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Oriente Médio e Palestina

sábado, 19 de fevereiro de 2011

O Cortiço


O sucesso de um escritor está em sua capacidade de dizer o que o público gostaria de ouvir. Entretanto essa fala, em código escrito, permite uma introspecção mais profunda por parte do "ouvinte", isto é' daquele que lê. O sucessso dessa comunicação ocorre quando o escritor é capaz de compreender não apenas aquilo que ele é, mas aquilo que a sociedade de leitores percebe ser. 
Partindo dessa primissa podemos concluir que uma obra literária tem muito a dizer acerca de uma dada sociedade no espaço e no tempo, logo pode ser uma importante fonte histórica que, se conscientemente utilizada, será capaz de prescrutar muito além dos  personagens fictícios construidos pelo autor. 
Arão Alves

Questões para a leitura

1. A atração inicial entre Rita e Jerônimo não acontece na cena descrita. Segundo o texto, pode-se inferir que ela se relaciona com

A) uma dose de parati.
B) a cama de Rita.
C) uma xícara de café.
D) o perfume de Rita.
E) o olhar de Rita.

2. Leia o texto abaixo, retirado de O Cortiço, e faça o que se pede:

Eram cinco horas da manhã e o cortiço acordava, abrindo, não os olhos, mas a sua infinidade de portas e janelas alinhadas.
Um acordar alegre e farto de quem dormiu de uma assentada, sete horas de chumbo.
[…].
O rumor crescia, condensando-se; o zunzum de todos os dias acentuava-se; já se não destacavam vozes dispersas, mas um só ruído compacto que enchia todo o cortiço. Começavam a fazer compras na venda; ensarilhavam-se discussões e rezingas; ouviam-se gargalhadas e pragas; já se não falava, gritava-se. Sentia-se naquela fermentação sangüínea, naquela gula viçosa de plantas rasteiras que mergulham os pés vigorosos na lama preta e nutriente da vida, o prazer animal de existir, a triunfante satisfação de respirar sobre a terra.

AZEVEDO, Aluísio. O cortiço. 15. ed. São Paulo: Ática, 1984. p. 28-29.

Assinale a alternativa que NÃO corresponde a uma possível leitura do fragmento citado:

a) No texto, o narrador enfatiza a força do coletivo. Todo o cortiço é apresentado como um personagem que, aos poucos, acorda como uma colméia humana.
b) O texto apresenta um dinamismo descritivo, ao enfatizar os elementos visuais, olfativos e auditivos.
c) O discurso naturalista de Aluísio Azevedo enfatiza nos personagens de O Cortiço o aspecto animalesco, “rasteiro” do ser humano, mas também a sua vitalidade e energia naturais, oriundas do prazer de existir.
d) Através da descrição do despertar do cortiço, o narrador apresenta os elementos introspectivos dos personagens, procurando criar correspondências entre o mundo físico e o metafísico.
3. (UNIFESP) A questão a seguir baseia-se no seguinte fragmento do romance O cortiço (1890), de Aluísio Azevedo (1857-1913):

O cortiço

Fechou-se um entra-e-sai de marimbondos defronte daquelas cem casinhas ameaçadas pelo fogo. Homens e mulheres corriam de cá para lá com os tarecos ao ombro, numa balbúrdia de doidos. O pátio e a rua enchiam-se agora de camas velhas e colchões espocados. Ninguém se conhecia naquela zumba de gritos sem nexo, e choro de crianças esmagadas, e pragas arrancadas pela dor e pelo desespero. Da casa do Barão saíam clamores apopléticos; ouviam-se os guinchos de Zulmira que se espolinhava com um ataque. E começou a aparecer água. Quem a trouxe? Ninguém sabia dizê-lo; mas viam-se baldes e baldes que se despejavam sobre as chamas.
Os sinos da vizinhança começaram a badalar.
E tudo era um clamor.
A Bruxa surgiu à janela da sua casa, como à boca de uma fornalha acesa. Estava horrível; nunca fora tão bruxa. O seu moreno trigueiro, de cabocla velha, reluzia que nem metal em brasa; a sua crina preta, desgrenhada, escorrida e abundante como as das éguas selvagens, dava-lhe um caráter fantástico de fúria saída do inferno. E ela ria-se, ébria de satisfação, sem sentir as queimaduras e as feridas, vitoriosa no meio daquela orgia de fogo, com que ultimamente vivia a sonhar em segredo a sua alma extravagante de maluca.
Ia atirar-se cá para fora, quando se ouviu estalar o madeiramento da casa incendiada, que abateu rapidamente, sepultando a louca num montão de brasas.
(Aluísio Azevedo. O cortiço)

Releia o fragmento de O cortiço, com especial atenção aos dois trechos a seguir:

Ninguém se conhecia naquela zumba de gritos sem nexo, e choro de crianças esmagadas, e pragas arrancadas pela dor e pelo desespero.
(...)
E começou a aparecer água. Quem a trouxe? Ninguém sabia dizê-lo; mas viam-se baldes e baldes que se despejavam sobre as chamas.

No fragmento, rico em efeitos descritivos e soluções literárias que configuram imagens plásticas no espírito do leitor, Aluísio Azevedo apresenta características psicológicas de comportamento comunitário, as quais tentam reproduzir o cotidiano da coletividade carioca do período da obra. Aponte a alternativa que explicita o que os dois trechos têm em comum:

a) Preocupação de um em relação à tragédia do outro, no primeiro trecho, e preocupação de poucos em relação à tragédia comum, no segundo trecho.
b) Desprezo de uns pelos outros, no primeiro trecho, e desprezo de todos por si próprios, no segundo trecho.
c) Angústia de um não poder ajudar o outro, no primeiro trecho, e angústia de não se conhecer o outro, por quem se é ajudado, no segundo trecho.
d) Desespero que se expressa por murmúrios, no primeiro trecho, e desespero que se expressa por apatia, no segundo trecho.
e) Anonimato da confusão e do “salve-se quem puder”, no primeiro trecho, e anonimato da cooperação e do “todos por todos”, no segundo trecho.

Governo de Campos Sales


Manuel Ferraz de Campos Sales (Campinas, 15 de Fevereiro de 1841 — Santos, 28 de junho de 1913) foi um político brasileiro e Presidente da República do Brasil entre 1898 e 1902.
Bacharel em direito pela faculdade de direito de São Paulo, Campos Sales ingressou, logo após se formar, no Partido Liberal. A seguir, participou da criação do Partido Republicano Paulista (PRP), em 1873.
Elegeu-se senador em 1890, mas renunciou ao cargo quatro anos depois para se tornar governador do estado de São Paulo, cargo que exerceu até 1898. Nesse ano foi eleito presidente da república, substituindo Prudente de Morais em uma época que a economia brasileira, baseada na exportação de café e borracha, não ia bem. Julgava que todos os nossos problemas tinham uma única causa: a desvalorização da moeda. Desenvolveu a chamada política dos governadores, ou política do café com leite, através da qual tentou obter o apoio do Congresso através de relações de clientelismo e favorecimento político entre o governo central, representado por si próprio enquanto presidente, estados, representados pelos respectivos governadores, e municípios, representados pelos coronéis.
Na economia, Campos Sales decidiu que a resolução do problema da dívida externa era o primeiro passo a ser tomado. Em Londres, o presidente e os ingleses estabeleceram um acordo, conhecido como "funding-loan". Com esses acordo, suspendeu-se por 3 anos o pagamento dos juros da dívida; suspendeu-se por 13 anos o pagamento da dívida externa existente; o valor dos juros e das prestações não pagas se somariam à existente; a dívida começaria a ser paga em 1911, com o prazo de 63 anos com juros de 5% ao ano; as rendas da alfândega do Rio de Janeiro e Santos ficariam hipotecadas aos banqueiros ingleses, como garantia. Então, livre do pagamento das prestações, Campos Sales pôde levar adiante a sua política de "saneamento" econômico. Combateu a inflação, não emitindo mais dinheiro e retirando uma parte de circulação. Depois combateu os déficits orçamentários, reduzindo a despesa e aumentando a receita. Joaquim Murtinhu, Ministro da Fazenda, cortou o orçamento do Governo Federal, elevou todos os impostos existentes e criou outros. Finalmente, dedicou-se à valorização da moeda, elevando o câmbio de uma taxa de 48 mil-réis por libra para 14 mil-réis por libra.
A eleição de Campos Sales expressou o triunfo da oligarquia cafeeira paulista, diante do esfacelamento da atividade política dos militares "jacobinos", envolvidos na tentativa de assassinato do presidente Prudente de Morais. Campos Sales concebeu a chamada "política dos governadores", que consistia em apoiar os grupos dominantes aliados ao governo federal em cada estado. Esse apoio estava condicionado à garantia de eleição, para o Congresso, de candidatos que defendessem o governo central, no que se refere às políticas nacionais, visto que Campos Sales instituiu a Comissão de Verificação pela qual os grupos politicamente dominantes validavam ou não o resultado de uma eleição.
A crise financeira foi enfrentada, momentaneamente, mediante a obtenção em Londres de um novo empréstimo, o funding loan - empréstimo para consolidar uma dívida. Esse acordo financeiro suspendeu temporariamente a cobrança de juros dos empréstimos anteriores, possibilitando que os recursos provenientes do novo empréstimo fossem utilizados para a criação de condições materiais para saldar seu débito.
Campos Sales criou o Instituto de Manguinhos, voltado, entre outras atribuições, para a fabricação de vacinas contra a peste bulbônica. O Brasil contava, em 1900, com 17.318.554 habitantes, dos quais 64% viviam no campo.

Após o mandato presidencial, foi senador por São Paulo e diplomata na Argentina. Faleceu em Santos, em 1913.


Comentário: Parte da historiografia considera que a política dos governadores não inaugura a política do café com leite, Isto é, a política do café com leite seria consolidada com o acordo de Ouro Fino ao final do governo de Hermes da Fonseca - Arão Alves

Blog do Professor Arão - CAEL: Movimento sanitarista - 1º República

Blog do Professor Arão - CAEL: Movimento sanitarista - 1º República: "Movimento Sanitarista O escritor Monteiro Lobato criou um personagem chamado Jeca Tatu. Era um caipira que não fazia nada na vida devido à ..."

Movimento sanitarista - 1º República

Movimento Sanitarista
O escritor Monteiro Lobato criou um personagem chamado Jeca Tatu. Era um caipira que não fazia nada na vida devido à doença e à preguiça. Mas Lobato aderiu à campanha em prol do saneamento rural e deu a seu personagem educação sanitária. A partir de então, Jeca Tatu prosperou a olhos vistos, superou em produtividade o trabalhador imigrante e tornou-se, ele também, um educador sanitário.
Era evidente que nas primeiras décadas do século XX o brasileiro, sobretudo o homem do campo, estava doente. Alguns não conseguiam ver solução para isso e mantinham uma atitude negativista. Outros, os ufanistas, ignoravam o problema. Mas os que abraçaram a campanha sanitarista acreditavam que havia cura para o mal do povo brasileiro.
Para os defensores do saneamento, a questão da saúde, assim como a da educação, era também elemento crucial na construção da nacionalidade. Um claro exemplo da relação entre o abandono e o isolamento das populações sertanejas e a ausência de um sentimento de identidade nacional está no Relatório Médico-Científico publicado em 1916 por Belisário Pena e Artur Neiva, do Instituto Oswaldo Cruz. Lá se diz que é "raro o indivíduo que sabe o que é o Brasil. Piauí é uma terra, Ceará outra terra. Pernambuco outra (...). A única bandeira que conhecem é a do divino." A publicação desse relatório foi extremamente importante para a tomada de consciência da situação sanitária do país. A campanha do saneamento rural foi igualmente intensificada pelo movimento nacionalista que se generalizou a partir da Primeira Guerra Mundial.
Os sanitaristas consideravam a federalização da República - ou seja, a relativa autonomia dos estados, dominados pelas oligarquias locais - o maior obstáculo a uma ação coordenada com vistas ao combate às doenças endêmicas do país. E estas não eram poucas: ancilostomose, malária e doença de Chagas, para citar só as mais comuns. Havia uma Diretoria Geral de Saúde Pública, vinculada ao Ministério da Justiça e Negócios Interiores, que praticamente não funcionava. Clamava-se pela criação de um Ministério da Saúde Pública, por uma ação de caráter nacional para o tratamento da saúde do brasileiro.
Em fevereiro de 1918 representantes das elites política e intelectual fundaram a Liga Pró-Saneamento do Brasil, sob a direção de Belisário Pena. Este fato marcou a passagem de um período mais espontâneo da campanha sanitarista para uma ação mais organizada.
A despeito da excelente repercussão que vinha obtendo na imprensa e nos debates parlamentares, a campanha só deslanchou de fato em 1918, graças à epidemia de gripe espanhola. Ao atingir as cidades, particularmente o centro político-administrativo do país, e ao ignorar as distinções entre as classes sociais, o que lhe valeu o apelido de "gripe democrática", a epidemia determinou uma nova apreciação do problema pelas autoridades competentes. O próprio presidente Rodrigues Alves, eleito naquele ano, e parte do contingente militar enviado ao teatro de operações na Primeira Guerra Mundial juntaram-se às vítimas fatais da gripe espanhola.
Em dezembro de 1919, foi criado o Departamento Nacional de Saúde Pública (DNSP), que daria maior amplitude aos serviços sanitários federais. A partir de então, a participação e a intervenção do Estado na área de saúde pública só tendeu a se ampliar e se solidificar. A interdependência compulsória que as epidemias e endemias criaram entre os estados e os municípios, de um lado, e o poder central, de outro, contribuiu gradualmente para o fortalecimento do Estado. A ação do poder central por todo o país, por sua vez, ajudou a minar o Sistema oligárquico.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Blog do Professor Arão - CAEL: O Golpe Civil Militar e a Instauração do Regime

Blog do Professor Arão - CAEL: O Golpe Civil Militar e a Instauração do Regime: "Na madrugada do dia 31 de março de 1964, um golpe militar foi deflagrado contra o governo legalmente ..."

O Golpe Civil Militar e a Instauração do Regime


Na madrugada do dia 31 de março de 1964, um golpe militar foi deflagrado contra o governo legalmente constituído de João Goulart. A falta de reação do governo e dos grupos que lhe davam apoio foi notável. Não se conseguiu articular os militares legalistas. Também fracassou uma greve geral proposta pelo Comando Geral dos Trabalhadores (CGT) em apoio ao governo. João Goulart, em busca de segurança, viajou no dia 1o de abril do Rio, para Brasília, e em seguida para Porto Alegre, onde Leonel Brizola tentava organizar a resistência com apoio de oficiais legalistas, a exemplo do que ocorrera em 1961. Apesar da insistência de Brizola, Jango desistiu de um confronto militar com os golpistas e seguiu para o exílio no Uruguai, de onde só retornaria ao Brasil para ser sepultado, em 1976.
Antes mesmo de Jango deixar o país, o presidente do Senado, Auro de Moura Andrade, já havia declarado vaga a presidência da República. O presidente da Câmara dos Deputados, Ranieri Mazzilli, assumiu interinamente a presidência, conforme previsto na Constituição de 1946, e como já ocorrera em 1961, após a renúncia de Jânio Quadros. O poder real, no entanto, encontrava-se em mãos militares. No dia 2 de abril, foi organizado o autodenominado "Comando Supremo da Revolução", composto por três membros: o brigadeiro Francisco de Assis Correia de Melo (Aeronáutica), o vice-almirante Augusto Rademaker (Marinha) e o general Artur da Costa e Silva, representante do Exército e homem-forte do triunvirato. Essa junta permaneceria no poder por duas semanas.
Nos primeiros dias após o golpe, uma violenta repressão atingiu os setores politicamente mais mobilizados à esquerda no espectro político, como por exemplo o CGT, a União Nacional dos Estudantes (UNE), as Ligas Camponesas e grupos católicos como a Juventude Universitária Católica (JUC) e a Ação Popular (AP). Milhares de pessoas foram presas de modo irregular, e a ocorrência de casos de tortura foi comum, especialmente no Nordeste. O líder comunista Gregório Bezerra, por exemplo, foi amarrado e arrastado pelas ruas de Recife.
A junta baixou um "Ato Institucional" – uma invenção do governo militar que não estava prevista na Constituição de 1946 nem possuía fundamentação jurídica. Seu objetivo era justificar os atos de exceção que se seguiram. Ao longo do mês de abril de 1964 foram abertos centenas de Inquéritos Policiais-Militares (IPMs). Chefiados em sua maioria por coronéis, esses inquéritos tinham o objetivo de apurar atividades consideradas subversivas. Milhares de pessoas foram atingidas em seus direitos: parlamentares tiveram seus mandatos cassados, cidadãos tiveram seus direitos políticos suspensos e funcionários públicos civis e militares foram demitidos ou aposentados. Entre os cassados, encontravam-se personagens que ocuparam posições de destaque na vida política nacional, como João Goulart, Jânio Quadros, Miguel Arraes, Leonel Brizola e Luís Carlos Prestes.
Entretanto, o golpe militar foi saudado por importantes setores da sociedade brasileira. Grande parte do empresariado, da imprensa, dos proprietários rurais, da Igreja católica, vários governadores de estados importantes (como Carlos Lacerda, da Guanabara, Magalhães Pinto, de Minas Gerais, e Ademar de Barros, de São Paulo) e amplos setores de classe média pediram e estimularam a intervenção militar, como forma de pôr fim à ameaça de esquerdização do governo e de controlar a crise econômica. O golpe também foi recebido com alívio pelo governo norte-americano, satisfeito de ver que o Brasil não seguia o mesmo caminho de Cuba, onde a guerrilha liderada por Fidel Castro havia conseguido tomar o poder. Os Estados Unidos acompanharam de perto a conspiração e o desenrolar dos acontecimentos, principalmente através de seu embaixador no Brasil, Lincoln Gordon, e do adido militar, Vernon Walters, e haviam decidido, através da secreta "Operação Brother Sam", dar apoio logístico aos militares golpistas, caso estes enfrentassem uma longa resistência por parte de forças leais a Jango.

Os militares envolvidos no golpe de 1964 justificaram sua ação afirmando que o objetivo era restaurar a disciplina e a hierarquia nas Forças Armadas e deter a "ameaça comunista" que, segundo eles, pairava sobre o Brasil. Uma idéia fundamental para os golpistas era que a principal ameaça à ordem capitalista e à segurança do país não viria de fora, através de uma guerra tradicional contra exércitos estrangeiros; ela viria de dentro do próprio país, através de brasileiros que atuariam como "inimigos internos" – para usar uma expressão da época. Esses "inimigos internos" procurariam implantar o comunismo no país pela via revolucionária, através da "subversão" da ordem existente – daí serem chamados pelos militares de "subversivos". Diversos exemplos internacionais, como as guerras revolucionárias ocorridas na Ásia, na África e principalmente em Cuba, serviam para reforçar esses temores. Essa visão de mundo estava na base da chamada "Doutrina de Segurança Nacional" e das teorias de "guerra anti-subversiva" ou "anti-revolucionária" ensinadas nas escolas superiores das Forças Armadas.
Os militares que assumiram o poder em 1964 acreditavam que o regime democrático que vigorara no Brasil desde o fim da Segunda Guerra Mundial havia se mostrado incapaz de deter a "ameaça comunista". Com o golpe, deu-se início à implantação de um regime político marcado pelo "autoritarismo", isto é, um regime político que privilegiava a autoridade do Estado em relação às liberdades individuais, e o Poder Executivo em detrimento dos poderes Legislativo e Judiciário.

Já no início da "Revolução" ficou evidente uma característica que permaneceria durante todo o regime militar: o empenho em preservar a unidade por parte dos militares no poder, apesar da existência de conflitos internos nem sempre bem resolvidos. O medo de uma "volta ao passado" (isto é, à realidade política pré-golpe) ou de uma ruptura no interior das Forcas Armadas estaria presente durante os 21 anos em que a instituição militar permaneceu no controle do poder político no Brasil. Mesmo desunidos internamente em muitos momentos, os militares demonstrariam um considerável grau de união sempre que vislumbravam alguma ameaça "externa" à "Revolução", vinda da oposição política.

A falta de resistência ao golpe de 1964 não deve ser vista como resultado da derrota diante de uma bem articulada conspiração militar. Foi clara a falta de organização e coordenação entre os militares golpistas. Mais do que uma conspiração única, centralizada e estruturada, a imagem mais fidedigna é a de "ilhas de conspiração", com grupos unidos ideologicamente pela rejeição da política pré-1964, mas com baixo grau de articulação entre si. Não havia um projeto de governo bem definido, além da necessidade de se fazer uma "limpeza" nas instituições e recuperar a economia. O que diferenciava os militares golpistas era a avaliação da profundidade necessária à intervenção militar.

Desde o início havia uma nítida diferenciação entre, de um lado, militares que clamavam por medidas mais radicais contra a "subversão" e apoiavam uma permanência dos militares no poder por um longo período e, de outro lado, aqueles que se filiavam à tradição de intervenções militares "moderadoras" na política – como havia acontecido, por exemplo, em 1930, 1945 e 1954 – seguidas de um rápido retorno do poder aos civis. Os mais radicais aglutinaram-se em torno do general Costa e Silva; os outros, do general Humberto de Alencar Castelo Branco.

Articulações bem-sucedidas na área militar de um grupo de oficiais pró-Castelo e o apoio dos principais líderes políticos civis favoráveis ao golpe foram decisivos para que, no dia 15 de abril de 1964, Castelo Branco assumisse a presidência da República, eleito, dias antes, por um Congresso já bastante expurgado. O novo presidente assumiu o poder prometendo a retomada do crescimento econômico e o retorno do país à "normalidade democrática". Isto, no entanto, só ocorreria 21 anos mais tarde. É por isso que 1964 representa um marco e uma novidade na história política do Brasil: diferentemente do que ocorreu em outras ocasiões, desta vez militares não apenas deram um golpe de Estado, como permaneceram no poder.
Celso Castro

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Regime militar no Brasil - Questões com gabarito


Testando seus conhecimentos

Pergunta1 :Manifestações de repúdio ao Governo Goulart precederam o movimento militar que golpeou as instituições do país a partir de 31 de março de 1964. Nos protestos veiculavam soluções salvacionistas sobre a pátria, a ordem democrática, a liberdade, Deus e a família, habilmente articuladas por forças políticas de direita, membros da Igreja Católica, grandes proprietários rurais, banqueiros e empresários nacionais e estrangeiros, que visavam a adesão do povo. Ao final de 1965, estava na praça a seguinte peça musical de Zé Queti: "Marchou com Deus pela democracia, agora chia, agora chia (...)". Com base no texto:
a) esclareça o rumo que os militares, detentores do poder, imprimiram ao regime instalado;
b) a partir da expressão "agora chia", procure indicar a quem o autor da composição dirigia sua sátira.


Pergunta2 : O processo de redemocratização brasileiro, no final da década de 1970, combinou pressões da sociedade civil e a estratégia de distensão/abertura do próprio regime militar, como pode ser observado na(no):
a) vitória do movimento popular das "Diretas Já", permitindo eleições gerais diretas em 1982.
b) concessão de anistia "ampla, geral e irrestrita", por lei de iniciativa do governo, mas que excluía as principais lideranças ligadas ao governo derrubado em 1964.
c) total autonomia do movimento sindical, forçada pelas greves do ABCD paulista.
d) revogação dos Atos Institucionais, por iniciativa do governo, após negociação com setores representativos da sociedade civil.
e) "pacote de abril" de 1977, que transformou o Congresso Nacional em Assembléia Constituinte.



Pergunta3 : No período em que o Brasil foi dirigido por governos militares a decretação do AI 5 (Ato Institucional número 5) representou um "endurecimento" do regime instalado em 1964, que pode ser explicado pela(s):
a) inquietação dos setores militares favoráveis à redemocratização.
b) ação dos grupos de oposição, que trocaram a luta armada pela oposição parlamentar ao regime.
c) crise decorrente do impedimento do Presidente Costa e Silva.
d) crise econômica resultante do esgotamento do milagre brasileiro.
e) crescentes manifestações oposicionistas de líderes políticos, estudantes e intelectuais contra o regime.



Pergunta 4: "CENSURA AO PARALAMAS TRAZ TESOURA DE VOLTA Extinta oficialmente em 1985, a censura treina novos cortes nos tempos de abertura: o grupo Paralamas do Sucesso foi proibido de cantar a música Luís Inácio num show em Brasília". (O GLOBO, 19-07-95) O conteúdo da notícia, embora em situação e contexto diferentes, faz-nos lembrar a época em que a censura foi aplicada com intensidade na ditadura militar, especialmente após 1968, quando a repressão se tornou mais rigorosa com o AI-5, imposto num ambiente marcado por vários fatores, dentre eles o:
a) fim oficial do FGTS, o que irritou os trabalhadores pela perda dos valores depositados.
b) enfraquecimento da base política do governo no Congresso, com a recusa dos parlamentares em permitir a perda da imunidade de um deputado para processo judicial.
c) apoio do chamado Tropicalismo, manifestação cultural de defesa da ditadura, principalmente por meio da música.
d) movimento de revolta de Jacareacanga, no Pará, que contestava o regime, conseguindo, entre os militares, cada vez maior número de adeptos.
e) apoio garantido pela compra pelo Brasil de um porta-aviões para ser incorporado à Marinha como suporte aeronaval às medidas repressoras do governo.



Pergunta 5: Atuando em quadro internacional mutável, também mudam as formas que configuram as relações entre os países. Assinale a alternativa correta sobre a política externa brasileira na década de 80 deste século:
a) Abertura irrestrita do mercado consumidor nacional à indústria estrangeira de informática.
b) Conjugação de esforços para maior aproximação latino-americana.
c) Interferência diplomática e militar nos problemas políticos da América Central.
d) Apoio ao regime racista sul-africano.
e) Participação de tropas brasileiras na Força Interamericana de Paz, criada por deliberação da OEA para intervir na República Dominicana.



Pergunta6: "...Meu Brasil... que sonha com a volta do irmão do Henfil com tanta gente que partiu num rabo de foguete chora a nossa pátria mãe gentil choram Marias e Clarices no solo do Brasil..." (trecho "O bêbado e o Equilibrista" - João Bosco e Aldair Blanc) "Pode ir armando o coreto e preparando aquele feijão preto Eu tô voltando (...) Leva o chinelo pra sala de jantar que lá mesmo que a mala eu vou largar Quero te abraçar Pode se perfumar Porque eu tô voltando" (trecho "Tô voltando" - Maurício Tapajós e Paulo Cesar Pinheiro) As músicas acima falam sobre dois momentos da história recente do Brasil:
a) a primeira fala sobre a anistia política e volta dos exilados e a segunda sobre repressão política e cultural do regime militar.
b) a primeira fala sobre a repressão política e cultural do regime militar e a segunda fala sobre a anistia política e volta dos exilados ao Brasil.
c) a primeira trata da liberdade de expressão durante o regime militar e a segunda trata da volta dos exilados políticos do Brasil.
d) a primeira trata da repressão política e cultural durante o regime militar e a segunda da chegada de estudantes de cursos no exterior.
e) a primeira trata da liberdade de expressão durante o regime militar e a segunda trata da volta de estudantes de cursos no exterior.




Resposta1:
a) Regime autoritário, sem democracia.
b) A aqueles que inicialmente apoiaram as forças reacionárias, ligadas a igreja católica.

resposta 2: [D]

resposta 3: [E]

resposta 4: [B]

resposta5: [B]

resposta6: [B]

1º República ou República Velha - Questões com Gabarito


Testando seus conhecimentos

Pergunta1:"Entendi que não era lícito assistir indiferentemente a esta luta [política na Câmara Federal], cujos resultados poderiam acarretar a ruína da República. Dirigi-me para este fim aos governadores dos Estados, onde reside iniludivelmente a força política deste regime. (...) Outros deram à minha política a denominação de Política dos Governadores. Teriam acertado se dissessem Política dos Estados." (Campos Sales: DA PROPAGANDA À REPÚBLICA) A partir do texto acima, explique o fenômeno político denominado "Política dos Governadores" e relacione algumas de suas conseqüências para a República Velha.



Pergunta2:No Brasil, a década de 20 foi um período em que:
a) velhos políticos da República, como Rui Barbosa, Pinheiro Machado e Hermes da Fonseca, alcançaram grande projeção nacional.
b) as forças de oposição às chamadas "oligarquias carcomidas" se organizaram, sem contudo apresentar alternativas de mudança.
c) as propostas de reforma permanecendo letra morta, não se configurou nenhuma polarização político-ideológica.
d) a aliança entre os partidos populares e as dissidências oligárquicas culminou com a derrubada da República Velha nas eleições de 1.o de março de 1930.
e) ocorreram agitações sociais e políticas, movimentos armados, entre eles a Coluna Prestes, e várias propostas de reforma foram debatidas.



Pergunta 3:"Uma veis uma escorlta atirou em mim. Eu estendi dois. Eu era cabo eleitoral do P.R.P. Nóis não deixava os pessoarl do otro lado entrá na cidade prá votá. Se eles entrava, nóis escondia as ata." (Oswald de Andrade - MARCO ZERO II - CHÃO) O texto refere-se aos "costumes políticos" que caracterizaram o período de nossa história denominado
a) República Velha.
b) Segundo Reinado.
c) Segunda República.
d) Estado Novo.
e) Regencial.



Pergunta 4: Em 3 de outubro eclodiu a Revolução de 1930, pondo fim à República Velha. Dentre as causas deste episódio histórico destacamos:
a) a vitória da oposição nas eleições e o temor de revanchismos nas oligarquias derrotadas.
b) a dissidência das oligarquias nas eleições de 1930, fortalecendo a Aliança Liberal, derrotada, contudo, pela fraude da máquina do governo.
c) o programa da Aliança Liberal não identificado com as classes médias urbanas.
d) a sólida situação econômica do núcleo cafeeiro no início da década de trinta.
e) o apoio dos jovens militares, tenentistas, à política oligárquica nos anos vinte.



Pergunta5: No Brasil, no período denominado República Velha, o modelo político-eleitoral - Política dos Governadores, coronelismo e voto de cabresto - dava sustentação à hegemonia do
a) PCB e do PTB.
b) PSD e do PDS.
c) PFL e da UDR.
d) MDB e da UDN.
e) PRP e do PRM.




resposta1:Consolidação da Política do Café com Leite. Baseava-se na autonomia para os Estados, em contrapartida estes não fariam oposição no Governo Federal.

resposta 2: [E]

resposta 3: [A]

resposta 4: [B]

resposta5: [E]





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