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sexta-feira, 12 de setembro de 2014

História do Brasil - Questões discursivas com gabarito comentado


Grupo de estudo para provas específicas: https://www.facebook.com/groups/660763183949872/


1.   “(...) o desencanto com a Nova República era provocado principalmente pelo fracasso dos vários planos econômicos que não conseguiram domar o dragão da inflação. Depois do breve sucesso do Plano Cruzado, de 1986, a arrancada dos preços disparou, esmagando o poder de compra dos brasileiros, especialmente dos mais pobres.”

(Marly Motta, “Rumo ao planalto”. Disponível em http://www.revistadehistoria.com.br/secao/artigos-revista/especial-nova-republicarumo- ao-planalto. Acessado em 09/08/2013.)


a) Explique o que é inflação.
b) Quais os efeitos do congelamento de preços, base do Plano Cruzado, para a economia brasileira do período?


Resposta:

a) A inflação é o aumento de preços dos produtos que pode ser ocasionada por desequilíbrios econômicos variados, um deles é a elevação da demanda (consumo) sem ocorrer aumento proporcional no investimento e na produção. Outros fatores como a atuação de oligopólios (poucas empresas produzindo um tipo de produto) com formação de cartel (preços combinados em patamares elevados para obtenção de maior lucratividade), excesso de protecionismo contra produtos importados e até fatores ambientais (seca severa com redução da oferta de produtos agrícolas) podem interferir na elevação dos preços.

b) Em 1986, com a retomada da democracia no país (Nova República) e durante do governo de José Sarney, foi implantado o Plano Cruzado para combater a inflação elevada. O congelamento de preços surtiu resultado apenas no curto prazo, uma vez que a intervenção muito brusca na economia fracassou. Entre os efeitos do plano, a retenção de produtos pelos empresários causando desabastecimento de alguns produtos, a troca da moeda, a pequena melhora da distribuição de renda no período de queda inflacionária e o posterior retorno da inflação elevada.  



  
2.   A região metropolitana do litoral sul paulista é constituída pelos municípios representados no mapa:



Ao longo do tempo, essa região conheceu diferentes formas de ocupação territorial e de desenvolvimento. Identifique o tipo de ocupação territorial e a forma de desenvolvimento que ocorreram, nessa região, tendo como referência os anos de 1530, 1920, 1950 e 2010.  


Resposta:

[Resposta do ponto de vista da disciplina de Geografia]
O mapa representa a Região Metropolitana da Baixada Santista na atualidade. Em 1530, a ocupação territorial se dava basicamente por etnias indígenas, começando a ter a primeira forma de ocupação portuguesa com as primeiras iniciativas de produção de cana de açúcar na região, concentradas em São Vicente. Embora já houvesse a presença de portugueses na região para a extração de pau-brasil em um sistema de feitorias, antes de 1530, é apenas a partir desta data que de fato passa a haver uma ocupação europeia na região. Em 1920, no contexto de intensa imigração europeia para o Brasil, a ocupação se dá principalmente pelo estabelecimento do porto de Santos e consequente escoamento da produção cafeeira do Oeste Paulista para exportação. Neste momento, ocorre uma urbanização mais intensa de Santos e São Vicente e também surgem novos núcleos urbanos ao longo do litoral. Em 1950, devido ao crescimento industrial do país, a ocupação urbana da região se torna mais efetiva com a criação do polo industrial de Cubatão, com indústria siderúrgica (Cosipa) e indústrias petroquímicas. A urbanização e a industrialização avançaram sobre espaços ocupados por populações indígenas, como os guarani, restringindo cada vez mais os seus territórios. Também avançou o processo de desmatamento dos biomas de Mata Atlântica e Formações Litorâneas (Mangue e Restinga). Em 2010, consolida-se a Região Metropolitana da Baixada Santista a partir da interação socioeconômica entre as cidades e do fenômeno da conturbação. A região constitui um importante polo industrial, terciário (serviços, comércio e turismo) e portuário, que tende a ser dinamizado com a perspectiva de exploração do petróleo da camada pré-sal. Um dos fenômenos mais recentes é o avanço da especulação imobiliária e o agravamento de problemas de mobilidade urbana, além dos problemas socioambientais.

[Resposta do ponto de vista da disciplina de História]
O mapa retrata a Região Metropolitana da Baixada Santista. Em 1530 havia diversas etnias indígenas na região. Porém, neste contexto, o comércio das especiarias entrou em declínio e Portugal enviou para o Brasil Martim Afonso de Souza para viabilizar o processo de colonização portuguesa. Daí surgiu as Capitanias hereditárias que dividiram o Brasil em lotes de terras. Nesta região se estabeleceu a Capitania de São Vicente que se destacou na produção da cana de açúcar. Em 1920, no contexto da República Velha, 1889-1930, havia uma política de incentivo a imigração europeia para o Brasil intensificando a ocupação na região. O Porto de Santos se destacou para escoar a produção de café do “Oeste Paulista”. Na década de 1950, no segundo governo de Vargas, 1950-1954, e no governo de JK, 1956-1960, ocorreu um forte crescimento industrial gerando forte ocupação da região. Surgiu um polo industrial através de siderúrgica e petroquímica. Esta modernização contribui para dizimar culturas e povos nativos. Em 2010, consolidou-se a Região Metropolitana da Baixada Santista como grande polo industrial, do setor terciário e com uma tendência a se intensificar devido à exploração da camada pré-sal.



  
3.   Analise a fotografia e leia a carta a seguir.



Ilmo. Sr. Francisco de Souza

Aspiro boa saúde com a Exma. Família. Tendo eu frequentado uma fazenda sua deliberei, saudando-o em uma cartinha, pedir um cobrezinho. Basta dois contos de réis. Eu reconheço que o senhor não se sacrifica com isto e eu ficarei bem agradecido e não terei razão de lhe odiar nem também a gente de Virgulino terá esta razão.

Sem mais do seu criado, obrigado.

Hortêncio, vulgo Arvoredo, rapaz de Virgulino.

A TARDE. 20 jan. 1931. In: Coletânea de documentos históricos para o primeiro grau. São Paulo: SE/CENP, 1980, p. 51.

A fotografia e a carta apresentadas remetem ao cotidiano do Cangaço brasileiro, entre as décadas de 1920 e 1930. Nesse contexto, esse fenômeno social era interpretado pelo Estado brasileiro, que o combatia, como símbolo de desordem social. Diante do exposto, explique uma característica

a) associada ao Cangaço brasileiro, presente na carta;
b) atribuída, na fotografia, ao Cangaço e aos cangaceiros.


Resposta:

a) A Carta não é uma forma usual de apresentação do Cangaço, entendido normalmente como a ação violenta de um bando armado. Através da carta, há um pedido formal de dinheiro – cobrezinho – com uma ameaça velada, na medida em que sugere que, realizado o pagamento, não haverá problema com os homens de Virgulino (lampião).

b) A fotografia retrata uma imagem convencional dos cangaceiros - a de bando armado.



  
4.   Leia o texto a seguir.

Espera-se colonizar com os chineses, os coolies, os malaios e todas essas raças degeneradas do oriente, sorte de lepra humana? Já se experimentou a espécie do Celeste Império. Que produziu ela? O Brasil, de resto, já está farto dessas famílias mescladas e bastardas que não constituem um povo. O que lhe falta é sangue, a atividade, a ciência da Europa.

(RIBEYROLLES apud DEZEM, R. Matizes do “amarelo” : a gênese dos discursos sobre os orientais no Brasil (1878-1908). São Paulo: Associação Editorial Humanitas, 2005. p.51.)

Nesse texto, o jornalista francês Charles Ribeyrolles refere-se à imigração de chineses para o Brasil nos anos 1850 com o objetivo de atender à necessidade de mão de obra na lavoura.

Com base na citação e nos conhecimentos a respeito da história do Brasil, responda aos itens a seguir.

a) Analise a posição assumida por Ribeyrolles quanto à imigração chinesa para o Brasil.
b) Cite e explique um posicionamento semelhante ao relatado no texto em relação a outro grupo social, considerando a história do Brasil.


Resposta:

a) A elite brasileira herdou da Europa um racismo. O depoimento do jornalista francês Ribeyrolles externa uma argumentação racista, contrária à imigração chinesa para o Brasil no século XIX, uma vez que os chineses seriam, segundo a visão do autor, inferiores racial, moral e culturalmente. Desse ponto de vista, a miscigenação levaria à degradação do brasileiro, devendo ser evitada para a constituição de um povo. A preferência do jornalista era pelo imigrante europeu, considerado mais saudável e evoluído.

b) Desde o início da colonização do Brasil imperava um racismo exacerbado em relação aos negros e índios. A elite agrária brasileira, branca, foi se consolidando e, pautada no etnocentrismo, foi produzindo discursos e práticas racistas. Basta observar na segunda metade do século XIX, no período do II Reinado quando ocorreu a transição do trabalho escravo para o trabalho livre assalariado. A elite agrária brasileira necessitando de mão de obra para a lavoura de café poderia substituir a escravidão pelo trabalho livre dos índios ou dos próprios negros na condição de trabalhador livre (até mesmo os nordestinos considerando que aquela região estava em crise econômica desde o final do século XVII). No entanto, optou pelo imigrante europeu acreditando que este era superior do ponto de vista moral, racial e cultural.



  
5.  



Angelo Agostini (1833-1910) expressou sua crítica a D. Pedro II em uma caricatura publicada na Revista Ilustrada, em 1887.

a) Conforme a imagem, qual é a crítica de Agostini ao Imperador?
b) Indique e explique um processo que expresse a situação de crise vivida no final do Império.


Resposta:

a) Angelo Agostini criticava o imobilismo do Imperador diante dos problemas enfrentados pelo Império brasileiro no final da década de 1880.

b) A crise vivida pelo Império pode ser explicada por uma série de fatores, a saber: transformações socioeconômicas derivadas da expansão cafeeira, imigração estrangeira, fim do tráfico negreiro, crescimento da campanha abolicionista, e o aumento do movimento republicano.



  
6.   “Explicar a Guerra do Paraguai como tendo sido resultado da ação do imperialismo inglês carece de base documental. É, antes, resultado de bandeiras das lutas políticas dos anos [18]60 e [18]70 – como o antiamericanismo e o terceiro-mundismo –, projetadas na análise do passado (...)”.

(DORATIOTO, Francisco. A Guerra do Paraguai: 2ª visão. São Paulo: Brasiliense, 1991. p. 79).


Discuta a afirmação do historiador, apresentando ao menos duas diferentes interpretações sobre os motivos da Guerra do Paraguai ou Guerra da Tríplice Aliança.


Resposta:

Podemos citar duas vertentes de explicação:

1. Desejo inglês de impedir que o bem sucedido projeto econômico paraguaio (ausência de dívida externa, ausência de analfabetismo) se espalhasse pelo resto da América;
2. Disputas referentes à Bacia Platina, que envolvia Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, e o desejo paraguaio de “abrir” caminho para o Oceano através da tomada de territórios de Brasil, Argentina e Uruguai.



  
7.   É particularmente no Oeste da província de São Paulo – o Oeste de 1840, não o de 1940 – que os cafezais adquirem seu caráter próprio, emancipando-se das formas de exploração agrária estereotipadas desde os tempos coloniais no modelo clássico da lavoura canavieira e do “engenho” de açúcar.
(Sérgio Buarque de Holanda. Raízes do Brasil, 1987.)

Cite duas semelhanças e duas diferenças significativas entre a exploração agrária cafeeira no Oeste paulista do século XIX e a que predominou na lavoura canavieira no Nordeste colonial.


Resposta:

Semelhanças: o aluno pode citar, entre outros, o latifúndio, a monocultura visando o mercado externo.
Diferenças: o aluno pode citar, entre outros: em São Paulo surgiu uma elite que podemos denominar de “burguesia cafeeira paulista” com mentalidade empresarial e empreendedora vinculada ao capitalismo internacional (bem diferente da elite tradicional do nordeste colonial). No nordeste colonial prevaleceu a utilização do trabalho escravo africano enquanto em São Paulo ocorreu a transição do trabalho escravo para o trabalho livre com a chegada dos imigrantes.



  
8.   A transformação do Rio de Janeiro em corte real começou apenas dois meses antes da chegada do príncipe regente, quando notícias do exílio real – tão “agradáveis” quanto “chocantes”, cheias de “sustos e alegrias” – foram recebidas. Entretanto, como descobriram os residentes da cidade, os preparativos iniciais para acomodar Dom João e os exilados marcaram apenas o começo da transformação do Rio de Janeiro em corte real, pois o projeto de construir uma “nova cidade” e capital imperial perdurou por todo o reinado brasileiro do príncipe regente. Construir uma corte real significava construir uma cidade ideal; uma cidade na qual tanto a arquitetura mundana como a monumental, juntamente com as práticas sociais e culturais dos seus residentes, projetassem uma imagem inequivocamente poderosa e virtuosa da autoridade e do governo reais.

(Kirsten Schultz. Versalhes tropical, 2008. Adaptado.)

Explique o principal motivo da transferência da Corte portuguesa para o Brasil, em 1808, e indique duas mudanças importantes por que o Rio de Janeiro passou para receber e abrigar a família real.


Resposta:

Havia uma disputa na Europa entre Inglaterra e França pela hegemonia sobre o mundo. Desde o século XVI, a Inglaterra foi derrotando as nações europeias. No século XVI, 1588, a Inglaterra superou a famosa “invencível armada” de Filipe II da Espanha. Em meados do século XVII, a Inglaterra venceu a Holanda no contexto do “Ato de Navegação”. Venceu também a França na “Guerra dos Sete Anos”, entre 1756-1763. Assim, no início do século XIX, Napoleão Bonaparte, imperador da França montou um império na Europa. Tentando enfraquecer a Inglaterra, Napoleão criou em 1806 o famoso Bloqueio Continental visando isolar sua rival que passava pela Revolução Industrial e necessitava de mercado. A Inglaterra, em busca de mercado, apoiou a transferência da corte portuguesa para o Brasil visando afastá-la de uma ameaça francesa e, também, abrir o mercado brasileiro para os produtos ingleses. Em 1808, a corte portuguesa chegou ao Brasil. O Rio de Janeiro, capital do Brasil, foi a cidade escolhida para sediar a corte. Inúmeras mudanças ocorreram o Brasil, entre elas: Criação do Banco do Brasil e da imprensa régia, jardim botânico, teatro, faculdade de medicina, biblioteca e a chegada da “Missão Francesa”, entre outros.




                                                  Crise no Prata e guerra do Paraguai. Aprofundando o tema.



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