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Oriente Médio e Palestina

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Pan‑africanismo e libertação


Edem Kodjo e David Chanaiwa

Se, por sua vez, o panafricanismo, como movimento de integração, obteve algum sucesso ao final dos anos 1950 e no início dos anos 1960, se conheceu êxitos mais variáveis e sofreu derrotas a partir de meados dos anos 1960, e se, finalmente, demonstra um forte impulso desde meados dos anos 1970, o panafricanismo como movimento de libertação, quanto a ele, alcançou o seu apogeu nos primeiros dez anos posteriores à conquista da independência pela África. Porém não sobreviveu a este período e exauriuse ao final dos anos 1960. Após a conquista da independência, o princípio unificador do panafricanismo — a vontade de lutar contra as potências coloniais — enfraqueceuse em alguns Estados africanos, em que pese a persistência, na África Austral, de um conflito cuja permanência poria em suspenso a completa libertação do continente. O panafricanismo nasceu no Novo Mundo, nos séculos XVIII e XIX, em favor da luta dos negros pela libertação, contra a dominação e a exploração dos brancos. Estes movimentos traduzemse pelo separatismo religioso afroamericano (que se estenderá pouco após na África). No próprio continente africano, o panafricanismo, como movimento de libertação remonta, como vimos no capítulo 23, à invasão da Etiópia pelos fascistas italianos, em 1935, assim como e, sobretudo, ao quinto Congresso Panafricano reunido em Manchester, em outubro de 1945. Neste congresso, pela primeira vez, durante toda a história do movimento panafricano, os representantes africanos eram os mais numerosos e os debates envolveram, essencialmente, a libertação da África colonizada. O congresso de Manchester foi organizado por um Secretariado Especial, presidido por Peter Milliard da Guiana britânica (atual Guiana), e incluindo R. T. Makonnen, das Antilhas (tesoureiro), Kwame Nkrumah, da Costa do Ouro (atual Gana) e George Padmore, de Trinidad e Tobago (cossecretários), Peter Abrahams, da África do Sul (secretário encarregado das relações públicas) e Jomo Kenyatta, do Quênia (secretário adjunto). O congresso agregou mais de duzentos delegados vindos, em sua maioria, das colônias britânicas na África, entre os quais figuravam os futuros chefes de Estados independentes. Um veterano do panafricanismo, W. E. B. Du Bois, presidiu todas as sessões do congresso. As deliberações e principalmente as resoluções do congresso de Manchester estavam marcadas por um tom mais pugnaz e radical, comparativamente aos congressos precedentes. As declarações dirigidas às potências coloniais exigiam, especialmente:
1. A emancipação e a total independência dos africanos e dos outros grupos raciais submetidos à dominação das potências europeias, as quais pretendiam exercer, sobre eles, um poder soberano ou um direito de tutela;
2. A revogação imediata de todas as leis raciais e outras leis discriminatórias;
3. A liberdade de expressão, de associação e de reunião, bem como a liberdade de imprensa;
4. A abolição do trabalho forçado e a igualdade de salários para um trabalho equivalente;
5. O direito ao voto e à elegibilidade para todo homem ou mulher com idade a partir de vinte um anos;
6. O acesso de todos os cidadãos à assistência médica, à seguridade social e à educação.
A reivindicação em prol da integração econômica foi examinada no capítulo 14. Os  representantes exigiam igualmente que a África se livrasse da “dominação política e econômica dos imperialismos estrangeiros”. Evento da maior importância, pela primeira vez os africanos advertiam formalmente as potências europeias, para muito bem atentarem ao fato que eles também recorreriam à força para se libertarem, caso elas persistissem em querer governar a África pela força. Simultaneamente, em uma declaração dirigida ao povo africano, os representantes enfatizaram o fato da luta pela independência política ser somente a primeira etapa e o meio para se atingir a completa emancipação nas esferas econômica, cultural e psicológica. Eles exortaram a população das cidades e dos campos africanos, os intelectuais e os profissionais liberais a se unirem, organizaremse e lutarem até a absoluta independência. Em suma, o quinto Congresso tornou o panafricanismo uma ideologia de massas, elaborada pelos africanos e em seu próprio favor. Inicialmente ideologia reformista e protestante em favor das populações de origem africana, habitantes na América, o panafricanismo tornarase uma ideologia nacionalista orientada para a libertação do continente africano. O panafricanismo mundial de DuBois, o combate de Garvey pela autodeterminação e autonomia, o regresso à cultura africana preconizada por Césaire, pertenciam, doravante, inteiramente ao nacionalismo africano. Diversos delegados, como Nkrumah ou Kenyatta, saíram de Londres rumo à África, onde eles iriam conduzir o seu povo à independência. Todos os movimentos nacionalistas inscreveram em seus estatutos disposições inspiradas pelo panafricanismo.

sábado, 28 de abril de 2012

Uerj Simulado Fg 12ª semana

A maior parte dos simulados anteriores privilegiou a História brasileira, embora História temática e geral estivessem sempre representados, mesmo que de forma minoritária. Considerando que nos últimos três anos a Uerj dedicou 39,39%  de suas questões a assuntos de História Geral, pretendo concentrar nos próximos simulados questões que abordem, de forma variada, essa temática.
bons estudos!!!
Professor Arão Alves

http://www.sprweb.com.br/lista/?COD=4864128821

Libéria - Uma História americana na África





Tecnicamente, a Libéria era uma colônia da American Colonization Society (Sociedade Americana de Colonização – SAC), que a fundara em 1822 com o auxílio do governo norteamericano, para nela estabelecer afroamericanos “livres”, desejosos de fugir da escravatura e do racismo dos brancos, bem como africanos (recapturados) que a marinha norteamericana salvara das mãos dos negreiros que cruzavam o Atlântico. Monróvia, fundada em 1822 pelos primeiros emigrantes afroamericanos, foi o núcleo em torno do qual se desenvolveu a Libéria. Até 1906 aproximadamente, mais de 18 mil africanos do Novo Mundo, na maioria dos casos com a ajuda da SAC, emigraram anualmente para a Libéria, fixandose em umas três dezenas de povoações próximas da costa do Atlântico, em terras que aquela sociedade ou o governo liberiano tinham obtido dos chefes africanos da região. Quase todos os colonos eram afroamericanos, mas 400 deles, pelo menos, eram afroantilhanos originários de Barbados, que emigraram em 1865 e se instalaram em conjunto em Crozierville, 13 km adentro de Monróvia. Mais de 5 mil escravos libertos (recapturados), originários na sua maior parte da região do Congo, também se fixaram na Libéria, principalmente entre 1844 e 1863, de início confiados aos américoliberianos, designação dada aos colonos africanos vindos do Novo Mundo e a seus descendentes4. Os américoliberianos, que necessitavam de terras para a agricultura, o comércio e a construção de uma nação forte, e que enfrentavam a concorrência do Reino Unido e da França, também à procura de terras para o estabelecimento de entrepostos comerciais e postos militares, ampliaram consideravelmente o território da Libéria a partir de alguns pontos isolados da costa que os chefes africanos inicialmente lhes haviam arrendado. Em dezembro de 1875, quando tal expansão praticamente cessara, o território da Libéria, segundo o governo, estendiase por cerca de 960 km ao longo da costa do Atlântico, com uma largura de 320 a 400 km, alcançando teoricamente o Níger (ver figura 11.1). A população compunhase de colonos de origem norteamericana (os américoliberianos) e africana (os recapturados), além das etnias autóctones. Tais etnias compreendiam os Vai, os Dei, os Basa, os Kru e os Grebo, perto da costa, além dos Gola, Kissi, Bandi, Kpele, Loma e Mandinga, no interior5. Os américoliberianos adotaram uma cultura essencialmente ocidental em seu estilo de vida, instituições políticas, pelo uso da língua inglesa, do regime da propriedade individual e definitiva do solo, do cristianismo e da monogamia. Os autóctones eram tradicionalistas ou muçulmanos, falavam línguas próprias e possuíam o solo em comum. Suas aldeias eram governadas por chefes e anciãos assistidos por organizações sociopolíticas ou fundadas na divisão em grupos etários, como os poro (sociedades de homens) e os sande (sociedades de mulheres). Embora apreciassem a educação ocidental trazida pelos américo-liberianos e missionários brancos, alguns de seus anciãos se opunham à difusão do cristianismo e das práticas que interferiam em suas leis e costumes. Como não dispunha de verdadeiro poderio militar e lhe faltavam funcionários qualificados e fundos, o governo não podia executar o projeto de ocupação efetiva do território nacional. Para tanto lhe seria necessário construir estradas e linhas ferroviárias, postos administrativos e militares, colônias de povoamento américoliberianas em todo o país, ou assegurar a cooperação dos chefes do interior pagandolhes regularmente um estipêndio e convidandoos a “representar” seu povo na qualidade de “juízes”. Por outro lado, em começos da década de 1880, quando teve início a corrida para a África (cujo ponto culminante foi a conferência de Berlim, em 18841885), tornavase provável que as potências europeias se apossassem de grande parte do território que a Libéria reivindicava. A principal preocupação da Libéria, portanto, era defender o território que havia adquirido. Em vésperas da corrida a situação não mudara muito na Libéria desde 1847, data em que se tornou independente da American Colonization Society. Tal como nos Estados Unidos da América, o Parlamento se compunha de Câmara de Representantes e Senado. O poder executivo pertencia ao presidente, vicepresidente, eleitos pelo povo de dois em dois anos, e ministros, nomeados pelo presidente com a anuência do Senado. O poder executivo representavase em cada condado – unidade de administração local – por um superintendente que dirigia a administração. A autoridade do presidente, em teoria, era muito ampla; mas, como não tinha meios para impôla fora de Monróvia, certas famílias américoliberianas detiveram, em alguns casos por várias gerações, sob o governo dos republicanos e dos True Whigs, um poder político considerável à escala dos condados. Entre tais famílias, que um crítico liberiano chamou ironicamente de “lordes e nobres” da Libéria, citamse os Hoff, os Sherman e os Watson, do condado de Cape Mount; os Barclay, os Coleman, os Cooper, os Dennis, os Grimes, os Howard, os Johnson, os King e os Morris, do condado de Montserrado; os Harmon e os Horace, do condado de Grand Bassa; os Birch, os Greene, os Grigsby, os Ross e os Witherspoon, do condado de Sinoe; os Brewer, os Dossen, os Gibson, os Tubman e os Yancy, do condado de Maryland; todos formavam a elite política (e sempre, invariavelmente, a elite econômica). No entanto, a unidade nacional estava minada por graves divisões sociais. Existiam dois partidos políticos desde 1847, data da independência: o Partido Republicano, dominado pelos colonos mulatos, e o Partido dos True Whigs, dominado pelos colonos negros, congoleses e autóctones instruídos. Não havia diferenças fundamentais entre eles, tanto no plano ideológico como no político. Ambos se enfrentavam de dois em dois anos, por ocasião das eleições, em ásperas disputas tanto mais estéreis quanto é certo que eles não se opunham em nenhuma questão de fundo: tratavase era de conquistar o poder, para se apoderar de todo o sistema de clientela da República. Os republicanos dirigiram a Libéria desde a independência até 1870, ano em que foram derrotados pelos True Whigs. Voltaram ao poder em 1871, que lhes escapou de novo em 1877.
Os True Whigs governaram então o país sem interrupção até 1980, quando um golpe de Estado desfechado pelo sargentochefe (hoje general) Samuel Doe os derrubou. A divisão era bem mais profunda entre os américoliberianos e os africanos autóctones. Durante todo o século XIX, a política dos américoliberianos tinha como objetivo a assimilação cultural e política dos autóctones, tratando de “civilizálos”, convertêlos ao cristianismo e darlhes direitos idênticos aos dos colonos. Em certa medida, tiveram êxito na assimilação dos recapturados (escravos libertos), bem menos numerosos que os colonos, mas, ciosos de seus privilégios, não deixaram de exercer um rígido controle político sobre a Libéria, limitando a participação dos autóctones, mesmo os instruídos, nos negócios públicos. Pouquíssimos entre os autóctones instruídos obtiveram o direito de voto, em pé de igualdade com os américoliberianos, mesmo sendo estes pobres e analfabetos. Os representantes dos autóctones (representantes, principalmente, dos africanos da costa) com cadeiras no Parlamento de 1875 em diante eram principalmente chefes designados “juízes” (ou “delegados”). Suas circunscrições, para que fossem delegados, tinham de pagar ao governo uma taxa (delega te fee) de 100 dólares. Como os delegados só falavam por meio de um intérprete sobre questões étnicas e não tinham direito de voto, sua influência sobre a política do governo era muito reduzida8. Por isso africanos instruídos e chefes viviam descontentes com a sua limitada participação na vida pública. Por outro lado, o governo procurava aumentar ao máximo o que constituía suas principais fontes de renda: os direitos de importação e exportação e outras taxas sobre o comércio e o transporte marítimo. Para facilitar a arrecadação e o controle do comércio externo pelos comerciantes américoliberianos, o governo vedou aos estrangeiros, em 1839, o comércio na Libéria fora de seis portos de desembarque américoliberianos. As limitações e os impostos provocaram descontentamento nos negociantes estrangeiros e nos chefes africanos autóctones, que, até então, controlavam o comércio externo e recebiam os direitos aduaneiros. Uns e outros se aliaram muitas vezes para lutar contra as medidas do governo ou para solicitar aos Estados europeus que interviessem a seu favor. Foi assim que, por várias vezes, no decurso do século XIX, os Vai, os Kru e os Grebo, da costa da Libéria, pegaram em armas e se revoltaram contra os impostos que o governo queria receber sobre o seu comércio

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Ruanda

Conflito em Ruanda

 

Em 1994, o presidente da etnia hutu, Juvenal Habyarimana foi assassinado por militantes da etnia Tutsi. Perseguidos, mais de 300 mil hutus fugiram de Ruanda para a Tanzânia, Burundi e Zaire onde ficaram confinados em Campos de refugiados. Os que não conseguiram fugir foram massacrados e estima-se que quase um milhão morreram.
Mas esse conflito de 1994 em Ruanda, país do centro-leste da África, foi apenas um dos vários que já assolaram aquela região em decorrência de divergências e inimizades dessas duas tribos: Hutus e Tutsis
Esse genocídio em Ruanda teve como resultado a morte de cerca de 1 milhão de tutsis e hutus, cruelmente assassinados.
Ruanda, está localizado na África central, tem como capital Quigali e como línguas oficiais o francês e o ruandês. Este país, ao lado de Uganda e Burundi foram criados artificialmente, misturando grupos étnicos inimigos históricos: os Tutsis, os Hutus e os Twas. Toleravam-se devido a relações comerciais entre eles. Os Tutsis eram pastores e os Hutus, agricultores, portanto mantinha relações de trocas que amenizava certas atitudes belicosas.
Em finais do século XIX, a região é ocupada pelos alemães que logo se aliam aos Tutsis e convertem os Hutus á escravidão, despertando antigas divergências, ódios e revanchismo.
Após a Segunda Guerra, os alemães perdem o poder na região e a instabilidade passa a reinar. Tutsis e Hutus passam a se confrontarem e várias escaramuças provocam atitudes cruéis e violentas de ambas as partes.
Em 1962, o país conquista sua independência e a liderança dos Hutus se consolida. Estes passam a perseguir os Tutsis, perseguindo e massacrando-os.
Em 1994, com o atentado em que morre o presidente Habyarimana, explode uma guerra civil e os Hutus massacram os Tutsis. Estes acabam por tomar o poder e num ato revanchista, massacram Hutus.
Á partir de 1996, a ONU institui um Tribunal Internacional, para julgar os acusados pelo massacre de 1994.
Um ex-primeiro-ministro ruandês é condenado à prisão perpétua. Outros 120 mil acusados são detidos e esperam julgamento nas prisões do país. Em 1998, ocorrem várias execuções, criticadas por organismos internacionais de defesa dos direitos humanos.
As tentativas de promover a reconciliação entre os tutsis, que se encontram no poder atualmente, e os hutus encontram empecilhos diversos que retarda a solução.
Os constantes conflitos ocorridos no país geraram problemas econômicos e sociais quase insolúveis. A queda vertiginosa do PIB, o retorno de quase 2 milhões de refugiados, o excesso de população, a falta de moradias, as epidemias, principalmente AIDs, etc.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Formação Geral - sugestão complementar de estudo para a prova de História

 Este post contém questões discursivas com seu respectivo gabarito comentado.  Esse material é complementar e não substitui a leitura e  revisão das questões do material UNO. Tem como fito, apenas. contribuir na preparação daquele aluno que não se conforma em tirar uma nota menor do que "10" e sempre quer mais um pouquinho antes da prova.
Além das questões, disponibilizei links para pequenos vídeos que abordam os temas discutidos no bimestre. Dessa vez, procurei concentrar todos os links em um só post, ou seja, basta encontrar entre os links abaixo, aquele referente a sua turma.

Bons estudos!!

Professor Arão Alves
FG 1º ano
 FG 2º ano
FG 3º ano

domingo, 8 de abril de 2012

Sugestão de estudo complementar para a prova de História - 1º 2º e 3º ano - FG e Técnico

Este post contém questões discursivas com seu respectivo gabarito comentado. Esse material é complementar e não substitui a leitura e  revisão das questões do material UNO. Tem como fito, apenas. contribuir na preparação daquele aluno que não se conforma em tirar uma nota menor do que "10" e sempre quer mais um pouquinho antes da prova.
Além das questões, disponibilizei links para pequenos vídeos que abordam os temas discutidos no bimestre. Dessa vez, procurei concentrar todos os links em um só post, ou seja, basta encontrar entre os links abaixo, aquele referente a sua turma. Formação geral 1º, 2º e 3º,  os demais curso estão denominados genericamente como curso técnico.
Espero que gostem do material e desejo a todos, bons estudos!
Links:

Sugestão de estudo complementar para a prova de História FG 1º ano


Este post contém 11 questões discursivas com seu respectivo gabarito comentado. Esse material é complementar e não substitui a leitura e  revisão das questões do material UNO. Tem como fito contribuir para fortalecer o conhecimento daquele aluno que não se conforma em tirar uma nota menor do que "10" e sempre quer mais um pouquinho antes da prova. Bons estudos!!!
Além das questões, disponibilizei links para pequenos vídeos que abordam a Grécia de forma muito interessante. Espero que gostem!

Professor Arão Alves.
1. (Unicamp 2011)  À Ilíada, epopeia guerreira, sucede a Odisseia, pacífica coletânea de lendas e aventuras marítimas. Esse contraste corresponde a uma mudança, quando os povos da região renunciam às lutas em territórios muito estreitos e se voltam para os países longínquos. Os poemas homéricos são contemporâneos da grande expansão marítima dos fenícios e a Odisseia está cheia de violências e rapinas de todo tipo praticadas pelos fenícios, apresentados como mercadores descarados e bandidos sem escrúpulos; mas devemos levar em conta, nessas narrativas, as rivalidades comerciais.
(Adaptado de J. Gabriel-Leroux, As primeiras civilizações do Mediterrâneo. São Paulo: Martins
Fontes, 1989, p. 67-68.)

a) Segundo o texto, quais seriam as razões históricas da diferença entre a Ilíada e a Odisseia?
b) Como a organização política de fenícios e gregos os diferenciava da civilização egípcia?
 
2. (Unesp 2007)  Um dos mais antigos registros escritos conhecidos surgiu no Egito. A região foi também berço do Estado e da diferenciação social. Escrever requeria anos de aprendizado e apenas alguns poucos, como os escribas, dedicavam-se a essa tarefa. Nos dias atuais, o conceito de analfabetismo mudou. A Unesco adota a noção de analfabeto funcional: pessoa capaz de escrever e de ler frases simples, mas que não consegue usar informações escritas para satisfazer suas necessidades diárias e para desenvolver seu conhecimento. Explique para que servia a escrita no Egito antigo e relacione o conceito contemporâneo de analfabetismo com a ideia de exclusão social.
 
3. (Unicamp 2006)  A característica mais notável da Grécia antiga, a razão profunda de todas as suas grandezas e de todas as suas fraquezas, é ter sido repartida numa infinidade de cidades que formavam um número correspondente de Estados. As condições geográficas da Grécia contribuíram fortemente para dar-lhe sua feição histórica. Recortada pelo embate entre a montanha e o mar, há uma fragmentação física e política das diferentes sociedades.
                (Adaptado de Gustave Glotz, "A cidade grega". São Paulo: Difel, 1980, p. 1.)

a) Segundo o texto, qual a organização política mais relevante da Grécia antiga? Indique suas principais características.
b) Relacione a economia da Grécia antiga com as condições geográficas indicadas no texto.
 
4. (Fuvest 2006)  Tendo em vista as cidades-estado (polis), comente a seguinte passagem do livro "História" (Livro VIII, 144), na qual Heródoto verifica a existência da "unidade de todos os helenos pelo sangue e pela língua, e os templos dos deuses e os sacrifícios oferecidos em comum, e a semelhança de nossa maneira de viver".
Faça o comentário em termos
a) da identidade dos gregos.
b) do significado da polis.
 
5. (Unesp 2005)  Observe e compare as imagens seguintes.

a) Cite uma diferença na forma de representação do corpo humano numa e noutra escultura.
b) Explique a importância da escrita para o Estado egípcio na época dos faraós e a dos jogos olímpicos para as cidades gregas do século VIII a.C. ao V a.C.
 
6. (Fuvest 2003)  "Cada um deve observar as religiões e os costumes, as leis e as convenções, os dias festivos e as comemorações que observavam nos dias de Dario. Cada um deve permanecer persa em seu modo de vida, e viver em sua cidade (...). Porque eu desejo tornar a terra bastante próspera e usar as estradas persas como pacíficos e tranquilos canais de comércio."
"Edito de Alexandre para os cidadãos das cidades persas" conquistadas.331 a. C.

A partir do texto, responda:
a) Quem foi Alexandre e quais os objetivos de suas conquistas?
b) Indique algumas características do "helenismo".
 
7. (Unicamp 2003)  A relutância dos aliados da Liga de Delos em pagar tributos aumentou quando Atenas decidiu dedicar o enorme excedente acumulado por quase trinta anos para reconstruir os templos e monumentos da Acrópole ateniense, destruídos pelos persas em 480 e 479 a. C.. (Adaptado de Peter Jones (org.), "O Mundo de Atenas: uma introdução à cultura clássica ateniense". São Paulo, Martins Fontes, 1997, p. 241.)

a) O que foi a Liga de Delos e quais seus objetivos iniciais?
b) Quais os mecanismos que asseguravam a hegemonia ateniense sobre seus aliados neste período?
c) Qual a importância da Acrópole na Atenas clássica?
 
8. (Unesp 2003)  O palácio real constitui naturalmente, na vida da cidade mesopotâmica, um mundo à parte. Todo um grupo social o habita e dele depende, ligado ao soberano por laços que não são somente os de parente a chefe de família, ou de servidor a senhor. (...) Este grupo social é numeroso, de composição muito variada, abrangendo trabalhadores de todas as profissões, domésticos, escribas, artesãos, homens de negócios, agricultores, pastores, guardiões dos armazéns, etc., colocados sob a direção de um intendente. É que a existência de um domínio real, dotado de bens múltiplos e dispersos, faz do palácio uma espécie de vasta empresa econômica, cujos benefícios contribuem para fundamentar solidamente a força material do soberano.
(Aymard/Auboyer, "O Oriente e a Grécia - As civilizações imperiais".)

a) Como se organizava a vida social e política na Mesopotâmia?

b) Um dos grandes legados da Mesopotâmia foi a criação do Código de Hamurabi. Quais os principais aspectos desse Código?
 
9. (Fuvest 2001)  No antigo Egito e na Mesopotâmia, assim como nos demais lugares onde foi inventada, a escrita esteve vinculada ao poder estatal. Este, por sua vez, dependeu de um certo tipo de economia para surgir e se desenvolver.

Considerando as afirmações acima, explique as relações entre:

a) escrita e Estado;

b) Estado e economia.

TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
Heródoto, o principal historiador da antiguidade, descreve a população Egípcia trabalhando em 550 a. C. de seguinte forma:
                "Eles extraem os frutos da terra com menor labor do que qualquer outro povo... porque estão livres do trabalho de desatar a terra com arado, ou com enxada, ou qualquer outro processo que o homem empregue para obter colheitas de cereais; quando o rio entende de irrigar os campos e depois retira as águas, cada homem semeia seu lote e lança os porcos; depois que as sementes estão bem enterradas pelo patinhar dos porcos, eles os retiram e esperam o tempo da colheita..."


10. (G1 1996)  Conforme o texto do historiador Heródoto, faça as seguintes interpretações:

a) Por que extraem frutos da terra com menor labor que qualquer outro povo?
b) Qual a melhor condição para que o egípcio comece a semear a terra?
 
11. (Fuvest 1985)  Caracterize as relações entre os camponeses e o Estado no Egito antigo.
 

Gabarito: 

Resposta da questão 1:
 a) Segundo o texto a Ilíada retrata uma grande aventura militar, durante a Guerra de Tróia, quando povos gregos desenvolveram uma política de expansão. A Odisseia retrata a relação amistosa entre os povos gregos, num contexto marcado pela expansão do comércio.

b) Tanto os fenícios como os gregos antigos se organizavam politicamente em cidades-estado, ou seja, as cidades eram unidades políticas soberanas e não estavam subordinadas a um governo central. Isso significa que para essas duas sociedades, o fato de pertencerem a um povo não significou a formação de uma nação. Na antiguidade, fala-se em povo fenício, mas não existiu um “Estado fenício” e o mesmo ocorreu com os gregos, pois tratamos de povo grego ou da mitologia grega e não existiu a Grécia enquanto Estado. 

Resposta da questão 2:
 No Egito Antigo, o domínio da escrita era privilégio de poucos e estes colocavam-se a serviço do Estado encarregados da  organização da  produção, da arrecadação, da estrutura religiosa e dos registros da historiografia oficial.
Nas sociedades contemporâneas, os analfabetos funcionais, em razão das dificuldades na intrpretação e entendimento das  informações escritas, têm por conseguinte, dificuldades na articulação de conhecimentos que lhes tornem possível participar de forma consciente e verdadeiramente crítica na vida econômica, social e política. Assim sendo, alheios, em muitos casos, à consiência da própria existência e da condição de cidadania, tornam-se marginalizados e alvos da exploração inescrupulosa. 

Resposta da questão 3:
 a) A pólis ou cidade-Estado, cujas principais características eram a soberania, a autonomia e participação direta dos cidadãos nas questões políticas.

b) O relevo montanhoso e o clima árido no continente inibiu a prática da agricultura, restrita aos poucos vales férteis. Porém, nas áreas litorâneas, a facilidade de comunicação com as inúmeras ilhas e com outras regiões do Mediterrâneo, favoreceu o comércio marítimo. 

Resposta da questão 4:
 a) Apesar da ausência de unidade política, os gregos possuíam em comum uma identidade cultural caracterizada pela origem, pela religião e pelo idioma.

b) A polis ou cidade-Estado constituía a base da organização política no Mundo Grego, isto é, as cidades distinguiam-se umas das outras por sua soberania política. 

Resposta da questão 5:
 a)  Quanto a anatomina humana, o "Escriba Sentado" revela uma representação estilizada e simplista, enquanto o "Discóbolo" evidencia maior maior fidelidade. O segundo revela ainda a sensação de movimento e o primeiro um caráter estático.

b) A escrita era fundamental para as questões administrativas e fiscais para o Estado Egípcio, sobretudo na elaboração dos relatórios relativos à coleta e  armazenamento dos cereais nos depósitos do  Estado e sua posterior distribuição entre a população. Os Jogos Olímpicos constituiam, além de significativo evento religioso, um fator de confraternização entre as cidades gregas. 

Resposta da questão 6:
 a) Rei da Macedônia e da Grécia. Os objetivos de suas conquistas seriam preservar a paz nas regiões conquistadas e desenvolver as relações de comércio.
b) Preservação dos elementos culturais persas sob uma dominação política grega (helênica). 

Resposta da questão 7:
 a) Confederação militar liderada por Atenas, formada pela maioria das póleis gregas, com o objetivo de combater o imperialismo persa, dentro das Guerras Médicas.
b) Liderança política, comando militar da Liga de Delos e supremacia naval ateniense.
c) Simboliza o apogeu do desenvolvimento cultural da Grécia Antiga, ocorrido no século V a.C., dentro do Período Clássico. 

Resposta da questão 8:
 a) As civilizações que ocuparam a antiga Mesopotâmia eram organizadas em termos sociais em sociedades estamentais e politicamente, em monarquias teocráticas.

b) Trata-se do primeiro código de leis escritas da História, atribuído ao rei babilônico Hamurábi.
Baseava-se no princípio do "olho por olho, dente por dente", a chamada "Lei do Talião".  

Resposta da questão 9:
 a) Na Antiguidade, a escrita foi um dos fatores que permitiu organizar a estrutura burocrática do Estado. Por meio dela, foi possível ter controle sobre as propriedades e os benefícios gerados pelos trabalhadores de uma sociedade rigorosamente hierarquizada.

b) O Estado se constituiu numa forma complexa de organização social, que empreendeu junto a rios grandes obras de irrigação, aumentando as áreas agricultáveis. Favoreceu ainda o comércio, regulamentando-o e, por ação militar, garantindo a sua segurança. 

Resposta da questão 10:
 a) Durante as cheias do rio Nilo as terras na várzea, ao longo do rio, são cobertas com um limo muito fértil, pronto para o plantio, ao contrário das outras terras que exigem a preparação do solo.
b) Após as cheias terem limpado e adubado o solo e as águas voltarem ao leito normal do rio. 

Resposta da questão 11:
 O Estado é proprietário das terras, planejando a economia e a organização da produção feita pelos camponeses.
O Estado armazena e distribui a produção. 


Série de pequenos vídeos sobre Grécia

Sugestão de estudo complementar para a Prova de FG 2º ano


Este post contém 20 questões discursivas com seu respectivo gabarito comentado. Esse material é complementar e não substitui a leitura e a revisão das questões do material UNO, tem como fito contribuir para fortalecer o conhecimento daquele aluno que não se conforma em tirar uma nota menor do que "10" e sempre quer mais um pouquinho antes da prova. Bons estudos!!!

Professor Arão Alves

1. (Puc-rio 2009)  A Revolução Liberal de 1830 na França sepultou definitivamente as intenções restauradoras do Congresso de Viena de 1815, motivando uma onda de progressismo e de ímpeto revolucionário, que levaria às revoluções de 1848 e a diversos movimentos nacionalistas do período. A partir desta afirmativa:
a) APRESENTE uma resolução do Congresso de Viena que exemplifique suas "intenções restauradoras".
b) INDIQUE um princípio do Liberalismo que caracterize a "onda de progressismo e o ímpeto revolucionário" ocorridos na primeira metade do século XIX.
  
2. (Fuvest 2007)  As agitações políticas e sociais que marcaram o período 1820-1848, no Ocidente, guiaram-se por concepções decorrentes tanto da Revolução Francesa de 1789, quanto da Revolução Industrial inglesa (em curso desde a década de 1780).
a) Descreva uma dessas concepções.
b) Relacione-as com um movimento social e/ou político do período (1820-1848).
  
3. (Uerj 2007)  "Sendo iguais entre si os homens são também independentes na ordem da natureza: são livres [...]. A sociedade, pois, é obra da vontade dos homens.
A lei na sociedade é a expressão livre e solene da vontade geral."
            ("Correo Semanario, político y mercantil do México", 1811)

O texto reflete o ideário liberal da Revolução Francesa, que influenciou as colônias espanholas da América, no momento de suas independências.
Identifique e explique duas ideias apontadas no texto que evidenciem a relação entre a Independência do México e os princípios norteadores da Revolução Francesa.
  
4. (Uerj 2006)  Para cúmulo da desgraça foram os soberanos da Espanha obrigados a renunciar aos seus direitos, a abdicar de seu trono e a solicitar o seu mesmo Povo a que faltasse à fé e juramento de fidelidade, que havia prestado à Real Família Reinante; a pedir por fim que obedecesse a seus próprios inimigos.
Depois disto, quem se atreverá a duvidar da sábia política do Príncipe Regente de Portugal, em mudar a sua Corte para o Brasil?
            (Adaptado de "Correio Braziliense", 1808. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado/Instituto Uniemp, edição fac-similar, 2000.)

a) O texto acima remete a um acontecimento, decorrente da política internacional, ocorrido na Península Ibérica na primeira década do século XIX.
    Indique esse acontecimento e seu principal objetivo em relação a Portugal.
b) A vinda da Corte Portuguesa para o Brasil pode ser considerada importante para o processo de independência do Brasil.
    Apresente um argumento que justifique esse ponto de vista.
  
5. (Ufscar 2006)  Observe a figura.

Neste cartaz do século XIX está escrito: oito horas de trabalho, oito horas de lazer e oito horas de repouso.
a) Qual o contexto histórico que produziu essa frase?
b) Relacione o conteúdo da frase com a situação atual dos trabalhadores brasileiros.
  
6. (Puc-rio 2005)  Em princípios de 1789, a França era uma sociedade do Antigo Regime. A crise dessa estrutura manifestou-se ao longo desse ano, dando início a um período de transformações que se estendeu por dez anos: a Revolução Francesa.

a) INDIQUE 3 (três) características de natureza político-social da sociedade do Antigo Regime na França.
b) INDIQUE 3 (três) transformações operadas durante o 1° momento da Revolução Francesa - a "Era das Instituições" (1789 -1792) - que evidenciam o caráter revolucionário dessa experiência histórica.
  
7. (Fuvest 2004)  "Os soldados franceses que guerrearam da Andaluzia a Moscou, do Báltico à Síria [...] estenderam a universalidade de sua revolução mais eficazmente do que qualquer outra coisa. E as doutrinas e instituições que levaram consigo, mesmo sob o comando de Napoleão, eram doutrinas universais, como os governos sabiam e como também os próprios povos logo viriam a saber."
            Eric Hobsbawm. A era das revoluções - 1789 - 1848.

Baseando-se no texto, aponte:
a) As doutrinas e instituições referidas pelo autor.
b) Os desdobramentos dessas guerras para a América Ibérica.
  
8. (Unicamp 2002)  Referindo-se aos acontecimentos ocorridos em Paris no ano de 1871, assim se expressou um militante socialista: "Eis o que significaram os acontecimentos de 18 de março. Eis por que esse movimento é uma revolução, eis por que todos os trabalhadores o reconhecem e aclamam".

a) A que movimento político a citação faz referência?

b) Explique o que foi esse movimento.

c) Qual foi sua importância para o movimento socialista até o período inaugurado com a Revolução Russa de 1917?
  
9. (Puc-rio 2001)           "Que é o Terceiro Estado? Tudo. Que tem sido até agora na ordem política? Nada. Que deseja? Vir a ser alguma coisa.
            Ele é o homem forte e robusto que tem um dos braços ainda acorrentados. Se suprimíssemos a ordem privilegiada, a nação não seria algo de menos e sim alguma coisa mais. Assim, que é o Terceiro Estado? Tudo, mas um tudo livre e florescente. Nada pode caminhar sem ele, tudo iria infinitamente melhor sem os outros (...)."
            Abade Sieyes. "O que é o Terceiro Estado?"

Considerando o texto apresentado,

a) - identifique 2 (dois) grupos sociais que compunham o Terceiro Estado e explique seus descontentamentos às vésperas da Revolução Francesa;

b) - cite, a partir dos descontentamentos do Terceiro Estado em relação ao Antigo Regime, 2 (duas) ações empreendidas pelos revolucionários franceses que tenham contribuído para alterar esta situação.
  
10. (Ufscar 2001)  Os revolucionários russos de 1917 viam-se como herdeiros da tradição de luta dos movimentos operários do século XIX europeu.

a) Em que revoluções do século XIX houve participação efetiva da classe operária?

b) Relacione, tendo em vista o entendimento da revolução bolchevista, o tipo de industrialização ocorrido na Rússia, o poder político czarista e a Primeira Guerra Mundial.

TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:
Os acontecimentos do final do século XVIII deram corpo e alma a uma série de mudanças que possibilitaram o nascimento, embora em ritmos diversos, segundo as regiões, do mundo contemporâneo. A gestação da Revolução Industrial inglesa, a independência dos Estados Unidos e a Revolução Francesa constituíram-se nos marcos dessa modernidade. As ideias e práticas abalaram os alicerces do Antigo Regime, ainda que de formas diversas, tanto na maior parte do continente europeu quanto no universo colonial americano.


11. (Uerj 2001)  Explique por que a Revolução Francesa é considerada um importante marco da crise do Antigo Regime.
  
12. (Unicamp 2000)  Em um relato de uma viagem ao Brasil de Luciano Magrini (In BRASILE, 1926), pode-se ler:
Neste cenário, em uma triste e silenciosa solidão, quase perdidos no espaço, dispersos em uma imensa plantação de café, dez ou vinte quilômetros distante do menor vilarejo, vivem milhares e milhares de italianos.

a) Que condições políticas e econômicas na Itália durante a segunda metade do século XIX provocaram um movimento migratório em direção ao Brasil?

b) Quais foram as localidades geográficas brasileiras ocupadas pela migração italiana nas ultimas décadas do século XIX?

c) Quais eram as características econômicas da agricultura cafeeira?
  
13. (Uerj 1998)  Em 1815, Napoleão Bonaparte, considerado o herdeiro da Revolução Francesa, foi derrotado, procedendo-se a uma restauração dos "legítimos soberanos" na França e em todos os países europeus onde o Antigo Regime havia sido destronado. Essa Restauração não desfez, porém, a obra liberal já construída. Em tal perspectiva, conservadorismo e liberalismo tornaram-se as palavras-chave para os debates políticos que permearam a primeira metade do século XIX.
a) Cite duas características do liberalismo político.
b) Entre as ações realizadas pelas forças de conservação na primeira metade do século XIX, encontra-se a política de intervenção da Santa Aliança. Conceitue essa política, identificando um de seus objetivos.
  
14. (G1 1996)  Escreva sobre a política desenvolvida por Cavour no reino do Piemonte.
  
15. (G1 1996)  Quais as diferenças entre o Reino do Piemonte e outros Reinos na Península Itálica.
  
16. (Unesp 1994)  Antes de 1871, a Alemanha não era propriamente um país, mas um território politicamente dividido em trinta e nove pequenos Estados. Porém, desde 1834, o seu mercado encontrava-se unificado através do "Zollverein". E foi sobre esta base que se construiu o Império Alemão em 1871.
a) Cite o Estado alemão que liderou a mencionada unificação.
b) Esclareça no que consistiu o "Zollverein".
  
17. (Fuvest 1992)  "A propriedade é um roubo".

"Proletários de todos os países, uni-vos".

Que correntes políticas representavam e que significam estes lemas, difundidos a partir do século XIX?
  
18. (Unicamp 1991)  Com a derrota de Napoleão Bonaparte, o Congresso de Viena e os tratados de 1814-1815 delinearam os rumos da reconstrução da Europa pós-Revolução Francesa e pós-guerras napoleônicas.
a) O que estabeleceram esses tratados e qual a ameaça que desejavam evitar seus signatários?
b) Quais os países que saíram fortalecidos com o sistema de alianças?
  
19. (Fuvest 1989)  "Os homens do século XIX ensurdecem a história com o clamor de seus desejos. (...) Longe dos odores do povo - é conveniente arejar após a permanência prolongada da empregada, após a visita da camponesa, após a passagem da delegação operária - a burguesia, desajeitadamente, trata de purificar o hálito da casa. Latrinas, cozinha, gabinete de toalete pouco a pouco deixarão de exalar seus insistentes aromas. (...) O que significa esta acentuação da sensibilidade? Que tramas sociais se escondem por detrás desta mutação dos esquemas de apreciação?"

                (CORBIN, A., "Sabores e Odores", S. Paulo, Cia. das Letras, 1987).

Responda às duas questão colocadas pelo autor.
  
20. (Fuvest 1987)  O que foi a "questão romana" e como foi resolvida pelo Tratado de Latrão, entre Mussolini e o Papa Pio XI?
 
Gabarito:  

Resposta da questão 1:
 a) As intenções restauradoras do Congresso de Viena expressaram-se nas resoluções tomadas com o objetivo de restaurar a monarquia absoluta, reconduzir a aristocracia ao poder e restabelecer a situação política europeia anterior à Revolução Francesa. Para tal, o Congresso de Viena estabeleceu dois princípios: o da legitimidade e o do equilíbrio europeu. O princípio da legitimidade visava restaurar nos Estados europeus as dinastias consideradas legítimas, isto é, as que reinavam antes da Revolução e também restabelecer as fronteiras nacionais desse mesmo período; o princípio do equilíbrio europeu fundamentava-se no restabelecimento das relações de força entre as potências europeias por meio da divisão territorial do continente e também das possessões coloniais no mundo (alguns exemplos: a Inglaterra, a maior beneficiada, obteve a ilha de Malta, a região do Cabo, no sul da África, o Ceilão, ex-colônia holandesa, a Guiana na América do Sul e outras ilhas na América Central; a Península Itálica foi toda dividida, restando como Estados autônomos apenas o Reino de Piemonte Sardenha, os Estados Pontifícios e o Reino das Duas Sicílias; a Holanda incorporou a Bélgica, formando os Países Baixos; a Rússia ficou com a maior parte da Polônia; a Suíça passou a ser um Estado neutro; a Prússia ficou com parte da Polônia e da região do Rio Reno e a Áustria ficou com outra parte da Polônia e o norte da Itália).
O candidato poderá ainda indicar a criação da Santa Aliança, proposta pelo Czar Alexandre I da Rússia, durante o Congresso, com a justificativa de proteger a paz, a justiça e a religião, cujos objetivos foram lutar contra quaisquer manifestações nacionalistas e/ou liberais decorrentes das ideias difundidas pela Revolução Francesa.

b) O candidato poderá indicar um entre os seguintes princípios do Liberalismo: a defesa da ideia da liberdade
como princípio fundamental do liberalismo; a valorização do indivíduo, colocado à frente da razão de Estado, dos interesses de grupo e das exigências da coletividade; a defesa dos direitos à liberdade, igualdade, felicidade e propriedade como direitos naturais dos homens; o racionalismo e a crença na descoberta progressiva da verdade pela razão individual; a rejeição aos dogmas impostos pela Igreja, às autoridades, a afirmação do relativismo da verdade e a tolerância; a rejeição ao poder absoluto das monarquias do Antigo Regime e a proposta de limitação do poder através da aplicação do princípio da separação e equilíbrio dos poderes, vista como uma garantia do indivíduo face ao absolutismo; a defesa de governos baseados em leis escritas, as constituições; a defesa da não intervenção do Estado na economia, este deveria apenas garantir que a iniciativa privada, individual ou coletiva, e a concorrência trabalhassem livremente; defesa da livre concorrência, do livre comércio, da liberdade de produção e do respeito às leis naturais.  

Resposta da questão 2:
 a) Como decorrência da Revolução Francesa, pode-se destacar o liberalismo político fundamentado na defesa de governos constitucionais e na defesa da igualdade jurídica dos cidadãos.
Como decorrência da Revolução Industrial, o liberalismo econômico, fundamentado na defesa da não-intervenção do Estado na economia e nas relações de trabalho.

b) O liberalismo constituiu-se como uma das correntes ideológicas que influenciaram as Revoluções Liberais de 1830 e 1848, conduzidas pela burguesia contra governos absolutistas.
O liberalismo econômico foi confrontado pelas  ideias socialistas, tanto as do socialismo utópico como as do socialismo científico (corrente surgida com Karl Marx, cuja reação ao capitalismo liberal foi sintetizada no Manifesto Comunista de 1848).  

Resposta da questão 3:
 Duas dentre as ideias e respectiva explicação:
- liberdade - o homem deve respeitar a lei, desde que essa seja expressão da vontade dos cidadãos.
- soberania nacional - o poder de fazer as leis reside na nação, formada pelo conjunto de seus cidadãos, que o delega condicionalmente a seus representantes e governantes.
- igualdade civil - todos são iguais perante a lei e entre si, não sendo tolerado qualquer tipo de privilégio.  

Resposta da questão 4:
 a) Invasão e ocupação da Península Ibérica por tropas francesas.
    Domínio de Portugal para efetiva adesão ao Bloqueio Continental.

b) Um dentre os argumentos:
- O Brasil veio a ser elevado à condição de Reino Unido, transformando-se a antiga colônia em metrópole.
- O Rio de Janeiro transformou-se em ponto de atração das elites, permitindo-lhes a constituição de uma identidade comum.
- A abertura dos portos às nações amigas possibilitou o fim do monopólio comercial, estabelecendo uma maior liberdade de comércio no Brasil.
- A instalação de um aparelho burocrático possibilitou a ascensão de inúmeros brasileiros aos cargos de administração, contribuindo para a ideia de autonomia do Brasil  

Resposta da questão 5:
 a) O contexto do movimento operário na Europa no início do século XIX, decorrente dos efeitos sociais do capitalismo industrial.

b) De modo geral, quanto aos trabalhadores brasileiros na atualidade, apesar de a Constituição em vigor regulamentar jornada de semanal de trabalho em 44 horas, a grande maioria dos trabalhadores brasileiros se submete a uma jornada maior, não tendo conquistado a divisão do tempo reivindicada no cartaz do século XIX.  

Resposta da questão 6:
 a) Alguns exemplos:
- o caráter estamental dessa sociedade,
- o fato de a nobreza e o clero serem estamentos privilegiados,
- o fato de caber à burguesia e às camadas populares toda a carga tributária,
- a vigência de uma monarquia absoluta,
- a legitimação do poder absoluto do monarca por meio da teoria do direito divino,
- o caráter consultivo e não deliberativo da Assembleia dos Estados Gerais,
- a concentração de poderes executivos, legislativos e judiciários e religiosos nas mãos do monarca,
- a subordinação da Igreja ao Estado.

b) Alguns exemplos de transformações:
- o estabelecimento de uma monarquia constitucional,
- o estabelecimento de três poderes: executivo, legislativo e judiciário,
- o fim dos privilégios,
- a abolição dos direitos feudais,
- a instituição da igualdade jurídica,
- o estabelecimento da liberdade de culto,
- o estabelecimento da liberdade de expressão,
- a afirmação da inviolabilidade da propriedade.  

Resposta da questão 7:
 a) Durante as conquistas napoleônicas os soldados franceses difundiram as doutrinas liberais surgidas durante o iluminismo e consagradas na Revolução Francesa de 1789, bem como a defesa de instituições do governo constitucional e o Código Civil para salvaguardar o direito à propriedade e a liberdade econômica.
b) As Guerras Napoleônicas contribuíram para acelerar o processo de emancipação política das colônias espanholas na América na medida em que a elite colonial organizada a partir dos cabildos e das juntas governativas não reconheceu a intervenção napoleônica na Espanha e aproveitou-se para proclamar a independência.  

Resposta da questão 8:
 a) "A Comuna de Paris".

b) A instalação de um governo socialista em Paris após a derrota francesa na Guerra Franco-Prussiana (1870-1871).

c) A Comuna de Paris representou a primeira experiência de um governo democrático e popular tendo por base o ideal socialista.  

Resposta da questão 9:
 a) A alta burguesia, formada por banqueiros, grandes comerciantes e grandes manufatureiros que, apesar de se beneficiarem com o monopólio do comércio externo, estavam descontentes por pagarem tributos, não terem privilégios de nascimento; os trabalhadores urbanos assalariados, além de descontentes com o ônus do pagamento de tributos e da exclusão de qualquer participação política, sentiam mais de perto os efeitos da crise do Antigo Regime pelas precárias condições de trabalho e de vida em que viviam nas cidades; e os camponeses livres e servos que, enraizados à terra há séculos, não conseguiam se libertar dessa condição, viviam cada vez mais empobrecidos pelo insuportável custo dos tributos e não tinham acesso à representação política.

b) A defesa dos princípios de liberdade e de igualdade jurídica através da abolição dos privilégios, da Constituição Civil do Clero, da liberdade de associação, do confisco dos bens eclesiásticos, da proclamação dos Direitos do Homem e do Cidadão, de medidas adotadas para a implantação de governos representativos (voto censitário, sufrágio universal), da abolição da escravidão nas colônias francesas, entre outras medidas.  

Resposta da questão 10:
 a) A Revolução de 1848 na França (no contexto da Primavera dos Povos) e a Comuna de Paris, em 1871, foram movimentos revolucionários em que a classe operária participou de forma efetiva.

b) No início do século XX, a Rússia assistiu à industrialização de um país agrário marcado pela baixíssima produtividade. Os novos centros industriais sofriam uma crise de abastecimento de produtos agrícolas, o que elevava os preços e dificultava a vida dos operários que recebiam reduzidos salários. Politicamente, o czarismo respondia às insatisfações populares através de repressão e perseguições. Tais insatisfações alimentaram o surgimento de grupos oposicionistas, entre eles os bolchevitas, que questionavam o modelo capitalista adotado pelo Estado russo. Com a Primeira Guerra Mundial e o consequente agravamento dos problemas de abastecimento, tanto o czarismo quanto o modelo capitalista mergulharam numa grave crise que abriu espaço para a tomada do poder pelos bolchevistas.  

Resposta da questão 11:
 A Revolução Francesa ao implementar, na prática, os temas de uma política liberal, através de uma monarquia constitucional, que estabelecia a liberdade, a igualdade civil e a divisão dos três poderes contribuiu para a crise do Antigo Regime.  

Resposta da questão 12:
 a) O movimento de unificação italiana sob influência do reino do Piemonte Sardenha favorável a um projeto de industrialização que teve como consequência o êxodo rural e a formação de um numeroso exército de mão de obra de reserva, soma-se ainda, a concentração fundiária nas áreas férteis do Sul.

b) As regiões Sul e Sudeste sobretudo o Oeste Paulista, servindo como mão de obra nos cafezais.

c) A agricultura cafeeira caracterizou-se como plantation de exportação baseada no latifúndio e na monocultura empregando a mão de obra escrava no início e posteriormente dos imigrantes europeus.  

Resposta da questão 13:
 a) Garantia das liberdades individuais do cidadão;
     Liberdade de expressão;
     Liberdade de imprensa;
     Liberdade de religião;
     Igualdade de todos perante a lei;
     Divisão do poder entre executivo, legislativo e judiciário;
     A Constituição como um meio de garantir os direitos do cidadão;
     Direito de propriedade.

b) A política de intervenção da Santa Aliança foi um dos instrumentos político-ideológicos do absolutismo, adotado pelo Congresso de Viena em 1815. Seus objetivos eram: intervir em qualquer movimento revolucionário liberal e/ou nacionalista que ameaçasse o equilíbrio europeu; fornecer assistência e socorro mútuo aos soberanos ameaçados pelas forças liberais.  

Resposta da questão 14:
 Na política externa, Cavour buscou aliados contra a Áustria, principal obstáculo externo à unificação italiana. No plano interno, procura acelerar o desenvolvimento do Piemonte para fortalecê-lo contra a Áustria e torná-lo o centro político e econômico da Itália unificada.  

Resposta da questão 15:
 A maioria dos estados italianos permaneciam agrários e atrasados em relação aos demais países europeus. O Piemonte, ao contrário, conheceu um poderoso surto industrial que fortaleceu a sua burguesia.  

Resposta da questão 16:
 a) Prússia.
b) Unido a partir da quebra das barreiras alfandegárias, padronização de pesos, medidas e tarifas.  

Resposta da questão 17:
 O primeiro lema pertence ao livro de J. Proudhon, "O que é a Propriedade?" e foi um dos primeiros lemas do Anarquismo.
O segundo lema pertence ao "Manifesto Comunista" de Marx e Engels que conclama os operários à união contra a ordem capitalista e faz parte do socialismo científico.  

Resposta da questão 18:
 a) Restauração absolutista e queriam evitar a ameaça revolucionária burguesa.
b) Áustria, Prússia e Rússia.  

Resposta da questão 19:
 O texto refere-se ao contexto do século XIX e as mudanças provocadas pela ascensão da burguesia, além da formação dos estados nacionais contemporâneos.  

Resposta da questão 20:
 Conflito entre a Igreja católica e o Estado Italiano. Quadro da unificação Italiana. A solução foi a criação do Vaticano (Autônomo).  

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