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quarta-feira, 20 de maio de 2015

Colonização europeia na América




1.   O início foi o problema mais complexo que a colonização do Brasil teve de enfrentar. Tornou-se tal – e é nisto que se distingue do caso norte-americano tão citado em paralelo com o nosso – pelo objetivo que se teve em vista: aproveitar o indígena na obra da colonização. Nos atuais Estados Unidos, como no Canadá, nunca se pensou em incorporar o índio, fosse a que título, na obra colonizadora do branco.
O caso da colonização lusitana foi outro.

(Caio Prado Júnior. Formação do Brasil contemporâneo, 1987. Adaptado.)


Caracterize a relação entre colonos e indígenas na colonização dos Estados Unidos e identifique  duas formas de “aproveitamento” do indígena na colonização do Brasil.


Resposta:

A relação entre colonos e indígenas nas Treze Colônias foi marcada, na maior parte do tempo, pela visão negativa do europeu sobre o indígena. As terras indígenas foram ocupadas sob o argumento teológico da predestinação dos peregrinos e houve a escravização do indígena, principalmente nas colônias do Sul.

No Brasil Colônia, as duas principais relações estabelecidas entre colonos e indígenas foram os ESCAMBOS na extração do pau-brasil e a EXPLORAÇÂO DAS DROGAS DO SERTÃO na Região Norte.



  
2.   O volume de entradas de escravos africanos no Novo Mundo, entre 1701 e 1810, para serem utilizados como trabalhadores nas plantações e minas das colônias foi muito grande. Nesse período, estima-se que cerca de 31% do volume de entradas destinaram-se ao Brasil; 23% ao Caribe francês (especialmente a Ilha de São Domingos); 22% ao Caribe britânico (sobretudo Jamaica e Barbados); 9% à América espanhola e 6% à América do Norte. Mas, no final do século XVIII e no início do XIX, alterações significativas foram observadas nessas regiões receptoras, em função das insurreições nas colônias e dos demais desdobramentos da Revolução na França que amplificaram a luta abolicionista em todas essas sociedades.

a) Cite quais regiões acima se caracterizaram pela economia das plantações e quais se viram marcadas pela mineração no período tratado.
b) No Haiti, uma sangrenta insurreição de escravos mesclou-se à luta pela independência. Cite duas consequências (uma interna e outra externa) desses acontecimentos.


Resposta:

a) Plantações: Brasil, Haiti e Santo Domingos, Jamaica e Barbados, América Espanhola (Cuba, Porto Rico, Peru, Colômbia, Venezuela), América Norte (o Sul das Treze Colônias)
Mineração: Brasil no século XVIII e América Espanhola (Peru; Colômbia)

b) O processo de independência do Haiti foi “sui generis” devido a participação dos negros. Podemos citar como consequência interna a violência praticada contra os brancos que eram associados a exploração e muitos destes brancos fugiram do país. Entre as consequências externas podemos citar o “haitianismo” que significa o medo que outras regiões tinham da participação dos pobres em geral no processo de independência e a queda drástica na produção de açúcar que prejudicou muito a economia do país.



  
3.   Os fazendeiros, donos de loja, proprietários de estâncias e compradores de gado costumam vender seus trabalhadores juntamente com as propriedades. – O quê? Esses trabalhadores indígenas e empregados são livres ou escravos? – Não importa. Pertencem à fazenda e devem continuar nela a servir. Este indígena é propriedade do meu senhor.

Jerônimo de Mendieta. História eclesiástica indiana, 1596.
Adaptado de PINSKY, Jaime (coord.). História da América através de textos. São Paulo: Contexto, 1989.

Os esforços realizados, principalmente na Inglaterra, para recrutar mão de obra no regime prevalecente de servidão, intensificaram-se com a prosperidade de negócios. Por todos os meios procurava-se induzir as pessoas que haviam cometido qualquer crime ou mesmo contravenção a vender-se para trabalhar na América em vez de ir para o cárcere. Contudo, o suprimento de mão de obra deveria ser insuficiente, pois a prática do rapto de adultos e crianças tendeu a transformar-se em calamidade pública nesse país.

Adaptado de FURTADO, Celso. Formação econômica do Brasil. São Paulo: Nacional, 1987.

A servidão como forma de trabalho compulsório foi empregada nas experiências colonizadoras espanhola e inglesa na América.
Com base nos textos, apresente a principal diferença na utilização dessa forma de trabalho nas colônias espanholas e inglesas.


Resposta:

Nas colônias espanholas os trabalhos forçados se estabeleceram como servidão definitiva (mita, encomienda).
Nas colônias inglesas a servidão foi prioritariamente provisória.  



  
4.   Durante a conquista espanhola no México, iniciada em 1519 por Cortés, a superioridade tecnológica dos europeus era amplamente compensada pela superioridade numérica dos indígenas e muitos truques foram inventados para atrapalhar o deslocamento dos cavalos: os indígenas acostumaram-se a cavar fossas profundas nas quais espetavam paus em que as montarias eram empaladas. Mais tarde, em 1521, canoas "encouraçadas" resistiriam às armas de fogo. A tática indígena evoluiu e adaptou-se às práticas do adversário: os mexicas, contrariamente ao costume, armaram ataques noturnos ou em terreno coberto. Por outro lado, se as epidemias de varíola já estavam dizimando as tropas de México-Tenochtitlan, também não poupavam os índios de Tlaxcala ou de Texcoco, que apoiavam os espanhóis.

(Adaptado de Carmen Bernand e Serge Gruzinski, História do Novo Mundo. São Paulo: Edusp, 1997, p. 351.)

a) Identifique uma estratégia utilizada por espanhóis e outra pelos indígenas durante as disputas pelo domínio do México.
b) Explique por que houve acentuada queda demográfica entre as populações indígenas nas primeiras décadas após a conquista espanhola.


Resposta:

a) O texto destaca as principais estratégias dos espanhóis como a utilização do cavalo, de armas de fogo, a aliança com povos que eram inimigos dos astecas e até mesmo as epidemias, como a da varíola, já que os indígenas não tinham qualquer imunidade a ela. As estratégias astecas mais importantes foram as armadilhas para impedir o avanço dos cavalos, embarcações encouraçadas e ataques noturnos.

b) O processo de conquista foi responsável por abrir caminho para a exploração econômica da região e dois fatores foram determinantes para a mortalidade em massa dos indígenas: a exploração do trabalho, principalmente através da mita (ou cuatequil) e a desestruturação da agricultura tradicional.



  
5.   A maioria dos povos indígenas associa sua música ao universo transcendente e mágico, empregando-a em todos os rituais religiosos. A música indígena é ligada, desde suas origens imemoriais, a mitos fundadores e usada com finalidades de socialização, culto, ligação com os ancestrais, exorcismo, magia e cura. É importante também nos ritos catárticos, quando se trabalha a música com proporções, repetições e variações, instaura o conflito ao mesmo tempo em que o mantém sob controle.

Luís Fernando Hering Coelho. A nova edição de why Suya sing?, de Anthony Seeger, e alguns estudos recentes sobre música indígena nas terras baixas da América do Sul. Florianópolis: Universidade Federal de Santa Catarina, 2007.

Considerando o texto acima e aspectos a ele relacionados, julgue o item a seguir.

Na colonização europeia da América – empreendida pelos ingleses no Sul e pelos portugueses e espanhóis no Norte do continente –, foram marcantes, entre outros aspectos, a dizimação física dos povos indígenas e a eliminação de seus traços culturais.


Resposta:

Incorreto. Portugueses e espanhóis colonizaram o sul da América, enquanto os ingleses colonizaram uma parte da América do Norte. Apesar de considerarmos que os povos indígenas foram dizimados, ainda existem trações de suas culturas em algumas regiões, como a América Central, sul do México e Altiplano Andino.



  
6.   “Meu Senhor, por sua graça, favoreceu tanto nossos negócios que terminei minha fortaleza e a coloquei em tal estado que penso ainda não ter visto uma outra tão fácil de guardar. Por isso, pude colocar em terra sessenta pessoas num forte de madeira que fiz à vista de meu castelo, ao alcance de minha artilharia, onde eles têm o cuidado de plantar e semear para viver de seu trabalho. Prendi uns quarenta escravos de uma aldeia de inimigos que destruí. Mandei visitar todas as nossas fronteiras depois da partida dos nossos navios e experimentar a vontade dos amigos de nossos vizinhos. Tive uma resposta muito boa. Eles me prometeram se rebelar e persegui-los quando eu quiser. Nossos selvagens preparam um exército de mais de três mil homens para vingar os danos que aqueles nossos vizinhos lhes fizeram no ano passado. Eu mandei um navio em boa ordem costear todo o nosso país até trinta e seis graus aproximando-se de nosso polo, onde tenho notícia de que os castelhanos vêm por terra do Peru, procurar metais. Espero que envieis notícias pelo primeiro de nossos navios. Eu vos suplico, mas que lhe apraza me socorrer com algum dinheiro para ajudar a trazer meus navios, e espero satisfazer o seu desejo, de sorte que não terá o socorro que lhe aprouver me conceder por mal empregado”.

Fonte: “Carta de Villegaignon ao Duque de Guise, par de França, de 30 de novembro de 1557, da fortaleza de Coligny, na França Antártica”. In: Cartas por N. D. de Villegaignon e textos correlatos por Nicolas Barré e Jean Crespin. Coleção Franceses no Brasil, séculos XVI e XVII.  Rio de Janeiro: Fundação Darcy Ribeiro, 2009, vol. 1, pp.37-38.

A despeito do relato otimista de Villegaignon sobre o futuro do empreendimento, dez anos após esta carta os franceses foram definitivamente expulsos da região meridional da América portuguesa.
Cite um objetivo econômico e outro religioso que motivaram os franceses a invadir a Baía de Guanabara e ali fundar a “França Antártica”.


Resposta:

O candidato deverá citar os seguintes objetivos: a procura de riquezas nativas - a exemplo do pau-brasil - e as tensões religiosas entre católicos e protestantes levaram os Franceses Huguenotes a fundarem a França Antártica.

Comentário:

O texto faz referência à invasão do Brasil pelos franceses, na região que hoje pertence ao Rio de Janeiro, entre 1555 e 1567. Os franceses já exploravam a madeira e buscaram, naquele momento, estabelecer uma colônia na região, que poderia garantir a ampliação das riquezas e representava uma válvula de escape para as tensões sociais relacionadas ás guerras de religião, envolvendo católicos e protestantes huguenotes (calvinistas), estes últimos em minoria e perseguidos na França.



  
7.   “O início da colonização da costa leste da América inglesa encontrou inúmeras dificuldades. Por exemplo, em áreas como a baía de Chesapeake, a mortalidade entre os recém-chegados alcançava cerca de 40% nos dois primeiros anos de estadia. Apesar disso, do século XVI ao XVIII, a América inglesa conheceu ondas crescentes de imigrantes provenientes de diferentes partes da Europa, dentre os quais ingleses, irlandeses, escoceses e alemães.”

(ELLIOTT, J. H. Empires of the Atlantic World: Britain and Spain in America 1492-1830. New Haven: Yale University Press, 2006, p. 156)

Cite dois aspectos, um de natureza religiosa e outro de natureza econômica, que estimularam a emigração de europeus para a América inglesa entre os séculos XVI e XVIII.


Resposta:

O candidato poderá citar as perseguições religiosas e os altos índices de desemprego e subemprego, derivados do processo de expropriação rural.

No final do século XVI e início do XVII, a Inglaterra vivia um momento conturbado. A religião oficial era a anglicana e, por consequência, seguidores de diversas outras denominações protestantes, sobretudo os puritanos (calvinistas) passaram a ser perseguidos. Além disso, os cercamentos dos campos (transformação das áreas de cultivo em pastos para criação de ovelhas) também contribuíram para que milhares de camponeses (arrendatários e pequenos proprietários) arruinados rumassem para as cidades, que ficaram saturadas. A saída para essa crise de cunho religioso e econômico foi imigrar para a América do Norte.



  
8.  


Embora represente um dos traços mais característicos da Conquista espanhola do Novo Mundo, a rapidez com que tal processo ocorreu variou muito, em etapas bem diferenciadas, como mostram os dados da tabela.

Cite uma região americana incorporada à Coroa espanhola durante a etapa inicial da Conquista e outra, importante área mineradora, a ela reunida ao longo do estágio mais veloz da ocupação espanhola.


Resposta:

Em relação à primeira etapa da conquista espanhola das Américas (1493-1515), o aluno deverá citar a incorporação de diversas ilhas do Caribe, dentre as quais La Hispaniola (atuais Santo Domingo e Haiti), Cuba ou Porto Rico. Em relação à etapa mais veloz da Conquista (1520-1540), o candidato deverá citar a incorporação das áreas mineradoras do império Nauatl (Azteca ou México) ou do império Tuantinsuio (Inca ou Peru). Do ponto de vista geográfico, a segunda parte da questão pode incluir ainda o planalto de Anáhuac ou os Andes.



  
9.   O historiador Sérgio Buarque de Holanda, em seu livro "Raízes do Brasil", compara as experiências colonizadoras portuguesa e espanhola na América.
A partir de seus conhecimentos sobre o assunto:
a) Identifique duas características comuns às experiências colonizadoras portuguesa e espanhola na América.
b) Explique uma diferença entre as colonizações portuguesa e espanhola na América.


Resposta:

a) O aluno deverá identificar duas entre as seguintes características comuns: a predomínio da 'plantation' - a grande propriedade, monocultora, voltada para a exportação; a existência dos monopólios comercial, administrativo, político e religioso, exercido pelos colonizadores; a forte presença da Igreja, principalmente na cristianização dos índios; a utilização do trabalho compulsório seja a escravidão dos negros africanos, seja a servidão indígena; a montagem de um sistema administrativo complexo e centralizado que garantisse o controle etropolitano.

b) O aluno deverá explicar dois dentre os fatores a seguir: o predomínio da servidão indígena na América Espanhola e do trabalho escravo de negros africanos na América Portuguesa; a fundação de universidades e a existência da imprensa na América Espanhola desde o início da colonização; a colonização predominantemente litorânea da colonização portuguesa em oposição à colonização mais interiorana da América espanhola; o caráter de feitorização da colonização portuguesa em oposição ao esforço de criação de grandes núcleos de povoação estáveis e bem ordenados empreendido pela Coroa espanhola; a predominância do caráter de exploração comercial da colonização espanhola em oposição ao caráter mais imediatista, desordenado e superficial da colonização portuguesa; o traçado irregular, a ausência de planejamento e a localização litorânea das cidades na América portuguesa, em oposição ao traçado regular, uniforme, a planificação e a localização nos altiplanos dos centros urbanos na América espanhola; a colonização portuguesa facilitada pelo fato de se achar a costa brasileira habitada por uma única família de indígenas e que falavam o mesmo idioma (os Tupis-Guaranis), em oposição a maior dificuldade de dominação dada a diversidade encontrada pelos espanhóis na América.



  
10.   Ao longo de vários séculos, a América foi o alvo de vários países europeus em busca de riqueza e poder. De posse dessa informação e a partir de seus conhecimentos, responda às questões propostas.
a) Apresente duas áreas onde houve a presença francesa e duas áreas onde houve a presença holandesa no continente americano durante o período colonial.
b) Apresente três características comuns entre a colonização implantada pelos portugueses no Nordeste do Brasil e a implantada pelos ingleses no Sul dos Estados Unidos.


Resposta:

a) Os franceses estiveram no Brasil, onde fundaram a França Antártica, no litoral do Rio de Janeiro e no Maranhâo onde fundaran a França Equinocial. Colonizaram vastas áreas do Canadá, da Louisiana, no sul dos Estados Unidos, além do Haiti, na América Central. Colonizaram também a Guiana Francesa, na América do Sul, a ilha de Martinica e o arquipelago de Guadalupe, ambos no mar do Caribe.
Os holandeses fundaram, nos atuais Estados Unidos, Nova Amsterdã, que se tornaria depois a cidade de Nova Iorque. Instalaram-se também no Nordeste do Brasil, além de áreas como o atual Suriname e ilhas do Caribe.

b) A colonização inglesa na parte sul do que viria a ser os Estados Unidos foi semelhante à colonização portuguesa no Nordeste do Brasil por três elementos básicos:
- monoculturas: açúcar no Brasil e tabaco e algodão nos EUA;
- produção em grandes propriedades, isto é, em latifúndios;
- utilização de mão de obra escrava africana.



  
11.   Leia o seguinte texto:

"As colônias inglesas na América foram criadas por grupos de colonos inspirados por motivos religiosos, políticos e econômicos. Como os colonos gregos, os ingleses quiseram fundar comunidades à imagem e semelhança das que existiam na mãe pátria; diferentes dos gregos, muitos desses colonos eram dissidentes religiosos. (...) Entre os espanhóis aparecem também os motivos religiosos, mas enquanto os ingleses fundaram suas comunidades para escapar de uma ortodoxia, os espanhóis a estabeleceram para estendê-la."
            (PAZ, Otávio. "Sóror Juana Inês de la Cruz. As armadilhas da fé". São Paulo: Mandarim, 1998, p. 32-33.)

Com apoio nesta síntese de Otávio Paz a respeito dos diferentes processos de colonização das Américas, descreva de que forma as questões religiosas se incluem entre as motivações da expansão marítima europeia e como essas mesmas questões marcaram a atuação dos colonizadores portugueses e espanhóis.


Resposta:

O processo de conquista e colonização da América, coincide com os conflitos religiosos na Europa, decorrentes da Reforma Protestante no  século XVI. Nesse contexto, a colonização inglesa, ocorreu basicamente por grupos de puritanos fugitivos de perseguições desencadeadas pelo governo anglicano, fazendo das colônias um local de refúgio e de livre prática de sua fé.
Nos domínios portugueses e espanhóis, como as metrópoles se mantiveram fiéis ao catolicismo, o processo de conquista e colonização era imbuído de um espírito cruzadista para a expansão da fé católica, sobretudo por parte dos missionários e em particular dos jesuítas que se prestavam ao papel de "conversão dos gentios" ao catolicismo. A atuação dos jesuítas também na educação entre os colonos, foi fundamental para a preservação e expansão do catolicismo no Brasil e nas colônias espanholas.



  
12.   Tendo em vista os processos de colonização da América, compare a colonização adotada pelos espanhóis, especificamente em relação ao Império Asteca, e pelos portugueses em relação ao Brasil, após as respectivas conquistas, destacando suas práticas de dominação sobre as populações ameríndias.


Resposta:

Em ambos os casos, o processo colonizador caracterizou-se como de exploração e contextualizados ao surgimento do capitalismo comercial e às reformas religiosas do século XVI,  o que justifica a significativa presença da Companhia de Jesus nos domínios esponhóis e português.
Quanto a ocupação dos territórios, espanhóis e portugueses empregaram a violência contra os nativos.
No império Asteca, Fernão Cortez e Pedro Alvarado exterminaram dezenas de milhares de nativos e quando teve início a colonização, os remanescentes, foram submetidos ao trabalho compulsório na forma de repartimiento e  encomienda.
No Brasil, até o início da colonização as relações entre portugueses e nativos eram amistosas, baseando-se sobretudo, na prática do escambo. Porém, quando se iniciou a ocupação do território, os colonos tentaram submeter os nativos à escravidão, particularmente através das bandeiras de apresamento. Isto gerou a hostilidade dos nativos e por outro lado, estes eram protegidos pelos jesuítas contra a escravização, em razão do propósito de que fossem convertidos ao catolicismo.



  
13.   No século XVI, algumas centenas de espanhóis destruíram, em pouco tempo, vastos impérios indígenas da América.
a) Indique qual era o império indígena que se localizava no território do México atual e apresente três causas que explicam a derrota dos índios desse império, apesar de sua superioridade numérica.
b) Quais foram as duas principais atividades econômicas realizadas nas colônias espanholas da América? Que mão de obra foi utilizada em cada uma dessas  atividades? O que era o sistema da "encomienda"?


Resposta:

a) Várias causas são apontadas pelos historiadores para justificar a derrota dos índios, que ocorreu apesar de sua evidente superioridade numérica em relação aos conquistadores espanhóis. No caso dos índios do império asteca, ao qual a questão se refere, pode-se indicar como causas:
- superioridade tecnológica e militar dos espanhóis: eles utilizavam cavalos (desconhecidos dos povos indígenas), além de armas de fogo e canhões;
- as doenças trazidas pelos espanhóis;
- o fato de os espanhóis terem se aproveitado dos conflitos internos entre os índios;
- o fato de os astecas pensarem, inicialmente, que os espanhóis fossem deuses.

b) A mineração, particularmente da prata, foi a atividade econômica predominante da colonização espanhola, para a qual se recorreu sobretudo ao trabalho dos índios. Os escravos africanos foram utilizados em muito menor número, sobretudo nas fazendas de açúcar do Caribe, particularmente em Cuba.
Pelo sistema da "encomienda", colonos espanhóis dispunham do trabalho de um grupo de indígenas e se comprometiam a cristianizá-los.



  
14.   "O ouro e a prata que os reis incas tiveram em grande quantidade não eram avaliados [por eles] como tesouro porque, como se sabe, não vendiam nem compravam coisa alguma por prata nem por ouro, nem por eles pagavam os soldados, nem os gastavam com alguma necessidade que lhes aparecesse; tinham-nos como supérfluos, porque não eram de comer. Somente os estimavam por sua formosura e esplendor e para ornamento [das casas reais e ofícios religiosos]".
            Garcilaso de la Vega, Comentários Reais, 1609.

Com base no texto, aponte:
a) As principais diferenças entre o conjunto das ideias expostas no texto e a visão dos conquistadores espanhóis sobre a importância dos metais preciosos na colonização.
b) Os princípios básicos do mercantilismo.


Resposta:

a) Para os incas estruturados uma economia agrária e amonetária, os metais preciosos só tinham importância na confecção de adornos, já para os espanhóis estruturados na economia capitalista mercantilista e organizados num Estado Absolutista, a acumulação de metais preciosos representava a mais importante fonte de riqueza e poder, sobretudo do Estado.
b) Metalismo ou bulionismo (acumulação de metais preciosos), balança comercial favorável, protecionismo alfandegário, intervencionismo estatal na economia e exploração de colônias (sistema colonial) pelas potências econômicas europeias (metrópoles).



  
15.   [...]Nos caminhos jazem dardos quebrados;
os cabelos estão espalhados.
Destelhadas estão as casas,
incandescentes estão seus muros.
Vermes abundam por ruas e praças,
e as paredes estão manchadas de miolos arrebentados.[...]
(O canto triste dos conquistados: os últimos dias de Technochtitlan (México, 1521-1528). In: LEÓN-PORTILLA, Miguel et al. "História documental do México". México: UNAM, 1984. v. 1. p. 122.)

O trecho acima descreve a violência da conquista espanhola na América, ocorrida no final do século XV e início do XVI, a qual, a despeito de um reduzido número de soldados, conseguiu submeter os povos astecas, com uma população estimada em 25 milhões, e os povos incas, com 10 milhões de pessoas.
Sobre a conquista espanhola na América,
a) descreva a formação do Estado moderno na Espanha e sua relação com a expansão marítima nos séculos XV e XVI.
b) identifique duas estratégias militares utilizadas pelos espanhóis que facilitaram a conquista dos povos astecas e incas.


Resposta:

a) A Espanha se constituiu como Estado Nacional em 1469 com o Casamento dos Reis Católicos Isabel de Castela e Fernando de Aragão um importante passo para a expansão marítima e comercial iniciada em 1492 depois da vitória sobre os mouros na Guerra de Reconquista.

b) Os espanhóis empregaram maciçamente as armas de fogo e aproveitaram-se das rivalidades internas nos impérios asteca e inca, cooptando aliados entre os povos que eram submetidos nesses impérios.  



  
16.   Na América do Sul, o que impressiona é a diferença essencial que existe entre a colonização espanhola e a portuguesa. Desde início, a Coroa de Castela encoraja a imigração de mulheres que, com suas criadas, contribuem para a expansão da civilização espanhola na América. As leis de sucessão dão-lhes direito à herança, o que aumenta sua autoridade quando são filhas únicas. Os casamentos inter-raciais são raros e a preocupação com a "limpeza de sangue" é fundamental, inclusive para o acesso aos mais altos cargos. (Adaptado de Marc Ferro, História das Colonizações: das conquistas às independências - séculos XVIII a XX. São Paulo, Cia. das Letras, 1996, p. 135.)

a) De acordo com o texto, qual o papel da mulher na colonização espanhola?
b) O que foi a política de "limpeza de sangue"?
c) Por que os criollos foram importantes no processo de Independência?


Resposta:

a) Contribuir para a preservação etnocultural da elite colonizadora, assegurando a existência de famílias "criollas" de pura ascendência espanhola.
b) Uma política que favoreceu a realização de casamentos entre espanhóis ou hispano-descendentes, dificultando os casamentos interétnicos, que poderiam provocar a inclusão, na camada dominante, de elementos considerados indesejáveis ou nocivos.
c) Formando a elite socioeconômica das colônias espanholas, lideraram o processo de independência das mesmas.



  
17.   O processo de colonização inglesa na América instituiu, nas treze colônias, perceptíveis diferenças entre as do norte e as do sul. Elenque as diferenças entre elas no que se refere às relações de trabalho e à produção agrícola.


Resposta:

Nas Colônias de Povoamento ao norte, a produção agrícola estruturou-se nas pequenas (farm) e médias propriedades orientadas para a policultura e que empregavam a mão de obra familiar, a livre e assalariada e, em alguns casos, a servidão por contrato (indentured servants). Já nas Colônias de Exploração do sul, prevalecia a estrutura de "Plantations", latifúndios monocultores, cuja produção destinava-se à exportação, e que empregavam a mão de obra escrava africana.



  
18.       "No estado do Maranhão, Senhor não há outro ouro nem prata mais que o sangue e o suor dos índios: o sangue se vende nos que cativam e o suor se converte no tabaco, no açúcar e demais drogas que com os ditos índios se lavram e fabricam. Com este sangue e suor se medeia a necessidade dos moradores; e com este sangue e com este suor se enche e enriquece a cobiça insaciável dos que lá vão governar... desde o princípio do Mundo, entrando o tempo dos Neros e Dioclecianos, se não executarem em toda a Europa tantas injustiças, crueldades e tiranias como executou a cobiça e impiedade dos chamados conquistadores do Maranhão, nos bens, no suor, no sangue, na liberdade, nas mulheres, nos filhos, nas vidas e sobretudo nas almas dos miseráveis índios..."
            (CARTA DE PADRE ANTÔNIO VIEIRA AO PROCURADOR DO MARANHÃO JORGE DE SAMPAIO, EM 1662. IN: Vieira, Padre Antônio, "Obras Escolhidas", Sá da Costa, Lisboa, 1951, Vol.V, pp.210-211).

            "Os escravos são as mãos e os pés do senhor de engenho; porque sem eles no Brasil não é possível conservar e aumentar fazendas, nem ter engenho corrente. E do modo com que se há com eles, depende tê-los bons ou maus para o serviço. Por isso é necessário comprar cada ano algumas peças, e reparti-Ias pelos partidos, roças, serrarias e barcas".
            (TEXTO DO CRONISTA ANTONIL, RETIRADO DE SEU LIVRO "CULTURA E OPULÊNCIA DO BRASIL POR SUAS DROGAS E MINAS". 1aed. 1711)

Na América Espanhola e na América Portuguesa, os colonizadores desenvolveram e adaptaram várias formas de utilização de trabalho compulsório (incluindo a escravidão propriamente dita). Populações indígenas inteiras foram escravizadas, assim como negros trazidos da África já no final do século XVI.

Na literatura colonial dos séculos XVIl e XVIll - principalmente a produzida por religiosos - escravidão no Brasil, cada vez mais, passou a ser sinônimo de escravidão negra. Em termos ideológicos a escravidão negra foi legitimada enquanto a legislação assinalava a proibição da escravização dos indígenas.

a) Cite dois tipos de regime de trabalho compulsório utilizado na América Espanhola.

b) Explique duas razões que provocaram a substituição da mão de obra indígena pela mão de obra escrava africana.


Resposta:

a) encomienda, repartimento, mita e cuatequil.

b) resistência indígena; epidemias/mortes; interesses comerciais no tráfico negreiro; oposição da Igreja com relação à escravização dos índios e conflitos entre colonos e jesuítas em torno do controle da mão de obra indígena.



  
19.   "Ao longo dos duzentos primeiros anos de dominação colonial, os espanhóis desenvolveram um setor mineiro que permitiu a manutenção da economia metropolitana e da posição internacional espanhola em meio às demais nações da Europa ocidental. As primeiras descobertas ocorreram no México e no Peru, no curto período de vinte anos (1545-65). Os enclaves necessitavam de grande quantidade de mão de obra indígena, que, recrutada por sorteio, era encaminhada periodicamente às minas, retornando a seguir às comunidades de origem para ser substituída por novos contingentes requisitados de igual maneira."
            (STANLEY, J. S. e STEIN, B. "A herança colonial na América Latina". Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1976, p.29-35)

O texto nos remete a uma especificidade da economia colonial da América Espanhola, qual seja, a utilização em larga escala do trabalho compulsório indígena. A este respeito, atenda ao solicitado a seguir.

a) Justifique a utilização, na América Hispânica, da mão de obra indígena, preferencialmente, em relação à mão de obra negra africana.

b) Cite e explique duas formas de utilização da mão de obra indígena na América Espanhola.


Resposta:

a) Os espanhóis encontraram, nas suas áreas de colonização na América, uma maior densidade demográfica com relação às populações indígenas, além dessas já apresentarem formas constituídas de exploração do trabalho coletivo (a exemplo da mita), as quais foram aproveitadas pelo colonizador hispânico.

b) MITA - forma de trabalho compulsório, utilizado geralmente nas áreas de mineração, e que consistia no recrutamento por sorteio da mão de obra entre as comunidades indígenas.
ENCOMIENDA - forma de escravização disfarçada onde um dignatário espanhol (o "encomendero") recebia o controle sobre uma determinada comunidade indígena com a obrigação de "protegê-la" militarmente e catequizá-la. Em troca, o "encomendero" poderia exigir da comunidade o pagamento de tributos na forma de trabalho ou em espécie.



  
20.   Frei Antônio de Montesinos, em 1512, no Caribe, pregava aos conquistadores espanhóis:

"Com que direito haveis desencadeado uma guerra atroz contra essas gentes que viviam pacificamente em sua própria terra? Por que os deixais em semelhante estado de extenuação? Por que os matais a exigir que vos tragam diariamente seu ouro? Acaso não são eles homens? Acaso não possuem razão e alma? Não é vossa obrigação amá-los como a vós próprios?"
Explique essas palavras de Montesinos dentro do contexto da conquista espanhola da América.


Resposta:


O texto reflete a violência com que os espanhóis tratavam os nativos à época da conquista da América e o conflito entre religiosos e colonizadores, uma vez que os primeiros pretendiam arrebanhar fieis à fé católica e os últimos desprezavam o destino dos nativos, importando-se apenas com o acúmulo de riquezas. 

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