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Oriente Médio e Palestina

sábado, 7 de agosto de 2010

3º ano - 3º bimestre -Texto 1 - Os primórdios da Guerra Fria


Do Pós guerra à Guerra Fria

 Analisar os resultados da guerra é fundamental para compreendermos o processo que levaria o mundo à Guerra Fria. É possível identificarmos que os Estados Unidos tiveram na Guerra a oportunidade de emergir com grandes vantagens diante dos demais Estados europeus e asiáticos. Isto Porque ele conseguiu reativar e expandir seu parque industrial, absorvendo a enorme massa de desempregados que a década de 1930 produzira, além de ter passado praticamente incólume quanto aos prejuízos materiais advindos dos bombardeios e combates diretos no interior  de seu território. A economia americana transformou-se definitivamente numa economia mundial, onde seu domínio econômico passou a dirigir os rumos do comércio e das finanças em todo o Globo. Como forma de exemplificar pode-se observar que sua produção industrial correspondia a cerca de 60% de toda a industria do planeta, fato este favorecido pelos danos parciais ou totais nos parques industriais de seus principais concorrentes europeus e asiáticos: Alemanha, Itália, Japão, França e Grã-Bretanha.
A União Soviética , que  exercera um decisivo papel na vitória dos aliados sobre os regimes formadores do Eixo, gozou, nesse primeiro momento pós-guerra, de grande prestígio diplomático e militar, conseguindo que seus interesses fossem  reconhecidos quanto as ambições por áreas de influência junto à suas fronteiras européias. Outro fator importante do período foi o fortalecimento de movimentos de esquerda em todo mundo, alguns dos quais haviam participado da luta contra o nazismo nos continentes europeu e asiático.  Nos primeiros anos a postura soviética foi relativamente moderada em relação ao comunismo internacional como por exemplo em sua postura silenciosa diante da contenção capitalista à regimes comunistas, chegando inclusive  a desestimular as ambições revolucionária do comunismo chinês, e até mesmo na Iugoslávia. Talvez não seja coincidência que os dois regimes comunistas quando alcançaram o controle dos seus respectivos Estados tenham trilhado um caminho de autonomia em relação a Moscou.   Essa postura soviética que era considerada por alguns, como ato de traição pode ser compreendida como uma atitude pragmática diante da situação econômica na qual se encontrava, o país, no período imediatamente após o término do conflito mundial. Sua política externa visava apenas conservar as conquistas políticas das conferências de Moscou, Teerã e Yalta.

Síntese das conferências

Moscou ( outubro de 1943):  Incluiu-se além das quatro potências  a China. Isso demonstrava, não apenas o objetivo de concretizar a unidade necessária para o prosseguimento da guerra, como também dar continuidade a cooperação para a organização da paz e para a criação, no mais breve prazo possível, de uma organização internacional aberta a todos os Estados que amassem a paz. Houve também uma declaração a respeito da Itália, através da qual ficava claro a resolução das Aliados de destruírem o regime fascista de Mussolini  e restaurarem um governo democrático, assim que as condições militares o permitissem. Quanto a Áustria ficava estabelecido o desejo de transforma-la num Estado livre e autônomo, isto é fora do domínio alemão. Finalmente, os Aliados afirmaram sua resolução de chamar a prestar contas todos os alemães que participaram de atrocidades de guerra, resolução a que os russos deram aplicação prática por meio do pronto julgamento e da execução de três alemães e um russo acusado de crimes de guerra durante a ocupação alemã de Kharkov.

Teerã ( novembro/dezembro de 1943): Entre os acordos firmados na fase final da guerra este foi o primeiro que reuniu os três grandes estadistas do Mundo da época: Josef Stalin, Winston Churcill e Franklin Roosevelt.  Lançou as bases de definições da  partilhas das áreas de influencia no pós guerra. Decidiu-se que as forças anglo-americanas interviriam na França, completando o cerco de pressão à Alemanha, juntamente com as forças orientais soviéticas, o que foi responsável pelo desembarque aliado  no norte da França. Decidiu-se também acerca da divisão do território alemão, assim como a definição das  fronteiras da Polônia. Foi formulado também as propostas de paz com a colaboração de todas as nações. Os anglo-britânicos reconheceram a fronteira soviética no ocidente, com a anexação da Estônia, Letônia e da Lituânia.

Yalta: ( fevereiro de 1945): Conhecida também como conferência da Criméia, Yalta ensejou delimitar os contornos geopolíticos do mundo pós guerra. Decidiu-se, ainda, a formação de governos de coalizão na Polônia e na Iugoslávia. Ficou  também acordado que a Alemanha não seria partilhada, embora  a curto prazo fosse dividida em zonas de cupação americana, soviética, inglesa e francesa. Nessa conferência a URSS se comprometeu em ajudar os EUA, através da luta contra o Japão na Manchuria. Essa conferência é considerada o momento de maior cooperação entre soviéticos e americanos dentre as demais conferências. Vale lembrar que Roosevelt sofreu grande oposição política interna e foi acusado de “velho” e fraco, devido às concessões dadas à União Soviética.


A situação norte-americana no pós guerra concedeu-lhe hegemonia em âmbito mundial, fato que lhe permitiu construir, a partir de suas concepções, aquilo que podemos chamar de Pax Americana. Se a Inglaterra havia vivido sua Pax durante o século XIX, esse status agora era gozado pelos Estados Unidos. As
vantagens eram enormes e se manifestavam em diversas áreas.      

A divisão da Alemanha em 4 zonas de ocupação

Os americanos dominavam os mares, possuíam bases navais e aéreas espalhadas por várias regiões do Globo, além de tropas postadas em todos os continentes. Em questão de horas seus aviões poderiam atingir todas as regiões do planeta. Não podemos esquecer que além de todos esses poder bélico convencional era a única potência, ao menos até 1949, que possuía a tecnologia atômica.
A crise econômica de 1929 atingira o mundo e destruíra os fundamentos financeiros que funcionavam razoavelmente até então. A partir da crise os Estados buscavam de forma quase anárquica defender suas economias provocando alterações cambiais que comprometiam a “saúde” econômica  e financeira internacional. Essa preocupação foi encampada pelos Estados Unidos que liderou a construção de um novo sistema financeiro mundial que integrasse as economias dos países. A construção desse sistema foi arquitetada  em 1944 na Conferência de Bretton-Woods (1944 ). Nessa conferência instituiu-se o dólar como referência de troca para as moedas mundiais, sendo este valorizado através da paridade com o ouro. Foi também criado O Fundo Monetário Internacional (FMI), além do Banco Internacional para a Reconstrução e Desenvolvimento  (BIRD), conhecido popularmente como Banco Mundial. Como vimos a Hegemonia americana se concretizava na economia mundial através do poder exercido pelo dólar no câmbio mundial, entretanto tal hegemonia não ficaria restrita a esta área. Na Conferência de Dumbarton Oaks (1944) e na de São Francisco construiu-se uma organização de âmbito mundial que objetivava promover a paz através da construção de instrumentos jurídicos.  Essa Instituição era a ONU ( Organização das Nações Unidas ). Buscando evitar o enfraquecimento da organização, como ocorrera com a Liga das Nações (LDS) no pós 1º Guerra, A União Soviética que creditava o insucesso da LDS ao boicote dos Estados Unidos insistiu para que a nova organização fosse sediada no território dos Estados Unidos. A organização da ONU tinha como uma de suas principais instituições o Conselho de Segurança que decidia a intervenção da organização sob o ponto de vista militar.  A Formação desse conselho refletia a geopolítica mundial do pós-guerra e era composta por membros permanentes e membros temporários. A força dos membros permanentes se manifestava no poder de veto que eles detinham, poder este não permitido aos membros temporários. Os membros permanentes do Conselho de segurança eram: Estados Unidos, União Soviética, Grã-Bretanha, França e China. Os demais países possuíam voz na chamada Assembléia Geral, da qual poucos países comunistas e africanos participavam, havendo maior presença de países europeus e latino-americanos. Além da questão da segurança militar a ONU tratava de outros assuntos através da constituição de instituições específicas para o acompanhamento de diferentes questões tais como: UNICEF ( infância), FAO (alimentação), UNESCO (ciência e educação), OIT (trabalho) e OMS (alimentação), Unesco (ciência e educação), OIT (trabalho) e OMS (Saúde).
A Conferência de Potsdam que aparentemente era a continuação das anteriores, apresenta as primeiras marcas evidentes dos rumos ideológicos que norteariam o mundo a partir de 1947. Hospedada na cidade de Berlim em julho de 1945, a conferência contava com a presença de uma nova figura: Harry Truman. Truman, que substituíra Roosevelt –falecido em abril-, defendia uma atitude mas incisiva em relação a URSS. Nessa conferência Stalin foi informado por Truman acerca da existência da Bomba atômica, embora Stalim aparentemente tenha transferido sua confiança em Roosevelt, Truman representava um novo momento, onde a política americana em relação aos soviéticos se modificava visivelmente.     

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