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Oriente Médio e Palestina

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Guevara e o Foquismo Revolucionário



Guevara e o Foquismo Revolucionário

Pois Che Guevara foi de algum modo um Blanqui latino-americano. Tal como o francês, ele aferrou-se a idéia de que um núcleo coeso e determinado de combatentes era capaz não só de constituir um foco revolucionário como de derrotar um exército convencional. Como ele mesmo explicitou no seu manual de combatente (La guerra de guerrillas, 1960), extraído das suas experiências da revolução cubana de 1956-9, "não há que esperar necessariamente que se dê uma situação revolucionária, pode criar-se". Inevitavelmente o foquismo conduzia a um enaltecimento de uma vanguarda, eleita pela história e pelo destino, que se proclamava em permanente rebelião em nome de um povo omisso ou indiferente, depositando toda sua esperança no voluntarismo de uma liderança radical. A doutrina foquista apelava diretamente para motivação dos revolucionários, para que entrassem em ação não importando muito as circunstâncias políticas em que o país se encontrava. Esse discurso soou como música nos ouvidos de boa parte da juventude engajada latino-americana dos anos 60 e 70. O foquismo acendia a chama romântica da aventura, do heroísmo e do martírio, fazendo com que cada um que aderisse ao movimento e empunhasse um fuzil se imaginasse um Davi revolucionário enfrentando o Golias oligárquico-imperialista. No foquismo, um blanquismo adaptado às circunstâncias latino-americanas, e no exemplo de Che Guevara (morto na Bolívia em 1967) é que se inspiraram, a partir dos anos sessenta, os movimentos guerrilheiros do MIR chileno, o ERP e os Montoneros argentinos, os Tupamaros uruguaios, a Frente Farabundo Martí de El Salvador, os sandinistas da Nicarágua, o Sendeiro Luminoso do Peru, O M-19, a FARC e o ELN da Colômbia, o Var-Palmares e a FLN no Brasil, e uma incontável quantidade de outros grupos e subgrupos que se multiplicaram por parte considerável da América Central e do Sul nos últimos quarenta anos. Os zapatistas no estado de Chiapas, no México, o MRTA, esmagados recentemente no Peru pelo regime de Fujimori, a FARC e o ELN da Colômbia, limitadas às florestas daquele país, são os derradeiros remanescentes da doutrina foquista e do guevarismo.


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