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domingo, 6 de outubro de 2013

PUC - Geografia - questões discursivas com gabarito comentado





Dicas do Professor Arão Alves

Grupo de estudo para as específicas da Uerj: https://www.facebook.com/groups/660763183949872/
Curso gratuito de História do Brasil para específica: http://araoalves.blogspot.com.br/2013/10/curso-de-historia-do-brasil-para-provas.html

Questões



1. (Pucsp 2012) 


A CIDADE DO PRESENTE E DO FUTURO

Leia os textos e observe os mapas:

Sobre a urbanização e a cidade que se desenvolvia na Revolução Industrial:
“Pode-se admitir que, dado o ritmo com que o industrialismo se introduziu no Mundo Ocidental, o problema de construir cidades adequadas era quase insolúvel (...) Como construir uma cidade coerente, a partir de esforços de mil competidores individuais, que não conheciam outra lei que não a sua doce vontade? Como integrar as novas funções mecânicas num tipo novo de planta que pudesse ser traçado e rapidamente desenvolvido – se a própria essência de tal integração dependia do firme controle das autoridades públicas que muitas vezes não existiam, e que, quando existiam, não exercitavam poder algum (...)? Como criar uma infinidade de novas comodidades e novos serviços para trabalhadores que não podiam mesmo alugar a não ser os mais miseráveis tipos de abrigo?”.

Lewis MUMFORD. A cultura das cidades. Belo Horizonte: Itatiaia, 1961. p. 203-204





Sobre a urbanização e a cidade do presente e do futuro no século XXI:
“Nosso habitat é mais e mais urbano, e o será ainda mais no prazo de uma geração. Daqui a 25 anos, as organizações urbanas deverão, de fato, acolher cerca de 3 bilhões de habitantes suplementares, o que representará quase o dobro do número atual. A população urbanizada se estabilizará em torno de 6 bilhões e 700 milhões de almas – sobre um total de 10 bilhões de seres humanos. Compreende-se facilmente que o problema, que afetará os países do Sul, e também os do Norte, está à altura de suas cifras: vertiginoso. Para fazer frente a esse movimento, será necessário desenvolver políticas (de infraestrutura, de moradia, sociais, econômicas e culturais) inventivas e enérgicas que não poderão se fundar na reciclagem das ações realizadas no curso do século XX”.

Michel LUSSAULT. L' Homme Spatial [O Homem Espacial]. Paris: Éditions du Seuil. 2007, p. 267, tradução nossa.

Redija um texto comparando a atual onda urbanizadora com a do período da Revolução Industrial. Considere:

• os contextos internacionais (históricos e geográficos) e as condições técnicas em que esses dois momentos de urbanização ocorrem;
• os problemas sociais (moradia, mobilidade nos espaços urbanos, acesso a serviços) enfrentados pelas cidades dos séculos 18 e 19 e pelas atuais;
• as perspectivas urbanas para os próximos anos do século 21.


Resposta:

A partir do século XVIII, alavancadas pela disseminação das manufaturas promovidas pela Revolução Industrial, as cidades europeias conheceram um período de crescimento demográfico e expansão de seu espaço físico, com a implantação de infraestrutura em transportes e energia, e na formação de guetos, os bairros operários cujas condições eram de extrema miséria, pois a industrialização acentuou a concentração de renda com a separação definitiva entre capital e trabalho. Todo esse processo esteve baseado na mentalidade liberal iluminista, que supervalorizou as ações individuais e colocou em segundo plano as ações sociais, numa época em que, na Inglaterra, o Estado estava sob controle da burguesia – desde e a Revolução Gloriosa – e representava seus interesses. No século XIX ocorreram melhorias nos equipamentos urbanos, contudo, a segregação socioespacial se manteve, haja vista que os maiores investimentos públicos eram direcionados aos bairros mais ricos.
As cidades do século XXI caracterizam-se por reproduzir o meio técnico-científico-informacional liderando as atividades do capitalismo financeiro, e dessa forma, atraindo a população que se integra no sistema produtivo por meio dela, consolidando a segregação socioespacial já criada no século XVIII, principalmente por estar mais acentuada em novas regiões, consideradas emergentes, e em países ainda considerados como periféricos que, apesar de ganharem projeção, alcançam maior concentração industrial, mas preservam as fortes desigualdades socioeconômicas.
As perspectivas das cidades para o século XXI apontam para a migração da população para as cidades, processo já iniciado no século XX e, agora, intensificado. Em razão disso, prevê-se um crescimento desordenado, pontuado por tentativas de organizar um espaço cuja estrutura e serviços terão de atender aos quase sete bilhões de pessoas.  



  
2. (Pucrj 2012)  O tema da redução da jornada de trabalho é, ainda hoje, uma questão envolta em polêmicas.



a) Nas imagens 1 e 2 estão explicitados, respectivamente, pontos de vista a favor e contra a redução da jornada de trabalho no Brasil. Explique cada um dos pontos de vista apresentados.
b) Dentre outros pontos a favor da redução da jornada, destacam-se as melhorias da qualidade de vida e da qualificação do trabalhador. Explique esses dois argumentos.


Resposta:

a) As imagens são duas campanhas publicitárias divergentes. A 1 é favorável à redução da jornada de trabalho para 40 horas, o que pode beneficiar os trabalhadores, visto que não haveria redução de salários. A 2 é desfavorável, visto que a redução da jornada de trabalho poderia trazer prejuízos para as empresas, inclusive as pequenas, pois aumentaria os custos com salários devido a necessidade de novas contratações. O aumento de custos poderia reduzir a competitividade das empresas brasileiras frente a entrada de produtos importados de países como a China onde o custo com a mão de obra é mais baixo. Em alguns casos, poderia haver até o deslocamento de empresas brasileiras para a China.
b) Com a redução da jornada de trabalho, o trabalhador teria mais tempo para a família e para o lazer, melhorando sua qualidade de vida. Também haveria mais tempo para o trabalhador estudar e se qualificar melhor, o que poderia beneficiar as empresas devido ao aumento de produtividade e o trabalhador em razão do aumento de seus rendimentos.



  
3. (Pucrj 2012)  Em 2009, foi instituído, pelo governo municipal do Rio de Janeiro, o projeto Porto Maravilha. Segundo documentos oficiais, sua finalidade é promover a reestruturação da região portuária da cidade,


“por meio da ampliação, articulação e requalificação dos seus espaços públicos, visando à melhoria da qualidade de vida de seus atuais e futuros moradores e à sustentabilidade ambiental e socioeconômica da área. O projeto tem como limites as Avenidas Presidente Vargas, Rodrigues Alves, Rio Branco, e Francisco Bicalho.”

(Adaptado de CDURP/Prefeitura do Rio de Janeiro, Projeto Porto Maravilha).


a) Segundo o geógrafo Milton Santos, o espaço é um acúmulo desigual de tempos. As formas observáveis na paisagem das cidades e as funções a elas reservadas podem variar através dos tempos. Considerando os objetivos do projeto, apresente um exemplo que ilustre a manutenção de uma forma urbana com nova função na região destacada.
b) A posição oficial sobre o projeto é que ele beneficiará as pessoas que vivem naquela parte da cidade. Considerando os efeitos do processo de gentrificação, cite um argumento contrário a essa visão.


Resposta:

a) Considerando a região portuária do Rio de Janeiro, que sofreu uma deterioração nas últimas décadas, uma das formas de revitalização com a manutenção da forma, mas com mudança na função, é o uso de armazéns antigos outrora usados para depósitos de mercadorias, para novos empreendimentos do setor terciário, ou seja, comércio, serviços e atividades artísticas.
b) Em muitas cidades ocorreram processos de gentrificação, ou seja, de “enobrecimento” social provocada pela revitalização urbana de áreas que estavam desvalorizadas e ocupadas por grupos sociais mais pobres. O processo acontece pela ação do Estado e por agentes privados responsáveis pela especulação imobiliária. Por exemplo, a compra de terrenos e imóveis antigos, sua demolição ou requalificação, o aumento do preço dos imóveis e dos aluguéis estimula a saída dos moradores mais pobres e a chegada de moradores das classes média e alta. Portanto, o grande desafio seria conciliar a valorização da região portuária com a inclusão social.  



  
4. (Pucrj 2012)  Redes sociais como ferramenta de protesto: arma de mudança?



Muita gente vem incensando as mídias sociais como elementos revolucionários fundamentais nas rebeliões que vêm ocorrendo no norte da África e Oriente Médio. O consenso atual é o de que as redes criadas por elas são capazes de facilitar a mudança de um regime político, dando início a uma nova onda de democratização ao redor do mundo. Essas mídias sozinhas, no entanto, não instigam revoluções e, como qualquer ferramenta, têm pontos fracos e pontos fortes.

(Adaptado de http://campanhaseideias.blogspot.com/2011/02/redes-sociais-como-ferramenta-de.html. Acesso em agosto de 2011).

a) Explique como a compressão espaço-tempo, na atualidade, amplia o sucesso das mídias sociais nos eventos em destaque.
b) Selecione um ponto forte e outro fraco das redes geradas pelas mídias sociais nos eventos regionais em curso.


Resposta:

a) O processo de globalização é caracterizado pela aceleração dos fluxos de informações e de ideologias por meio da difusão das telecomunicações e da informática. A expansão da Internet e das redes sociais nos últimos anos, além de dinamizar as relações interpessoais e econômicas, começa a influir de maneira mais frequente em questões sociais e políticas.

b) O ponto forte, no caso da Primavera Árabe (Egito, Tunísia, Líbia, Iêmen e Síria), movimento por democracia contra regimes autoritários, foi a utilização da tecnologia da informação (celulares e redes sociais da Internet) para acelerar o movimento quanto a difusão dos acontecimentos e mobilização dos manifestantes e dos grupos políticos. Foram instrumentos importantes, considerando que mídias tradicionais como a televisão e o rádio estavam submetidas à censura governamental. O ponto fraco é que, por vezes, as novas mídias também são utilizadas para divulgar informações falsas e difundir ideias de extremistas que geram conflitos, a exemplo do filme que difamava o profeta Maomé e que provocou protestos contra os EUA em vários países muçulmanos, em 2012. 


Um comentário:

  1. Professor Arão Muito bom dia! Obrigada mais uma vez pela dedicação e empenho. Irei fazer a discursiva de Geografia e com absoluta certeza esse conteúdo enviado pelo o Sr. há de ajudar.
    Kelly - Rio de Janeiro

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