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terça-feira, 5 de novembro de 2013

Questões discursivas atuais com gabarito comentado -






Grupo de estudo para específica:  https://www.facebook.com/groups/660763183949872/


1. (Unicamp 2013)  1549 e 1763 são os anos do estabelecimento de Salvador e Rio de Janeiro, respectivamente, como capitais da área que viria a ser o Brasil. Em 1960, a terceira capital foi inaugurada.

Em relação ao estabelecimento das capitais, responda:
a) Quais os objetivos políticos do estabelecimento das duas primeiras capitais?
b) Por que a mudança da capital do Rio de Janeiro para Brasília pode ser vista como uma mudança política e estratégica?


Resposta:

a) Em 1549, com a criação do Governo Geral, a Coroa quer centralizar a administração colonial e efetivar um controle sobre os capitães donatários. Em 1763, o deslocamento da capital para o sul do Brasil tem como objetivo, efetivar um maior controle sobre a região mineradora, eixo econômico da colônia, naquele momento.
b) Promoção da interiorização do país, integração regional e, em tempos de Guerra Fria, garantir um proteção contra um ataque externo. Promover um distanciamento dos órgãos do governo em relação às regiões populosas do RJ, MG e SP, evitando a intensa pressão política sobre o governo.



  
2. (Ufpr 2013)  “O processo de construção da unidade territorial e da formação do Estado no Brasil tem que ser visto como fruto de um longo consolidar de interesses e projetos em disputa, o que nos leva a concordar com Ilmar R. de Mattos, quando afirmou a impossibilidade de se conceber a consolidação do Estado brasileiro antes da década de 1840.”

(PEREIRA, Aline Pinto. O Arquivo Nacional e a História Lusa-brasileira. Disponível em: http://www.historiacolonial.arquivonacional.gov.br/cgi/cgilua. exe/sys/start.htm?infoid=1440&sid=128)

Discorra sobre os interesses e projetos em disputa que impediram a consolidação do Estado nacional antes dos anos 1840.


Resposta:

Tradicionalmente, essa disputa é entendida entre dois grupos da elite: a elite brasileira, formada pelos proprietários rurais e articuladores da Independência, e a elite de origem lusitana instalada no Brasil, vinculada ao comércio, e que havia sido contrária à Independência. Esses dois grupos procuraram estabelecer influência sobre D. Pedro I, destacando-se o segundo, que conseguiu impor a Constituição de 1824, de tendência absolutista.
Pode-se perceber ainda outros interesses em disputa, como das elites regionais aliada a setores intelectualizados, principalmente do norte (nordeste), que pretendia maior autonomia para as províncias, destacando-se ideais republicanos.




  
3. (Unesp 2013)  Getúlio Vargas paira entre palavras e imagens. Em um dos quadros, sorridente, ladeado de escolares também sorridentes, Getúlio toca o rosto de uma menina; ao seu lado, um menino empunha a bandeira nacional. Os textos são todos conclamativos e supõem sempre uma voz a comandar o leitor infantil e a incitá-lo para a ação. A mesma getulização dos textos escolares se faz presente na ampla literatura encomendada pelo DIP [...].

(Alcir Lenharo. Sacralização da política, 1986.)

Explique o que o autor chama de “getulização dos textos escolares” e analise o papel do DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda) durante o Estado Novo (1937-1945).


Resposta:

Desde o governo de Getúlio Vargas se desenvolveu o rito de identificar o governante como o responsável pelo desenvolvimento da nação. O personalismo, desde então, foi extremamente acentuado e utilizado como elemento de alienação, daí a alcunha de “pai dos pobres”, destacando a política trabalhista de Vargas. Fora do âmbito das relações de trabalho, nos demais campos da vida social, essa política também se desenvolveu, como destaca o texto, nos livros e cartilhas escolares, fazendo do ensino oficial uma correia de transmissão dos valores do Estado e de seu líder.
O DIP teve papel crucial no processo de formação cultural e ideológica da sociedade, pois foi responsável pela política de propagar os valores caros aos governantes e, ao mesmo tempo, de censurar os veículos de comunicação.




  
4. (Ufpr 2013)  Considere a afirmação do historiador Pedro Paulo Funari:

“A guerra do Peloponeso não deixou de ser, até os nossos dias, uma narrativa histórica maior. Pode parecer espantoso ver como recorrente um uso político contemporâneo de um conflito tão distante no tempo e concernente a uma realidade histórica tão específica quanto a das cidades gregas. Com efeito, os primeiros a lerem, relerem e a se inspirarem em Tucídides foram as elites britânicas. Desde os primórdios da Inglaterra moderna, nascida dos conflitos com o continente, os ingleses abandonaram todas as pretensões de potência terrestre europeia, em proveito da conquista dos mares.”

(FUNARI, Pedro Paulo. Usos da Guerra do Peloponeso. Revista Brasileira de História Militar. Ano II, n. 4, abril de 2011)

Com qual cidade-Estado os ingleses se identificaram nos relatos de Tucídides sobre a Guerra do Peloponeso? Justifique sua resposta, explicando o que foi a Guerra do Peloponeso, no que se refere aos principais envolvidos, a suas motivações e às consequências para o mundo grego.


Resposta:

A Guerra do Peloponeso é tradicionalmente relatada como um conflito entre Atenas e Esparta; na verdade, um conflito envolvendo a Confederação de Delos (liderada por Atenas) e a Liga do Peloponeso (liderada por Esparta), numa luta pela hegemonia sobre o mundo grego.
A Inglaterra é identificada com Atenas, vista como potência expansionista, que exercia forte influência sobre diversas cidades, dentro e fora do território grego. Cidade litorânea, Atenas se fortaleceu economicamente a partir do comércio marítimo.




  
5. (Ufg 2013)  Leia o hino a seguir.

Avante, filhos da Pátria,
O dia de glória chegou!
Contra nós da tirania,
O estandarte ensanguentado se ergueu
Ouvis nos campos
Rugir esses ferozes soldados?
Vêm eles até os vossos braços
Degolar vossos filhos, vossas mulheres!

Às armas, cidadãos,
Formai vossos batalhões,
Marchemos, marchemos!
Que um sangue impuro
Banhe o nosso solo!

LISLE, Joseph Rouget de. A Marselhesa. Disponível em: . Acesso em: 14 nov. 2012. (Adaptado).

“A Marselhesa” foi apropriada como canção revolucionária em 1793, no ano III. Passando por modificações em sua letra, no final do século XIX, em meio à corrida imperialista europeia, a composição tornou-se hino nacional francês. Diante do exposto,
a) relacione um trecho da composição “A Marselhesa” ao contexto revolucionário francês;
b) explique a mudança ocorrida na ideia de nacionalismo no final do século XIX, relacionando-a à apropriação de “A Marselhesa” como hino nacional francês.  


Resposta:

a) “A Marselhesa” foi composta no período de guerra entre a França e as outras monarquias europeias. Considerando-se suas distintas apropriações, muitas passagens da composição relacionam-se ao contexto revolucionário francês, por exemplo (o candidato deve relacionar apenas um trecho da composição ao contexto):
- “Avante filhos da Pátria” ou ainda “Às armas, cidadãos”: nestas passagens, a conclamação à guerra se sustenta no sentimento nacional (daí a referência a filhos da pátria e cidadãos), emergente durante a era revolucionária.
- “Que um sangue impuro/banhe o nosso solo”: nesta passagem, a alusão à sangue impuro (do invasor) é uma metáfora da ambiência da guerra. A composição explicita a presença dos inimigos (da revolução e/ou da mudança) e a ameaça à pátria.
- “Contra nós da tirania”: nesta passagem, encontra-se a exposição do princípio da Revolução: a luta contra a tirania, identificada no privilégio aristocrático e representada, sobretudo, pela figura do Rei.

b) No final do século XIX, há uma mudança importante em relação à ideia de nacionalismo, definida pelo contexto de competição entre os estados nacionais europeus. Para explicar a mudança, é importante salientar que, no período jacobino, o nacionalismo francês era uma expressão revolucionária e inclusiva, ou seja, ser cidadão francês significava, mais do que simplesmente nascer em território francês, defender os princípios da Revolução, alicerçados na Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão. Entretanto, a partir da corrida imperialista, o sentimento nacional passou a estar associado a viver em um território definido (ter uma nação), a ter uma língua e uma cultura (francesa, alemã, italiana, assim por diante), a possuir colônias e a se sentir parte integrante do projeto civilizacional europeu. Em virtude disso, cada vez mais, o nacionalismo conclamaria à defesa da nação, à posse de territórios coloniais e à guerra. Assim, a apropriação de “A Marselhesa” é bem-vinda, na medida em que o hino, elaborado em um contexto de invasão (a França lutava contra os regimes monárquicos da Europa, em 1792), exortava o sentimento nacional e qualificava a guerra como heroica e gloriosa.



  
6. (Unicamp 2012)  Durante o século XVIII, a capitania de São Paulo sofreu grandes transformações territoriais e administrativas. Em 1709, nasceu a capitania de São Paulo e das Minas do ouro, abrangendo imenso território correspondente à quase totalidade das atuais regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, à exceção da então capitania do Rio de Janeiro e do Espírito Santo. Até 1748, sucessivos desmembramentos formaram as regiões de Minas, Santa Catarina, Rio Grande de São Pedro, Goiás e Mato Grosso. O novo capitão-general, mais conhecido como Morgado de Mateus, foi diretamente instruído pelo futuro Marquês de Pombal a ocupar-se da fronteira oeste ameaçada pelos espanhóis e a fomentar a produção de gêneros de exportação.

(Adaptado de Ana Paula Medicci, "São Paulo nos projetos de império", em Wilma Peres Costa e Cecília Helena de Oliveira, De um império a outro: formação do Brasil, séculos XVIII e XIX. São Paulo: Hucitec/Fapesp, 2007, p. 243.)

a) Cite duas atividades econômicas que sustentavam a capitania de São Paulo no século XVIII.
b) Considerando a política territorial na América Portuguesa nos séculos XVI e XVII, comente as mudanças significativas do século XVIII nesse aspecto.


Resposta:

a) A capitania de São Paulo conheceu intenso desenvolvimento no século XVIII devido à mineração. Como o texto destaca as duas regiões integravam a mesma capitania. Pensando na região que atualmente é denominada de São Paulo, destacava-se o comércio de passagem, como a principal atividade, com destino às regiões mineradoras – inclusive Goiás – tanto de gêneros agrícolas, como de animais provenientes do sul.

b) Nesse período houve grande preocupação com as redefinições das fronteiras, pois brasileiros ocupavam porções significativas além do limite de Tordesilhas. Atividades mineradoras e de exploração de drogas do sertão na região norte. Diversos tratados de limites foram assinados, destacando-se o Tratado de Madri, que mais que duplicou o território brasileiro.



  
7. (Ufg 2012)  Leia a composição a seguir.

Mulher
Você vai fritar
Um montão de torresmo pra acompanhar
Arroz branco, farofa e a malagueta
A laranja-bahia ou da seleta
Jogue o paio, a carne seca
Toucinho no caldeirão
E vamos botar água no feijão.

BUARQUE, Chico. Feijoada completa. Álbum Feijoada Completa, 1978. Disponível em: . Acesso em: 11 mar. 2012.

A composição recorre à receita da feijoada. Considerada um prato típico da culinária brasileira, a feijoada expressa um processo de miscigenação cultural que remete ao período colonial. Considerando-se o exposto,
a) identifique um ingrediente presente na composição e explique como se deu sua difusão na cultura alimentar, no Brasil Colonial.
b) Explique por que a receita da feijoada expressa o processo de miscigenação cultural.


Resposta:

a) Dentre os vários ingredientes presentes na composição, difundidos no Brasil Colonial durante o processo de colonização, destacam-se (o candidato deve indicar – e explicar a difusão – um ingrediente):
– o torresmo, a carne seca e o paio: esses produtos foram trazidos para o Brasil com a migração portuguesa e foram disseminados por várias regiões do Brasil, principalmente no Sul e Nordeste, por se adaptarem à necessidade de preservação dos alimentos por longos períodos;
– a laranja e o arroz: esses produtos foram disseminados no Brasil pela colonização portuguesa por meio do comércio com o Oriente, especialmente Índia e China, de onde foi trazida, por exemplo, a laranja;
– a pimenta e a mandioca: a pimenta malagueta era original das regiões tropicais da América e fazia parte da culinária indígena. A mandioca, produto da dieta indígena, foi incorporada no regime alimentar da população colonial, sendo consumida sob a forma de farofa;
– o feijão: embora exista uma variedade europeia desse produto, o feijão disseminado no Brasil é de origem americana, tendo sido incorporado à culinária colonial em função da facilidade de acesso.
b) A receita da feijoada mistura vários ingredientes, oriundos de diversas culturas. No contexto do mundo colonial, diante das condições impostas pelo cativeiro, os escravos incorporavam ao seu regime os alimentos que estavam à disposição. Essa incorporação revela o contato e a fusão de diferentes culturas, tendo como eixo a cultura escrava – exemplificada na culinária. Nesse sentido, a “feijoada completa” não é apenas um prato típico da cultura brasileira, mas expressa também a vitalidade da miscigenação étnica e cultural do Brasil, desde o período colonial. Registre-se também que a técnica de mistura de alimentos já encontrava-se disseminada na Europa, em pratos como o cassoulet francês, o cocido espanhol e a escudella da Catalunha que, por sua vez, se remete à olla podrida medieval. Como lembra Câmara Cascudo, “O que chamamos 'feijoada' é uma solução europeia elaborada no Brasil. Técnica portuguesa com material brasileiro”.



  
8. (Fgv 2012)  “Essencialmente, o absolutismo era apenas isto: um aparelho de dominação feudal alargado e reforçado, destinado a fixar as massas camponesas na sua posição social tradicional (...). Por outras palavras, o Estado absolutista nunca foi um árbitro entre a aristocracia e a burguesia, ainda menos um instrumento da burguesia nascente contra a aristocracia: ele era a nova carapaça política de uma nobreza atemorizada (...).”

ANDERSON, Perry, Linhagens do Estado Absolutista. Trad. Porto: Afrontamento, 1984, pp. 16-17.

a) Na perspectiva de Anderson, o Estado absolutista significou um rompimento drástico com relação à fragmentação política característica do período feudal? Justifique.
b) Na visão de Anderson, qual era o grupo social dominante nos quadros do Estado absolutista? Justifique.
c) Além dos elementos apontados no texto, ofereça mais duas características constitutivas dos chamados Estados absolutistas.


Resposta:

     Segundo o autor, que representa um dos expoentes da visão marxista de História, o Estado Absolutista não representa uma mudança drástica, pois preserva os tradicionais privilégios da velha elite feudal. Tal modelo, desenvolvido na Idade Moderna, apesar de possuir uma estrutura centralizada de poder, representou uma adaptação.
     Para o autor, a classe dominante é a nobreza, responsável pelo controle dos principais cargos políticos. Ministros, conselheiros e assessores do Rei pertenciam à nobreza, colocando essa classe social no controle do Estado.
     Os Estados Absolutistas garantiam privilégios ao clero e eram caracterizados por grande intolerância religiosa, principalmente nos países católicos, nos quais o poder do rei era justificado como sendo de origem divina. No campo econômico, os Estados exerciam forte intervenção e controle, preocupados em obter balança comercial favorável, segundo uma mentalidade mercantilista.
      
      
      
  
9. (Unesp 2012)  Noite após noite, quando tudo está tranquilo
E a lua se esconde por trás da colina,
Marchamos, marchamos para realizar nosso desejo.
Com machado, lança e fuzil!
Oh! meus valentes cortadores!
Os que com golpes fortes
As máquinas de cortar destroem.
Oh! meus valentes cortadores! (...).

(Canção popular inglesa do início do século XIX. Citada por: Luzia Margareth Rago e Eduardo F. P. Moreira. O que é Taylorismo, 1986.)

A canção menciona os “quebradores de máquinas”, que agiram em muitas cidades inglesas nas primeiras décadas da industrialização. Alguns historiadores os consideram “rebeldes ingênuos”, enquanto outros os veem como “revolucionários conscientes”. Justifique as duas interpretações acerca do movimento.


Resposta:

O movimento dos quebradores de máquinas entre os séculos XVIII e XIX, na Inglaterra, também conhecido por “Ludismo”, reuniu operários nos principais centros urbanos, que invadiam as fábricas e destruíam as máquinas.
Para alguns, em especial os autores marxistas, eram rebeldes ingênuos, pois representaram um movimento espontâneo, sem ideologia, objetivos concretos ou forma mais acabada de organização, portanto, fadados à derrota. Para outros, eram revolucionários conscientes, encaixando-se nessa visão, historiadores mais tradicionais que entendem que os operários tinham consciência do papel nefasto das máquinas e das fábricas em suas vidas, responsáveis pelo aumento do desemprego e pela precarização do trabalho; ou ainda os historiadores anarquistas, que consideram que o movimento organizado de massas tem potencial revolucionário e, de alguma forma, pretende se opor ao “status quo”.



  
10. (Unesp 2012)  [...] tudo que os renascentistas pretendiam era assumir a condição humana até seus limites, até as últimas consequências. Nem Deus e nem o demônio; todo o desafio consistia em ser absolutamente, radicalmente humano, apenas humano.

(Nicolau Sevcenko. O Renascimento, 1985.)

Explique a caracterização que o texto faz do Renascimento e dê exemplo de uma obra artística em que tal intenção se manifeste.


Resposta:

O Renascimento caracterizou-se por ser anticlerical, opondo-se à cultura religiosa e teocêntrica da Idade Média. Valoriza o homem a partir do antropocentrismo e do humanismo (glorificação do natural e do humano).

Como exemplo as esculturas Davi e Pietá de Michelangelo.


Aula de 2º Império para provas discursivas




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