleiros, os ministeriais e os escravos.
O papel das classes era definido pela Igreja sendo a nobreza senhorial responsável pela proteção dos servos que por seu lado constituíam a classe produtora dos recursos necessários à subsistência das demais classes.  

Resposta da questão 17:

a) As origens de Portugal como nação encontram-se na doação do Condado Portucalense ao Conde Henrique de Borgonha, pelo rei de Leão, Afonso VI, como prêmio pelo auxílio na Guerra de Reconquista, no final do século XI.

b) Em 1139, Afonso Henriques liderou a independência do Condado Portucalense, dando origem ao Reino de Portugal, cujas terras ao sul, conquistadas aos mouros, forma incorporadas ao Reino e distribuídas aos fidalgos e a ordens militares e religiosas.  

Resposta da questão 18:

A consistência e a simplicidade da doutrina islâmica, associada à decadência dos impérios persa e bizantino e aos interesses  materiais dos árabes, foram fatores decisivos ao processo da expansão islâmica ao redor do Mediterrâneo.
O contato com os europeus foi de grande valia no âmbito da cultura, apesar da presença árabe no Mediterrâneo ter contribuído para a cristalização do feudalismo.  

Resposta da questão 19:

Meca era um importante centro comercial e religioso da Arábia, onde se localizava o santuário da Caaba, local de peregrinação e adoração da Pedra Negra e dos ídolos das tribos beduínas.  

Resposta da questão 20:

a) Muçulmanos.
b) Reabertura do Mediterrâneo, Renascimento comercial e urbano.  


                                          Islamismo





                                          Império Bizantino




                                          Feudalismo




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