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terça-feira, 8 de abril de 2014

Brasil Colônia - Questões discursivas com gabarito comentado


Grupo de estudo para as específicas da Uerj: https://www.facebook.com/groups/660763183949872/

1.   Observe a imagem abaixo:



O reinado de D. José I, em Portugal (1750-1777), foi marcado pela atuação de Sebastião José de Carvalho e Melo (futuro Marquês de Pombal), nomeado secretário de estado do Reino. Ao se tornar figura central da administração portuguesa, Pombal procurou empreender uma série de reformas no país, de modo a reverter a situação de crise em que vivia o reino português. Segundo o historiador Kenneth Maxwell:

Uma consequência imediata das medidas drásticas de Pombal foi desembaraçar o caminho para ações governamentais em várias frentes. Assim, a década de 1760 marcou um período de consolidação e ampliação das reformas iniciadas durante a década anterior. Estas incluíram (...) a afirmação da autoridade nacional na administração religiosa e eclesiástica, o estímulo a empreendimentos industriais e a atividades empresariais e a consolidação da autoridade para lançar impostos, das capacidades militares e da estrutura de segurança do Estado”.

MAXWELL, Kenneth. Marquês de Pombal: paradoxo do Iluminismo. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1996. p. 96.

Com base no texto acima e em seus conhecimentos, cite e analise:

a) uma medida da política econômica pombalina para a América Portuguesa.
b) uma medida da política pombalina em relação ao sistema educacional na colônia brasileira.


Resposta:

a) O estudante poderá destacar, dentre outras: a criação das companhias de comércio; o controle do contrabando de ouro e diamante; a reorganização da política fiscal. A medida mais famosa, no entanto, foi a criação da Derrama, na região das Minas Gerais. Com o intuito de cobrar os impostos atrasados dos mineradores, acabou atingindo toda a sociedade da região devido a ação violenta de governantes e militares portugueses no Brasil.
b) O estudante poderá destacar, dentre outras: a proposta de secularização do ensino, principalmente em função da expulsão dos jesuítas, que mobilizavam, até então, o ensino na colônia. Na verdade essa medida abriu caminho para a ação de outras ordens religiosas católicas, mais dóceis em relação ao Estado.



  
2.   Os historiadores são quase unânimes em reconhecer que a atividade mineradora do século XVIII resultou numa forma específica de colonização que a diferenciava do resto do Brasil.

(FARIA, Sheila de Castro. Dicionário do Brasil Colonial. Rio de Janeiro: Objetiva, 2000, p. 397).

Considere o contexto histórico da América portuguesa, no que se refere à sociedade e à economia colonial do século XVIII, e diferencie esta forma de colonização daquela realizada no Nordeste açucareiro, dos séculos XVI e XVII.


Resposta:

Na sociedade açucareira, o braço forte do processo da sociedade colonial estava no elemento escravocrata; já na sociedade mineradora, pela especificidade da organização econômica, houve a inserção de atividades intermediárias que inseriram o escravo numa condição antagônica, ou seja, o escravo passou a ser visto em atividades urbanas, diferente das atividades rurais predominante na sociedade açucareira. Em virtude dessa condição, a economia açucareira estava voltada para o mercado externo; em contrapartida, na economia mineradora, pela questão do processo de desenvolvimento interno, houve alteração ocorrida pelo deslocamento demográfico para a região Centro-Sul.



  
3.   Leia este trecho, em que o personagem principal - Robinson Crusoé - rememora fatos por ele vividos no século XVII:

            "Pouco tempo depois do desembarque [na Bahia], fui recomendado pelo Capitão a um homem muito honrado, semelhante ao mesmo capitão, que tinha o que vulgarmente se chama um Engenho, isto é, uma plantação e uma manufatura de açúcar. Vivi alguns tempos em sua casa e por este meio me instrui no modo de plantar e fazer o açúcar. Ora, vendo que comodamente viviam estes cultivadores e com rapidez se enriqueciam, resolvi-me a estabelecer-me e a ser cultivador como os outros, se fosse possível obter licença; bem entendido que procuraria o meio de me fazer vir à mão o dinheiro, que tinha deixado em Londres [...] [Importei da Inglaterra] panos, sedas, meias e outras coisas extraordinariamente estimadas e procuradas neste país [e...] achei o segredo de as vender por alto preço, de sorte que posso dizer que, depois de sua venda, ajuntei mais de quatro vezes o valor da minha carregação [...] o ano seguinte tive toda a sorte de vantagens na minha plantação; colhi na minha própria terra cinquenta rolos de tabaco [que] estavam bem acondicionados e prontos para quando a frota voltasse para Lisboa."
            DEFOE, Daniel. "Vida, e aventuras admiráveis de Robinson Crusoé, que contem a sua tornada à sua Ilha, as suas novas viagens, e as suas reflexões". Lisboa: Impressão de Aucobia, 1815. v. 1, p. 68-69 e 74. (Adaptado)

A partir dessa leitura e considerando outros conhecimentos sobre o assunto,
a) IDENTIFIQUE duas atividades econômicas de caráter distinto desenvolvidas por Robinson Crusoé na Bahia.
b) RELACIONE as atividades indicadas no item a desta questão à política colonizadora das potências europeias para a América na Época Moderna.


Resposta:

a) A lavoura canavieira e a lavoura do fumo (tabaco), durante o período colonial do Brasil. Pode-se mencionar ainda o comércio de manufaturas inglesas na colônia.

b) O cultivo de gêneros tropicais nas colônias americanas e o posterior comércio no mercado europeu, bem como o fornecimento de manufaturas europeias às áreas coloniais, atendiam aos propósitos da acumulação mercantilista das potências europeias na Época Moderna.
Quanto ao tabaco, este era utilizado no Tráfico Negreiro, importante fonte de capitais para algumas das potências europeias.



  
4.   Leia o seguinte texto:

            "Na manhã de 29 de novembro de 1807, circulou a informação de que a Rainha, o Príncipe Regente e toda a Corte estava fugindo para o Brasil, sob a proteção da Marinha Britânica. Nunca algo semelhante tinha acontecido na história de qualquer país europeu, rei nenhum havia ido tão longe a ponto de cruzar um oceano para viver e reinar do outro lado do mundo."
            (Revista "Super Interessante", Outubro de 2007)

Com base no texto, responda:
a) Indique uma das ordens imediatas do Príncipe Regente ao pisar em terras brasileiras.
b) No que diz respeito à chegada da Família Real ao Brasil em 1808, apresente duas consequências que tenham tido significativa relevância no sentido de modificar o rumo histórico do país.


Resposta:

a) A abertura dos Portos Brasileiros às Nações Amigas em 1808.

b) Entre as consequências relevantes da chegada da Família Real portuguesa ao Brasil em 1808, pode-se mencionar o Tratado de Comércio e Navegação de 1810 com a Inglaterra, que além de constituir-se em obstáculo ao desenvolvimento da atividade industrial no Brasil, iniciava a vinculação do Brasil à órbita do capitalismo britânico, e a  elevação do Brasil à condição de Reino Unido de Portugal e Algarves em1815, retirando-lhe a condição de Colônia.



  
5.   Leia atentamente o trecho a seguir e, com base nele e em seus conhecimentos, responda ao que se pede.

"Se pensarmos na história do Brasil (...) veremos que nenhum produto, ou atividade desaparece. Às vezes nem mesmo decai, (...). Na verdade, o que aconteceu [no caso do açúcar] deve ser explicado por fatores que dizem respeito às condições do mercado consumidor mundial, ao nível técnico da produção, à competitividade do produto..."
            (LINHARES, M. Y. L. "História da agricultura brasileira".)

a) Cite e analise dois fatores que levaram à chamada "crise do açúcar", em meados do século XVII.
b) É correto dizer que existiu um "ciclo do açúcar" no Brasil? Justifique sua resposta.


Resposta:

a) O aluno deveria citar e analisar dois fatores que levaram à crise ao açúcar na século XVII no Brasil colônia, entre eles: a expulsão dos holandeses do nordeste e a consequente perda do monopólio açucareira nas Antilhas e seu maior nível técnico; o reaquecimento da produção e consumo de açúcar de beterraba na Europa; o endividamento dos senhores de engenho; a lenta resposta da Coroa portuguesa para oferecer novos investimentos, dentre outras.

b) O candidato com base no trecho de Maria Yêda Linhares deveria responder a questão de existência ou não de um ciclo açucareiro e justificá-la. Por ser essa uma questão de ordem metodológica optou-se por considerar que:
- Não teria havido um ciclo açucareiro, pela manutenção de sua produção e importância por séculos na pauta das exportações e no atendimento ao mercado interno. O aluno deverá considerar também a impropriedade de utilização do conceito de "ciclo" tendo em vista a dinâmica colonial que não se resumia apenas a um produto exportador. No entanto, optou-se por considerar também aquelas respostas que afirmavam a presença de um ciclo desde que justificassem suas respostas e demonstrassem o domínio de conceitos, tais como o de Pacto Colonial e antigo Sistema Colonial, bem como a predominância do latifúndio e da monocultura e exportadora na colônia brasileira.



  
6.   A instalação de famílias de colonos estrangeiros, no interior do Brasil, foi inicialmente incentivada pelo governo de D. João VI, durante a permanência da corte e, posteriormente também, pelo governo imperial brasileiro. A colônia de Nova Friburgo (RJ), fundada em 1818 para abrigar cem famílias suíças, e a colônia de São Leopoldo (RS), formada por alemães desde 1824, com apoio do Império, são dois exemplos pioneiros desse tipo de ocupação. Posteriormente, no final do século XIX, as políticas de imigração diversificaram-se e foram amplamente utilizadas. Um exemplo disso foi a imigração subsidiada, especialmente para abastecimento das lavouras de café no sudeste do país.

Considere as informações acima e responda ao que se pede.
a) Caracterize duas diferentes formas de imigração adotadas no Brasil ao longo do século XIX.
b) Explique os objetivos principais das duas políticas de imigração incentivadas no Brasil.


Resposta:

a) No início do século XIX ,durante o período joanino no Brasil, a política de imigração visava a ocupação de áreas de interesse para as quais se estimulava a vinda de europeus destinados a ocuparem terras nas áreas de fronteiras com os domínios espanhóis. As terras eram doadas a esses imigrantes para que lá se fixassem e garantissem essas terras para o governo.
Com a expansão da lavoura cafeeira no Oeste Paulista, adotou-se inicialmente o sistema de parceria, no qual arregimentava-se imigrantes  europeus pobres para trabalhar nos cafezais com a promessa de participação na produção. Essa modalidade de trabalho resultou em fracasso, pois os imigrantes atraídos com a possibilidade de "fazer a América", foram submetidos a uma intensa exploração, devido ao
endividamento crescente para pagar a despesas
de viagem financiadas pelo fazendeiro e os gastos cotidianos no armazém da fazenda, onde se praticavam preços abusivos, além de serem tratados como se tratava os escravos.
Diante do fracasso do sistema de parceria, e a crescente demanda por mão de obra nos cafezais, pressionado pelos fazendeiros, o governo imperial adotou o Sistema Subvencionado, pelo qual governo arcava com
os custos da imigração, ou seja, com as despesas de recrutamento e viagem do europeu. Ainda na Europa, era assinado um contrato de trabalho, que assegurava garantias ao trabalhador, esclarecia a remuneração e estabelecia a jornada de trabalho.

b) A primeira política de imigração incentivada
pelo governo, tinha por objetivo garantir
para Portugal, e posteriormente para o Brasil,
terras geralmente disputadas com a Espanha e, mais tarde, com países vizinhos.
A segunda tinha como objetivo principal suprir a demanda por mão de obra na lavoura cafeeira num momento de grande expansão em razão do crescimento das exportações de café que tornava-se o principal produto da economia nacional.
Vale observar que a preferência pelo europeu nas políticas de imigração do período imperial, fundamentava-se nas teses racistas da necessidade de embranquecimento  da população brasileira como um caminho para o progresso.



  
7.   "(...) ponderando-se o acharem-se hoje as Vilas dessa Capitania tão numerosas como se acham, e que sendo uma grande parte das famílias dos seus moradores de limpo nascimento, era justo que somente as pessoas que tiverem essa qualidade andassem na governança delas..."
            "Ordem Régia" (Para Câmara de Vila Rica-MG), 27 de janeiro de 1726.

"A Câmara e a Misericórdia podem ser descritas, apenas com um ligeiro exagero, como os pilares gêmeos da sociedade colonial desde Maranhão até Macau."
            BOXER, C. R. "O império marítimo português". Lisboa: Edições 70, 1969, p. 267.

O mais significativo órgão político-administrativo implantado por Portugal nas vilas coloniais da América Portuguesa era a Câmara Municipal.
Baseando-se nas citações apresentadas, responda com suas próprias palavras:
a) Qual era a origem social daqueles que ocupavam os cargos nas Câmaras Municipais?
b) Cite três funções das Câmaras Municipais nas principais vilas coloniais.


Resposta:

a) Os proprietários de terras e escravos, conhecidos como homens bons; Elite Colonial; Latifundiários; Aristocracia; Nobres da Colônia; Classe alta.
b) I. Fiscalização das condições da vida urbana (abastecimento, salubridade, posturas, etc.).
II. Arrecadar tributos e administrar contratos.
III. Justiça de primeira instância.



  
8.   DA BANDEIRA DA INCONFIDÊNCIA

Através de grossas portas,
sentem-se luzes acesas,
- e há indagações minuciosas
dentro das casas fronteiras.
"Que estão fazendo, tão tarde?
Que escrevem, conversam, pensam?
Mostram livros proibidos?
Leem notícias nas Gazetas?
Terão recebido cartas
de potências estrangeiras?"
(...)
E a vizinhança não dorme:
murmura, imagina, inventa. (...)
(MEIRELES, Cecília. In: "Romanceiro da Inconfidência". Rio de Janeiro: Letras e Artes, 1965.)

Os versos acima retratam o clima das Minas Gerais nos últimos anos do século XVIII.

Cite um objetivo que os inconfidentes pretendiam atingir e descreva o ambiente intelectual vivido, nesta região, em 1789.


Resposta:

Um dentre os objetivos:
-  pôr fim à opressão colonial
-  acabar com a cobrança da derrama
-  dar um governo liberal às Minas Gerais
-  estabelecer uma universidade em Vila Rica
-  acabar com o exclusivo comercial na região
-  emancipar Minas e Rio de Janeiro de Portugal

A elite rica e letrada da sociedade mineira vivenciava, no final do século XVIII, as ideias francesas, provenientes do Iluminismo, consideradas como infames e perigosas pelo governo português. Através desses representantes da sociedade mineira, conversas e intrigas eram realizadas em espaços fechados, conspirando-se contra o governo metropolitano.



  
9.   Entre 1817 e 1820, dois viajantes estrangeiros, Spix e Martius, participaram de uma missão científica que percorreu diversas regiões do Brasil. Ao chegarem ao Rio de Janeiro, anotaram sua opinião sobre a capital do Império:

Quem chega convencido de encontrar esta parte do mundo descoberta só desde três séculos, com a natureza inteiramente rude, violenta e invicta, poder-se-ia julgar, ao menos aqui na capital do Brasil, fora dela; tanto fez a influência da civilização e cultura da velha e educada Europa para remover deste ponto da colônia os característicos da selvajaria americana, e dar-lhe cunho de civilização avançada. Língua, costumes, arquitetura e afluxo dos produtos da indústria de todas as partes do mundo dão à praça do Rio de Janeiro aspecto europeu.
            (SPIX & MARTIUS. "Viagem pelo Brasil: 1817-1820". Belo Horizonte/São Paulo: Itatiaia/EdUSP, 1981.)

Indique duas realizações da administração de D. João que tenham contribuído para que o Rio de Janeiro adquirisse as características europeias percebidas pelos autores.


Resposta:

Duas dentre as realizações:
- construção de novos prédios na cidade do Rio de Janeiro
- aumento da entrada de produtos vindos de outras praças comerciais, proporcionada pela Abertura dos Portos decretada em 1808
- vinda da Missão Francesa
- criação da Biblioteca Nacional
- criação do Jardim Botânico
- criação de instituições de ensino superior



  
10.   "... E permite El-Rei que sejam estes índios  escravos por estar certificado de sua vida e costumes que não são capazes para serem forros, e merecem que os façam escravos pelos grandes delitos que têm cometido contra os portugueses, matando e comendo centos deles, e milhares deles, em que entrou um bispo e muitos sacerdotes."
            (SOUZA, Gabriel Soares de. In: ANAIS DA BIBLIOTECA NACIONAL. Rio de Janeiro: 1941.)

Em sua obra datada de 1587, o autor legitimava a escravidão dos indígenas brasileiros, enumerando razões para esse posicionamento.

a) Indique uma razão ideológica e uma razão econômica, utilizadas pelos agentes da colonização, para justificar a escravização do indígena.

b) Aponte um argumento utilizado pela historiografia atual para explicar a introdução da escravidão negra no Brasil.


Resposta:

a) Razões ideológicas:
     - a "superioridade" cultural do colonizador branco
     - a submissão do indígena à fé cristã, vista como a única verdadeira

Razões econômicas:
     - a colônia não poderia se sustentar sem braços para o trabalho agrícola
     - a colônia necessitava do braço indígena para se manter povoada

b) Um dentre os seguintes argumentos:
     - o interesse da Coroa e da burguesia traficante europeia pelo tráfico negreiro
     - a fraca densidade demográfica das comunidades nativas, o que impossibilitava a manutenção da opção pelo latifúndio monocultor




Construindo respostas na prova discursiva....


 

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