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Oriente Médio e Palestina

sábado, 9 de abril de 2011

Guerra da Finlândia


A Batalha de Suomussalmi

A meio caminho entre o mar Ártico e o Istmo da Carélia existe uma área esparsamente populada na fronteira oriental da Finlândia onde foram travadas algumas das mais famosas batalhas da Guerra de Inverno. Ali, na vizinhança das pequeninas aldeias de Suomussalmi e Kuhmo, três divisões russas foram inteiramente dizimadas pela reduzida força finlandesa.

Acreditando que os russos não fariam esforços importantes nesse ermo virtualmente destituído de estradas, o Alto Comando finlandês deixara as defesas, ali, a cargo de um punhado de homens das reservas, guardas de fronteira e unidades da Guarda Cívica. Mas ao se constatar que o inimigo não só estava invadindo as áreas como empregava nesse empreendimento duas divisões e o complemento normal de tanques, e que tinha uma divisão de reserva aguardando chamada nas alas, reforços foram mandados às pressas para a linha de frente. Ali, atrás da fronteira em Ladoga, os russos se haviam empenhado na construção de estradas que conduziam até a fronteira e era também por ali que tentavam invadir a Finlândia.

O povo da área estava formalmente convencido de que, devido ao isolamento em que se encontrava, nada tinha temer por parte da Rússia; assim, embora já soubesse há algum tempo da concentração de tropas russas no outro lado da fronteira continuou trabalhando e mantendo a rotina de sempre, inclusive mandando seus filhos para a escola, até o dia da invasão. A população só começou a evacuar a região a 30 de novembro, quando os russos já estavam sobre ela. Essa situação foi causa de muitos sofrimentos e prejuízos de ordem econômica para a população civil; em alguns casos, as crianças tiveram de fugir da escola à chegada dos russos à sua porta.

Na vizinhança de Kuhmo, grupos da 54ª Divisão russa estavam avançando ao longo das duas estradas que levam à aldeia. Somente um batalhão encarregado da defesa estava em seu caminho, mas apesar do reduzido numero de efetivos e seus limitados recursos, os finlandeses começaram a desfechar ataques de flanco a 1° de dezembro. Sem condições para deter a marcha do inimigo, foram obrigados, além disso, a recuar para posições na retaguarda, para logo em seguida continuar retrocedendo no dia 5. Nesse estágio, tornou-se evidente que a situação era por demais crítica e que as forças tinham necessidade premente de reforços, de modo que o 25° Batalhão da 9ª Divisão de Oulu foi despachado para o setor, em seu auxílio. Essas novas tropas estavam equipadas apenas com fuzis, metralhadoras, tendas e seus onipresentes esquis; não levavam canhões de campanha ou armas antitanques, pois não havia nada disso em disponibilidade. Mal chegaram os reforços, foram logo lançados em combate, antes que os russos tivessem tempo de receber tropas adicionais ou até mesmo de fortalecer suas posições.

O tempo urgia e os finlandeses renovaram seus ataques aos flancos russos, não lhes dando a oportunidade de completar todos os preparativos para a luta ou de se familiarizar com a  situação. A 8 de dezembro, um ataque do norte e do sul da estrada de Kuhmo conseguiu dividir a coluna inimiga em várias partes. Durante algum tempo, os finlandeses puderam manter um perfeito controle sobre estes grupos, mas gradativamente o cansaço, as baixas, as dificuldades para conseguir apoio e a  falta de telefones de campanha que tornava quase impossível coordenar as operações, obrigaram-nos a desistir de seus esforços e deixar aos russos a posse da estrada. Outro fator negativo era o tempo, que ficara extremamente frio, com temperaturas caindo até -22°F. Mas pelo menos essas operações lograram deter o avanço russo e a frente foi restabelecida por volta do dia 20. Para os russos foi um período bastante difícil e provavelmente uma situação por demais embaraçosa: eles não podiam avançar, mas também não se atreviam a recuar. Ao mesmo tempo, não tinham possibilidade para atacar abertamente os adversários, que se movimentavam como fantasmas nos esquis pela florestas cobertas de neve e parecendo estar à vontade, atacando onde e quando queriam. Aparentemente, essas táticas explicavam em parte a passividade dos russos e seu fracasso em organizar quaisquer ataques cerrados contra as posições inimigas. Em vez disso, eles se entrincheiravam ao longo da estrada e ali ficaram expostos ao frio intenso, numa longa espera pelo resto da 54ª Divisão, até que esta chegasse para salvá-los das suas dificuldades. Pelo final de janeiro, eles enfrentaram uma ameaça ainda maior com a chegada das tropas inimigas que acabavam de conquistar sua grande vitória em Suomussalmi.

Cerca de 80 km ao norte de Kuhmo, próximo da aldeia de Suomussalmi, realizou-se uma das mais renhidas e clássicas batalhas da história militar. Uma força finlandesa integrada quase toda por uma divisão entrou em combate com duas divisões russas completas (a 163ª e a 44ª) aniquilando-as quase até o último homem.

Do outro lado da fronteira, em Suomussalmi, como também em outros setores, e sem que os finlandeses o soubessem, os russos haviam construído novas estradas que levavam até a fronteira e lhes permitiram avançar num território sob outros aspectos destituído de estradas. E destas, havia duas principais, que convergiam sobre Suomussalmi vindas da região do leste: uma começava perto de Juntusranta, no Norte, e a outra, em Raate, mais ao sul. Da junção em Suomussalmi, a estrada ia até Kajaani, por onde passavam a rodovia e a ferrovia que levam a Oulu, Tornio e Suécia. Dois regimentos russos avançaram pela estrada norte, ao passo que um terceiro percorria a estrada de Raate. E assim, toda a 163ª Divisão ucraniana foi lançada contra um batalhão de reserva finlandês.

Como as desvantagens eram muito acentuadas, as tropas de cobertura só se empenharam em hostilizações leves da coluna do inimigo enquanto aguardavam os reforços. Operando em dois grupos, o batalhão finlandês recuou lentamente ao longo das duas estradas até que se reuniu novamente em Suomussalmi a 6 de dezembro, e no dia seguinte, depois de incendiar a aldeia, recuou para as posições do outro lado de um lago estreito que ainda não congelara o suficiente para suportar o peso dos tanques. Dali, eles observaram as colunas russas se reunirem na parte que restava da aldeia, sabendo plenamente que eram o único obstáculo para os russos num avanço sobre Oulu.

Já então, o Coronel Siilasvuo estava a caminho do setor com o 27° RI da 9ª Divisão de Oulu. Siilasvuo fora nomeado comandante de todas as forças em ação no setor de Suomussalmi. Contudo, a chegada de suas tropas sofreu um grande atraso cuja causa foi o choque do trem em que vinham com um outro de abastecimento, interrompendo assim, a ferrovia por mais de 24 horas. Contudo, como a seção recém-completada da estrada ficava a 40 km de Suomussalmi, Siilasvuo ainda pôde chegar no dia 9, para dar início às contra-operações no dia 11.

Depois de avaliar a situação e se informar da localização do inimigo. Siilasvuo ordenou que um destacamento mal reforçado fosse para noroeste de Suomussalmi para atacar a posição russa sediada na aldeia. Esta força quase que causou a retirada imediata do inimigo. As forças principais de Siilasvuo então se moveram para trás das linhas russas ao longo da rodovia de Raate, para isolar os adversários da sua base de abastecimento e da própria cidade de Raate. Simultaneamente, um destacamento menor tentaria cortar as linhas de apoio do inimigo que vinham de Juntusranta e bloquear quaisquer reforços que pudessem tentar dar ajuda aos russos sitiados. Em essência, o plano exigia que se cortassem a colunas inimigas em mottis mantendo-os isolados uns dos outros, até que as tropas adicionais chegassem de Oulu para completar sua destruição.

Embora houvesse pouco tempo para preparativos e os mapas da área fossem ultrapassados e parcialmente errados, era evidente que o ataque tinha de começar no dia 11, já que o inimigo estava insistindo em seu ataque na direção das barcas de Haukipera. Se esses ataques fossem bem sucedidos, os russos poderiam cercar os assediados finlandeses. Além disso, o tempo estava piorando à medida que a temperatura caia para -40°F.

Deixando metralhadoras na linha de defesa da posição ao sul de Suomussalmi, os grupos de ataque dirigiram-se para suas áreas de lançamento sem entrar em contato com o inimigo. Contudo, quando cruzaram o lado sudoeste de Suomussalmi, encontraram um destacamento russo na estrada entre os lagos Kuomas e Kuivas. Deixando parte do grupo de ataque para construir abatis naquele local a fim de bloquear o inimigo, a força principal desviou-se para Suomussalmi. A princípio os finlandeses tiveram dificuldade em conseguir um pouco de apoio na estrada, mas uma vez conseguido este, o avanço sobre a retaguarda das posições russas prosseguiu segundo os planos.

O elemento surpresa teve papel relevante no sucesso das operações do primeiro dia. Aparentemente, os russos não imaginavam qual fosse a extensão dos efetivos do ataque finlandês enquanto este se aproximava do sudeste, porque só enviaram uma força reduzida para bloqueá-lo. Essa força inimiga logo foi destruída e os finlandeses continuaram avançando, de modo que ao anoitecer estavam a cerca de 2,4 km da junção que leva às barcas de Haukipera. Ao todo, eles agora controlavam cerca de 5 km da estrada de Raate. Ao norte da aldeia, a pequena força de ataque conseguira destruir as comunicações russas, mas foi incapaz de manter a defesa da estrada. Depois de violenta batalha, o grupo recuou para sua área de origem.

No dia seguinte, o ataque foi reiniciado sob temperatura tão fria, que os caminhões tiveram de ficar para trás e com isso os homens não puderam ter uma refeição quente. Contudo, estavam muito animados e empenharam-se em sua tarefa com afinco. Depois de capturar uma posição inimiga numa pequena colina que dominava a estrada, continuaram avançando.

No decorrer do dia, os russos lançaram tanques contra seus atacantes pela primeira vez. De inicio, isto causou certa consternação na fileiras, mas quando se verificou que os tanques não podiam se movimentar nem atirar pelas florestas, as apreensões diminuíram sensivelmente. Ao anoitecer, os finlandeses haviam chegado à junção com as barcas onde o inimigo tinha ocupado uma colina de onde controlava a estrada. Um ataque àquela colina foi repelido durante o dia, mas à noite os russos abandonaram espontaneamente a posição e esta foi tomada pelos finlandeses. Já então, estes últimos tinham completo controle da área e da estrada por uma extensão de uns 12 km. O plano sem dúvida estava saindo à perfeição e os russos se amontoavam em mottis, sem compreender o que estava acontecendo. Naturalmente, ignoravam por completo essas táticas anticonvencionais e, portanto, não se sentiam preparados para enfrentá-las.

No dia 13, os finlandeses atacaram a aldeia de Suomussalmi, chegando à sua extremidade ao anoitecer. Durante a noite moveram-se silenciosamente em direção às posições próximas da frente das linhas russas, em preparativo para um ataque à aldeia na manhã seguinte. Nesta, os russos estavam entrincheirados nas ruínas dos prédios, nos porões e covas, com tanques guardando o perímetro. Era contra esse obstáculo formidável, que Siilasvuo propunha lançar sua pequena força, que carecia de canhões antitanques ou de artilharia, além de já estar começando a mostrar sinais de exaustão.

Enquanto isso, outro ataque ao norte de Hulkonniemi possibilitara estabelecer um ponto de apoio que deu aos finlandeses uma oportunidade de hostilizar o inimigo pela retaguarda. Apesar dos pesados ataques e fogo de artilharia russos, essa força atacante conseguiu manter-se em suas posições até o dia 18, quando finalmente foi obrigada a recuar. Nesse meio tempo, ela ajudou a aliviar a pressão das forças que atacavam os russos do lado sudeste da aldeia.

No dia 14, os finlandeses tornaram a atacar as posições russas em Suomussalmi, mas apesar de furiosa luta, não conseguiu romper aquelas linhas inimigas. À medida que as forças finlandesas penetravam nos arredores da aldeia, vez por outra eram alvo dos tiros vindos de ninhos de metralhadoras que não haviam sido destruídos. Enquanto as forças principais finlandesas se concentravam na aldeia, outro grupo atravessava o lago norte e leste dos russos para mantê-lo sob vigilância, temendo que ele fosse usado como rota de abastecimento.

Por volta do dia 18, Siilasvuo cancelou os ataques na área da aldeia, pois estavam ocasionando muitas baixas, e as tropas já se sentiam à beira da exaustão. Mas a essa altura dos acontecimentos, a 163ª Divisão estava completamente cercada e dividida em vários mottis; tudo o que os finlandeses tinham a fazer era impedi-la de desvencilhar-se, até a chegada de mais reforços. Nesse ínterim, os finlandeses fortaleceram diligentemente suas posições o melhor que podiam, preparando-se para novas ofensivas.

Mais ou menos ao mesmo tempo, batedores informaram da aproximação de mais tropas inimigas vindo da direção de Raate e do norte. Para aumentar sua preocupação, a 163ª Divisão estava obviamente preparando-se para fugir à armadilha finlandesa. Felizmente os reforços também estavam a caminho para os finlandeses e, já pelo dia 20, duas baterias e dois canhões antitanques haviam chegado.

Com tropas descansadas e com mais armas, Siialsvuo deu ordens para que seus homens atacassem novamente, no dia 20. Uma vez mais, mesmo com os canhões antitanques, os finlandeses tiveram dificuldades para enfrentar os tanques. Esses problemas aumentaram pelo fato de os russos estarem tão bem entrincheirados e se defendendo com a determinação inerente aos homens condenados. No fragor da batalha, tornou-se claro que os finlandeses ainda não tinham efetivos suficientes para lidar eficazmente com o inimigo, mas pelo menos sabiam que podiam mantê-lo retido ali.

Nos dias 21 e 22, um pequeno destacamento foi despachado para destruir uma ponte atrás dos russos que estavam sendo retidos nos obstáculos na estrada de Raate entre os lagos Kuomas e Kuivas. A tentativa em si fracassou, mas veio provar que os russos estavam esperando reforços, porque o destacamento fez um ataque de surpresa a um grupo antitanque que acompanhava a força de ataque. Contudo, os finlandeses ainda ignoravam a extensão da ameaça que se aproximava. O quadro clareou gradativamente, mostrando que toda uma nova divisão, a 44ª, organização motorizada de elite do distrito militar de Moscou, estava a caminho de Raate para livrar a 163ª das suas dificuldades. Nessas circunstâncias, o grupo finlandês atacante recuou para trás das suas próprias linhas para esperar reforços.

Apenas duas companhias estavam defendendo a estrada contra os grupos da 163ª Divisão retida nos lagos Kuomas e Kuivas e também contra a 44ª Divisão, que vinha avançando. A questão era se essas tropas poderiam defender a linha até que se completasse a destruição da 163ª Divisão e que se pudesse mandar reforços de Suomussalmi. De maneira quase incrível, esses poucos homens realmente superaram os obstáculos na estrada até a chegada de ajuda, que se deu umas duas semanas depois.

Enquanto isso, Siilasvuo reagrupara suas forças em antecipação à vinda do restante da 9ª Divisão de Oulu, que devia chegar a 25 de dezembro. Seu plano agora exigia um ataque principal a ser desfechado do oeste e do norte atrás dos russos retidos em Hulkonniemi, enquanto que uma força menor os atacaria pelo leste. As forças inimigas que estavam dentro da aldeia propriamente dita seriam retidas por uma série de pequenos ataques durante a ofensiva principal. Se tudo saísse de acordo com os planos, a 163ª Divisão seria dividida em mottis sucessivamente menores, o que tornaria inevitável a sua destruição. O ataque foi marcado para a manhã de 26 de dezembro.

Contudo, quase todo o planejamento foi desmoronado por um violento contra-ataque russo, apoiado por bombardeiros e caças, contra todas as posições finlandesas, nos dias 24 e 25. Embora esse ataque fosse contido, ele obrigou Siilasvuo a adiar o seu até o dia 27, a fim de que seus homens pudessem descansar. Apesar das duas semanas de duro combate e da resultante fadiga dos finlandeses, o ataque começou às primeiras horas do dia 27 e se estendeu por dois dias. As operações ao norte da aldeia logo romperam a linha de frente russa e dividiram as forças inimigas em grupos menores; selvagens contra-ataques de nada lhe valeram, além de maior número de baixas. Na noite de 27, já os russos estavam aglomerados numa pequena área com pouco suprimentos e menos esperança de conseguir uma vitória.

Durante o primeiro dia da batalha, o reconhecimento aéreo informou estar havendo importantes preparativos na 44ª Divisão para romper o obstáculo da estrada e ajudar a 163ª. Esses relatórios causaram considerável ansiedade, até que um novo batalhão chegou mais tarde naquele mesmo dia e foi despachado para reforçar o obstáculo. Com grande dificuldade a estrada foi defendida contra o ataque russo do dia seguinte.

No dia 28, os finlandeses fizeram uma penetração decisiva nas linhas meridionais inimigas em Hulkonniemi. Esse acontecimento causou pânico aos russos, que empreenderam a fuga pelo gelo do lago Kianta. Outro pânico foi provocado em Suomussalmi e não demorou para que quase toda a divisão, exceto um terço dela, que estava cercado ao norte de Hulkonjiemi, estivesse em fuga através do gelo sob a proteção dos tanques que lhes restavam, enquanto os finlandeses a perseguiam em esquis e a metralhava do ar. Somente umas poucas e reduzidas unidades sobreviveram a essa derrota.

No dia seguinte, os restos da 163ª receberam o mesmo tratamento. Contudo, com um terço da divisão inimiga ainda passível de combate, Siilasvuo não se sentia livre para mandar mais de um batalhão para reforçar o obstáculo; no entanto, continuou resistindo. Embora cercados, os russos restantes da 163ª fizeram um esforço inaudito para tentar romper o sítio, mas apenas alguns destacamentos espalhados o conseguiram.

Quando o dia terminou, a 163ª Divisão ucraniana estava completamente destruída, sem qualquer alternativa. No campo de batalha havia espalhados 5.000 mortos e incontáveis outros sepultados na neve, como também foram feitos 500 prisioneiros. Os despojos foram impressionantes e representavam excelente acréscimo ao esforço de guerra finlandês. Incluíam 25 canhões de campanha, 11 tanques, 150 caminhões, 250 cavalos e quantidades enormes de fuzis e munição.

Embora submetidos ao máximo da resistência física e mental, os soldados finlandeses não tiveram trégua. Depois de algumas horas de repouso, retornaram à luta, dessa vez contra a 44ª Divisão, que agora sentiria o peso da eficiência da tática dos mottis.

A tática dos mottis consistia de um processo tríplice: reconhecimento e bloqueio, seguido de ataque e isolamento e por fim o aniquilamento. O primeiro estágio fora completado enquanto a luta urgia em Suomussalmi. Agora com sua coluna estendendo-se por mais de 32 km de estrada, indo até Raate, a 44ª Divisão era um alvo excelente para os segundo e terceiro estágios. Contudo, o emprego do processo dos mottis não seria tão simples como parecia, porque os russos estavam entrincheirados em ambos os lados da estrada a fim de se protegerem contra as patrulhas inimigas, e se utilizavam dos tanques para manter suas comunicações desimpedidas. Por uma extensão de 400 metros de ambos os lados da estrada, eles haviam derrubado árvores para formar um amortecedor entre eles e os guerrilheiros finlandeses que atacavam dia e noite sob a  proteção das florestas. Os russos não se atreviam a se afastar muito dos seus próprios perímetros e suas patrulhas raramente penetravam os bosques. Observou-se na época que os russos sofriam de claustrofobia quando entravam num pequeno bosquedo. Devido a sua falta de reconhecimento pelos arredores, os russos não podiam avaliar o tamanho da força atacante; obviamente acreditavam que ela ultrapassava a realidade, pois se abstiveram de fazer grandes esforços no intuito de se livrarem da armadilha. Além disso, como as comunicações entre as duas divisões inimigas estavam cortadas, os comandantes da 44ª provavelmente ignoravam a extensão do desastre ocorrido com a 163ª Divisão.

Para a realização dos objetivos das tropas de Siilasvuo, o terreno e suas condições eram perfeitos. Cerca de 3 a 5 km ao sul da estrada havia um comprido lago que servia de rodovia e pelo qual eles podiam mover-se despercebidos em direção às posições de ataque ao longo das linhas inimigas. Do lago, só precisavam atravessar os bosques até a distância de ataque das posições russas. Assim, apesar de 1.20 m de neve e sob temperaturas glaciais, os finlandeses não tiveram qualquer dificuldade em se prepararem para o ataque.

Na véspera do Ano Novo, o ataque começou por um assalto contra as posições inimigas logo atrás da barricada. O objetivo era isolar, bem como sondar os russos. No dia 2, o ataque foi renovado, mas enfrentou rigorosa resistência, especialmente dos tanques. Felizmente, o restante da 9ª Divisão chegou naquele dia, tendo terminado operações de limpeza ao norte de Suomussalmi. Utilizando-se dessas forças adicionais, os finlandeses puderam completar o isolamento do grupo avançado do inimigo, do resto da coluna.

No dia 5, teve inicio o ataque geral por toda a extensão da coluna inimiga, com o objetivo de dividir os russos em mottis manejáveis. Derrubaram-se árvores e construíram-se abatis sobre a estrada, com minas e canhões para defendê-los. Era impossível aos tanques se desviarem dos obstáculos, por causa da potência de fogo dos finlandeses, da neve profunda e das florestas densas. Os tanques lançados contra os abatis eram destruídos e acrescentado ao bloqueio. Pelo final do primeiro dia do ataque geral, a 44ª Divisão foi secionada em vários pontos, de modo que os segmentos individuais eram incapazes de se ajudarem mutuamente. Pelos segundo dia, os soldados russos davam sinais de nervosismo, e quando os ataques finlandeses reiniciaram, eles fugiram para as matas, sem qualquer tentativa de repelir os atacantes. Aproveitando-se da vantagem, os finlandeses ocuparam as posições russas e pelo anoitecer haviam destruido virtualmente todos os mottis. No dia seguinte, as operações finais eliminaram a 44ª Divisão e somente uns poucos destacamentos espalhados escaparam para contar a história.

Quando se fez um levantamento dos resultados desses ataques, verificou-se que o despojo incluía 43 tanques, 50 canhões de campanha, 25 armas antitanques, 270 caminhões, carros e tratores, 300 metralhadoras, 6.000 fuzis, 32 cozinhas de campanha e 1.700 cavalos. Não se pôde contar as baixas inimigas, porque os corpos estavam por demais espalhados e em sua maioria achavam-se sepultados na neve. Os prisioneiros somavam 1.300. As baixas finlandesas em Suomussalmi e na estrada de Raate foram de 900 mortos e 1.770 feridos.

A destruição das 163ª e 44ª Divisões russas foi de valor decisivo para as operações inimigas do Norte. Durante o resto da guerra não se fizeram quaisquer outras tentativas de dividir a Finlândia em duas partes. Assim, os finlandeses puderam transferir muitas da unidades do Ártico para a frente da Carélia. Essas vitórias foram o resultado de um comando arrojado e enérgico, que usou as tropas, o terreno e as condições e deles retirou a melhor vantagem possível. Nos anais da guerra, temos de procurar nos tempos clássicos os paralelos para esse aniquilamento de tão grandes números por tão poucas unidades.

Enquanto a destruição das divisões russas em Suomussalmi estava ocorrendo, a linha de defesa em Kuhmo conseguia manter a 54ª Divisão russa num impasse. Depois de completar as operações em Suomussalmi, a 9ª Divisão finlandesa foi transferida para Kuhmo a fim de começar ali o mesmo processo. Os primeiros destacamentos chegaram a 26 de janeiro. Uma vez mais, o plano de batalha era cortar as colunas inimigas em grupos isolados pelo uso de unidades móveis de esquiadores e de operações de golpes de mão, provocando desse modo, um clima permanente de incerteza, medo e depressão.

Como a 9ª Divisão agora se preparava para as operações em Kuhmo, suas experiências em Suomussalmi eram de valor inestimável. Do norte da rodovia principal dominada pelo inimigo, os finlandeses começaram a promover melhoramentos numa estrada que os colocaria numa posição logo atrás dos russos. Toda essa atividade passou despercebida pelos russos, pois os finlandeses desenvolviam seu trabalho, de preferência à noite. Ao longo da estrada eles armazenaram suprimentos e instalaram barracas isoladas e preparadas para abrigar os soldados cansados da batalha e ansiosos por uma cama acolhedora. Também se construíram alguma trincheiras como medida de defesa.

A 28 de janeiro, o golpe foi desfechado por uma pequena força que se movia contra os grupos inimigos estacionados mais próximos de Kuhmo. Os russos resistiram obstinadamente e o ataque pareceu um tanto indeciso, mas foi o suficiente para impedir, de uma vez por todas, o avanço russo contra a própria cidade de Kuhmo.

O ataque geral contra as posições russas atrás da barricada teve inicio no dia seguinte. Um batalhão, dividido em dois grupos, aproximou-se do norte, enquanto três outros batalhões, movendo-se em duas colunas, avançavam pela margem sudeste do lago Sauna. As duas forças atacantes chegaram à estrada, mas o grupo do norte foi detido antes que assumisse o controle da seção que lhe estava designado. Sem saber, ela topara com o posto de comando avançado russo, cujas defesas não pôde romper. As duas colunas do sudeste se separaram: um batalhão seguiu para o sudeste pela estrada, com a missão de bloqueá-la naquela direção; os outros dois batalhões dirigiram-se para o noroeste, com o objetivo de envolver as posições russas naquela direção. O trecho da estrada entre esses dois grupos logo ficou livre de tropas inimigas e as comunicações entre os grupos de frente e de retaguarda da coluna inimiga foram interrompidas.

Contudo, não demorou muito para que os dois grupos finlandeses encontrassem bunkers construídos pelos russos e que foram fortemente defendidos por seu ocupantes. Além disso, surgiram tanques russos, que vieram criar complicações para os finlandeses, mas estes, dessa vez, usaram contra os tanques os canhões antitanques russos capturados. O maior problema, entretanto, era representado pelos bunkers de toras, porque se mostravam quase impenetráveis aos disparos dos lançadores de granadas e não havia canhões suficientes para destruí-los. Os finlandeses realmente usaram os canhões antitanques contra os pontos fracos dos bunkers, mas essa tática teve sucesso apenas parcial, sendo por isso impossível arrasar por completo as posições russas.

Mesmo com todos esses reveses, os finlandeses conseguiram, nos dias subsequentes, dividir a coluna russa em dez mottis, numa extensão de 26 km de rodovias, mas esse sucesso ainda os deixava e meio a sérios problemas. Uma das principais dificuldades consistia na nova estrada de abastecimento finlandesa, vinda do norte, que terminava num ponto entre dois mottis, separados por apenas 800 metros. No começo de fevereiro, os russos conseguiram  interceptar a estrada de abastecimento e dominá-la por alguns dias, e só depois de dois vigorosos contra-ataques é que os finlandeses puderam recapturá-la e abri-la novamente. Ao mesmo tempo, os russos resistiram tenazmente aos esforços empreendidos para comprimi-los em posições mais concentradas, a fim de aliviar a pressão exercida sobre as forças finlandesas que estavam operando na estrada entre os dois mottis. Finalmente, elas obtiveram êxito, quando os mottis oriental e ocidental cederam, a 25 e 27 de fevereiro, respectivamente. Mas esses dois grandes mottis nunca foram completamente aniquilados, embora sofressem pesadas baixas.

Nas operações em Kuhmo, os finlandeses não foram tão bem sucedidos quanto tinham sido em Suomussalmi, mas convém lembrar que os russos foram mais belicosos em Kuhmo. Alimento, forragem, munição e gasolina foram lançados de avião para a coluna sitiada, enquanto que expedições de ajuda da sua 23ª Divisão, apoiada por tanques e artilharia, continuavam sendo ameaça constante para as operações finlandesas, exigindo muito do seu tempo e energia para desviá-las. Sem aviões para dominar os ares e sem artilharia suficiente para esmagar os bunkers, os finlandeses não podiam efetivamente realizar seus objetivos. Além disso, a dificuldade em obter suprimentos era tão grande para os finlandeses quanto para os russos.

Durante o mês de fevereiro, as forças finlandesas resistiram a vários contra-ataques vigorosos dos russos, mas ainda assim conseguiram manter os mottis isolados. Felizmente, nessas ocasiões, o inimigo também não conseguiu coordenar seus esforços. Por exemplo, num dos ataques, os tanques inimigos conseguiram penetrar as linhas finlandesas, mas em vez de se dividirem em dois grupos e atacar em duas direções simultaneamente, toda a força de tanque seguiu uma única direção. Assim, os finlandeses puderam aproximar-se rapidamente pela sua retaguarda e obrigá-la a recuar. Este e outros esforços para fugir ao cerco resultaram em pesadas baixas para os russos.

Num esforço desesperado para enfrentar os finlandeses em pé de igualdade, os russos despacharam uma brigada de esquiadores da estrada setentrional através das florestas, pretendendo com isso libertar seus companheiros prisioneiros. Segundo Kruschev, essa equipe de esquiadores era uma das melhores que a URSS tinha a oferecer, e bem poderia ter sido mesmo - nas planícies russas; nas florestas da Finlândia, no entanto, sua perícia era insuficiente. Nas florestas, a 11 de fevereiro, eles entraram em contato com uma patrulha finlandesa e perderam muitos homens na escaramuça que se seguiu, incluindo 50 capturados. Ignorando esse revés, a brigada de esquiadores avançou pelos bosques até as posições finlandesas em Kiekinkoski, na estrada norte que leva a Kuhmo. Ela sumiu de vista por algum tempo, mas conseguiu chegar à área da nova estrada de abastecimento finlandesa por volta do dia 14. Os esquiadores puderam interceptar a estrada temporariamente, porque as únicas forças que os finlandeses dispunham na área eram tropas de abastecimento e homens que descansavam das suas lutas na frente de batalha. Fracas demais para deter os russos com uma tentativa de contra-ataque, as tropas de retaguarda só podiam mesmo era deixar que os russos se instalassem em seus acantonamentos.

Mas uma companhia reforçada de esquiadores finlandeses logo veio atrás do inimigo. Abatendo-se sobre os russos, o grupo avançado atacou antes que o resto da companhia chegasse, embora o inimigo parecesse muito superior em potencial humano. Essa superioridade foi diminuída pelo fato de os fuzis semi-automáticos dos russos não terem funcionado no frio extremo, porque, como se soube mais tarde, eles não haviam sido muito cuidadosos na sua limpeza. Quando seus fuzis não disparavam, os russos investiam contra os finlandeses a baioneta calada ou recorriam às próprias mãos. Contudo, durante a batalha, os finlandeses descobriram repentinamente que os russos haviam tomado posição atrás deles. Nessas circunstancias, aqueles se viram defendendo precariamente a sua posição durante a noite, enquanto aguardavam a chegada do restante da companhia.

Quando os esperados finlandeses chegaram, a brigada de esquiadores russos foi obrigada a romper o contato. Com seu caminho até os compatriotas sitiados bloqueado, parte da brigada russa dirigiu-se para noroeste, e ali foi repelida. Outra parte do grupo seguiu para o norte, onde foi atacada de dois lados. Os russos, bastante hostilizados, agora fugiam para o leste, procurando escapar. Cerca de 100 homens se perderam e foram mortos. A força principal permaneceu nos bunkers finlandeses, onde foi destruída. Lançando granadas de mão e conclamando aos russos para se renderem, os finlandeses desfecharam ataque total aos bunkers. Quando este falhou, os bunkers foram incendiados, mas o inimigo ainda assim recusou render-se, tentando, em vez disso, romper através das linhas finlandesas. Os russos, em sua maioria morreram nessa tentativa. Quando tudo terminou, havia mais de 300 mortos na frente dos bunkers e 40 corpos nas ruínas calcinadas. Apenas 4 homens se renderam. Numa estimativa final, encontraram-se quase 1.50 esquiadores russos mortos nas florestas finlandesas. Um amigo do autor, Coronel A.K. Marttinen, que era Chefe do Estado-Maior de Siilasvuo na época, ofereceu uma nota interessante para esse episódio: ele disse que quando se recolheram os esquis russos, verificou-se que eram de qualidade tão inferior que só puderam ser usados como lenha.

Pelo final do mês, os russos da 44ª fizeram um grande esforço para escapar da sua entalada. O fogo da artilharia pesada estava sendo cada vez mais dirigido contra as posições finlandesas em Kuusijoki. Depois de uma série de batalhas, os finlandeses se retiraram das área e usaram as tropas para reforçar o motti em Loytavaara. Ali, os russos tentaram várias vezes escapar, mas em todas elas foram repelidos e a situação permaneceu inalterada até o fim da guerra.

Ao mesmo tempo, tentou-se completar a destruição do motti perto do lago Sauna. Mas também ali, o fim da guerra pôde ser visto antes que terminasse a operações, embora uma parte das forças inimigas fosse destruída. Os comandantes finlandeses na área acreditavam que se a guerra tivesse durado mais um ou dois dias, todo o motti teria sido aniquilado.

Embora as batalhas em Kuhmo terminassem sem triunfo total conseguido em Suomussalmi, não pode haver dúvidas de que os russos haviam sofrido uma derrota contundente. Mas os finlandeses também sofreram proporcionalmente mais em Kuhmo do que em qualquer outro setor, porque a perda de oficiais foi maior que o normal nesses ataques, onde o exemplo pessoal muitas vezes decidia o resultado.

Mais ao norte, acima do Círculo Ártico, em Salla e Petsamo, a invasão russa também foi detida. Em Salla, duas divisões inimigas haviam expulsado o único batalhão de defesa da aldeia a 9 de dezembro. Esse sucesso abriu a estrada para Kemijarvi e Pelkosenniemi e limpou o caminho para um avanço rumo a noroeste e sudoeste, onde essas divisões poderiam unir-se às colunas invasoras de Petsamo, Savukosi e Pelkosenniemi. Entretanto, as escassas forças finlandesas haviam sido reforçadas por um batalhão de ajuda. Com essas poucas tropas, os finlandeses tomaram a iniciativa no dia 18 e decidiram a questão por um ataque de flanco. Os russos fugiram de volta para Salla, num pânico cego, deixando para trás 10 tanques, 40 caminhões e várias armas e munição.

Depois disso, o inimigo entrincheirou-se em Salla e a linha de frente permaneceu calma durante um mês. Houve dois pequenos ataques às posições vermelhas na estrada Salla-Kemijarvi, nos dias 2 e 3 de janeiro, mas essas escaramuças não produziram quaisquer resultados importantes. Os russos foram repelidos de algumas partes da estrada, perdendo cerca de 200 homens. Já então, os soldados finlandeses estavam tão exaustos que não foi possível encetar outros ataques. Retornando às táticas de guerrilha, os finlandeses passavam agora a hostilizar os russos na retaguarda, desbaratando suas linhas de comunicação, seu tráfego rodoviário e destruindo as pontes. Diante desses tormentos, os russos se entrincheiraram ainda mais profundamente, construindo bunkers enquanto seus tanques patrulhavam a estrada juntamente com alguns pára-quedistas.

A partir de meados de janeiro, os finlandeses retornaram à ofensiva. Esse ataque conseguiu obrigar os russos a recuar para posições mais fortes em Markajarvi, para o sudoeste de Salla, onde ficaram até o fim da guerra. Mais tarde, uma força russa tentou expulsar uns dois fracos batalhões finlandeses da sua posição na estrada Salla-Pelkosenniemi, mas ela própria é que foi repelida.

A 26 de fevereiro, um grupo de voluntários suecos chegou e foi encarregado de conter os russos, enquanto os batalhões finlandeses eram transferidos para o campo de batalha em Viipuri. Embora os finlandeses fossem numericamente fracos demais para empregar a tática do motti em Salla com a mesma eficiência com que tinham feito em Suomussalmi, eles resistiram a um ataque esmagador e se mantiveram firmes em suas posições. Não se podia esperar mais deles.

O relato das operações acima do Círculo Ártico estaria incompleto sem uma breve descrição das ações na área de Petsamo. O porto de Petsamo está livre dos gelos, mas distante uns 400 km da ferrovia mais próxima e ligado ao sul da Finlândia só por uma rodovia estreita. Portanto, estava tão longe do principal teatro de guerra, a ponto de ficar praticamente esquecido durante o conflito. Naturalmente, para os russos, com suas conexões ferroviárias com Murmansk e com sua esquadra do Ártico nas águas perto de Petsamo, uma invasão da área era muito viável. O interesse russo na área se baseava em grande parte nas minas de níquel ali existentes, e que se situavam entre as mais ricas da Europa.

Quando a invasão começou, os finlandeses tinham apenas uma companhia, reforçada por uma bateria de artilharia para defender toda a região contra uma divisão russa. As peças de artilharia datavam de 1887 e as poucas reservas disponíveis estavam localizadas em várias aldeias. No começo da guerra, os russos logo ocuparam a Península dos Pescadores e então avançaram para o sul em três colunas, levando tudo de roldão. Contudo, o clima extremamente rigoroso e as táticas tipo guerrilha finlandesa detiveram o avanço. Os russos então se entrincheiraram, com seus tanques protegendo o perímetro das suas defesas. Por volta de 18 de janeiro, a frente foi estabilizada em Nautsi, onde permaneceu até o fim da guerra.

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