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Oriente Médio e Palestina

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Uerj - Ciências Humanas e suas tecnologias - Questões discursivas com gabarito comentado.






1. (Uerj 2013)  China é vista como a principal economia mundial

A China já é percebida em grande parte do mundo como a principal economia mundial, embora na realidade seja a segunda, atrás dos Estados Unidos. Segundo pesquisa de opinião publicada pela imprensa chinesa, na qual foram ouvidas por telefone mais de 26 mil pessoas de 21 países, 41% disseram que a China é a maior potência econômica mundial, enquanto 40% acreditam que são os Estados Unidos. A tendência a favor dessa imagem da China é especialmente forte na Europa, onde 58% dos britânicos têm essa percepção.

Adaptado de , 14/06/2012.

Com elevadas taxas de crescimento em seu Produto Interno Bruto nos últimos anos, a China confirma sua posição de destaque nos cenários político e econômico mundiais.
Indique dois fatores que impulsionaram esse grande avanço da economia chinesa.


Resposta:

Dois dos fatores:
• mão de obra com baixo custo
• fragilidade da legislação ambiental
• disponibilidade de matérias-primas
• política de incentivo às exportações
• disponibilidade de fontes de energia
• crescimento recente do mercado interno
• abertura econômica com entrada de capital estrangeiro
• disponibilidade de infraestrutura moderna nas zonas especiais

Alguns dos fatores que podem ser considerados como determinantes para o avanço da economia chinesa são: processo de abertura econômica iniciado na década de 1980 que criou infraestrutura de transportes e energia, criação de enclaves de produção para exportação (ZEE’s), incentivos fiscais, atração de investimentos estrangeiros; oferta de mão de obra abundante e barata, e atualmente qualificada; abundância de recursos naturais e energéticos; legislação ambiental flexível; elevada poupança interna que em conjunto com a grande população absoluta cria um numeroso mercado consumidor; a política neoliberal que amplia a abertura dos mercados e a integração financeira mundial.



  
2. (Uerj 2012)  Leia.

A saída pelo porto

Aos poucos eles estão chegando. Ao fim de 15 anos serão 250 mil, mais de sete vezes o atual número de habitantes (32.747). Ou seja, a pacata São João da Barra, localizada no Norte Fluminense e que hoje não enche sequer o estádio do Engenhão, no Rio de Janeiro,terá uma população suficiente para lotar três Maracanãs em 2025. A razão para tamanho salto são as perspectivas de investimento no município a partir da construção do Porto do Açu, empreendimento da LLX, o braço logístico do grupo de Eike Batista. Em pouco mais de dez anos, a cidade deverá receber uma injeção de quase R$ 70 bilhões – R$ 3,4 bilhões do porto e outros R$ 64 bilhões de empresas que deverão se instalar no seu entorno.

Adaptado de O Globo, 15/05/2011

Apresente duas consequências positivas para a economia do Norte Fluminense e dois possíveis impactos negativos relacionados ao espaço urbano de São João da Barra, decorrentes das perspectivas de investimento abordadas no texto.


Resposta:

Entre as consequências positivas da construção do complexo portuário e industrial do Açu em São João da Barra, litoral norte do estado do Rio de Janeiro, destacam-se: geração de empregos, aumento da renda per capita, elevação da arrecadação de impostos pelo município, melhoria da infraestrutura e atração de empresas que vão aproveitar a localização portuária.
Porém, podem acontecer impactos negativos, caso o município não saiba planejar o crescimento, entre os quais:
– atração excessiva de imigrantes;
– problemas de moradia, como a favelização;
– aumento da violência urbana;
– sobrecarga dos serviços públicos de educação e saúde;
– especulação imobiliária com elevação do preço dos terrenos, imóveis e aluguéis;
– problemas ambientais.



  
3. (Uerj 2012)  Leia.

Multinacionais de alimentos agravam pobreza

Documento da ActionAid, apresentado no Fórum Social Mundial de 2011, revela que um pequeno grupo de empresas domina a maior parte do comércio mundial de itens como trigo, café, chá e bananas. Um terço de todo o alimento processado do planeta está nas mãos de apenas 30 empresas. Outras 5 controlam 75% do comércio internacional de grãos. Do total da produção e da venda de agrotóxicos, também 75% são dominados por 6 companhias, e uma única multinacional, a Monsanto, detém 91% do setor de produção e venda de sementes.

Adaptado de www.observatoriosocial.org.br

O texto faz referência ao processo de modernização da agropecuária mundial, com a formação e a expansão de complexos agroindustriais.
Defina o que são complexos agroindustriais.
Com base na reportagem, aponte duas consequências socioeconômicas negativas resultantes da situação de reduzida concorrência no setor agrícola.


Resposta:

Os complexos agroindustriais ou do agronegócio são complexas cadeias produtivas que articulam a produção agropecuária com a produção industrial e o setor terciário (comércio, serviços e finanças), a exemplo da produção de soja para exportação, intermediada por transnacionais, e vendida para diferentes indústrias (óleo, ração para animais, etc.).
Entre as consequências negativas da prevalência das transnacionais no agronegócio estão a elevação dos preços dos alimentos devido à lucratividade das empresas, o que pode fazer com que parcelas da população mais pobre não tenham acesso à alimentação. Outra consequência é o aumento da dependência do agricultor em relação às empresas produtoras de sementes, inclusive transgênicos (Monsanto), de agrotóxicos e fertilizantes. Também tem-se a exploração dos pequenos proprietários por grandes empresas, a exemplo daqueles que vendem a produção pecuária (aves e suínos) para a indústria de alimentos.



  
4. (Uerj)            Governo já tem data para tirar Angra 3 do papel: 10. de setembro

O Brasil está muito próximo de tirar do papel a retomada do programa nuclear. O governo debateu por anos se deveria ou não reiniciar as obras de Angra 3. Por fim, em junho do ano passado, o Conselho Nacional de  Política energética (CNPe) decidiu autorizar a eletronuclear a construir a terceira usina em Angra dos Reis.
Pelos planos que o governo vem anunciando recentemente, Angra 3 será apenas a primeira de uma série de novas usinas nucleares que deverão ser construídas no Brasil.
            LEONARDO GOY. Adaptado de "O Estado de São Paulo", 08/07/2008

A retomada do programa nuclear brasileiro traz à tona a polêmica que envolve essa forma de gerar energia não apenas no país, mas no mundo.
Aponte dois argumentos favoráveis e dois argumentos contrários à opção de ampliar a geração de energia elétrica em centrais termonucleares no Brasil.


Resposta:

Fatores favoráveis: autonomia geográfica na localização de unidades geradoras; aumento na oferta de energia.
Fatores desfavoráveis: Altos custos, geração de lixo atômico.



  
5. (Uerj)            Fábricas de brinquedos querem polo no Nordeste

            A forte concorrência dos chineses deve levar os maiores fabricantes nacionais de brinquedos a criar um polo de produção no Nordeste.
            A China já responde por 70% dos brinquedos vendidos no mundo e por 50% no mercado brasileiro.
            Atualmente, 80% das fábricas brasileiras de brinquedos estão no estado de São Paulo. O polo no Nordeste poderá significar a extinção de 18 mil dos 23 mil postos de trabalho existentes no mercado paulista.
            LINO RODRIGUES. Adaptado de "O Globo", 02/04/2008

Indique dois fatores explicativos para a relocalização industrial relatada na reportagem e aponte duas consequências socioeconômicas desse processo para a região Nordeste.


Resposta:

A mão de obra numerosa e custos tributários e de produção menores. Consequências: maior geração de emprego , dinamização da economia regional.



  
6. (Uerj)            O Brasil vai se tornar a Arábia Saudita verde?
           
            O Brasil é novamente o país do futuro. Depois de rodar pelo país e se encantar com o processo de produção do álcool a partir da cana-de-açúcar, Thomas Friedman, colunista do New York Times e um dos maiores especialistas em Oriente Médio, voltou para os Estados Unidos convencido de que o Brasil pode se tornar a Arábia Saudita do álcool. A comparação com o maior exportador mundial de petróleo não é delirante. O Brasil é o país mais avançado em produção de combustíveis de origem vegetal, também chamados biocombustíveis.
            ("Época", 12/02/2007)

Após vislumbrar a auto-suficiência na produção de petróleo, o Brasil desponta como possível destaque na utilização da biomassa como fonte de energia. Cite duas características do espaço físico brasileiro que favorecem a produção de biomassa no país. Cite também dois riscos, um socioeconômico e outro ambiental, caso se  confirme o prognóstico apresentado no texto.


Resposta:

Duas das características:
- grande disponibilidade de terras para o plantio, sem necessariamente diminuir a área destinada à produção de alimentos
- temperaturas que permitem mais de uma safra de um grande número de produtos
- fotoperíodos longos durante quase todo o ano, favorecendo o crescimento dos vegetais utilizados para produção de biocombustíveis
- pluviosidade adequada à produção agrícola na maior parte do país
- condições adequadas ao cultivo da cana-de-açúcar, cujo álcool é mais barato do que obtido a partir de plantas cultivadas em áreas temperadas, como o milho e a beterraba
Um dos riscos socioeconômicos:
- redução da área plantada destinada a alimentos
- aprofundamento da concentração fundiária
Um dos riscos ambientais:
- ampliação do desmatamento do cerrado e da Amazônia para realizar o plantio de espécies passíveis de gerar biocombustíveis
- possibilidade de aumentar a poluição hídrica causada por agrotóxicos em virtude da intensividade dos cultivos realizados pela agroindústria
- expansão de monoculturas, comprometendo a biodiversidade de ecossistemas regionais



  
7. (Uerj 2012)  Leia.

Sr. Presidente, Srs. Senadores, levamos a cabo a tarefa da transição.
Acredito firmemente que o autoritarismo é uma página virada na história do Brasil. Resta, contudo, um pedaço de nosso passado político que ainda atravanca o presente e retarda o avanço da sociedade. Refiro-me ao legado da Era Vargas, ao seu modelo de desenvolvimento autárquico e ao seu Estado intervencionista.
Esse modelo, que à sua época assegurou progresso e permitiu a nossa industrialização, começou a perder fôlego no fim dos anos 70. Atravessamos a década de 80 às cegas. No final da “década perdida”, os analistas políticos e econômicos mais lúcidos já convergiam na percepção de que o Brasil vivia não apenas um somatório de crises conjunturais, mas o fim de um ciclo de desenvolvimento a longo prazo.

FERNANDO HENRIQUE CARDOSO
Discurso de despedida do Senado, em 15/12/1994
Adaptado de www.planalto.gov.br

Em seus dois mandatos como presidente, Fernando Henrique Cardoso buscou apoio de diferentes forças políticas e partidárias para implementar um programa de reformas que rompesse com o que chamou de “legado da Era Vargas”. Essas reformas eram vistas pelo grupo político ao qual pertencia como fundamentais para que o país vencesse definitivamente as dificuldades enfrentadas na “década perdida”.
Explique o significado da expressão “década perdida” para a economia brasileira.
Cite, ainda, duas ações desenvolvidas durante os governos de Fernando Henrique Cardoso relacionadas a seu rompimento com a “Era Vargas”.


Resposta:

A década de 80, dos governos Figueiredo e Sarney, é valorizada pela transição política em direção à democracia, mas desprezada do ponto de vista econômico. Daí a expressão “década perdida”, pois foi caracterizada por forte recessão, com inflação crescente e retração das atividades econômicas, tendo como efeito o aumento do desemprego e forte redução no poder de compra.
Em contraposição à política considerada intervencionista do modelo varguista, o governo FHC promoveu a desestatização, com abertura da economia ao capital estrangeiro, além de uma política de flexibilização na legislação trabalhista.



  
8. (Uerj 2012)  Leia.

Nasce daqui uma questão: se vale mais ser amado que temido ou temido que amado. Responde-se que ambas as coisas seriam de desejar; mas porque é difícil juntá-las, é muito mais seguro ser temido que amado, quando haja de faltar uma das duas. Deve, todavia, o príncipe fazer-se temer de modo que, se não adquire amizade, evite ser odiado, porque pode muito bem ser ao mesmo tempo temido e não odiado; o que sempre conseguirá desde que respeite os bens dos seus concidadãos e dos seus súditos porque os homens esquecem mais depressa a morte do pai que a perda do patrimônio.
Mas quando um príncipe está com os exércitos e tem uma multidão de soldados sob o seu comando, então é de todo necessário que não se importe de passar por cruel; porque sem esta fama não se mantém um exército unido, nem disposto a qualquer feito.

O Príncipe, de Nicolau Maquiavel
Adaptado de www.arqnet.pt

Nicolau Maquiavel foi um pensador florentino que viveu na época do Renascimento. Ele é considerado um dos fundadores do pensamento político moderno e suas ideias serviram de base para a constituição do Absolutismo monárquico.
Identifique no texto duas práticas do Absolutismo monárquico.


Resposta:

A concentração de poderes está na essência da ideia do absolutismo, na medida em que o governo não faz apenas as leis, mas controla seu cumprimento. Destaca-se ainda a necessidade da força para a manutenção do poder e da ordem constituída, entendida como fundamental para a preservação da nação, impedindo que interesses particulares se sobreponham aos interesses sociais.



  
9. (Uerj 2012)  Leia.

Uma questão acadêmica, mas interessante, acerca da “descoberta” do Brasil é a seguinte: ela resultou de um acidente, de um acaso da sorte? Não, ao que tudo indica. Os defensores da casualidade são hoje uma corrente minoritária. A célebre carta de Caminha não refere a ocorrência de calmarias. Além disso, é difícil aceitar que uma frota com 13 caravelas, bússola e marinheiros experimentados se perdesse em pleno oceano Atlântico e viesse bater nas costas da Bahia por acidente.
Rejeitado o acaso como fonte de explicação no que tange aos objetivos da “descoberta”, fica de pé a seguinte pergunta: qual foi, portanto, a finalidade, a intenção da expedição de Cabral?

Adaptado de LOPEZ, Luiz Roberto. História do Brasil colonial. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1983.

Os descobrimentos marítimos dos séculos XV e XVI foram processos importantes para a construção do mundo moderno. A chegada dos portugueses ao Brasil decorre dos projetos que levaram diferentes nações europeias às grandes navegações.
Formule uma resposta à pergunta do autor, ao final do texto: qual foi a finalidade da expedição de Cabral?
Em seguida, cite dois motivos que justificam as grandes navegações marítimas nos séculos XV e XVI.


Resposta:

A viagem de Cabral ao litoral do Brasil fez parte de um projeto para reconhecer o litoral do Brasil, que pertencia a Portugal desde 1494, quando do Tratado de Tordesilhas. A posse do litoral do Brasil, somada a posse do litoral africano, garantiria ao reino lusitano o controle sobre a rota atlântica em direção ao oriente e suas especiarias.
As “grandes navegações” foram impulsionadas pela necessidade de superar a crise econômica do século XIV, determinada pela retração da produção agrícola devido às guerras e a peste negra; ao mesmo tempo contribuiu para consolidar o Estado Nacional, nova forma de organização política constituída no final do período medieval.



  
10. (Uerj)  A ALCA é parte de um projeto integral dos Estados Unidos que começa há muito tempo, na realidade, há quase dois séculos, quando, em 1823, James Monroe proclama a famosa doutrina que leva seu nome, a da América para os americanos.
            ATILIO BORON
            Adaptado de http://www.revistaforum.com.br

A política externa dos Estados Unidos sempre se constituiu em um elemento preponderante nas relações entre os povos americanos, apesar das diferentes conjunturas verificadas ao longo desses quase duzentos anos.
a) Descreva o contexto histórico em que surgiu a Doutrina Monroe e aponte seu principal objetivo.
b) Indique a proposta dos idealizadores da ALCA e a principal argumentação dos críticos dessa proposta.


Resposta:

a) A Doutrina Monroe surgiu no contexto das lutas em prol das independências das colônias americanas, marcado por tentativas de recolonização da Santa Aliança.
    Evitar a intervenção das potências europeias nos processos de independência das antigas colônias ibero-americanas.

b) Promover um aprofundamento das relações comerciais e diplomáticas entre os EUA e os demais países do continente americano, por meio do estabelecimento de uma área de livre comércio.
     Devido à superioridade econômica e tecnológica dos EUA, a formação do bloco acabaria por ampliar a dependência histórica da América Latina em relação aos EUA, contribuindo para a consolidação de sua hegemonia. 


Links para questões de outras disciplinas:


Bons estudos!!


Professor Arão Alves

domingo, 21 de abril de 2013

Uff - Questões discursivas com gabarito comentado - 2º fase da Universidade Federal Fluminense





1. (Uff) 



Visando a uma melhor compreensão da organização do espaço brasileiro, vem ganhando destaque em publicações acadêmicas e didáticas uma proposta de regionalização baseada na existência de três complexos regionais ou regiões geoeconômicas: Centro-Sul, Nordeste e Amazônia. Segundo o geógrafo Roberto Lobato Corrêa, o Centro-Sul seria o coração econômico e político do país, o Nordeste a “região das perdas” (econômica e demográfica) e a Amazônia, ainda em nossos dias, uma vasta fronteira de ocupação.

a) Aponte e comente dois fatores que justifiquem a primazia do Centro-Sul frente às demais regiões, no conjunto da vida nacional.
b) Considerando que o desenvolvimento nunca é espacialmente uniforme, áreas dinâmicas ou estagnadas podem ser encontradas no interior de cada um dos três complexos regionais. Com base nessa evidência, identifique uma área produtiva moderna, localizada na Amazônia, que apresente forte dinamismo econômico, justificando sua identificação.


Resposta:

a) O Centro-Sul concentra em sua extensão territorial, em comparação com as demais regiões:
- A área mais urbanizada do Brasil, situada principalmente em torno das duas grandes metrópoles nacionais (São Paulo e Rio de Janeiro, com suas respectivas áreas metropolitanas), da capital do país (Brasília) e de metrópoles regionais como Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba e Goiânia. Cabe registrar, ainda, a existência de diversas capitais regionais e de um grande número de cidades médias e áreas de expressiva urbanização no sul de Minas Gerais, norte do Paraná e do Rio Grande do Sul, nordeste de Santa Catarina, sul de Goiás e em todo o estado de São Paulo.
- A maior e mais diversificada concentração industrial, especialmente em São Paulo (Região Metropolitana e prolongamentos que se estendem para o oeste do estado, Sorocaba, Baixada Santista e Vale do Paraíba, chegando até à metrópole carioca); a área que tem como centro a metrópole de Belo Horizonte (denominada “Zona Metalúrgica”); o Vale do Itajaí (Santa Catarina); e a área que se estende de Porto Alegre a Caxias do Sul (Rio Grande do Sul).
- A principal área agropecuária do país, caracterizada pela grande diversidade produtiva, nível de modernização e importância em valor e volume da produção.
- A mais densa e integrada rede de circulação, ao concentrar os principais portos do país (Santos, Rio de Janeiro, Vitória, Paranaguá e Rio Grande), a rede rodoferroviária mais expressiva, os aeroportos mais importantes e o uso mais intenso de sistemas de telecomunicações.
- A maior concentração de infraestrutura e capital fixo, ao reunir a malha mais densa de vias de comunicação e a maior quantidade de cidades importantes, hidrelétricas, grandes obras públicas e outras formas espaciais que conferem elevado valor ao território.
- Os principais centros de gestão econômica do país (São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília), onde estão situadas as sedes das grandes corporações (sediadas em cidades menores quando pertencentes ao ramo da agroindústria), empresas estatais e o próprio aparelho de Estado.
- A maior concentração de renda, que reflete a magnitude dos negócios associados aos itens acima e implica, por sua vez, desenvolvimento maior do consumo e das atividades terciárias.

b) Podem ser apontadas as seguintes áreas:
- Complexo minero-metalúrgico do Maranhão, associado ao Programa Grande Carajás
- Áreas modernas de cultivo de grãos em área de cerrado e cerradão na Amazônia Legal
- Zona Franca de Manaus (Justificativa, baseada em breves informações sobre a área).



  
2. (Uff)  No gráfico, está indicada a razão de dependência total para a população brasileira, no período de 1980 a 2050. Essa razão de dependência é a medida demográfica que expressa, em termos percentuais, o peso da população em idade potencialmente inativa sobre a população em idade potencialmente ativa.




Considerando que os anos de 2000 e 2050 apresentam situações percentualmente similares, embora demograficamente distintas,

a) diferencie os dois momentos mencionados quanto a seus aspectos demográficos básicos;
b) aponte duas causas para essa diferenciação.


Resposta:

a) Muito embora as colunas dos anos 2000 e 2050 sejam bastante parecidas quanto ao percentual referem-se a dois momentos bastante diferenciados do ponto de vista demográfico. Nos anos 2000 a população potencialmente inativa é, em grande parcela, formada por crianças e jovens menores de 18 anos. O gráfico apresentado mostra a tendência de queda observada no período anterior (1980) do peso da população inativa em relação à população economicamente ativa. Em 2050 a população inativa deve passar a ser composta por pessoas com mais de 65 anos de idade, em sua maioria. Essa tendência pode ser verificada através do gráfico já a partir de 2030, com a tendência de alta do peso da população economicamente inativa sobre a ativa.

b) Podemos apontar como causas:
- a redução contínua e expressiva da taxa de fecundidade, ou seja, do número de filhos por mulher. Esta redução, por sua vez, é causada pela difusão de um novo modelo familiar de tamanho cada vez mais reduzido em virtude do crescente aumento da população urbana e da maior inserção da mulher no mercado de trabalho;
- o aumento da expectativa de vida que favorece a participação cada vez maior dos idosos no total da população brasileira, com o consequente aumento dessa população no total da população economicamente inativa do país.



  
3. (Uff)  A placa da foto abaixo faz um alerta aos motoristas que trafegam pela via expressa Linha Amarela no Rio de Janeiro. Nela está escrito: “Atenção/Acesso exclusivo/Comunidade Águia de Ouro”.



“A criminalidade e o sentimento de medo e insegurança associados a seu aumento irão gerar impactos socioespaciais negativos importantes, os quais servirão de obstáculos para o enfrentamento de vários fatores de injustiça social e má qualidade de vida entre os próprios pobres(...)”.

(Souza, Marcelo Lopes de - Fobópole, p.41, 2008).

Na foto acima, indica-se um dos impactos negativos sugeridos no texto: a segregação socioespacial. Apresente e comente uma consequência desse impacto.


Resposta:

A foto acima sugere um processo de segregação socioespacial. Esse processo se caracteriza pela restrição velada ou explícita à circulação da população pelo tecido urbano, pela criação de obstáculos à vivência por parte dos cidadãos de todas as parcelas da cidade, pela redução cada vez maior no número de espaços públicos, pelo enclausuramento das camadas mais ricas da população bem como a expulsão da população mais pobre para as áreas periféricas ou menos guarnecidas por serviços básicos no espaço urbano.



  
4. (Uff) 


No mapa, em termos comparativos, registra-se o comércio entre sete grandes regiões do mundo e no interior de cada uma delas.

a) Apresente duas razões que expliquem a grande magnitude do comércio interno na Europa.
b) Cite duas razões que expliquem a desproporção entre o comércio interno da América do Sul-Central e o comércio mantido por essa região com outras partes do mundo.


Resposta:

a) Podem ser citados os seguintes fatores:
- Amplo mercado consumidor interno com elevado nível de renda per capita em grande parte do continente resultante do processo de integração econômica precoce ocorrido desde 1957, com o Tratado de Roma e a criação do Mercado Comum Europeu, e que foi continuamente ampliada e aprofundada até a consolidação da União Econômica e Monetária na década de 1990 que se estendeu nesse início do século XXI para vários países do Leste Europeu que integraram o bloco socialista sob liderança da antiga União Soviética;
- economias diversificadas e complementares com presença de países industrializados, países com forte peso do setor primário e também terciário (turismo) que favorecem a maior circulação comercial na região;
- proximidade geográfica entre os países e presença de ampla rede de transportes multimodais que facilita o fluxo de pessoas, mercadorias e capitais.

b) Podem ser citados os seguintes fatores:
- Economias agroexportadoras ou minero-exportadoras com baixos níveis de industrialização e grande dependência de capitais e tecnologias externos, com algumas exceções setoriais no caso do Brasil e México, que dificultam um maior intercâmbio comercial entre os países;
- Problemas Políticos regionais e históricos que dificultam a implantação de projetos regionais para formação de blocos econômicos ou de desenvolvimento e cooperação econômica conjuntos;
- Problemas econômicos recentes entre os dois maiores integrantes do MERCOSUL, Brasil e Argentina, relacionados a algumas medidas protecionistas por eles adotadas; além de instabilidade política recente na Argentina;
- Fracasso da criação da Área de Livre Comércio das Américas, proposta pelos EUA, em razão dos diferentes níveis de desenvolvimento econômico e social entre os países do continente e preocupações desses com as dificuldades de competitividade de suas empresas e setores econômicos com os concorrentes norte-americanos.



  
5. (Uff)  Leia atentamente os textos a seguir:

Texto no1

Revitalização de região portuária do Rio de Janeiro custará R$ 374 milhões

A Prefeitura do Rio de Janeiro lançou no dia 23 de junho o projeto Porto Maravilha, que vai aplicar R$ 374 milhões na revitalização da área portuária da cidade. A cargo da Companhia das Docas do Rio de Janeiro, as obras serão divididas em três frentes principais: infraestrutura, habitação e cultura e entretenimento.
Nos projetos de infraestrutura, estão previstas a revitalização completa da Praça Mauá e do Píer Mauá; a construção de benfeitorias em áreas anexas; a demolição da alça de subida do viaduto da Perimetral; a reurbanização do Morro da Conceição; a construção de uma garagem subterrânea na Praça Mauá, com capacidade para até mil veículos.
Já na frente habitação, a Prefeitura do Rio de Janeiro lançou o programa Novas Alternativas para a criação de 499 novas residências na Região Portuária, financiadas pela Caixa Econômica Federal. As unidades serão disponibilizadas, a partir da revitalização de 24 imóveis degradados na região.
Por fim, o projeto Porto Maravilha também prevê investimentos em cultura e entretenimento com a implantação da Pinacoteca do Rio no edifício D. João VI e do Museu do Amanhã nos armazéns 5 e 6 do cais do Porto. As duas obras serão construídas em parceria com a Fundação Roberto Marinho.

ROCHA, Ana Paula. PINIweb, 23/07/2009. Adaptação.
[http://www.piniweb.com.br/construcao/urbanismo/revitalizacao-de-regiao-portuaria-do-rio-de-janeiro-custara-r-142365-1.asp]

Texto no 2

SAÚDE, GAMBOA E SANTO CRISTO

Escrevendo sobre os bairros da Saúde, Gamboa e Santo Cristo (anexos ao porto do Rio de Janeiro), a arquiteta Nina Maria Rhaba destaca a preservação de seu papel periférico em relação à área central da cidade, por abrigar estabelecimentos como depósitos e armazéns, além de população de baixa renda, originalmente ligada ao trabalho no porto. Diz a autora: “Uma das funções mais resistentes desses bairros é a residencial, mantida desde a origem até hoje. A antiga área de pobres tem ainda esse significado, mas são muitos os proprietários de seu chão. E neles um ponto de contato: o amor pelo lugar e o tempo de permanência na casa ou nos bairros. Trata-se de um lugar de pobres, sim, mas que não é centro, zona norte, sul ou subúrbio. É a ‘cidade do interior’, encravada e próxima a tudo que uma metrópole pode oferecer. E é essa localização que, aliada à permanência dos moradores e seu consequente envolvimento comunitário, atribui poder e resistência à função residencial”.

RHABA, N. M., “Cristalização e resistência no centro do Rio de Janeiro”, Revista Rio de Janeiro vol. I no. 1, set./dez. 1985,p. 35-43.

Os dois textos mostram que formas diferentes de ocupação do solo urbano podem coincidir numa mesma área da cidade. Com base nos mesmos:

a) aponte dois agentes responsáveis pela revitalização da área portuária do Rio de Janeiro;
b) identifique e comente uma possível consequência social da revitalização da área portuária do Rio de Janeiro.


Resposta:

a) O poder público é o principal ator envolvido, representado por entidades como a Prefeitura da cidade, como elemento gerenciador, a Companhia Docas do Rio de Janeiro que ficará encarregada das obras e vinculada à Secretaria Especial de Portos, Governo Federal, portanto, e a Caixa Econômica Federal com recursos financeiros. Vale destacar a presença do setor privado através da Fundação Roberto Marinho atuando na área cultural e de entretenimento. A tendência é adotar práticas de urbanismo contemporâneo transformando áreas degradadas em espaços de lazer cultura e consumo.

b) A leitura do segundo texto mostra como provável consequência do processo de revitalização a expulsão da população pobre da área. Mesmo o programa habitacional deve atingir uma população de poder aquisitivo em lugar da população mais pobre. Sem contar com o sentido ideológico de ocupar uma antiga área degradada deslocada pela modernidade como instrumento de sua legitimação.



  
6. (Uff)  No período de 1946 a 1964, assistimos ao pleno desenvolvimento do pacto populista, que não pode ser identificado apenas como manipulação das massas trabalhadoras. O funcionamento do regime nesse período pressupõe elementos de continuidade do período estado novista e a criação de novos mecanismos de dominação.
a) Identifique dois elementos de continuidade do período de 1946-1964 em relação ao período de Estado Novo, 1937-1945.
b) Indique os três maiores partidos políticos da República brasileira de 1946 até o Golpe civil-militar de 1964, e analise uma característica de cada um dos três partidos.


Resposta:

a) O candidato poderá citar:
- A importância do papel do líder (Presidente da República) no tipo de presidencialismo da Constituição de 1946;
- O protagonismo do Poder Executivo em comparação a outras instâncias políticas;
- O intervencionismo econômico do Estado Brasileiro no projeto de desenvolvimento;
- A política de industrialização através da substituição de importações;
- A manutenção da estrutura agrária concentracionista;
- O controle das massas trabalhadoras via sindicalismo atrelado ao Estado.
b) O candidato deverá destacar que a formação de partidos políticos nacionais após 1946 se constituiu num elemento novo na política brasileira. Deverá também analisar as características dos grandes partidos criados: o PSD, a partir da máquina getulista e das lideranças regionais tradicionais, tendo como principal força os municípios interioranos e as áreas mais conservadoras; o PTB, formado com base na estrutura sindical forjada na era varguista, herdeiro de um projeto nacionalista e a UDN, constituída pela reunião de políticos antigetulistas, com forte cunho anticomunista, contrário à intervenção do Estado na economia e favorável à associação com o capital internacional.



  
7. (Uff)  A formação das nações americanas do Hemisfério Norte e do Hemisfério Sul se processou a partir de relações históricas distintas e, desse modo, desenhou sociedades cujos valores culturais e sociais assumiram perspectivas políticas variadas e diversas. Entretanto, é possível estabelecer entre elas alguns pontos comuns com relação ao seu processo histórico e às ideias matrizes vindas da Europa.

Levando em conta, a afirmação acima,
a) indique o movimento de ideias que foi comum às duas regiões, tanto ao Norte quanto ao Sul, no que diz respeito aos processos de independência, e explique uma diferença nos seus processos de formação de estados nacionais, tomando como referência a expansão europeia dos séculos XVI e XVII;
b) explique o significado de “destino manifesto”, presente na formação dos Estados Unidos da América a partir de 1776.


Resposta:

a) Os candidatos devem responder Iluminismo ou Luzes ou Ilustração e a seguir explicar as diferenças entre os dois processos de colonização, podendo referir-se às metrópoles às quais os espaços colônias se referem, mostrando as diferenças entre elas e ou as diferenças no processo de ocupação, podendo levar em conta as relações sociais de produção, as formas de organização da propriedade, as regiões onde esses processos se verificaram, a expansão nos territórios coloniais ou, ainda, o desenvolvimento das ideias que levaram aos processos de independência.
Normalmente, consideramos que, no Hemisfério Norte, se desenvolveram colônias de povoamento, com refugiados religiosos, que organizaram a pequena propriedade de produção diversificada e desenvolveram um comércio local, apoiados no trabalho livre. Ao mesmo tempo, no Hemisfério Sul, se desenvolveram colônias de exploração, baseadas no latifúndio monocultor, voltado para a exportação, com trabalho escravo.
b) Os candidatos devem explicar que o destino manifesto foi a doutrina que inspirou o processo expansionista norte-americano realizado através de guerras e de compras de território. O destino manifesto significava que o povo americano era inspirado por Deus para realizar a obra civilizatória na América, ideia esta, de base calvinista que, ao longo do tempo deixou de ser vista do ponto de vista pessoal e passou a ser encarada do ponto de vista coletivo – “o povo americano tem seu destino traçado por Deus” -. Isso justificava a expansão.
Após a independência houve um crescente desenvolvimento econômico do qual resultou um intenso crescimento populacional. A combinação desses dois elementos propiciou o alargamento do território originalmente ocupado, levando a “marcha” que ampliou as fronteiras em várias direções. Os candidatos podem mencionar o exemplo da política de compras aos franceses, a partir do início do século XIX, e aos espanhóis, gerando a incorporação dos territórios da Louisiana e da Flórida. Ou, após a primeira metade do século XIX, o exemplo da anexação do Alasca dominado pelos russos ou, ainda, dar o exemplo da conquista do Oregon aos ingleses, ou do Texas conquistado aos mexicanos.



  
8. (Uff)  “Os libertários – anarquistas e anarcossindicalistas – concentram sua atuação na vida educativa, feita através da propaganda escrita e oral – jornais, livros, folhetos, revistas, conferências, comícios, além de festas, piqueniques, peças teatrais –, no sentido de disseminar o ideal libertário de emancipação social (...)”

SFERRA, Giuseppina. Anarquismo e Anarcossindicalismo. São Paulo: Ática, 1987, p. 21.

Tomando como referência o fragmento de texto acima:
a) indique duas ideias ligadas ao movimento anarquista na Europa do século XIX;
b) analise a concepção de Estado defendida pelos anarquistas.


Resposta:

a) Várias ideias podem ser associadas aos anarquistas na Europa do século XIX dentre elas a de que a educação deve ser um agente revolucionário e ter como objetivo destruir tudo que oprime e explora o ser humano. Outra ideia central do movimento anarquista é a da primazia do indivíduo sobre a sociedade, da qual decorre a noção de que o indivíduo é único e que possui, por sua natureza, direitos que não podem ser discutidos por nenhuma forma de organização social. O movimento também se posiciona contra o sistema de representação característico das democracias liberais, afirmando a ação direta do indivíduo na sociedade. As ideias anarquistas também contemplam a crítica a todas as formas de preconceitos morais e ideológicos, com isso pretendiam fazer do indivíduo um ser sem condicionamentos mentais, garantindo a sua total liberdade.
Desse modo, podemos sintetizar assim essas ideias: defesa de uma sociedade baseada na liberdade dos indivíduos, solidariedade, coexistência harmoniosa, propriedade coletiva, autodisciplina, responsabilidade (individual e coletiva) e forma de governo baseada na autogestão.
b) Os anarquistas defendem que em lugar de se apoderarem do Estado, os trabalhadores devem lutar pela sua abolição radical e imediata. Da mesma forma, acreditam que deve ser abolido todo o tipo de autoridade política opressora da liberdade humana. Preconizam a autogestão. E também concordam com a organização dos indivíduos.
Essa organização deve levar em conta a ação consciente e voluntária de seus membros, promovendo a total igualdade de modo a limitar as formas tradicionais de domínio político. Os anarquistas defendem desde o século XIX a criação de sociedades mutualistas, cooperativas, associações de trabalhadores (sindicatos e confederações), escolas, colônias e experiências de autogestão.

INDICAÇÕES BIBLIOGRÁFICAS:
Sferra, Giuseppina. Anarquismo e Anarcossindicalismo. São Paulo, Ática, 1987.
Addor, Carlos. A insurreição anarquista no Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, Dois Pontos, 1986.

Anarquismo é uma filosofia política surgida no século XIX que engloba teorias, métodos e ações que objetivam a eliminação total de todas as formas de governo compulsório. De um modo geral, anarquistas são contra qualquer tipo de ordem hierárquica que não seja livremente aceita e, assim, preconizam os tipos de organizações libertárias.
A consolidação dos seus ideais se baseia numa série de debates em torno da forma mais adequada para se alcançar e se manter uma sociedade anárquica. Eles perpassam a necessidade ou não da existência de uma moral anarquista, de uma plataforma organizacional, questões referentes ao determinismo da natureza humana, modelos educacionais e implicações técnicas, científicas, sociais e políticas da sociedade pós-revolução.  



  
9. (Uff)  O advento da Modernidade trouxe uma nova visão sobre povos e culturas. O encontro com o Novo Mundo americano e o reencontro com as culturas orientais refizeram teorias e produziram preconceitos. Esses preconceitos adquiriram ao longo dos séculos seguintes ao século XVI sentidos políticos e sociais capazes de torná-los parte das políticas de Estado dos países europeus.
Com base nessa afirmação:
a) explique o significado de europocentrismo no período dos séculos XVI e XVII;
b) analise a opção dos europeus pela escravidão dos negros africanos no contexto do mercantilismo.


Resposta:

a) Com o processo de expansão da Europa, o mundo conhecido passou a ser referido segundo as alterações culturais, econômicas, políticas e sociais resultantes do renascimento que produziu várias expressões que até hoje indicam essa referência europeia, como os termos Ocidente e Oriente, marcando definitivamente a ideia de uma civilização ocidental. A consolidação dessa visão veio com as formas de dominação produzidas pelos europeus sobre a América, a África e a Ásia, principalmente pela expressão econômica dessa dominação.
Também no âmbito da arte é possível observar o predomínio das formas europeias na arquitetura. No caso do Brasil, a expressão europeia recebeu a especificidade ibérica que se caracterizou pelo transplante de instituições.

b) A opção pelo negro africano no processo de desenvolvimento da escravidão no âmbito do mercantilismo refere-se à ideia de que o negro africano constituía-se num acréscimo de mais um produto ou mercadoria ao leque de oferta dos mercantilistas. Desse modo, era muito mais rentável para o sistema mercantilista oferecer o negro como mão de obra não só no movimento maior das trocas, mas também no aumento da produção que alimentava o próprio sistema mercantil, ampliando a sua velocidade de circulação. Além disso, já na Europa, principalmente no mundo ibérico, havia experiências no uso do negro africano como mão de obra.

Bibliografia:
Rodrigues, Antonio E.M. e Falcon, Francisco. A formação do mundo moderno. RJ: Campus, 2006.

A resposta proposta na prova, por si só já explica a conceituação de europocentrismo e a relação do tráfico negreiro com o mercantilismo.



  
10. (Uff)  A vinda da Família Real para o Brasil decorreu das tensões que se manifestaram na Europa, por conta da oposição entre interesses ingleses e a política de expansão da França praticada por Napoleão Bonaparte.

A partir dessa contextualização:
a) indique dois dos tratados que se referem, no período, às relações entre Inglaterra e Portugal;
b) explique a contradição existente no fato da vinda da Família Real para o Brasil ter, ao mesmo tempo, fomentado um surto manufatureiro e criado condições para seu próprio declínio.


Resposta:

a) Tratados de Aliança e Amizade e de Comércio e Navegação.

b) Apontar que o processo de desenvolvimento manufatureiro da Colônia Brasil, apesar de tímido, chegou a contar, a partir de 1808, com alguma expressão em setores como a construção naval e a produção de cordames, velas e tecidos em geral. Esse desenvolvimento tornou-se viável a partir de Carta Régia de D. João, revogando o Alvará de 1785, que proibia as manufaturas no Brasil, em função das novas e crescentes necessidades decorrentes da instalação da Corte no Rio de Janeiro, que teve sua população consideravelmente aumentada. No entanto, ao mesmo tempo, a Coroa portuguesa havia contraído compromissos políticos com a Inglaterra, que apoiou a vinda da família real para o Brasil. Em função desse apoio, o príncipe regente viu-se na contingência de aceitar os tratados de Aliança e Amizade e de Comércio e Navegação firmados com a Inglaterra, que responderiam pelo caráter efêmero do desenvolvimento manufatureiro do Brasil. Isto porque, pelo primeiro, abriam-se os portos brasileiros às "nações em paz e harmonia", pondo fim ao tradicional mecanismo de exploração da Coroa sobre a Colônia - o exclusivo colonial -, abrindo a possibilidade do comércio direto entre os negociantes brasileiros e os de outras nacionalidades. Além disso, o desenvolvimento das manufaturas também decairia, uma vez que os tratados de Comércio e Navegação de 1810 garantiam para os produtos ingleses - manufaturados, sobretudo - "ad valorem" de 15%, que eram mais baixas do que aquelas cobradas sobre os artigos importados de outros países (24%), inclusive de Portugal (16%), garantindo-se o privilégio mercantil às mercadorias inglesas. Ademais, os manufaturados ingleses eram de melhor qualidade e mais baratos do que aqueles aqui fabricados, haja vista ter sido a Inglaterra a pioneira da Revolução Industrial. Não bastassem esses fatores, as técnicas empregadas nas manufaturas brasileiras eram rudimentares e, por isso mesmo, sem condições de competir com os produtos ingleses.



  
11. (Uff)  Ligado à União Nacional dos Estudantes, o Centro Popular de Cultura produziu, em 1961, um clássico do teatro brasileiro: "Eles não usam black-tie", escrito e dirigido por Gianfrancesco Guarnieri, recentemente falecido. A peça era uma aguda e sensível análise sobre a vida do operariado brasileiro e era um exemplo de um teatro engajado, preocupado em fazer uma reflexão sobre as dificuldades e mazelas do povo brasileiro.

Com base nessa afirmativa:
a) exemplifique a atuação da UNE na defesa da democracia no Brasil, no período imediatamente posterior ao Golpe de 1964;
b) discuta a relação entre nacionalismo e cultura popular presente nos princípios e nas ações desenvolvidas pelo Centro Popular de Cultura.


Resposta:

a) Destacar o papel da UNE na organização da Passeata dos Cem Mil, contra o regime militar, ocorrida em 21 de junho de 1968. Poderá ainda ressaltar a impotância da UNE na defesa pela restauração da democracia.

b) Nos anos 1960, o Centro Popular de Cultura compartilhava a crença numa ideologia nacionalista. Atores, dramaturgos, diretores, produtores ligados ao Centro Popular de Cultura procuraram politizar e popularizar o teatro brasileiro. A conscientização das classes populares, através da linguagem teatral, era um dos objetivos buscados por dramaturgos como Oduvaldo Vianna Filho e Gianfrancesco Guarnieri. Por conta disso, havia a expectativa de que era possível recuperar as tradições e lutas dos trabalhadores brasileiros, configurando-as como uma identidade nacional, a ser resgatada, preservada e divulgada. Destacar que a "cultura popular", vista como uma das alternativas para a transformação da realidade brasileira, era pensada a partir da arregimentação dos intelectuais e da conscientização dos populares. Em outras palavras, os artistas e intelectuais do Centro Popular de Cultura acreditavam que a cultura popular seria capaz de promover intensas transformações na estrutura econômica e nas relações de poder no país. Por esta razão, o CPC era visto como promotor desta mesma cultura, pensada como nacional.



  
12. (Uff)  A Revolução Francesa de 1789 foi pródiga em gerar ideias e projetos de reforma social dos mais diversos e radicais. Um deles, por sua projeção futura, merece ser destacado: a Conspiração dos Iguais, cuja crítica à propriedade estava respaldada na crença de que ela era "odiosa em seus princípios e mortífera nos seus efeitos". No entanto, a Conspiração dos Iguais não conseguiu concretizar seu projeto de defesa da abolição da propriedade privada.

Com base nesta afirmativa:
a) mencione o principal líder da Conspiração dos Iguais;
b) discuta a principal reforma napoleônica  em relação à propriedade e suas repercussões na Europa.


Resposta:

a) Graco Babeuf.

b) Fazer menção às principais reformas napoleônicas, destacando o Código Civil de 1804 que garantiu a liberdade individual, a igualdade perante a lei e o direito à propriedade privada. O código civil napoleônico exerceu marcante influência na institucionalização do direito privado nos países europeus, principalmente os que foram palco da expansão napoleônica. O aluno poderá também destacar que o código Napoleônico é a pedra angular do direito liberal, pois foi fonte das diretrizes legais dos países capitalistas. Ele poderá ainda afirmar que o código civil consagrou os interesses burgueses, sendo a expressão jurídica da chamada revolução burguesa.



  
13. (Uff)  "Nós, Povo da África do Sul, declaramos, para que todos, no nosso país, e no mundo, saibam: Que a África do Sul pertence a todos os que nela vivem, negros e brancos, e que nenhum governo é legítimo se não se basear na vontade do povo. Que o nosso povo foi espoliado do seu direito à terra em que nasceu, da liberdade e da paz por um governo baseado na injustiça e na desigualdade"
            A Carta da Liberdade - Programa do Povo Sul - Africano. Apud. Pereira, Francisco José. "Apartheid: o Horror Branco na África do Sul". São Paulo, Brasiliense. "Coleção Tudo é História", 1985, p. 67.

Aprovada em 25 de junho de 1955, a Carta da Liberdade tornou-se o programa de luta dos sul-africanos contra o "apartheid". Com base nessa afirmativa:
a) exemplifique a política social do regime de "apartheid", em relação aos negros;
b) mencione o mais importante líder da luta contra o "apartheid" e ex-presidente da África do Sul.


Resposta:

a) O regime de "apartheid" foi um sistema que pregou o desenvolvimento, em separado, de cada grupo racial existente na África, privando a população não branca de direitos políticos e civis, constituindo-se, portanto, um racismo consagrado em lei.
O "apartheid" despejou milhares de negros de suas terras, entregando-as aos brancos, o que significou que 87% das terras sul africanas passaram a pertencer aos brancos.O regime impediu ainda que os negros comprassem terras e que se tornassem agricultores auto-suficientes. Apenas um pequeno número de negros podia viver nas cidades, desde que aceitasse realizar serviços essenciais para os brancos. Também era proibido o casamento entre negros e brancos. As Leis do Passe, garantiam o controle sobre a movimentação dos africanos.
O regime consagrou a catalogação racial da criança. Com base nessa catalogação, o negro só podia morar em determinadas áreas. O "apartheid" aprovou uma série de leis que classificou e separou os negros em diversos grupos étnicos e linguísticos, gerando os bantustões - territórios tribais independentes, onde os negros foram confinados.

b) Nelson Mandela.



  
14. (Uff)  A Filosofia Medieval buscou a síntese entre a razão grega (a filosofia) e a religião cristã (a fé). Por isto, seu tema central foi a relação entre razão e . De acordo com Étienne Gilson, historiador da Filosofia Medieval, “Uma dupla condição domina o desenvolvimento da filosofia tomista: a distinção entre razão e , e a necessidade de sua concordância. Todo o domínio da filosofia pertence exclusivamente à razão; isso significa que a filosofia deve admitir apenas o que é acessível à luz natural e demonstrável apenas por seus recursos. A teologia baseia-se, ao contrário, na revelação, isto é, afinal de contas, na autoridade de Deus. Os artigos de fé são conhecimentos de origem sobrenatural, contidos em fórmulas cujo sentido não nos é inteiramente penetrável, mas que devemos aceitar como tais, muito embora não possamos compreendê-las. Portanto, um filósofo sempre argumenta procurando na razão os princípios de sua argumentação; um teólogo sempre argumenta buscando seus princípios primeiro na revelação”.

A partir da perspectiva apresentada discorra sobre a Filosofia Medieval.


Resposta:

A Filosofia Medieval esteve intimamente relacionada com o pensamento cristão. Como afirmado no enunciado da questão, a relação existente entre filosofia e religião gerou o problema de como lidar com a oposição entre fé e razão. Ainda que a razão estivesse subordinada à fé, esta era pensada por meio de argumentos filosóficos. Os principais problemas pensados pelos filósofos medievais foram a diferença entre infinito e finito, razão e fé, corpo e alma, poder temporal e espiritual, além do problema dos universais.



  
15. (Uff)  Descartes tinha plena consciência de seu papel inovador na filosofia e na ciência. No Discurso sobre o método ele diz: “Percebi que era necessário, no curso de minha vida, destruir tudo integralmente e começar de novo, dos fundamentos, se era meu desejo estabelecer nas ciências qualquer coisa de permanente e com chances de durar”. Ele considerava que o coroamento da reconstrução da filosofia seria o mais perfeito e definitivo sistema moral. Mas, até que alcançasse o conhecimento completo de todas as ciências, era preciso contentar-se com o que ele denominou de “moral provisória”, que lhe permitisse ao menos se guiar em suas ações da vida cotidiana. A terceira regra dessa “moral provisória” é:

“procurar sempre antes vencer a mim próprio do que à fortuna [ou destino], e de antes modificar os meus desejos do que a ordem do mundo; e, em geral, a de acostumar-me a crer que nada há que esteja inteiramente em nosso poder, exceto os nossos pensamentos, de sorte que, depois de termos feito o melhor possível no tocante às coisas que nos são exteriores, tudo em que deixamos de nos sair bem é, em relação a nós, absolutamente impossível. E só isso me parecia suficiente para impedir-me, no futuro, de desejar algo que eu não pudesse adquirir, e, assim, para me tornar contente”.

Comente esta concepção e discorra sobre seu significado no mundo contemporâneo.


Resposta:

Tal moral provisória defendida por Descartes se relaciona com a atividade filosófica. A moral provisória funciona como guia das ações no período em que o homem ainda não desenvolveu as verdades indubitáveis por meio da evidência racional. Isso funciona para não deixar o homem preso em uma irresolução excessiva. Sob influência da moral estoica, a terceira regra da moral provisória busca regular os desejos humanos para que a imprevisibilidade da fortuna (ou destino) não produza um contínuo descontentamento no homem. Essa ética da razão, transposta para o mundo contemporâneo, pode servir como guia para diversas ações. Isso se manifesta, por exemplo, na ideia da sustentabilidade. Agir de forma sustentável significa que se busca defender o meio ambiente a partir das possibilidades que existem, ainda que isso não signifique que o ambiente estará totalmente protegido. 

Links para questões de outras disciplinas: http://praticandoalinguaportuguesananet.blogspot.com.br/

Bons estudos!!
Professor Arão Alves

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