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domingo, 2 de junho de 2013

Uerj - História, Geografia e língua portuguesa - 30 questões recentes com gabarito comentado




1. (Uerj 2013)  Nota intitulada “Urbano ou rural?” foi destaque na coluna Radar, na revista Veja. Ela apresenta o caso extremo de União da Serra (RS), município de 1900 habitantes, dos quais 286 são considerados urbanos. A reportagem da revista apontou as seguintes evidências: a) a totalidade dos moradores sobrevive de rendimentos associados à agropecuária; b) a “população” de galinhas e bois é 200 vezes maior que a de pessoas; c) nenhuma residência é atendida por rede de esgoto; d) não há agência bancária.

JOSÉ ELI DA VEIGA
Adaptado de www.zeeli.pro.br.

A situação descrita no texto ocorre porque, no Brasil, a classificação oficial de uma aglomeração urbana se dá exclusivamente a partir do seguinte critério:
a) hierárquico-funcional   
b) econômico-financeiro   
c) político-administrativo   
d) demográfico-quantitativo   


Resposta:

[C]

        INCORRETO. O critério hierárquico-funcional estabelece a posição da cidade na escala da hierarquia urbana, determinada pelo seu grau de influência ou polarização.
        INCORRETO. O desenvolvimento econômico-financeiro de uma cidade estabelece sua posição na hierarquia urbana.
        CORRETO. Embora a área citada no texto apresente características de zonas rurais, caso seja comprovada a função político-administrativa, ela passa a ser considerada aglomeração urbana.
        INCORRETO. A população absoluta ou relativa da cidade define sua categoria na hierarquia urbana.
         
         
         
  
2. (Uerj 2013)  Depois de aguardar por uma década, o Rio de Janeiro se tornou a primeira cidade do mundo a receber o título de Patrimônio Mundial como paisagem cultural concedido pela UNESCO. O conceito de paisagem cultural passou a ser utilizado a partir de 1992 e se aplica a locais onde a interação humana com o meio ambiente ocorre de forma harmônica. Até o momento, as regiões reconhecidas mundialmente nessa categoria relacionaram-se a áreas rurais, sistemas agrícolas tradicionais, jardins históricos e outros locais de cunho simbólico, religioso e afetivo.

Adaptado de O Globo 02/07/2012.

Os processos de patrimonialização acentuaram-se ao longo dos últimos trinta anos, incorporando inclusive novas categorias, como a de “paisagem cultural”.
Para o caso do Rio de Janeiro, a manutenção da harmonia entre ocupação humana e meio ambiente no espaço urbano deve ser garantida, principalmente, por meio de:
a) flexibilização da legislação das regiões sujeitas a proteção ambiental   
b) desapropriação das áreas de encostas existentes na região metropolitana   
c) preservação dos conjuntos de logradouros dotados de atrativos naturais   
d) reordenamento das áreas litorâneas marcadas pela expansão imobiliária   


Resposta:

[C]

        INCORRETO. Caso haja flexibilização das leis ambientais, haverá maior impacto sobre o meio natural.
        INCORRETO. A instituição do patrimônio via “paisagem cultural” não é determinada pela desocupação das encostas.
        CORRETO. A harmonia da ocupação humana e do meio ambiente deve ser mantida pela preservação das áreas que definiram a patrimonialização, como o Pão de Açúcar e o Corcovado.
        INCORRETO. Embora a expansão imobiliária cause impacto sobre os biomas litorâneos, a preservação da paisagem cultural se define pelas áreas em que houve a produção da sociedade.
         
         
         
  
3. (Uerj 2013)  Perimetral

O viaduto da Perimetral liga o bairro do Caju até a região da Praça XV, no Centro do Rio de Janeiro. A obra foi iniciada no final dos anos 1950, no governo do prefeito Negrão de Lima. O trânsito de veículos na cidade aumentava a cada dia, e a construção do elevado aliviaria as ruas do Centro. É uma das mais importantes vias da cidade, permitindo o acesso à Avenida Brasil, à ponte Rio-Niterói e ao aeroporto Santos Dumont. Estima-se que mais de 40 mil veículos passem pela Perimetral todos os dias.

Adaptado de www.historiadorio.com.br.

Porto Maravilha

Porto Maravilha é um projeto da Prefeitura do Rio de Janeiro, com apoio dos governos estadual e federal. As obras da primeira fase incluem a construção de novas redes de água, esgoto e drenagem nas avenidas Barão de Tefé e Venezuela, além da urbanização do Morro da Conceição e da restauração do Jardim Suspenso do Valongo. Outras mudanças programadas: demolição parcial do viaduto da Perimetral, transformação da Avenida Rodrigues Alves em via expressa, criação de uma nova rota, chamada provisoriamente de Binário do Porto, e reurbanização de 70 km de vias.

Adaptado de portomaravilha.com.br.

Os textos referem-se a duas transformações na cidade do Rio de Janeiro nos últimos sessenta anos: a construção do viaduto da Perimetral, na década de 1950, e, na atualidade, sua demolição parcial, prevista nas obras do projeto Porto Maravilha. Esses dois momentos evidenciam a seguinte mudança nas políticas de planejamento urbano:
a) interação entre ocupação fabril e modernização dos serviços   
b) integração entre equilíbrio ambiental e ampliação dos espaços públicos   
c) compatibilização entre controle da poluição e redução das estruturas viárias   
d) equiparação entre desenvolvimento do setor de serviços e expansão das áreas de lazer   


Resposta:

[B]

Como mencionado corretamente na alternativa [B], a análise dos textos indica o processo de reurbanização na cidade do Rio de Janeiro, em que, em um primeiro momento, o objetivo era a organização da rede viária e no momento atual, o planejamento é direcionado aos projetos que integram saneamento, espaços de lazer e racionalização do tráfego da cidade. Estão incorretas as alternativas: [A], porque os textos não se referem ao sistema produtivo; [C], porque o objetivo não é reduzir as estruturas viárias, mas modificá-las; [D], porque não há menção ao sistema produtivo das cidades.



  
4. (Uerj 2013)  O assassinato do líder seringueiro Chico Mendes, em 1988, deu expressão internacional à pequena cidade de Xapuri, no Acre, e voltou o olhar do mundo para milhares de cidadãos que fazem da extração do látex seu sustento e do Vale Amazônico sua morada. O que poucos sabem é que esse foi apenas mais um capítulo da saga da borracha. Durante a Segunda Guerra Mundial, um exército de retirantes foi mobilizado com pulso firme, propaganda forte e promessas delirantes para deslocar-se rumo à Amazônia e cumprir uma agenda do Estado Novo. Ao fim do conflito, em 1945, os migrantes que sobreviveram às durezas da selva foram esquecidos no Eldorado. Passadas décadas, os soldados da borracha hoje lutam para receber pensão equivalente à dos ex-pracinhas.

Adaptado de revistaepoca.globo.com, 18/04/2011.

A extração de recursos naturais da Floresta Amazônica, como o látex, ainda hoje se insere em um contexto de problemas sociais, relacionados principalmente ao seguinte fator:
a) escassez de mão de obra qualificada   
b) precariedade das condições de trabalho   
c) insuficiência dos sistemas de transporte   
d) insalubridade da infraestrutura habitacional   


Resposta:

[B]

Como mencionado corretamente na alternativa [B], a precariedade das relações trabalhistas resultantes dentre outras, de rendimentos insuficientes que garantam a ascensão econômica e social, é o principal problema desse sistema produtivo que, embora antigo e tradicional, não apresentou alterações. Estão incorretas as alternativas: [A], porque a extração não demanda a qualificação da mão de obra; [C], porque embora a deficiência nas vias de circulação seja uma característica da área, não se constitui como cerne dos problemas sociais; [D], porque apesar das condições insalubres, inclusive habitacionais, o problema gerado pela extração do látex é a manutenção da pobreza.



  
5. (Uerj 2013)  Rússia e China rejeitam ameaça de guerra contra Irã

A Rússia e a China manifestaram sua inquietude com relação aos comentários do chanceler francês, Bernard Kouchner, sobre a possibilidade de uma guerra contra o Irã. Kouchner acusou a imprensa de “manipular” suas declarações. “Não quero que usem isso para dizer que sou um militarista”, disse o chanceler, dias antes de os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU – França, China, Rússia, Reino Unido e Estados Unidos – se reunirem para discutir possíveis novas sanções contra o Irã por causa de seu programa nuclear.

Adaptado de www.estadao.com.br, 18/09/2007.

O Conselho de Segurança da ONU pode aprovar deliberações obrigatórias para todos os países-membros, inclusive a de intervenção militar, como ilustra a reportagem. Ele é composto por quinze membros, sendo dez rotativos e cinco permanentes com poder de veto.
A principal explicação para essa desigualdade de poder entre os países que compõem o Conselho está ligada às características da:
a) geopolítica mundial na época da criação do organismo   
b) parceria militar entre as nações com cadeira cativa no órgão   
c) convergência diplomática dos países com capacidade atômica   
d) influência política das transnacionais no período da globalização   


Resposta:

[A]

        CORRETO. A ONU foi criada em 1945, ao término da 2ª guerra mundial, e, portanto, o Conselho de Segurança, seu órgão de maior poder, passa a ser controlado por meio do poder de veto (votação onde não há maioria simples) pelas potências vencedoras do conflito.
        INCORRETO. A composição dos membros permanentes com direito ao veto não se constituiu em razão da parceria militar, em que, ao contrário, nas décadas da guerra fria, indicaram oposição.
        INCORRETO. O Reino Unido não se caracteriza como país de capacidade atômica, contudo, vários países que a tem, não fazem parte do Conselho de Segurança.
        INCORRETO. A ONU não foi criada na década de 1990, período da globalização.
         
         
         
  
6. (Uerj 2012)  Artigo 25, parágrafo 3º - Os Estados poderão, mediante lei complementar, instituir regiões metropolitanas, aglomerações urbanas e microrregiões, constituídas por agrupamentos de municípios limítrofes, para integrar a organização, o planejamento e a execução de funções públicas de interesse comum.

Constituição da República Federativa do Brasil
www.planalto.gov.br

O Brasil possui atualmente três Regiões Integradas de Desenvolvimento − RIDE, um tipo especial de região metropolitana que só pode ser instituída por legislação federal. Esta característica é explicada pelo fato de a integração decorrente das RIDE estar associada a:
a) unidades estaduais diferentes   
b) áreas de fronteira internacional   
c) espaços de preservação ambiental   
d) complexos industriais estratégicos   


Resposta:

[A]

A criação das RIDE’s é uma ação integrada dos entes federativos – União, Estados e Municípios – cujo objetivo é a promoção do desenvolvimento econômico e redução das desigualdades sociais de regiões marcadas por uma estagnação socioeconômica. Essas regiões passam a ter prioridades nos investimentos dos recursos públicos com atuação conjunta dos entes da federação. Atualmente existem três RIDE’s: do Distrito Federal (Distrito Federal, Goiás e Minas Gerais), Petrolina-Juazeiro (Bahia e Pernambuco) e da Grande Teresina (Piauí e Maranhão).



  
7. (Uerj 2012)  O município de Nova Friburgo, na região serrana do Rio de Janeiro, dedica-se à moda íntima, sendo um dos quatro projetos-pilotos priorizados pelo Sebrae para servir de modelo ao desenvolvimento de iniciativas semelhantes no país.
O núcleo de Nova Friburgo, que emprega diretamente cerca de 20.000 pessoas, surgiu a partir de pequenas iniciativas de produção. Hoje, são 800 empreendimentos, agora gradativamente envolvidos em ações solidárias de mútuo desenvolvimento. Alguns deles estão reunidos em quatro consórcios exportadores.

Adaptado de http://revistapegn.globo.com

Os padrões de localização industrial vêm se alterando desde o início da Revolução Industrial, à medida que novas tecnologias e formas de gestão são desenvolvidas.
A reportagem acima exemplifica um padrão atual de localização industrial denominado:
a) Arranjo Produtivo Local   
b) Zona Econômica Especial   
c) Distrito Central de Negócios   
d) Plataforma de Exportação Industrial   


Resposta:

[A]

[A] CORRETA - O enunciado cita a aglomeração de empresas em um mesmo espaço geográfico e uma mesma especialização produtiva, que se articulam aumentando sua inserção no mercado, conceito que define o APL ou Arranjo Produtivo Local. Essa prática é uma forma de ampliar a competitividade de empresas no mercado global e é encontrada em grande parte dos países.
[B] INCORRETA - Zonas Econômicas Especiais ou ZEE’s são territórios delimitados dentro dos países, cuja legislação tributária, fiscal e aduaneira que difere do resto do país, busca ampliar a atração de investimentos produtivos (empresas) e a exportação de produtos alavancando assim o crescimento da economia dos países.
[C] INCORRETA - Distrito Central de Negócios é um modelo de organização espacial onde em uma cidade é possível definir um espaço composto pela centralização das atividades financeiras, sedes de empresas e órgãos públicos; grande verticalização; polarização de transportes e infovias; e mercado imobiliário valorizado.
[D] INCORRETA - Plataformas de Exportação são países ou territórios que atraem investimentos produtivos (empresas e indústrias) oferecendo incentivos como subsídios fiscais, legislação ambiental flexível, infraestrutura portuária e de transportes, mão de obra abundante e barata, e produção voltada à exportação.



  
8. (Uerj 2012)  Parece improvável, mas é verdade: o Polo Norte Magnético está se movendo mais depressa do que em qualquer outra época da história da humanidade, ameaçando mudar de meios de transporte a rotas tradicionais de migração de animais. O ritmo atual de distanciamento do norte magnético da Ilha de Ellesmere, no Canadá, em direção à Rússia, está fazendo as bússolas errarem em cerca de um grau a cada cinco anos.

Adaptado de O Globo, 08/03/2011

O fenômeno natural descrito acima não afeta os aparelhos de GPS - em português, Sistema de Posicionamento Global. Isso se explica pelo fato de esses aparelhos funcionarem tecnicamente com base na:
a) recepção dos sinais de rádio emitidos por satélites   
b) gravação prévia de mapas topográficos na memória digital   
c) programação do sistema com as tabelas da variação do Polo Norte   
d) emissão de ondas captadas pela rede analógica de telefonia celular   


Resposta:

[A]

O deslocamento do Polo Magnético não afeta os aparelhos do GPS, porque o funcionamento destes está relacionado à utilização da rede de satélites em órbita que emitem sinais de rádio. O deslocamento do Polo Magnético afeta as bússolas.



  
9. (Uerj 2012)  Quando os auditores do Ministério do Trabalho entraram na casa de paredes descascadas num bairro residencial da capital paulista, parecia improvável que dali sairiam peças costuradas para uma das maiores redes de varejo do país. Não fossem as etiquetas da loja coladas aos casacos, seria difícil acreditar que, através de uma empresa terceirizada, a rede pagava 20 centavos por peça a imigrantes bolivianos que costuravam das 8 da manhã às 10 da noite.
Os 16 trabalhadores suavam em dois cômodos sem janelas de 6 metros quadrados cada um. Costurando casacos da marca da rede, havia dois menores de idade e dois jovens que completaram 18 anos na oficina.

Adaptado de Época, 04/04/2011.

A comparação entre modelos produtivos permite compreender a organização do modo de produção capitalista a cada momento de sua história. Contudo, é comum verificar a coexistência de características de modelos produtivos de épocas diferentes.
Na situação descrita na reportagem, identifica-se o seguinte par de características de modelos distintos do capitalismo:
a) organização fabril do taylorismo – legislação social fordista   
b) nível de tecnologia do neofordismo – perfil artesanal manchesteriano   
c) estratégia empresarial do toyotismo – relação de trabalho pré-fordista   
d) regulação estatal do pós-fordismo – padrão técnico sistêmico-flexível   


Resposta:

[C]

Ao citar a produção das peças para uma das maiores redes de varejo do país, o texto faz referencia à terceirização, característica da terceira revolução industrial, cujo sistema produtivo é o toyotismo. Ao mencionar as condições insalubres e informais de trabalho, o texto indica características da produção pré-fordista, ou seja, as relações trabalhistas da 1ª revolução industrial.



  
10. (Uerj 2012)  No início de 2011, o mundo assistiu apreensivo e esperançoso ao sopro de inconformismo no mundo árabe. Manifestantes contaram com a ajuda, em graus a serem precisados, de componentes cada vez mais comuns em situações desse tipo: a internet e o telefone celular. Na Tunísia, ativistas utilizaram Twitter e Facebook para organizar protestos. No Egito, blogs e também as redes sociais. Os episódios reaquecem o debate sobre qual é, afinal, o potencial dessas tecnologias quando o assunto é ativismo político e opõem dois grupos de analistas: os ciberutópicos, que acham que blogs e celulares tudo podem, e os cibercéticos, que pensam o contrário. A revolução pode não ser tuitada, no sentido de que um Twitter só não faz a revolução. Mas as que acontecerem no século XXI, é certo, passarão pelo Twitter e similares.

Adaptado de http://veja.abril.com.br, 28/01/2011

A reportagem apresenta uma reflexão acerca das possibilidades e limitações do uso das novas tecnologias no ativismo político no mundo atual.
As limitações existentes para o emprego dessas tecnologias são justificadas basicamente pela:
a) disparidade regional quanto aos níveis de alfabetização   
b) hierarquização social relativa ao acesso às redes virtuais   
c) censura da mídia em função do intervencionismo governamental   
d) dispersão populacional devido às grandes extensões territoriais   


Resposta:

[C]

Tomando como referência o ativismo político, a limitação do uso das redes sociais é resultado da censura dos governos ditatoriais, como citado corretamente na alternativa [C]. As diferenças demográficas indicadas nas alternativas [A], [B] e [D] em nível educacional, social ou de povoamento, não se constituem nesse contexto como fatores limitantes.



  
11. (Uerj 2013)  A carteira profissional

Por menos que pareça e por mais trabalho que dê ao interessado, a carteira profissional é um documento indispensável à proteção do trabalhador.
Elemento de qualificação civil e de habilitação profissional, a carteira representa também título originário para a colocação, para a inscrição sindical e, ainda, um instrumento prático do contrato individual de trabalho.
A carteira, pelos lançamentos que recebe, configura a história de uma vida. Quem a examina logo verá se o portador é um temperamento aquietado ou versátil; se ama a profissão escolhida ou ainda não encontrou a própria vocação; se andou de fábrica em fábrica, como uma abelha, ou permaneceu no mesmo estabelecimento, subindo a escala profissional. Pode ser um padrão de honra. Pode ser uma advertência.

ALEXANDRE MARCONDES FILHO

Texto impresso nas Carteiras de Trabalho e Previdência Social.

Alexandre Marcondes Filho foi ministro do trabalho do governo de Getúlio Vargas, entre 1941 e 1945. Seu texto, impresso nas carteiras de trabalho, reflete as políticas públicas referentes à legislação social que vinha sendo implementada naquela época.
Duas características dessa legislação estão indicadas em:
a) garantia da estabilidade de emprego / liberdade de associação   
b) previsão de assistência médica / intensificação do controle sindical   
c) proibição do trabalho infantil / regulamentação do direito de greve   
d) concessão de férias remuneradas / qualificação do trabalhador rural   


Resposta:

[B]

Durante o Estado Novo, a política varguista preservou as características populistas, marcadas pelo assistencialismo e pelo controle sobre os sindicatos. Esse modelo de relação entre o Estado e os trabalhadores foi denominado populismo. A Carteira de Trabalho foi instituída em 1932 apenas para os trabalhadores urbanos e reforçou a ideia de que o governo protegia os trabalhadores e lhes dava garantias mínimas.



  
12. (Uerj 2013)  Guerra das Malvinas ainda divide Argentina e Inglaterra após 30 anos

No dia 2 de abril de 2012, o início da guerra pelo controle das Ilhas Malvinas completou 30 anos. O conflito, que durou dois meses e meio, marcou uma geração de argentinos e britânicos. Para os britânicos, elas são Falkland Islands; para os argentinos, Ilhas Malvinas. No mapa, a distância para o continente sul-americano é pequena. Mas, na prática, a viagem é longa. É um voo por semana, que parte do Chile. Assim, quem sai da Argentina tem que seguir primeiro para Santiago. Quase oito horas depois, chega-se ao destino. A catedral é anglicana. O pastor prega em inglês, a língua oficial, apesar de o espanhol constar do currículo escolar. Os jovens entre 16 e 17 anos podem ir para a Inglaterra cursar uma faculdade. Tudo por conta do governo britânico. São 3 mil habitantes, 62 nacionalidades, mas só 29 argentinos.

Adaptado de http://g1.globo.com.

Ocupadas pelos britânicos a partir da década de 1830, ainda hoje, como mostra a reportagem, as ilhas mencionadas são alvo de disputas entre Reino Unido e Argentina. A polêmica sobre o controle dessas ilhas é acentuada, na atualidade, pela seguinte característica da sociedade local:
a) persistência das rivalidades entre as etnias latinas e europeias   
b) isolamento da economia em contexto de globalização capitalista   
c) vigência de costumes em oposição aos ideais pan-americanistas   
d) valorização do nacionalismo por meio da defesa da identidade cultural   


Resposta:

[D]

O domínio britânico existe há quase dois séculos, mas o nacionalismo da população local foi reforçado desde a Guerra das Malvinas, em 1982, quando a Argentina pretendeu recuperar a posse do território.



  
13. (Uerj 2013)  O direito ao solo e à terra pode se tornar um dever quando um grande povo, por falta de extensão, parece destinado à ruína. Ou a Alemanha será uma potência mundial ou então não será. Mas, para se tornar uma potência mundial, ela precisa dessa grandeza territorial que lhe dará na atualidade a importância necessária e que dará a seus cidadãos os meios para existir. O próprio destino parece querer nos apontar o caminho.

Adolf Hitler
Minha luta, 1925.

Adaptado de FERREIRA, Marieta de M. e outros. História em curso: da Antiguidade à globalização. São Paulo: Editora do Brasil; Rio de Janeiro: FGV, 2008.

As ideias contidas no projeto político do nazismo buscavam solucionar os problemas enfrentados pela Alemanha após o fim da Primeira Guerra Mundial.
Uma dessas ideias, abordada no texto, está associada ao conceito de:
a) xenofobia   
b) espaço vital   
c) purificação racial   
d) revanchismo militar   


Resposta:

[B]

A “teoria do espaço vital” foi uma das bases para a política expansionista de Hitler e responsável pela eclosão da Segunda Guerra. Ela está impregnada pelos conceitos de imperialismo do século XIX, caracterizado pelo domínio territorial de regiões fora da Europa, e, após a Primeira Guerra Mundial, a Alemanha foi punida, perdendo seus territórios colônias, entendidos como as principais fontes de riqueza para as potências econômicas do período.



  
14. (Uerj 2013)  A despeito da diversidade e das distâncias regionais, um fenômeno é sempre mencionado quando se trata do Brasil: uma única língua oficial, o português, é reconhecida em todo país. Mas não é a única falada. Estima-se que, antes da colonização pelos europeus, falavam-se cerca de 1.200 línguas indígenas no país. Hoje, restam 181 línguas faladas por povos indígenas.

ARYON DALL’IGNA RODRIGUES
Adaptado de BOMENY, Helena e outros. Tempos modernos, tempos de sociologia. São Paulo: Ed. do Brasil, 2010.

A realidade sociolinguística no Brasil atual resultou de um conjunto variado de experiências históricas. No contexto das heranças da colonização portuguesa, a situação atual das línguas indígenas, apresentada no texto, decorre diretamente do seguinte fator:
a) extensão territorial   
b) miscigenação racial   
c) assimilação cultural   
d) dispersão populacional   


Resposta:

[C]

O processo de colonização implicou não apenas a conquista territorial, mas a eliminação ou assimilação dos povos nativos. A maior parte das nações indígenas foi exterminada ao longo do tempo. Algumas expressões – ou mesmo palavras–, principalmente do Tupi, foram incorporadas ao vocabulário dos brasileiros.



  
15. (Uerj 2013)  O alemão Franz Boaz foi o primeiro a ressaltar a importância do estudo das diversas culturas em seu próprio contexto, a partir das suas peculiaridades. Boaz ressaltava não haver cultura superior ou inferior. Para ele, deveriam ser considerados os fatores históricos, naturais e linguísticos que influenciavam o desenvolvimento de cada cultura em particular.

Adaptado de LUCCI, Elian A. e outros. Território e sociedade no mundo globalizado: geografia geral e do brasil. São Paulo: Saraiva, 2010.

A abordagem apresentada no texto foi desenvolvida a partir do início do século XX e originou uma nova perspectiva das ciências sociais em relação ao estudo das culturas. Essa perspectiva é denominada:
a) relativismo   
b) materialismo   
c) evolucionismo   
d) etnocentrismo   


Resposta:

[A]

A ideia de “relativismo” leva em consideração a posição de quem faz a análise e procura compreender outras possibilidades, considerando que indivíduos em posições diferentes tendem a observar um mesmo fenômeno social sob ângulos diferentes.



  
16. (Uerj 2012)  Veja você, meu amigo, te resta apenas um meio para não ser explorado, nem oprimido: demonstrar coragem. Se os trabalhadores que são tão numerosos se opuserem com todas as suas forças aos patrões e a quaisquer formas de governo, estaremos bem próximos dos homens verdadeiramente livres.

Fala da peça Uma comédia social, representada por operários de São Paulo nos anos de 1910.
Adaptado de Nosso Século (1910-1930). São Paulo: Abril Cultural, 1981.

Durante a Primeira República (1889-1930), em cidades como o Rio de Janeiro e São Paulo, o movimento operário tornou-se um dos principais críticos às exclusões da sociedade brasileira. Considerando as propostas defendidas na fala citada do personagem, uma das ideologias que se fez presente no movimento operário brasileiro, naquele momento, foi:
a) socialismo   
b) anarquismo   
c) liberalismo   
d) cooperativismo   


Resposta:

[B]

Uma das principais características do movimento operário do início do século foi o fato de contar com lideranças anarquistas, formadas principalmente por homens de origem italiana. Pelo texto pode-se perceber o estímulo à organização do operariado para a luta contra os patrões e, em particular, contra “qualquer forma de governo”, o que diferencia o anarquismo do socialismo.



  
17. (Uerj 2012)  Cheio de apreensões e receios despontou o dia de ontem, 14 de novembro de 1904. Muito cedo tiveram início os tumultos e depredações. Foi grande o tiroteio que se travou. Estavam formadas em toda a rua do Regente, estreita e cheia de casas velhas, grandes e fortes barricadas feitas de montões de pedras, sacos de areia, bondes virados, postes e pedaços de madeira arrancados às casas e às obras da avenida Passos.

Jornal do Comércio, 15/11/1904
Adaptado de Nosso Século (1900-1910). São Paulo: Abril Cultural, 1980.

O progresso envaidecera a cidade vestida de novo, principalmente inundada de claridade, com jornais nervosos que a convenciam de ser a mais bela do mundo. Era a transição da cidade
doente para a maravilhosa.

PEDRO CALMON (historiador / 1902-1985)
Adaptado de Nosso Século (1900-1910). São Paulo: Abril Cultural, 1980.

Os textos referem-se aos efeitos da gestão do prefeito Pereira Passos (1902-1906), momento em que a cidade do Rio de Janeiro passou por uma de suas mais importantes reformas urbanas. Uma intervenção de destaque foi a abertura da avenida Central, hoje avenida Rio Branco, provocando não só elogios, como também conflitos sociais. A principal motivação para esses conflitos esteve relacionada à:
a) restrição ao comércio popular   
b) devastação de áreas florestais   
c) demolição de moradias coletivas   
d) elevação das tarifas de transporte   


Resposta:

[C]

No inicio do século, o Rio de Janeiro vivenciou um processo considerado como “de modernização”, pois era a capital do país, sede de representações diplomáticas e empresariais e, numa visão elitizada, deveria estar a altura de grandes cidades europeias. Esse processo implicou a abertura de grandes avenidas e, para tanto, o governo promoveu a demolição das casas populares que existiam na região. O processo de expulsão das camadas mais pobres da região central foi acompanhado por grande reação popular, que enfrentou polícia e governo, como descrito no texto apresentado.



  
18. (Uerj 2012)  O Iluminismo é a saída do homem do estado de tutela, pelo qual ele próprio é responsável.
O estado de tutela é a incapacidade de utilizar o próprio entendimento sem a condução de outrem. Cada um é responsável por esse estado de tutela quando a causa se refere não a uma insuficiência do entendimento, mas à insuficiência da resolução e da coragem para usá-lo sem ser conduzido por outrem. Sapere aude!* Tenha a coragem de usar seu próprio entendimento.
Essa é a divisa do Iluminismo.
IMMANUEL KANT (1784)

*Expressão latina que significa “tenha a coragem de saber, de aprender”.

In: BOMENY, Helena e FREIRE-MEDEIROS, Bianca. Tempos modernos, tempos de sociologia. São Paulo: Ed. do Brasil, 2010.

No contexto da expansão capitalista no século XIX, uma das ideias centrais do Iluminismo, de acordo com o texto, está associada diretamente à valorização da:
a) superioridade técnica   
b) soberania econômica   
c) liberdade política   
d) razão científica   


Resposta:

[D]

O iluminismo está associado aos valores burgueses difundidos desde o século XVIII e que, no século seguinte se tornaram predominantes. O racionalismo iluminista caracterizou-se pela confiança na razão, no progresso e na ciência, e pelo incentivo à liberdade de pensamento. O ideal do Iluminismo era levar esses valores a prevalecer e triunfar sobre o mito, a crendice, o "sobrenatural", o misticismo, a fé, o dogma, o fanatismo, a intolerância.



  
19. (Uerj 2012)  O capitalismo do século XIX tropeçou de desastre em desastre nas bolsas de valores e nos investimentos empresariais irracionais. Após a Segunda Guerra Mundial, essa desordem foi de algum modo posta sob controle na maioria das economias avançadas: sindicatos fortes, garantias trabalhistas e empresas de grande escala combinaram-se e produziram uma era, de mais ou menos trinta anos, de relativa estabilidade.

Adaptado de SENNETT, Richard. A corrosão do caráter: as consequências pessoais do trabalho no novo capitalismo. Rio de Janeiro: Record, 2010.

A estabilidade mencionada no texto foi proporcionada pela condição socioeconômica e pelo modelo de organização do Estado identificados em:
a) implantação dos sistemas de crédito – moderno   
b) estruturação dos impérios coloniais – corporativista   
c) organização das redes produtivas globais – autocrático   
d) formação das sociedades de consumo de massa – de bem-estar social   


Resposta:

[D]

Proposição não muito clara. O sindicalismo forte nos países desenvolvidos deu garantias a uma parcela maior de trabalhadores que ingressaram no mercado de consumo e possibilitaram maior estabilidade a economia na medida em que muitas empresas passaram a vender mais para um setor da sociedade até então excluída. Ao mesmo tempo, diversos governos se preocuparam em garantir uma política social de garantias mínimas no campo da educação, saúde, saneamento e transportes.



  
20. (Uerj 2011)  Nós, marinheiros, cidadãos brasileiros e republicanos, mandamos esta honrada mensagem para que Vossa Excelência faça aos marinheiros brasileiros possuirmos os direitos sagrados que as leis da República nos facilitam. Tem Vossa Excelência 12 horas para mandar-nos a resposta satisfatória, sob pena de ver a Pátria aniquilada.

Adaptado do memorial enviado pelos marinheiros ao presidente Hermes da Fonseca, em 1910.
In: MARANHÃO, Ricardo e MENDES JUNIOR, Antônio. Brasil história: texto e consulta. São Paulo: Brasiliense, 1983.

Os participantes da Revolta da Chibata (1910-1911) exigiam direitos de cidadania garantidos pela
Constituição da época.
As limitações ao pleno exercício desses direitos, na Primeira República, foram causadas pela permanência de:
a) hierarquias sociais herdadas do escravismo.   
b) privilégios econômicos mantidos pelo Exército.   
c) dissidências políticas relacionadas ao federalismo.   
d) preconceitos étnicos justificados pelas teorias científicas.   


Resposta:

[A]

A Revolta está relacionada principalmente aos maus-tratos destinado aos marinheiros, grande parte deles negros, ex-escravos ou descendentes de escravos, considerados inferiores. Mesmo com a abolição da escravidão (1888), com a Proclamação da República (1889) e com a nova Constituição (1891), o preconceito se manteve com um discurso pseudo-científico, que considerava o homem branco como superior, conhecido como “darwinismo social”.




TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 5 QUESTÕES:
Recordações do escrivão Isaías Caminha

Eu não sou literato, detesto com toda a paixão essa espécie de animal. O que observei neles, no tempo em que estive na redação do O Globo, foi o bastante para não os amar, nem os imitar. 1São em geral de uma lastimável limitação de ideias, cheios de fórmulas, de receitas, 9só capazes de colher fatos detalhados e impotentes para generalizar, curvados aos fortes e às ideias vencedoras, e antigas, adstritos a um infantil fetichismo do estilo e guiados por conceitos obsoletos e um pueril e errôneo critério de beleza. Se me esforço por fazê-lo literário é para que ele possa ser lido, pois quero falar das minhas dores e dos meus sofrimentos ao espírito geral e no seu interesse, com a linguagem acessível a ele. É esse o meu propósito, o meu único propósito. Não nego que para isso tenha procurado modelos e normas. Procurei-os, confesso; e, agora mesmo, ao alcance das mãos, tenho os autores que mais amo. (...) 5Confesso que os leio, que os estudo, que procuro descobrir nos grandes romancistas o segredo de fazer. 6Mas não é a ambição literária que me move ao procurar esse dom misterioso para animar e fazer viver estas pálidas Recordações. Com elas, queria modificar a opinião dos meus concidadãos, obrigá-los a pensar de outro modo, a não se encherem de hostilidade e má vontade quando encontrarem na vida um rapaz como eu e com os desejos que tinha há dez anos passados. Tento mostrar que são legítimos e, se não merecedores de apoio, pelo menos dignos de indiferença.

7Entretanto, quantas dores, quantas angústias! 2Vivo aqui só, isto é, sem relações intelectuais de qualquer ordem. Cercam-me dois ou três bacharéis idiotas e um médico mezinheiro, 10repletos de orgulho de suas cartas que sabe Deus como tiraram. (...) Entretanto, se eu amanhã lhes fosse falar neste livro - que espanto! que sarcasmo! que crítica desanimadora não fariam. Depois que se foi o doutor Graciliano, excepcionalmente simples e esquecido de sua carta apergaminhada, nada digo das minhas leituras, não falo das minhas lucubrações intelectuais a ninguém, e minha mulher, quando me demoro escrevendo pela noite afora, grita-me do quarto:

3– Vem dormir, Isaías! Deixa esse relatório para amanhã!

De forma que não tenho por onde aferir se as minhas Recordações preenchem o fim a que as destino; se a minha inabilidade literária está prejudicando completamente o seu pensamento. Que tortura! E não é só isso: envergonho-me por esta ou aquela passagem em que me acho, em que 11me dispo em frente de desconhecidos, como uma mulher pública... 12Sofro assim de tantos modos, por causa desta obra, que julgo que esse mal-estar, com que às vezes acordo, vem dela, unicamente dela. Quero abandoná-la; mas não posso absolutamente. De manhã, ao almoço, na coletoria, na botica, jantando, banhando-me, só penso nela. À noite, quando todos em casa se vão recolhendo, insensivelmente aproximo-me da mesa e escrevo furiosamente. Estou no sexto capítulo e ainda não me preocupei em fazê-la pública, anunciar e arranjar um bom recebimento dos detentores da opinião nacional. 13Que ela tenha a sorte que merecer, mas que possa também, amanhã ou daqui a séculos, despertar um escritor mais hábil que a refaça e que diga o que não pude nem soube dizer.

(...) 8Imagino como um escritor hábil não saberia dizer o que eu senti lá dentro. Eu que sofri e pensei não o sei narrar. 4Já por duas vezes, tentei escrever; mas, relendo a página, achei-a incolor, comum, e, sobretudo, pouco expressiva do que eu de fato tinha sentido.

LIMA BARRETO
Recordações do escrivão Isaías Caminha. São Paulo: Penguin Classics Companhia das Letras, 2010.


21. (Uerj 2013)  O personagem Isaías Caminha faz críticas àqueles que ele denomina “literatos”. No primeiro parágrafo, podemos entender que os chamados literatos são escritores com a característica de:
a) carecer de bons leitores   
b) negar o talento individual   
c) repetir regras consagradas   
d) apresentar erros de escrita   


Resposta:

[C]

Isaías Caminha esclarece que os “literatos” a que se refere são os escritores de capacidade intelectual reduzida e que, incapazes de adotarem um estilo individual, se limitam a repetir técnicas literárias de outros já consagrados, convencidos de que a beleza estética não pode ser atingida através de recursos inovadores (“São em geral de uma lastimável limitação de ideias, cheios de fórmulas, de receitas, só capazes de colher fatos detalhados e impotentes para generalizar, curvados aos fortes e às ideias vencedoras, e antigas, adstritos a um infantil fetichismo do estilo e guiados por conceitos obsoletos e um pueril e errôneo critério de beleza”).



  
22. (Uerj 2013)  O personagem parece julgar quase todos que o rodeiam, mas não se exime de julgar também a si mesmo. Um julgamento autocrítico de Isaías Caminha está melhor ilustrado no seguinte trecho:
a) Confesso que os leio, que os estudo, (ref. 5)   
b) Mas não é a ambição literária que me move (ref. 6)   
c) Entretanto, quantas dores, quantas angústias! (ref. 7)   
d) Imagino como um escritor hábil não saberia dizer o que eu senti (ref. 8)   


Resposta:

[D]

Na frase da opção [D], transcreve-se um julgamento autocrítico de Isaías Caminha. Ao perceber que nem um escritor mais hábil que ele conseguiria descrever expressivamente o conflito que vivia naquele momento, o personagem admite que não possui habilidades técnicas que reconhece em outros, no entanto, também insuficientes para que até eles pudessem descrever a forte carga emotiva que o abalou (“Imagino como um escritor hábil não saberia dizer o que eu senti lá dentro. Eu que sofri e pensei não o sei narrar”).



  
23. (Uerj 2013)  só capazes de colher fatos detalhados e impotentes para generalizar, (ref. 9)

Esse trecho se refere à utilização do seguinte método de argumentação:
a) indutivo   
b) dedutivo   
c) dialético   
d) silogístico   


Resposta:

[A]

Dedução é a conclusão inferida após a análise dos fatos, a dialética interpreta os processos antitéticos que tendem a se resolver numa solução-síntese, e o silogismo é o raciocínio que parte de duas proposições para delas deduzir uma terceira. Assim, o método de argumentação que parte de fatos ou dados particulares para elaborar princípios gerais ou inferir uma conclusão é o indutivo, método implicitamente referido em “só capazes de colher fatos detalhados e impotentes para generalizar”.



  
24. (Uerj 2013)  Na descrição de sua situação e de seus sentimentos, o narrador utiliza diversos recursos coesivos, dentre eles o da adição. O fragmento do texto que exemplifica o recurso da adição está em:
a) repletos de orgulho de suas cartas que sabe Deus como tiraram. (ref. 10)   
b) me dispo em frente de desconhecidos, como uma mulher pública... (ref. 11)   
c) Sofro assim de tantos modos, por causa desta obra, que julgo que esse mal-estar, com que às vezes acordo, vem dela, (ref. 12)   
d) Que ela tenha a sorte que merecer, mas que possa também, amanhã ou daqui a séculos, despertar um escritor mais hábil (ref. 13)   


Resposta:

[D]

O fragmento do texto que exemplifica o recurso da adição está em [D]. Isaías Caminha, depois de demonstrar preocupação com o relato público da sua vida atribulada e com a receptividade que a obra viesse a ter por parte do público, expressa seus maiores desejos: sensibilização das pessoas que desconhecem as dificuldades por que passam jovens como ele e inspiração para outros escritores, talvez mais hábeis que ele, para descrever as situações que narrou.



  
25. (Uerj 2013)  O texto de Lima Barreto explora o recurso da metalinguagem, ao comentar, na sua ficção, o próprio ato de compor uma ficção. Esse recurso está exemplificado principalmente em:
a) São em geral de uma lastimável limitação de ideias, (ref. 1)   
b) Vivo aqui só, isto é, sem relações intelectuais de qualquer ordem. (ref. 2)   
c) – Vem dormir, Isaías! Deixa esse relatório para amanhã! (ref. 3)   
d) Já por duas vezes, tentei escrever; mas, relendo a página, achei-a incolor, comum, (ref. 4)   


Resposta:

[D]

Na frase da opção [D] existe metalinguagem, ato de comunicação em que se usa a linguagem para falar sobre a própria linguagem.




TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 5 QUESTÕES:
Ciência e Hollywood

5Infelizmente, é verdade: explosões não fazem barulho algum no espaço. Não me lembro de um só filme que tenha retratado isso direito. 6Pode ser que existam alguns, mas se existirem não fizeram muito sucesso. 10Sempre vemos explosões gigantescas, estrondos fantásticos. Para existir ruído é necessário um meio material que transporte as perturbações que chamamos de ondas sonoras. Na ausência de atmosfera, ou água, ou outro meio, as perturbações não têm onde se propagar. 7Para um produtor de cinema, a questão não passa pela ciência. Pelo menos não como prioridade. Seu interesse é tornar o filme emocionante, e explosões têm justamente este papel; roubar o som de uma grande espaçonave explodindo torna a cena bem sem graça.

11Recentemente, o debate sobre as liberdades científicas tomadas pelo cinema tem aquecido. O sucesso do filme O dia depois de amanhã (The day after tomorrow), faturando mais de meio bilhão de dólares, e seu cenário de uma idade do gelo ocorrendo em uma semana, em vez de décadas ou, melhor ainda, centenas de anos, 9levantaram as sobrancelhas de cientistas mais rígidos que veem as distorções com desdém e esbugalharam os olhos dos espectadores (a maioria) que pouco ligam se a ciência está certa ou errada. Afinal, cinema é diversão.

15Até recentemente, defendia a posição mais rígida, que filmes devem tentar ao máximo ser fiéis à ciência que retratam. Claro, isso sempre é bom. Mas não acredito mais que seja absolutamente necessário. 1Existe uma diferença crucial entre um filme comercial e um documentário científico. 12Óbvio, 2documentários devem retratar fielmente a ciência, educando e divertindo a população, mas filmes não têm necessariamente um compromisso pedagógico. 13As pessoas não vão ao cinema para serem educadas, ao menos como via de regra.

Claro, 3filmes históricos ou mesmo aqueles fiéis à ciência têm enorme valor cultural. Outros educam as emoções através da ficção. 14Mas, se existirem exageros, eles não deverão ser criticados como tal. Fantasmas não existem, mas filmes de terror sim. Pode-se argumentar que, no caso de filmes que versam sobre temas científicos, 4as pessoas vão ao cinema esperando uma ciência crível. Isso pode ser verdade, mas elas não deveriam basear suas conclusões no que diz o filme. No mínimo, o cinema pode servir como mecanismo de alerta para questões científicas importantes: o aquecimento global, a inteligência artificial, a engenharia genética, as guerras nucleares, os riscos espaciais como cometas ou asteroides etc. 8Mas o conteúdo não deve ser levado ao pé da letra. 16A arte distorce para persuadir. E o cinema moderno, com efeitos especiais absolutamente espetaculares, distorce com enorme facilidade e poder de persuasão.

O que os cientistas podem fazer, e isso está virando moda nas universidades norte-americanas, é usar filmes nas salas de aula para educar seus alunos sobre o que é cientificamente correto e o que é absurdo. Ou seja, usar o cinema como ferramenta pedagógica. 17Os alunos certamente prestarão muita atenção, muito mais do que em uma aula convencional. Com isso, será possível educar a população para que, no futuro, um número cada vez maior de pessoas possa discernir o real do imaginário.

MARCELO GLEISER
Adaptado de www1.folha.uol.com.br.


26. (Uerj 2013)  Na construção argumentativa, uma estratégia comum é aquela em que se reconhecem dados ou fatos contrários ao ponto de vista defendido, para, em seguida, negá-los ou reduzir sua importância. O fragmento do texto que exemplifica essa estratégia é:
a) Infelizmente, é verdade: explosões não fazem barulho algum no espaço. (ref. 5)   
b) Pode ser que existam alguns, mas se existirem não fizeram muito sucesso. (ref. 6)   
c) Para um produtor de cinema, a questão não passa pela ciência. (ref. 7)   
d) Mas o conteúdo não deve ser levado ao pé da letra. (ref. 8)   


Resposta:

[B]

Marcelo Gleiser afirma, em primeiro lugar, que não existem filmes que retratem as explosões no espaço de forma verossímil, pois há sempre ruídos a acompanhar os efeitos visuais. Posteriormente, admite que possa ter havido até alguns, justificando que não lhe ficaram na memória por não terem obtido grande sucesso.



  
27. (Uerj 2013)  levantaram as sobrancelhas de cientistas mais rígidos que veem as distorções com desdém e esbugalharam os olhos dos espectadores (a maioria) que pouco ligam se a ciência está certa ou errada. (ref. 9)

O autor faz um paralelo entre as sobrancelhas levantadas dos cientistas e os olhos esbugalhados dos espectadores. Assim, os olhos esbugalhados dos espectadores representam o seguinte elemento:
a) reflexão   
b) admiração   
c) indiferença   
d) expectativa   


Resposta:

[B]

As sobrancelhas levantadas dos cientistas expressam incredulidade perante cenas impossíveis de acontecer no plano científico. Os olhos esbugalhados dos espectadores, pouco interessados nesse tipo de avaliação, revelam admiração pelos efeitos que estimulam a fantasia e produzem fortes sensações, como se transcreve em [B].



  
28. (Uerj 2013)  Mas, se existirem exageros, eles não deverão ser criticados como tal. (ref. 14)

Esta afirmação, embora pareça contraditória, sugere um elemento fundamental para a compreensão do ponto de vista do autor. O fragmento que melhor sintetiza o ponto de vista expresso pela frase citada é:
a) Até recentemente, defendia a posição mais rígida, (ref. 15)   
b) filmes históricos ou mesmo aqueles fiéis à ciência têm enorme valor cultural. (ref. 3)   
c) A arte distorce para persuadir. (ref. 16)   
d) Os alunos certamente prestarão muita atenção, (ref. 17)   


Resposta:

[C]

Marcelo Gleiser chega à conclusão de que uma das particularidades da arte é alterar as características estruturais da realidade para transportar as pessoas a um mundo imaginário, onde os exageros podem constituir recurso necessário para ativar a fantasia: “A arte distorce para persuadir”.



  
29. (Uerj 2013)  Marcelo Gleiser é um cientista que admite mudar de opinião se confrontado com novas evidências ou com novas reflexões.
De acordo com o texto, o autor antes pensava que filmes devem tentar ao máximo ser fiéis à ciência que retratam, mas atualmente tem outra opinião.
A opinião que hoje ele defende, acerca desse assunto, baseia-se na seguinte conclusão:
a) Existe uma diferença crucial entre um filme comercial e um documentário científico. (ref. 1)   
b) documentários devem retratar fielmente a ciência, educando e divertindo a população, (ref. 2)   
c) filmes históricos ou mesmo aqueles fiéis à ciência têm enorme valor cultural. (ref. 3)   
d) as pessoas vão ao cinema esperando uma ciência crível. (ref. 4)   


Resposta:

[A]

Partindo da premissa de que Marcelo Gleiser mudou de opinião relativamente à obrigatoriedade de os filmes serem fiéis à ciência que retratam, a opção [A] é a única em que está patente a sua nova postura, ao admitir que existem diferenças entre um filme comercial e um documentário científico, mudança justificada no período seguinte: “documentários devem retratar fielmente a ciência, educando e divertindo a população, mas filmes não têm necessariamente um compromisso pedagógico”.



  
30. (Uerj 2013)  A oposição entre “ciência” e “Hollywood”, expressa no título do artigo de Gleiser, corresponde a outra oposição bastante estudada no campo da literatura, que se verifica entre:
a) acontecimento e opinião   
b) historicismo e atualidade   
c) verdade e verossimilhança   
d) particularização e universalismo   


Resposta:

[C]


Se a ciência fundamenta as suas teses aos resultados obtidos através da experiência e se a indústria cinematográfica tem por fim a criação artística através do uso da fantasia, a arte literária deve atender à verossimilhança, harmonia e coerência entre os atos narrados e os elementos fantasiosos ou imaginários que sejam determinantes no texto. 

Bons estudos! Professor Arão Alves

Link para questões de outras disciplinas:

http://praticandoalinguaportuguesananet.blogspot.com.br/search/label/Uerj




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