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Oriente Médio e Palestina

sábado, 27 de setembro de 2014

Questões Recentes de Sociologia - Questões discursivas com gabarito comentado


Grupo de estudo para questões específicas: https://www.facebook.com/groups/660763183949872/




1.   As universidades da Europa, EUA e América Latina foram tomadas por movimentos estudantis na década de 1960. A figura a seguir mostra um desses movimentos.



a) Considerando as informações fornecidas, identifique e descreva um elemento da imagem que caracterize os movimentos estudantis naquele período.
b) Discorra sobre um exemplo de movimento de contestação estudantil ocorrido no Brasil.


Resposta:

a) A década de 60, chamada de “Década da Rebeldia”, foi caracterizada por uma efervescência cultural e política a nível mundial. Estão surgindo novos sujeitos históricos em busca de espaço e liberdade. Tratam-se dos movimentos feministas e estudantis principalmente. O movimento estudantil na década de 60 utilizava as passeatas como forma peculiar de luta conforme o cartaz “Free Speech”, revelando o clamor por liberdade de expressão; a bandeira americana, ostentada como símbolo da luta pelos direitos civis; a participação política dos estudantes, que indica o desejo de mudança da sociedade, a universidade sendo usada como espaço de luta política. Etc.

b) No Brasil no contexto da Ditadura Militar, 1964-1985, os estudantes vinculados a UNE realizaram diversas manifestações contrárias à truculência do regime militar. A passeata dos 100 mil realizada em 1968 contra a morte do estudante Edson Luís, a prisão dos estudantes no congresso da UNE ocorrido em Ibiúna (São Paulo), os conflitos entre os estudantes da Mackenzie e da USP em São Paulo, entre outros. Mais recentemente a luta dos estudantes pelo passe livre.



  
2.   Frequentemente se diz que a teoria marxista corresponde a um materialismo histórico. O que significa afirmar que Marx era um materialista? Justifique sua resposta.




Resposta:

Materialismo corresponde à noção epistemológica que afirma que a sociedade existe somente a partir das relações materiais. Marx é materialista porque extrai das relações de trabalho a existência do social. Segundo ele, a sociedade só existe a partir das relações materiais de produção.



  
3.  


Na obra As regras do método sociológico, Émile Durkheim estabelece sua metodologia de análise e define o fato social como objeto de estudo da sociologia, ressaltando o papel dessa ciência na sociedade contemporânea e na relação entre indivíduo e sociedade. Em um trecho da obra, lê-se:

Não estou obrigado a falar o mesmo idioma que meus compatriotas, nem a empregar as mesmas moedas legais; mas é impossível agir de outra maneira. Minha tentativa fracassaria lamentavelmente, se procurasse escapar dessa necessidade. Se sou industrial, nada me proíbe de trabalhar utilizando processos e técnicas do século passado; mas, se o fizer, terei a ruína como resultado inevitável. Mesmo quando posso realmente me libertar dessas regras e violá-las com sucesso, vejo-me sempre obrigado a lutar contra elas.

(DURKHEIM, É. As regras do método sociológico. 5.ed. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1968. p.3.)

Com base no enunciado e nos conhecimentos sobre o método sociológico, responda aos itens a seguir.

a) Quais características definem o “fato social”?
Qual delas é preponderante no trecho selecionado?
b) Segundo Durkheim, explique consciência coletiva e consciência individual.


Resposta:

a) Características do fato social: generalidade, coercitividade e exterioridade. O que prepondera no trecho é a coercitividade.

b) “Consciência coletiva” é o conjunto de crenças e sentimentos comuns à média dos membros de uma mesma sociedade, formando um sistema com vida própria, que exerce uma força coercitiva sobre os seus membros.
“Consciência individual” é o que cada pessoa tem de particular e que faz com que um indivíduo seja diferente dos demais; encontra-se submetida à consciência coletiva.



  
4.   O que configura um linchamento?


É uma forma de punição coletiva contra alguém que desenvolveu uma forma de comportamento antissocial. O antissocial varia de momento para momento e de grupo para grupo. Na França, ter traído a pátria era um motivo para linchar. No caso da Itália, aconteceu o mesmo. No Brasil, é o fato de não termos justiça, pelo menos na percepção das pessoas comuns.

Estadão Online. 17 fev. 2008. Adaptado. Disponível em: Acesso em 24 fev. 2014.


A partir da abordagem sociológica de Émile Durkheim, responda: os linchamentos podem ser considerados um fato social? Explique e justifique sua resposta.


Resposta:

Sim. Para que um fenômeno seja considerado um fato social, é necessário que seja geral, exterior aos indivíduos e que exerça coerção sobre eles. Os linchamentos mobilizam uma consciência coletiva compartilhada pelos indivíduos da sociedade, existem independentemente de uma disposição agressiva dos indivíduos e compele os mesmos a agredirem, coletivamente, o indivíduo antissocial. Ou seja, é claramente um exemplo de comportamento social, independente dos indivíduos.



  
5.  

Projeções das Nações Unidas indicam dois cenários com taxas de crescimento da população mundial distintos. Um deles estima que a taxa de crescimento será elevada e levará o mundo a ter 25 bilhões de pessoas em 2150. O segundo cenário aponta uma taxa de crescimento mais baixa, estimando a população em 10,8 bilhões de pessoas em 2150. Explique quais seriam as consequências ambientais em cada um desses dois cenários traçados pelas Nações Unidas.


Resposta:

Em um mundo com 25 bilhões de pessoas, a grande questão se torna o padrão de consumo e a alimentação das pessoas. Será impossível produzir alimentos em quantidade suficiente se mantido o modelo agropecuário atual. Além disso, o capitalismo se mostrará insustentável devido à escassez de recursos naturais para a sua expansão. Já o segundo cenário talvez carregue outro problema: o envelhecimento da população, devido à baixa taxa de natalidade. Assim, o problema poderá ser o de como garantir a produção e a qualidade de vida com uma população economicamente ativa relativamente baixa e um sistema econômico que tende a esgotar os recursos naturais do planeta.



  
6.  



Giddens trata das dificuldades enfrentadas pelos Estados para administrar problemas como os ambientais, os efeitos das migrações internacionais e a disseminação de doenças como a AIDS. Discuta os efeitos da globalização sobre o papel do Estado nas sociedades contemporâneas. 


Resposta:

A globalização favoreceu a produção e circulação de bens, mercadorias, dinheiro, informações e pessoas ao redor do mundo. Nesse contexto, o grande desafio dos Estados é administrar essas mudanças, na medida em que eles possuem uma limitação de origem: a administração territorial. Ou seja, os Estados precisam lidar com problemas que ultrapassam seu raio de ação, devendo buscar novos modelos de governança global, com a ajuda de novas instituições regulatórias (como ONU, OMC, entre outras), para a resolução de problemas mundiais e que, de alguma maneira, afetam todos os Estados.



  
7.  


A bandeira do Brasil é mundialmente famosa pela sua frase: Ordem e Progresso. Sabemos que essa frase tem sua origem na concepção positivista de ciência e que o positivismo inspirou o surgimento da sociologia. Atualmente, é possível dizer que a sociologia é capaz de ajuda a criar uma sociedade de ordem e progresso? Justifique sua resposta.


Resposta:

Não. Atualmente, a sociologia serve como uma abordagem crítica da sociedade. Sua intenção não é mais dar aos indivíduos subsídios para o progresso da sociedade, mas questiona-la e, a partir disso, abrir novas possibilidades de intervenção social. Assim, seus estudos não proporcionam uma situação de progresso e ordem, mas de constante transformação da realidade.



  
8.   


Texto 1:

Esse tal Chopis Centis é muito legalzinho.

Pra levar as namoradas e dar uns “rolezinhos”.


Chopis Centis – Mamonas Assassinas (Dinho/Júlio Rasec)


Texto 2:

Lojas de shopping de SP fecham com medo de encontro de jovens
Uma reunião de jovens marcada pela internet para ontem à tarde no shopping Campo Limpo assustou lojistas do centro comercial na zona sul de São Paulo, no último fim de semana antes do Natal. Houve correria e lojas dos pisos 1, 2 e 3 fecharam as portas.
O "rolezinho", nome dado a esses encontros organizados pelas redes sociais, teve a participação de cerca de 200 jovens. Por volta das 17h, seguranças alertaram os lojistas sobre a possibilidade de tumulto.
"Eram grupos com muitos moleques", afirmou Raquel Ribeiro, 28, gerente de uma loja de roupas, que fechou por 20 minutos. "Mas, ao menos aqui, não fizeram nada", disse. A PM afirma que não houve registros de furtos.
Os "rolezinhos" começaram no dia 7, quando cerca de 6.000 jovens foram a um encontro no shopping Itaquera, zona leste.
No sábado passado, dia 14, um "rolezinho" no shopping Internacional de Guarulhos, na Grande São Paulo, mesmo sem crimes, terminou com 23 pessoas detidas.

Folha de S. Paulo, 22 dez. 2013. Adaptado. Disponível em: Acesso em 17 jan. 2014.


Os chamados rolezinhos ficaram famosos no Brasil entre dezembro de 2013 e janeiro de 2014. Escreva um texto explicando como esse hábito se insere na atual sociedade de classes contemporânea. Utilize, de forma correta, algum conceito sociológico na sua argumentação.


Resposta:

Argumentos que podem ser utilizados:
- Os rolezinhos são feitos por jovens de periferia que se usam do espaço do shopping center como forma de lazer.
- Os jovens de periferia internalizam os padrões de consumo capitalista e, por isso, escolhem o shopping como espaço público de lazer. Esses padrões de consumo podem ser considerados ideológicos.
- Os jovens que participam do rolezinho possuem uma relação fetichizada com as marcas de roupas.
- As classes média e alta entendem a inclusão das classes baixas na sociedade de consumo como um comportamento perigoso.
- A criminalização dos rolezinhos revela uma sociedade excludente.

- A PM é chamada para conter os rolezinhos porque serve como defensora da ideologia burguesa e excludente da sociedade capitalista contemporânea. 





sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Sugestão de estudo para a prova de História do 3º bimestre



Conforme combinado,  está liberado  o simulado para a prova.   O gabarito, assim como os respectivos comentários, serão liberados 3 dias antes do exame.


Turmas de 1º ano técnico



Turmas do 2º ano técnico
Simulado e vídeos


                                          Descolonização





                                          Oriente médio



Bons Estudos!!

Professor Arão Alves

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

História do Brasil - Questões discursivas com gabarito comentado


Grupo de estudo para provas específicas: https://www.facebook.com/groups/660763183949872/


1.   “(...) o desencanto com a Nova República era provocado principalmente pelo fracasso dos vários planos econômicos que não conseguiram domar o dragão da inflação. Depois do breve sucesso do Plano Cruzado, de 1986, a arrancada dos preços disparou, esmagando o poder de compra dos brasileiros, especialmente dos mais pobres.”

(Marly Motta, “Rumo ao planalto”. Disponível em http://www.revistadehistoria.com.br/secao/artigos-revista/especial-nova-republicarumo- ao-planalto. Acessado em 09/08/2013.)


a) Explique o que é inflação.
b) Quais os efeitos do congelamento de preços, base do Plano Cruzado, para a economia brasileira do período?


Resposta:

a) A inflação é o aumento de preços dos produtos que pode ser ocasionada por desequilíbrios econômicos variados, um deles é a elevação da demanda (consumo) sem ocorrer aumento proporcional no investimento e na produção. Outros fatores como a atuação de oligopólios (poucas empresas produzindo um tipo de produto) com formação de cartel (preços combinados em patamares elevados para obtenção de maior lucratividade), excesso de protecionismo contra produtos importados e até fatores ambientais (seca severa com redução da oferta de produtos agrícolas) podem interferir na elevação dos preços.

b) Em 1986, com a retomada da democracia no país (Nova República) e durante do governo de José Sarney, foi implantado o Plano Cruzado para combater a inflação elevada. O congelamento de preços surtiu resultado apenas no curto prazo, uma vez que a intervenção muito brusca na economia fracassou. Entre os efeitos do plano, a retenção de produtos pelos empresários causando desabastecimento de alguns produtos, a troca da moeda, a pequena melhora da distribuição de renda no período de queda inflacionária e o posterior retorno da inflação elevada.  



  
2.   A região metropolitana do litoral sul paulista é constituída pelos municípios representados no mapa:



Ao longo do tempo, essa região conheceu diferentes formas de ocupação territorial e de desenvolvimento. Identifique o tipo de ocupação territorial e a forma de desenvolvimento que ocorreram, nessa região, tendo como referência os anos de 1530, 1920, 1950 e 2010.  


Resposta:

[Resposta do ponto de vista da disciplina de Geografia]
O mapa representa a Região Metropolitana da Baixada Santista na atualidade. Em 1530, a ocupação territorial se dava basicamente por etnias indígenas, começando a ter a primeira forma de ocupação portuguesa com as primeiras iniciativas de produção de cana de açúcar na região, concentradas em São Vicente. Embora já houvesse a presença de portugueses na região para a extração de pau-brasil em um sistema de feitorias, antes de 1530, é apenas a partir desta data que de fato passa a haver uma ocupação europeia na região. Em 1920, no contexto de intensa imigração europeia para o Brasil, a ocupação se dá principalmente pelo estabelecimento do porto de Santos e consequente escoamento da produção cafeeira do Oeste Paulista para exportação. Neste momento, ocorre uma urbanização mais intensa de Santos e São Vicente e também surgem novos núcleos urbanos ao longo do litoral. Em 1950, devido ao crescimento industrial do país, a ocupação urbana da região se torna mais efetiva com a criação do polo industrial de Cubatão, com indústria siderúrgica (Cosipa) e indústrias petroquímicas. A urbanização e a industrialização avançaram sobre espaços ocupados por populações indígenas, como os guarani, restringindo cada vez mais os seus territórios. Também avançou o processo de desmatamento dos biomas de Mata Atlântica e Formações Litorâneas (Mangue e Restinga). Em 2010, consolida-se a Região Metropolitana da Baixada Santista a partir da interação socioeconômica entre as cidades e do fenômeno da conturbação. A região constitui um importante polo industrial, terciário (serviços, comércio e turismo) e portuário, que tende a ser dinamizado com a perspectiva de exploração do petróleo da camada pré-sal. Um dos fenômenos mais recentes é o avanço da especulação imobiliária e o agravamento de problemas de mobilidade urbana, além dos problemas socioambientais.

[Resposta do ponto de vista da disciplina de História]
O mapa retrata a Região Metropolitana da Baixada Santista. Em 1530 havia diversas etnias indígenas na região. Porém, neste contexto, o comércio das especiarias entrou em declínio e Portugal enviou para o Brasil Martim Afonso de Souza para viabilizar o processo de colonização portuguesa. Daí surgiu as Capitanias hereditárias que dividiram o Brasil em lotes de terras. Nesta região se estabeleceu a Capitania de São Vicente que se destacou na produção da cana de açúcar. Em 1920, no contexto da República Velha, 1889-1930, havia uma política de incentivo a imigração europeia para o Brasil intensificando a ocupação na região. O Porto de Santos se destacou para escoar a produção de café do “Oeste Paulista”. Na década de 1950, no segundo governo de Vargas, 1950-1954, e no governo de JK, 1956-1960, ocorreu um forte crescimento industrial gerando forte ocupação da região. Surgiu um polo industrial através de siderúrgica e petroquímica. Esta modernização contribui para dizimar culturas e povos nativos. Em 2010, consolidou-se a Região Metropolitana da Baixada Santista como grande polo industrial, do setor terciário e com uma tendência a se intensificar devido à exploração da camada pré-sal.



  
3.   Analise a fotografia e leia a carta a seguir.



Ilmo. Sr. Francisco de Souza

Aspiro boa saúde com a Exma. Família. Tendo eu frequentado uma fazenda sua deliberei, saudando-o em uma cartinha, pedir um cobrezinho. Basta dois contos de réis. Eu reconheço que o senhor não se sacrifica com isto e eu ficarei bem agradecido e não terei razão de lhe odiar nem também a gente de Virgulino terá esta razão.

Sem mais do seu criado, obrigado.

Hortêncio, vulgo Arvoredo, rapaz de Virgulino.

A TARDE. 20 jan. 1931. In: Coletânea de documentos históricos para o primeiro grau. São Paulo: SE/CENP, 1980, p. 51.

A fotografia e a carta apresentadas remetem ao cotidiano do Cangaço brasileiro, entre as décadas de 1920 e 1930. Nesse contexto, esse fenômeno social era interpretado pelo Estado brasileiro, que o combatia, como símbolo de desordem social. Diante do exposto, explique uma característica

a) associada ao Cangaço brasileiro, presente na carta;
b) atribuída, na fotografia, ao Cangaço e aos cangaceiros.


Resposta:

a) A Carta não é uma forma usual de apresentação do Cangaço, entendido normalmente como a ação violenta de um bando armado. Através da carta, há um pedido formal de dinheiro – cobrezinho – com uma ameaça velada, na medida em que sugere que, realizado o pagamento, não haverá problema com os homens de Virgulino (lampião).

b) A fotografia retrata uma imagem convencional dos cangaceiros - a de bando armado.



  
4.   Leia o texto a seguir.

Espera-se colonizar com os chineses, os coolies, os malaios e todas essas raças degeneradas do oriente, sorte de lepra humana? Já se experimentou a espécie do Celeste Império. Que produziu ela? O Brasil, de resto, já está farto dessas famílias mescladas e bastardas que não constituem um povo. O que lhe falta é sangue, a atividade, a ciência da Europa.

(RIBEYROLLES apud DEZEM, R. Matizes do “amarelo” : a gênese dos discursos sobre os orientais no Brasil (1878-1908). São Paulo: Associação Editorial Humanitas, 2005. p.51.)

Nesse texto, o jornalista francês Charles Ribeyrolles refere-se à imigração de chineses para o Brasil nos anos 1850 com o objetivo de atender à necessidade de mão de obra na lavoura.

Com base na citação e nos conhecimentos a respeito da história do Brasil, responda aos itens a seguir.

a) Analise a posição assumida por Ribeyrolles quanto à imigração chinesa para o Brasil.
b) Cite e explique um posicionamento semelhante ao relatado no texto em relação a outro grupo social, considerando a história do Brasil.


Resposta:

a) A elite brasileira herdou da Europa um racismo. O depoimento do jornalista francês Ribeyrolles externa uma argumentação racista, contrária à imigração chinesa para o Brasil no século XIX, uma vez que os chineses seriam, segundo a visão do autor, inferiores racial, moral e culturalmente. Desse ponto de vista, a miscigenação levaria à degradação do brasileiro, devendo ser evitada para a constituição de um povo. A preferência do jornalista era pelo imigrante europeu, considerado mais saudável e evoluído.

b) Desde o início da colonização do Brasil imperava um racismo exacerbado em relação aos negros e índios. A elite agrária brasileira, branca, foi se consolidando e, pautada no etnocentrismo, foi produzindo discursos e práticas racistas. Basta observar na segunda metade do século XIX, no período do II Reinado quando ocorreu a transição do trabalho escravo para o trabalho livre assalariado. A elite agrária brasileira necessitando de mão de obra para a lavoura de café poderia substituir a escravidão pelo trabalho livre dos índios ou dos próprios negros na condição de trabalhador livre (até mesmo os nordestinos considerando que aquela região estava em crise econômica desde o final do século XVII). No entanto, optou pelo imigrante europeu acreditando que este era superior do ponto de vista moral, racial e cultural.



  
5.  



Angelo Agostini (1833-1910) expressou sua crítica a D. Pedro II em uma caricatura publicada na Revista Ilustrada, em 1887.

a) Conforme a imagem, qual é a crítica de Agostini ao Imperador?
b) Indique e explique um processo que expresse a situação de crise vivida no final do Império.


Resposta:

a) Angelo Agostini criticava o imobilismo do Imperador diante dos problemas enfrentados pelo Império brasileiro no final da década de 1880.

b) A crise vivida pelo Império pode ser explicada por uma série de fatores, a saber: transformações socioeconômicas derivadas da expansão cafeeira, imigração estrangeira, fim do tráfico negreiro, crescimento da campanha abolicionista, e o aumento do movimento republicano.



  
6.   “Explicar a Guerra do Paraguai como tendo sido resultado da ação do imperialismo inglês carece de base documental. É, antes, resultado de bandeiras das lutas políticas dos anos [18]60 e [18]70 – como o antiamericanismo e o terceiro-mundismo –, projetadas na análise do passado (...)”.

(DORATIOTO, Francisco. A Guerra do Paraguai: 2ª visão. São Paulo: Brasiliense, 1991. p. 79).


Discuta a afirmação do historiador, apresentando ao menos duas diferentes interpretações sobre os motivos da Guerra do Paraguai ou Guerra da Tríplice Aliança.


Resposta:

Podemos citar duas vertentes de explicação:

1. Desejo inglês de impedir que o bem sucedido projeto econômico paraguaio (ausência de dívida externa, ausência de analfabetismo) se espalhasse pelo resto da América;
2. Disputas referentes à Bacia Platina, que envolvia Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, e o desejo paraguaio de “abrir” caminho para o Oceano através da tomada de territórios de Brasil, Argentina e Uruguai.



  
7.   É particularmente no Oeste da província de São Paulo – o Oeste de 1840, não o de 1940 – que os cafezais adquirem seu caráter próprio, emancipando-se das formas de exploração agrária estereotipadas desde os tempos coloniais no modelo clássico da lavoura canavieira e do “engenho” de açúcar.
(Sérgio Buarque de Holanda. Raízes do Brasil, 1987.)

Cite duas semelhanças e duas diferenças significativas entre a exploração agrária cafeeira no Oeste paulista do século XIX e a que predominou na lavoura canavieira no Nordeste colonial.


Resposta:

Semelhanças: o aluno pode citar, entre outros, o latifúndio, a monocultura visando o mercado externo.
Diferenças: o aluno pode citar, entre outros: em São Paulo surgiu uma elite que podemos denominar de “burguesia cafeeira paulista” com mentalidade empresarial e empreendedora vinculada ao capitalismo internacional (bem diferente da elite tradicional do nordeste colonial). No nordeste colonial prevaleceu a utilização do trabalho escravo africano enquanto em São Paulo ocorreu a transição do trabalho escravo para o trabalho livre com a chegada dos imigrantes.



  
8.   A transformação do Rio de Janeiro em corte real começou apenas dois meses antes da chegada do príncipe regente, quando notícias do exílio real – tão “agradáveis” quanto “chocantes”, cheias de “sustos e alegrias” – foram recebidas. Entretanto, como descobriram os residentes da cidade, os preparativos iniciais para acomodar Dom João e os exilados marcaram apenas o começo da transformação do Rio de Janeiro em corte real, pois o projeto de construir uma “nova cidade” e capital imperial perdurou por todo o reinado brasileiro do príncipe regente. Construir uma corte real significava construir uma cidade ideal; uma cidade na qual tanto a arquitetura mundana como a monumental, juntamente com as práticas sociais e culturais dos seus residentes, projetassem uma imagem inequivocamente poderosa e virtuosa da autoridade e do governo reais.

(Kirsten Schultz. Versalhes tropical, 2008. Adaptado.)

Explique o principal motivo da transferência da Corte portuguesa para o Brasil, em 1808, e indique duas mudanças importantes por que o Rio de Janeiro passou para receber e abrigar a família real.


Resposta:

Havia uma disputa na Europa entre Inglaterra e França pela hegemonia sobre o mundo. Desde o século XVI, a Inglaterra foi derrotando as nações europeias. No século XVI, 1588, a Inglaterra superou a famosa “invencível armada” de Filipe II da Espanha. Em meados do século XVII, a Inglaterra venceu a Holanda no contexto do “Ato de Navegação”. Venceu também a França na “Guerra dos Sete Anos”, entre 1756-1763. Assim, no início do século XIX, Napoleão Bonaparte, imperador da França montou um império na Europa. Tentando enfraquecer a Inglaterra, Napoleão criou em 1806 o famoso Bloqueio Continental visando isolar sua rival que passava pela Revolução Industrial e necessitava de mercado. A Inglaterra, em busca de mercado, apoiou a transferência da corte portuguesa para o Brasil visando afastá-la de uma ameaça francesa e, também, abrir o mercado brasileiro para os produtos ingleses. Em 1808, a corte portuguesa chegou ao Brasil. O Rio de Janeiro, capital do Brasil, foi a cidade escolhida para sediar a corte. Inúmeras mudanças ocorreram o Brasil, entre elas: Criação do Banco do Brasil e da imprensa régia, jardim botânico, teatro, faculdade de medicina, biblioteca e a chegada da “Missão Francesa”, entre outros.




                                                  Crise no Prata e guerra do Paraguai. Aprofundando o tema.



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