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Oriente Médio e Palestina

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Carnaval no Enem e no Vestibular - Questões com gabarito comentado


Dica: Grupo de estudo para específicas da Uerj: https://www.facebook.com/groups/660763183949872/







1. (Uerj 2007)    TREM DA CENTRAL
Empurra pra entrar dez mil
nesse trem da Central do Brasil
Eu já vou na porta pra saltar em Bangu
sei que vou ser chutado e pisado pra
chuchu
No outro dia não saltei onde moro
me chutaram do trem na estação de Deodoro
(...)
            (César Cruz / Silvinha Drumond - 1959)

            AVENIDA BRASIL, TUDO PASSA, QUEM NÃO VIU?
De lá pra cá, daqui pra lá eu vou (ah, como vou)
Com meu amor vou viajando nessa Avenida
pela faixa seletiva no sufoco dessa vida
tudo passa, quem não viu?
Uma confusão de coisas assim é a Avenida Brasil
Linha Vermelha vem cortando a Maré (...)
Do importado à carroça o contraste social
Nesse rio de asfalto o dinheiro fala alto
É a filosofia nacional (...)
            (Jefinho / Dico da Viola / Jorge Gannen - 1994)

Tanto a marcha do carnaval de 1959 quanto o samba-enredo da Mocidade Independente de Padre Miguel de 1994 fazem referência às condições da circulação urbana na cidade do Rio de Janeiro.
Uma característica associada aos meios de transporte preservada durante o tempo decorrido entre os dois momentos retratados e sua consequência urbana são:
a) estatização do sistema de transporte - intensificação da ocupação da periferia   
b) longa duração dos movimentos pendulares - aceleração do processo de favelização   
c) prioridade para o transporte de massa - incentivo ao processo de segregação urbana   
d) custo elevado de tarifas - concentração espacial de comércio e serviços na Área Central   


Resposta:

[B]



  
2. (Enem 2013)  No final do século XIX, as Grandes Sociedades carnavalescas alcançaram ampla popularidade entre os foliões cariocas. Tais sociedades cultivavam um pretensioso objetivo em relação à comemoração carnavalesca em si mesma: com seus desfiles de carros enfeitados pelas principais ruas da cidade, pretendiam abolir o entrudo (brincadeira que consistia em jogar água nos foliões) e outras práticas difundidas entre a população desde os tempos coloniais, substituindo-os por formas de diversão que consideravam mais civilizadas, inspiradas nos carnavais de Veneza. Contudo, ninguém parecia disposto a abrir mão de suas diversões para assistir ao carnaval das sociedades. O entrudo, na visão dos seus animados praticantes, poderia coexistir perfeitamente com os desfiles.

PEREIRA, C. S. Os senhores da alegria: a presença das mulheres nas Grandes Sociedades carnavalescas cariocas em fins do século XIX. In: CUNHA, M. C. P. Carnavais e outras frestas: ensaios de história social da cultura. Campinas: Unicamp; Cecult, 2002 (adaptado).

Manifestações culturais como o carnaval também têm sua própria história, sendo constantemente reinventadas ao longo do tempo. A atuação das Grandes Sociedades, descrita no texto, mostra que o carnaval representava um momento em que as
a) distinções sociais eram deixadas de lado em nome da celebração.   
b) aspirações cosmopolitas da elite impediam a realização da festa fora dos clubes.   
c) liberdades individuais eram extintas pelas regras das autoridades públicas.   
d) tradições populares se transformavam em matéria de disputas sociais.   
e) perseguições policiais tinham caráter xenófobo por repudiarem tradições estrangeiras.   


Resposta:

[D]

Como o texto deixa claro, havia uma disputa social em torno de que tipo de carnaval deveria ser adotado: o similar ao de Veneza (valorizado pelas camadas superiores) ou o entrudo (valorizado pelas camadas populares).



  
3. (Uepb 2013)  Considerando o espaço urbano, o mundo citadino, assinale a alternativa correta:  
a) Os citadinos da Idade Média, diferentemente dos da contemporaneidade, não se preocupavam com a segurança, nem mesmo no período da noite, porque não havia bandos rurais ou bandos de salteadores urbanos que os atormentassem.    
b) As festas medievais eram essencialmente religiosas e tinham apenas a função do regozijo, que era o da glorificação de Deus e de seus santos, não permitindo o repouso dos cristãos por ocasião destas festas.    
c) As cidades medievais do século XIII proibiam as peças teatrais, inclusive as Paixões, até mesmo no espaço das catedrais, porque os burgueses não tinham interesse em seu desenvolvimento.    
d) O carnaval, que era na Alta Idade Média uma festa rústica, camponesa, com forte conotação pagã, invade a cidade, urbaniza-se, e aí introduz uma contestação ideológica, transformando-se em algo que se opõe à quaresma e combate a mentalidade penitencial e ascética da religião cristã.    
e) A desruralização das cidades é um fenômeno do século XIII. Desde este período, foi abolida do meio urbano qualquer atividade rural, sendo um espaço exclusivo de produção de manufaturas, e tendo, inclusive, proibido a criação de animais pelas famílias citadinas.   


Resposta:

[D]

Antes de ser adotado pela Igreja Católica como uma festa oficial (590 d. C.), o Carnaval era uma comemoração pagã marcada pela sexualidade e pelo consumo excessivo de álcool. Nas cidades medievais, inclusive, a festa desafiava o grande poder feudal da Igreja Católica.



  
4. (Ufrgs 2011)  Observe a charge abaixo.



Esta charge, inspirada em uma marcha de carnaval interpretada por Francisco Alves, faz referência
a) à ascensão de Getúlio Vargas ao poder, após o golpe do Estado Novo.   
b) ao término do Estado Novo com a destituição de Getúlio Vargas.   
c) à volta de Getúlio Vargas ao poder, após o governo de Eurico Dutra.   
d) à eleição de Getúlio Vargas como governador do Rio Grande do Sul, após a redemocratização.   
e) à reeleição de Getúlio Vargas como presidente, após o governo JK.   


Resposta:

[C]

A expressão “outra vez” permite entender que Vargas já havia governado e que muitos queriam seu retorno ao poder. Dessa forma, podemos imaginar o período de governo Dutra, que foi antecedido pelo Estado Novo de Vargas e foi substituído por Vargas, desta vez eleito pelo voto direto dos cidadãos em 1950. Vale lembrar que Getúlio suicidou-se em 1954 e JK foi eleito no final do ano seguinte. Getulio foi governador do estado do Rio Grande do Sul entre 1928 e 1930.



  
5. (Fatec 2008)

 
Em 1942, os Estúdios Disney lançaram o filme "Alô, Amigos", no qual duas aves domésticas se encontram: o Pato Donald e o papagaio Zé Carioca. Este, afável e hospitaleiro leva o ilustre norte-americano a conhecer as maravilhas do Rio de Janeiro, como o samba, a cachaça e o Pão de Açúcar. A criação de um personagem brasileiro por um estúdio americano fazia parte, naquele momento,
a) da política de boa vizinhança praticada pelos EUA, que viam a América do Sul como parte do círculo de segurança de suas fronteiras durante a Segunda Guerra Mundial.   
b) do claro descaso dos norte-americanos com o Brasil, ao criar um personagem malandro como forma de desqualificar o povo brasileiro.   
c) do medo que os norte-americanos tinham, porque o Brasil se tornava uma grande potência dentro da América do Sul e começava a suplantar o poderio econômico americano.   
d) do projeto de expansão territorial norte-americana sobre o México, projeto esse que necessitava de apoio de outros países da América Latina, entre eles o Brasil.   
e) da preocupação norte-americana com a entrada do Brasil na Segunda Guerra, ao lado da Alemanha nazista, e com a implantação de bases navais alemãs no porto de Santos.   


Resposta:

[A]



  
6. (Ufpr 2008)  "O cinema brasileiro sempre buscou parte da sua energia na música popular. Das chanchadas da Atlândida, que levaram para as telas os sucessos do rádio e do Carnaval [...]. De 'Vinicius' (2005), o documentário nacional mais visto em todos os tempos, a '2 Filhos de Francisco' (2005), maior sucesso da chamada fase de 'retomada'. Nessa longa e muitas vezes bem-sucedida relação, 'Cartola', documentário sobre o sambista carioca Agenor de Oliveira (1908 -1980), promete ocupar posição de destaque. [...] O filme defende a ideia de que Cartola foi uma figura-síntese da música popular brasileira do século 20, ao protagonizar momentos fundamentais de sua história e fazer a ponte entre diferentes gerações e movimentos."
            (CALIL, Ricardo. Ciência e Arte: documentário mostra a trajetória do compositor Cartola, o mestre do samba melancólico cultuado por diferentes gerações de músicos e intérpretes. In: "Bravo!". São Paulo: Editora Abril, Ano 10, n. 116, abr. 2007, p. 70.)

Com base no texto e nos conhecimentos sobre a cultura nacional, considere as afirmativas a seguir:

1. O encontro do cinema brasileiro com a energia da música popular remete a essa busca permanente de compreender a assimilação da diversidade social nacional pelas diferentes linguagens da produção cultural.
2. No texto, o paralelo entre o sucesso do documentário "Vinicius" e o êxito do filme "2 Filhos de Francisco", de estilos estéticos completamente diferentes, destaca o mau gosto da maioria da população brasileira, resultante da ausência de um padrão aceitável de educação cultural.
3. O esforço em vincular a identidade nacional ao Carnaval, em que as músicas do samba eram disseminadas pelo país afora com o apoio dos meios de comunicação social de massa, fazia parte de uma estratégia inserida no projeto de nacionalização da sociedade brasileira.
4. A alusão ao documentário do sambista Cartola exemplifica o encontro de estilos musicais que se constituiu em referência da produção cultural brasileira, ou seja, a sensibilidade permissiva à mescla que combina erudição musical e poesia popular.

Assinale a alternativa correta.
a) Somente as afirmativas 1 e 2 são verdadeiras.   
b) Somente as afirmativas 1 e 4 são verdadeiras.   
c) Somente as afirmativas 2 e 3 são verdadeiras.   
d) Somente as afirmativas 1, 3 e 4 são verdadeiras.   
e) Somente as afirmativas 2, 3 e 4 são verdadeiras.   


Resposta:

[D]



  
7. (Pucrs 2006)  "Aquarela do Brasil", de Ary Barroso, foi um samba-exaltação composto num contexto caracterizado pela censura às letras de música que falassem da malandragem e pela utilização política do samba através do rádio - inclusive com a composição de marchinhas de carnaval - no sentido de forjar o consenso político ao redor de um projeto de modernização populista e autoritário, que caracterizou o governo de
a) Juscelino Kubitschek   
b) Eurico Gaspar Dutra   
c) Castelo Branco   
d) Jânio Quadros   
e) Getúlio Vargas   


Resposta:

[E]



  
8. (Pucsp 2006)  A Escola de Samba Vila Isabel apresentou no Carnaval carioca de 2006 um enredo que defendia a unidade e a integração latino-americanas. É correto afirmar que
a) o desfile foi patrocinado por empresas petrolíferas venezuelanas que, assim, demonstraram sua insatisfação com a política externa isolacionista do governo Hugo Chávez.   
b) a unidade latino-americana é atualmente sólida e inquestionável, dada a eficácia de mecanismos de integração comercial, como o Mercosul, o Nafta e a Alca.   
c) o esforço de algumas iniciativas integradoras não conseguiu, até hoje, se impor, dadas as disputas regionais e os conflitos de interesses entre países latino-americanos.   
d) a integração latino-americana existe desde a independência e resultou da atuação militar e política de Simón Bolívar, que propôs e consumou a unidade da América.   
e) o tema da unidade latino-americana é bastante debatido pela diplomacia, mas não encontra apoio na população dos países, que nutre forte sentimento xenófobo.   


Resposta:

[C]



  
9. (Ufrn 2005)  A ação do governo federal, no Brasil da década de 1930, não se limitou às manifestações de caráter cívico e à adoção de políticas nacionalistas na economia, mas atingiu manifestações culturais e festas populares, como o Carnaval.
Escrevendo sobre o Carnaval na cidade do Rio de Janeiro, a historiadora Myrian dos Santos afirma:

Pedro Ernesto, interventor de Getúlio no então Distrito Federal, procurou incorporar os novos setores da população à política local, subvencionando, entre outras, as manifestações carnavalescas. Durante seu governo, foi criado o registro policial, a premiação e os regulamentos para os concursos entre as escolas. Entre os primeiros componentes das escolas de samba há um consenso de que Pedro Ernesto foi o grande amigo e patrono das escolas.
            SANTOS, Myrian Sepúlveda dos. Do entrudo às escolas de samba: a ocupação do espaço das ruas pelo carnaval carioca. In: MARTINS, I. de L.; MOTTA, R. P. S.; IOKOI, Z. G. "História e cidadania". São Paulo: Humanitas Publicações/FFLCH-USP; ANPUH, 1998. p. 379.

A partir do fragmento textual, pode-se inferir que Getúlio Vargas
a) adotou uma política de regulação para controlar as manifestações culturais e políticas de cunho popular.   
b) incentivou a criação de agremiações culturais como forma de adquirir recursos para o governo federal.   
c) criou projetos públicos para as entidades culturais brasileiras no intuito de atender a antigas reivindicações populares.   
d) atendeu aos desejos populares como forma de ampliar a liberdade de ações das instituições culturais nacionais.   


Resposta:

[A]



  
10. (Uel 2001)  "Tomara que chova/Três dias sem parar/ A minha grande mágoa/É lá em casa não ter água/ Eu preciso me lavar/ De promessa eu ando cheio/ Quando eu conto a minha vida/ Ninguém quer acreditar/ O trabalho não me cansa/ O que me cansa é pensar/ Que lá em casa não tem água/ Nem pra cozinhar."
            ("Tomara que chova", Paquito e Romeu Gentil, sucesso do carnaval de 1951.)

O tempo passou desde o carnaval de 1951. Contudo, na maioria das cidades brasileiras persiste o problema da falta de saneamento básico. Considerando os seus conhecimentos sobre a urbanização no Brasil da década de 1950, é correto afirmar:
a) Os imigrantes que habitavam os cortiços nas cidades do Rio de Janeiro e São Paulo possuíam rede de esgoto e água encanada.   
b) A falta de canalização de esgoto e de abastecimento de água, sobretudo nas moradias populares, era responsável pela propagação de várias doenças.   
c) O Plano de Metas de Getúlio Vargas implementou soluções para a crise habitacional e de serviços de infraestrutura urbana.   
d) A urbanização tardia do território nacional desobrigava os políticos de propor soluções para o saneamento básico.   
e) As letras consagradas nas marchas carnavalescas dos anos 50 revelavam o distanciamento da população urbana dos temas sociais.   


Resposta:

[B]



  
11. (Ufc 2001)  "Paralelamente às sucessivas proibições ao entrudo, surge o novo carnaval no Rio de Janeiro. Nele predominavam, de início, as máscaras aqui introduzidas em 1834, vindas de Paris e Veneza, além de bailes e ricas fantasias, segundo os 'usos e costumes' da Europa. Em fins do século, aparece o confete, depois o corso, práticas festejadas nos jornais da época como símbolos de civilização."
            (SOIHET, Rachel. "A Subversão pelo Riso. Estudos sobre o carnaval carioca da Belle Époque ao tempo de Varga". Rio de Janeiro: Editora Fundação Getúlio Vargas, 1998, p.69.)

A partir desta citação sobre as mudanças introduzidas no carnaval do Rio de Janeiro nas primeiras décadas do século XX, em função das novas relações entre as elites urbanas e as camadas populares no Brasil, é correto afirmar:
a) o carnaval de origem europeia, com desfiles e fantasias, somava-se aos festejos populares identificados ao passado colonial brasileiro.   
b) o carnaval tornava-se, cada vez mais, uma festa de características populares, concentrado nos bairros pobres e nas periferias urbanas.   
c) o carnaval fortaleceu-se, com os desfiles organizados pelo governo, como uma festa de elite, marcada pela elegância e sobriedade dos participantes.   
d) o samba, o carnaval e o futebol permaneceram, apesar das mudanças, elementos de uma cultura popular que se remetia ao início do século XIX.   
e) o carnaval carioca tornou-se elitista e fechado às camadas populares urbanas, tornando-se uma festa de características rurais.   


Resposta:

[A]



  
12. (Ufpel 2000)  O documento policial pertence ao período do Estado Novo, governado por Getúlio Vargas.

            Repartição Central de Polícia

            Em Porto Alegre, 7 de janeiro de 1941.

            INSTRUÇÕES QUE DEVERÃO SER OBSERVADAS NOS DIAS DE CARNAVAL DE 1941.

1 - Nenhum baile publico poderá realizar-se sem prévia licença da D.A.
2 - Nenhuma canção poderá ser cantada nas vias publicas, sociedades, clubes, e outras quaisquer casas de diversão, sem prévia censura da respectiva letra.

5 - Não é permitido o transito pelas ruas de grupos carnavalescos de que façam parte individuos maltrapilhos, empunhando latas, fragmentos de madeira e outros objetos. Tais grupos serão dissolvidos e seus componentes apresentados à Delegacia mais proxima.

8 - Durante os dias de carnaval fica proíbida a venda de bebidas alcoolicas em bares, hoteis, restaurantes, cafés, botequins e mercadinhos, excetuando-se o vinho, chopp, cerveja, whisky e champanhe.
9 - O uso de mascaras, na via pública, será permitido somente nos dias próprios de carnaval; ficam, entretanto, os seus portadores sujeitos, a qualquer momento, à fiscalização policial.
10 - Será apresentado à Delegacia mais próxima todo aquele que fizer uso de lança-perfume como entorpecente, aspirando-o ou bebendo-o.
            Ao Snr. Delegado chamo a atenção, de ordem superior, para rigorosa observancia das instruções acima, baixadas pela Chefia de Polícia.

                                               Harvey Azambuja
                                               Diretor do Expediente.

Esse texto expressa
a)  o respeito às liberdades individuais fundamentais, como o direito de ir e vir, de expressão do pensamento e de cuidados com a segurança pública.   
b)  a censura nas canções, a violência policial, por tolher a liberdade de ir e vir, a discriminação social, pela proibição do consumo da principal bebida alcoólica popular (a cachaça) e do desfile de maltrapilhos.   
c)  o Estado de direito, instituído com o Estado Novo, chefiado por Vargas, em favor de uma sociedade mais justa e igualitária.   
d)  a instituição da "lei seca" no Brasil, nos mesmos moldes dos Estados Unidos da América, na década de 1920, e o respeito do Estado pela manifestação popular no Carnaval.   
e)  a livre realização do Carnaval no Estado Novo, apesar de suas características ditatoriais.   


Resposta:

[B]








Construindo respostas discursivas nas provas da Uerj:







domingo, 23 de fevereiro de 2014

Questões discursivas com gabarito comentado - Período colonial


Dica de estudo: grupo de estudo para específica da Uerj: https://www.facebook.com/groups/660763183949872/


1. (Uerj 2012) 




A Estrada Real, nos dias de hoje, é a reunião dos vários caminhos construídos no Brasil-Colônia, principalmente nos séculos XVII e XVIII, para o transporte das riquezas do interior para o litoral do Rio de Janeiro, de onde seguiam para a metrópole portuguesa. São 1.512 km que permitem mergulhar na história brasileira. A circulação de pessoas, mercadorias e riquezas era obrigatoriamente feita por aqueles caminhos, constituindo crime de lesa-majestade a abertura de outros não autorizados pela administração metropolitana.

Adaptado de http://360graus.terra.com.br

A expansão da colonização na América portuguesa, nos séculos XVII e XVIII, ocasionou o surgimento de novas atividades econômicas, de núcleos de povoamento e de caminhos e estradas, como os que compuseram a Estrada Real.
Cite a principal atividade econômica que condicionou o surgimento dos caminhos da Estrada Real e identifique dois interesses da Coroa portuguesa em controlar esses caminhos, no decorrer do século XVIII.


Resposta:

A mineração, considerada a atividade mais importante no século XVIII, presente no interior da colônia, região conhecida como “as minas gerais”, de onde provinham os diamantes e o ouro. O controle dos caminhos por parte da metrópole pretendia evitar o contrabando das riquezas extraídas da região e, ao mesmo tempo, controlar a circulação de todas as mercadorias que chegavam à mesma.
Dada a dimensão da área mineradora, e sua distância dos principais portos que levariam a riqueza para Portugal, havia grande preocupação com o controle fiscal e a garantia do pagamento dos impostos.



  
2. (Uerj 2011)  Pelo que, começando, digo que as riquezas do Brasil consistem em seis coisas, com as quais seus povoadores se fazem ricos, que são estas: a primeira, a lavoura do açúcar; a segunda, a mercancia; a terceira, o pau a que chamam do Brasil; a quarta, os algodões e madeiras; a quinta, a lavoura de mantimentos; a sexta e última, a criação de gados. De todas estas coisas o principal nervo e substância da riqueza da terra é a lavoura dos açúcares.

BRANDÃO, Ambrósio Fernandes, 1618.
Adaptado de PRIORE, M. del; VENÂNCIO, R. P. O livro de ouro da história do Brasil. Rio de Janeiro: Ediouro, 2001.

Considera-se hoje que o Brasil colonial teve um desenvolvimento bastante diferente da interpretação de Caio Prado Júnior. É que mudou a ótica de observação: os historiadores passaram a analisar o funcionamento da colônia. Não que a intenção da política metropolitana fosse diferente do que propõe o autor. Mas a realidade se revelava muito mais complexa. No lugar da imagem de colonos engessados pela metrópole, vem à tona um grande dinamismo do comércio colonial.

Sheila de Castro Faria
Adaptado de www.revistadehistoria.com.br

O texto do século XVII enumera interesses da metrópole portuguesa em relação à colonização do Brasil; já o segundo texto, uma análise mais contemporânea, descreve uma sociedade mais complexa que ia além dos planos dos exploradores europeus.
Indique dois objetivos da Coroa Portuguesa com a implantação da empresa açucareira no Brasil colonial. Em seguida, identifique duas características da economia colonial que comprovam o seu dinamismo interno.


Resposta:

Dois dos objetivos:
• fixar população portuguesa à terra.
• garantir o controle político do território por Portugal.
• produzir mercadoria de alto valor comercial no mercado europeu.
• garantir rendas à Coroa Portuguesa por meio da produção de gêneros de valor comercial.
• garantir o monopólio do Atlântico Sul e, consequentemente, da rota marítima para o Oriente.
• afirmar a preponderância portuguesa no cenário das grandes nações europeias do século XVI.

Duas das características:
• existência de atividades econômicas utilizando mão de obra livre.
• desenvolvimento de relações comerciais internas e com outras regiões, apesar das proibições características do monopólio metropolitano.
• existência de uma quantidade de capital circulante na colônia, empregado não só no tráfico negreiro como também na criação do gado e na lavoura de subsistência, voltadas principalmente para o mercado interno.

O texto destaca principalmente os objetivos econômicos, enumerando atividades produtivas, destacadas como geradoras de riqueza.
A crítica à análise tradicional procura destacar o dinamismo da colônia, que pressupõe a existência da pequena propriedade voltada para a subsistência ou a pecuária, desenvolvida a partir do trabalho livre.



  
3. (Uerj 2010)  As expedições destinadas ao apresamento de indígenas constituíram, como se pode observar no mapa a seguir, a principal atividade realizada pelos bandeirantes paulistas entre os séculos XVI e XVIII.


Estabeleça a relação existente entre as expedições de apresamento e as atividades econômicas desenvolvidas pelos habitantes da Capitania de São Vicente. Em seguida, identifique um efeito dessas expedições para a colônia portuguesa na América.


Resposta:

A ocupação das terras do planalto pelos paulistas ocasionou conflitos com as populações nativas locais, que foram em grande parte aprisionadas e então utilizadas como mão de obra escrava na lavoura de gêneros alimentícios. Por sua vez, o desenvolvimento dessa lavoura, destinada ao comércio intracolonial, estimulou a organização de novas expedições destinadas ao apresamento de indígenas.

Um dos efeitos:
• desbravamento e conhecimento dos sertões
• descoberta de ouro na região das Minas Gerais
• extermínio e escravização de populações ameríndias
• criação de caminhos e estradas entre as regiões desbravadas
  • ampliação da oferta de mão de obra escrava indígena para outras regiões da América portuguesa
• legitimação das pretensões territoriais portuguesas na negociação do tratado de Madri

A questão analisa o bandeirismo de apresamento enfatizando o caráter cíclico dessa atividade e seus efeitos no processo colonizador.  



  
4. (Uerj 2009)  O trabalho na colônia:

1 - 1500-1532: período chamado pré-colonial, caracterizado por uma economia extrativa baseada no escambo com os índios;
2 - 1532-1600: época de predomínio da escravidão indígena;
3 - 1600-1700: fase de instalação do escravismo colonial de plantation em sua forma "clássica";
4 - 1700-1822: anos de diversificação das atividades em função da mineração, do surgimento de uma rede urbana, mais tarde de uma importância maior da manufatura - embora sempre sob o signo da escravidão predominante.
            CIRO FlAMARLON SANTANA CARDOSO. In: LINHARES, Maria Yedda (org.). "História geral do Brasil". 9a ed. rio de Janeiro: Campus, 2000.

A partir das informações do texto, verificam-se alterações ocorridas no sistema colonial em relação à mão de obra.
Apresente duas justificativas para o incentivo do Estado português à importação de mão de obra escrava para sua colônia na América.


Resposta:

Duas das justificativas:
- oposição da Igreja Católica à utilização do indígena como escravo.
- dificuldade de apresamento dos indígenas, em função de sua migração / fuga para o interior.
- lucratividade do tráfico internacional de escravos, semelhante à de uma grande empresa, favorecendo traficantes e a Coroa Portuguesa.
- "falta de braços" para a lavoura dos principais produtos coloniais, devido a um ciclo de doenças ocorridas na segunda metade do século XVI, responsável pela morte de milhares de indígenas.
- caráter fortemente hierárquico da sociedade portuguesa desse momento, marcada pelo uso legitimado da escravidão.



  
5. (Uerj 2008)                Quilombo, o eldorado negro

Existiu
Um eldorado negro no Brasil
Existiu
Como o clarão que o sol da liberdade produziu
Refletiu
A luz da divindade, o fogo santo de Olorum
Reviveu
A utopia um por todos e todos por um

Quilombo
Que todos fizeram com todos os santos zelando
Quilombo
Que todos regaram com todas as águas do pranto
Quilombo
Que todos tiveram de tombar amando e lutando
Quilombo
Que todos nós ainda hoje desejamos tanto

Existiu
Um eldorado negro no Brasil
Existiu
Viveu, lutou, tombou, morreu, de novo ressurgiu
Ressurgiu
Pavão de tantas cores, carnaval do sonho meu
Renasceu
Quilombo, agora, sim, você e eu
Quilombo

Quilombo
Quilombo
Quilombo
            (Gilberto Gil e Wally Salomão - 1983)

A letra da música acima faz referência a uma das formas de resistência escrava - a criação de quilombos - verificada tanto no Brasil colonial quanto após a independência. Explique por que os quilombos representaram um avanço na luta dos cativos contra seus senhores, ao longo do século XIX, e indique duas outras formas de resistência escrava.


Resposta:

Por facilitar a sobrevivência de um grande número de escravos fugidos, e por utilizar táticas de ataques às propriedades próximas, representavam uma forma mais eficiente de resistência, atraindo, portanto, mais escravos e provocando medo entre os grandes proprietários.

Duas das formas:
- suicídio
- infanticídio
- assassinato de feitores/senhores
- aborto das escravas
- destruição dos meios de produção das propriedades
- automutilação



  
6. (Uerj 2005)  [O Brasil era] a morada da pobreza, o berço da preguiça, o teatro dos vícios.
            (VILHENA, Luís dos Santos. "A Bahia no século XVIII". Bahia: Itapuã, 1969.)

A avaliação acima, feita por um português do final do século XVIII, aponta alguns traços da sociedade do Brasil colonial, permitindo inferir que, ao lado dos ricos proprietários de terra, existiam grupos marginalizados.

a) Indique dois grupos sociais que constituíam os marginalizados da sociedade colonial.
b) Descreva o papel desempenhado pelos grandes proprietários de terra na vida política e administrativa do Brasil colonial.


Resposta:

a) Dois dentre os grupos sociais:
- vadios
- judeus
- ciganos
- escravos
- prostitutas
- libertos ou forros
- homens livres pobres

b) Os grandes proprietários de terra, por controlarem os cargos preponderantes na vida administrativa local, votavam e podiam votar nas Câmaras Municipais.



  
7. (Uerj 2004)  MOBILIDADE SOCIAL É MITO NO BRASIL
O estudo do Banco Mundial derruba o mito de que o Brasil é um país de grande mobilidade social - onde os filhos dos mais pobres "sobem na vida" com o tempo. Segundo o trabalho, comparado com outros países da América Latina, o Brasil tem ainda menos mobilidade.
A principal razão do fenômeno, segundo o Bird, é o acesso à educação, diretamente relacionado às oportunidades de ascensão. (...) "Na verdade, o Brasil é um dos países com o menor nível de mobilidade educacional do mundo", diz o trabalho.
(Jornal do Brasil, 08/10/2003)

A dificuldade na mobilidade social, característica da sociedade brasileira, encontra-se intrinsecamente relacionada a estruturas históricas que se originam no período colonial.
a) A escravidão estigmatizou o trabalho, mas não impediu o desenvolvimento do trabalho livre no período colonial.
Identifique duas ocupações para o homem livre na colônia, uma no espaço rural e outra no espaço urbano.
b) Cite um aspecto da educação no período colonial que permaneça até os dias de hoje.




Resposta:

a) Nas áreas rurais, o homem livre poderia ser, entre outras funções, feitor, tropeiro ou vaqueiro e nas áreas urbanas, artesão especializado, empregado de pequeno comércio, profissional liberal (médico, advogado, etc.), funcionário da administração ou militar.

b) A ideia de que o ensino superior é privilégio de uma elite e não direito de todos como cidadãos.



  
8. (Uerj 2001)  O lugar de maior perigo que há no engenho é o da moenda, porque, se por desgraça a escrava que mete a cana entre os eixos, ou por força do sono, ou por cansada, ou por qualquer outro descuido, meteu desatentadamente a mão mais adiante do que devia, arrisca-se a passar moída entre os eixos, se lhe não cortarem logo a mão ou o braço apanhado, tendo para isso junto da moenda um facão, ou não forem tão ligeiros em fazer parar a moenda.
            (ANTONIL, André João. "Cultura e opulência do Brasil". Belo Horizonte/São Paulo: Itatiaia/EdUSP, 1982.)

Com base no texto, identifique duas características do trabalho escravo no Brasil do período colonial.


Resposta:

Duas dentre as características:
- longas jornadas
- realização repetitiva
- execução de trabalhos manuais

- inexistência de qualquer tipo de segurança nos locais de trabalho 





Construindo respostas para questões discusivas - Revisão Império




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