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Oriente Médio e Palestina

domingo, 30 de janeiro de 2011

Perón, Evita e a Argentina





Apesar da prosperidade e do bem-estar a Argentina não era politicamente feliz. Desde 1930, com a deposição do presidente civil Yrigoyen , pelo gen. Uriburu, a casta militar mandava e desmandava no país. Fraudes eleitorais eram comuns e uma política reacionária caracterizou aquele período da década de 1930, justamente chamada de "a infame". Por influência do fascismo e das vitórias do Eixo na Guerra que se travava na Europa, uma clique de militares - o GOU (Grupo de Oficiares Unidos) , resolveu tomar o poder, destituindo o presidente civil em 1943. Propunham eles o predomínio de uma Argentina branca, caucasiana, autoritária, antiliberal e anticomunista, com vocação hegemônica sobre todo o continente sul-americano. A figura mais influente desse grupo era o coronel Juan Domingo Perón. Nascido em 1895, em Los Lobos, Perón começou a simpatizar com o fascismo quando foi adido militar na Itália e ficou impressionado com as manifestações de massa promovidas por Mussolini. Ao retornar, pensou implantar um sistema semelhante na Argentina. Ao assumir a Secretaria do Trabalho e do Bem-estar tratou de aproximar-se dos sindicatos e apoiar-se neles para chegar ao poder e reformar suas estruturas.
O movimento de 17 de outubro de 1945
Uma série de medidas aprovadas a favor dos trabalhadores tornou-o extremamente popular . Para alguns dos seus colegas de farda, Perón teria ido longe demais nessa política pró-trabalhista. Assim, destituíram-no da secretaria. Não demorou para que uma impressionante multidão saísse às ruas reclamando o imediato retorno de Perón ao governo. No dia 17 de outubro de 1945, Perón arengou para uma multidão de 300 mil trabalhadores que lançaram seu nome para concorrer à presidência em eleições que ocorreriam em breve (*). Quatro meses depois, em fevereiro de 1946, ele era eleito com 56% dos votos, com o slogan Braden ou Perón! (Braden era o ex-embaixador americano que se opunha ao nacionalismo argentino).

(*) Estes acontecimento tiveram efeito imediato na política brasileira. Para evitar que o movimento queremista ("Queremos Getúlio!"), que apoiava a continuidade do regime de Getúlio Vargas , tivesse sucesso, os militares, num golpe incruento, doze dias depois dos sucesso de Buenos Aires, depuseram o ditador em 29 de outubro de 1945.
Os pilares do Peronismo
O Peronismo sob o ponto de vista ideológico era um cambalacho, trazia em si elementos contraditórios e confusos, uma mistura de tomismo medieval, fascismo e tinturas de um estado de bem-estar social de inspiração social-democrata, que se materializava nas Vinte Verdades. De fato foi uma variante platina do fascismo, mesclado com práticas populistas latino-americanas. Perón, que desenvolveu um verdadeiro culto a sua personalidade, afirmava que a nova frente de poder antiplutocrática e antioligárquica ( a oligarquia era aliada ao imperialismo anglo-saxão), estava apoiada numa aliança entre os sindicatos ,organizados em torno da CGT (Confederación General del Trabajo), e o Exército representado por ele e por seus colegas mais próximos, unidos em torno da bandeira da autarquia e do nacionalismo. Essa era estrutura socio-política do Movimento Justicialista, que ele tentou transformar em religião cívica do qual era o líder máximo. Tornou-se "Doutrina nacional "em 1952 , e quem se lhe opusesse era considerado um " vendepatria" um "antiargentino" . A sua política econômica visava a autonomia, estatizando as ferrovias e os setores considerados estratégicos. Perseguiu seus adversários recorrendo a prisões e torturas, e estabeleceu censura à imprensa, bem como restrições à liberdade de organização e expressão fora do movimento Justicialista Praticou a distribuição de renda graças as grandes reservas acumuladas pela Argentina durante a 2ª Guerra Mundial. Pregou a política externa da Terceira Via,(Tercera posición) eqüidistante dos Estados Unidos e da União Soviética. Objetivamente , devido a estreiteza da Guerra Fria, ele foi considerado uma liderança suspeita , negativa e por vezes hostil, para os americanos. Para marcar ainda mais sua independência, abriu as fronteiras argentinas para os nazistas a pretexto de utilizá-los como técnicos, fazendo com que terminasse por abrigar uma série de criminosos de guerra, como Eichmann e o dr. Mengele.
Evita tratou de atrair o povo para o movimento através de uma intensa política de auxilio aos desamparados. Através da Fundação de Beneficência determinou que as empresas e as grandes fortunas fizessem contribuições "voluntárias" para apoiar sua medidas filantrópicas em favor de hospitais, escolas, abrigos para os idosos, creches e demais instituições caritativas. Reforçou-as ainda mais com recursos vindos das loterias e mobilizou outros fundos para isso. Fundou o Partido Peronista Feminino e consagrou-se com a aprovação do direito das mulheres votarem em 1950, a partir de lei aprovada em 1947. Essa atividade granjeou-lhe a fama de mulher santa, tornando-a num verdadeiro objeto de culto por parte dos seus seguidores. Em 1947, fez uma viagem triunfal pela Europa, levando trigo para abastecer os europeus famintos do após-guerra. Em 1951, quando Perón lançou-se à reeleição, a CGT pressionou-a para que ela aceitasse concorrer à vice-presidência. Os militares, colegas de Perón, vetaram-na. Em 26 de julho de 1952, Evita morreu vitimada por um câncer no cólon do útero. Recebeu homenagens de todas as expressões sociais e institucionais da Argentina de então. Seu corpo embalsamado pelo doutor Ara, na verdade marmorificado, foi exposto à visitação permanente na sede da C.G.T. de Buenos Aires, lá colocada como mártir da classe operária e imortal heroina do regime peronista. Antes, no dia 1º de agosto, no translado do esquife, o povo de Buenos Aires, cabisbaixo e em lágrimas, prestou-lhe nas ruas e avenidas homenagens sem paralelo na história do país. Perón e os peronistas fizeram uma campanha junto ao Vaticano para santificá-la. Mesmo vendo fracassados seus esforços ela nunca deixou de ser considerada como a Santa Evita pela maior parte do povo pobre da Argentina.
Depois de ter-se atritado com a Igreja (por ter aprovado a lei do divórcio) Perón provocou a insatisfação contra o seu regime devido a ascensão da inflação, as constantes restrições à liberdade e a queda geral do nível de vida devido a redução das exportações (os produtos argentinos haviam sido valorizadas pela eclosão da Guerra da Coréia, entre 1951-53). Em setembro de 1955 um levante militar derrubou a ditadura. Rompeu-se a aliança entre os sindicatos e o exército. Nos anos seguintes os peronistas ficarão proibidos de participarem das eleições e nas vezes em que foram eleitos os militares impediram que eles assumissem os cargos. Perón refugiou-se na Espanha do gen. Franco de onde só retornou 18 anos depois, em 1973.Com o prolongamento da crise política, o gen. Lanusse, em 1971, tentou pacificar o pais legalizando o peronismo e permitindo a volta do seu líder para a Argentina. Entrementes o país passou a conhecer um violento surto terrorista promovido pela extrema esquerda do ERP (Exército Revolucionário do Povo) e pelos Montoneros ( esquerda peronista) contra as Forças Armadas. Quando Perón retorna, em 1973, é recebido com uma banho de sangue , resultado da luta entre as facções direitistas (lideradas por Lopes Rega) e esquerdistas (os montoneros). Perón morre em 1974 sem ter conseguido pacificá-las. O poder fica com sua terceira mulher, a vice-presidente Isabel Perón, que foi deposta por um violento golpe militar em 1976. A Argentina mergulhou então num dos mais sanguinários regimes ditatoriais desse século, liderado pelo gen. Videla, quando mais de 8 mil pessoas foram mortas, a maioria delas executada pelas Forças Armadas.
Bibliografia
Floria, Carlos A. - Belsunce, César G. - Historia de los argentinos,
      Larousse, Buenos Aires,2 vols., 1992.
Lipset. Seymour M. - O Homem Político, Zahar editores, Rio de
      Janeiro, 1967.
Martinez, Tomás E. - Las memorias del General, Editora Planeta,
      Buenos Aires, 1996.
____. La Novela de Perón, Editora Planeta, 1993, Barcelona.
____. A Santa Evita, Companhia das letras editora, São Paulo, 1996.
Ortiz, Alicia D. - Eva Perón: la biografía, Aguilar, Buenos Aires, 1995.
Sebreli, Juan José - Los deseos imaginarios del Peronismo, Editorial
      Sudamericana, Buenos Aires, 1992.
Taborda, Raúl D. - O Caso Perón, Editora Globo, Porto Alegre, 1954.
Wasserman, Cláudia - Perón, Peronismo, Justicialismo, Monografia
       da autora, Porto Alegre, 1997

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Quilombolas da iIha de Marambaia

Marambaia fica localizada em uma ilha no município de Mangaratiba, no litoral do Estado do Rio de Janeiro. Em abril de 2006, viviam na comunidade 156 famílias.

A história de Marambaia está diretamente relacionada com o tráfico de escravos do século XIX. Era na ilha de Marambaia que o Comendador Breves, um importante senhor do café e do tráfico de escravos da época, deixava seus escravos em um período de "engorda", antes de serem vendidos para outros senhores. Há notícias de que por lá passaram pelo menos seis mil escravos.
A herança
Segundo contam os moradores da ilha, antes de morrer, em 1889, Breves doou toda a ilha para os ex-escravos que ainda permaneciam nela. No entanto, como realizou essa doação apenas verbalmente, sua família não cumpriu esse compromisso e em 1891 vendeu as terras para a Companhia Promotora de Indústrias e Melhoramentos. Em 1905, a ilha foi adquirida pela União.

Os quilombolas continuavam vivendo no local quando, em 1939, o Presidente da República Getúlio Vargas doou a ilha para a construção de uma escola profissional de pesca, a Escola Técnica Darcy Vargas, que era mantida por uma instituição ligada à Igreja denominada Abrigo Cristo Redentor.

Seguiu-se então um período de grande prosperidade para a ilha da Marambaia e para seus moradores. Os quilombolas passaram a ter acesso a hospital e outros serviços públicos que antes não dispunham, além de poderem cursar a escola de pesca e ter à sua disposição fábricas de gelo e sardinha.
Os conflitos com a Marinha
Em 1971, com a decadência da escola, a área na qual está localizada a ilha da   Marambaia foi reincorporada à União, que delegou sua administração ao Ministério da Marinha. Em 1981 foi inaugurado o Centro de Adestramento da Ilha de Marambaia.

A chegada da Marinha marcou o início de um período difícil para os moradores da ilha, que começam a ter seus direitos cerceados e uma série de restrições impostas. Os comunitários passaram a não ter mais acesso à oferta de serviços públicos. Foram proibidos de continuar realizando as roças de subsistência que sempre cultivaram bem como de construir novas casas e de reformar ou ampliar as existentes.

Em 1998 passam a ser alvo de uma série de ações judiciais de reintegração de posse movidas pela União Federal. As ações são propostas individualmente, objetivando desmobilizar a comunidade e expulsar os moradores. Em algumas delas os quilombolas foram derrotados e expulsos da ilha.
A resistência
Diante das ameaças, a comunidade começou a organizar sua resistência, contando com o apoio de diversos setores e organizações da sociedade.

Em 1998 a comunidade e a Diocese de Itaguaí organizaram um primeiro dossiê sobre a situação das famílias da ilha e o enviou para várias autoridades, entre elas o então Presidente da República Fernando Henrique Cardoso. Já em 2001, a organização não-governamental Koinonia começa a trabalhar com a comunidade.

Em fevereiro de 2002 o Ministério Público Federal entrou com uma ação civil pública contra a Marinha, exigindo a suspensão das ações contra os moradores, e a Fundação Cultural Palmares, exigindo a conclusão do processo de titulação das terras da comunidade (na época, era esse o órgão responsável pela titulação de terras quilombolas).

Em maio de 2002 o juiz julgou parcialmente deferida a liminar requerida pelo MPF e determinou que a União se abstivesse de adotar medidas para desocupar as casas dos moradores da comunidade, não destruíssse ou danificasse essas casas e tolerasse que os moradores mantivessem seu estilo de vida tradicional, plantando roças e realizando eventuais obras em suas residências. No entanto, não concordou com o pedido de permitir o retorno dos moradores que foram retirados às suas antigas casas.
Até abril de 2006 o juiz ainda não havia julgado a ação, e essa liminar ainda continuava valendo.
Apesar da liminar, a Marinha ainda continuava impedindo que os moradores plantassem suas roças ou realizassem reparos em suas residências.

No final de 2005 a Marinha procurou também impedir que o INCRA e outras entidades que realizam trabalhos com a comunidade entrassem na ilha.   A entrada dos técnicos do INCRA para a realização do cadastramento das famílias e da demarcação da área, em fevereiro de 2006, só foi possível devido a uma decisão judicial, em uma ação civil pública, movida pelo Ministério Público Federal, que determinou que a Marinha se abstivesse de impedi-la.

Para lutar contra essa situação, a Associação de Remanescentes de Quilombos da Ilha da Marambaia (ARQIMAR) e a Associação das Comunidades Remanescentes de Quilombos do Estado do Rio de Janeiro (ACQUILERJ), juntamente com o Koinonia, a FASE e outras entidades da sociedade civil, lançaram, em março de 2006, a Campanha Nacional Marambaia Livre!. O objetivo da campanha é tornar públicas as violações de direitos sofridos pela comunidade e lutar pela titulação da área.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Iran has hanged 47 people in three weeks, say human rights groups

Iran has hanged almost 50 people during the past three weeks, according to human rights groups.
The International Campaign for Human Rights in Iran (ICHRI) said 47 prisoners, or an average of about one person every eight hours, have been put to death since the beginning of the new year. Most of the executions are believed to be related to drug-trafficking crimes, although at least two were of political activists.
The news came as it emerged today that Iranian officials had apparently suspended the sentence of hanging for Sakineh Mohammadi Ashtiani, a 43-year-old woman whose sentence of death by stoning for adultery sparked an international outcry.
Zohre Elahian, head of the parliamentary human rights committee, wrote in a letter to the Brazilian president, Dilma Rousseff: "Although the stoning sentence has not been finalised yet, the hanging sentence has been suspended due to her children's pardon." According to Elahian, Mohammadi Ashtiani has been sentenced to 10 years in jail.
In recent weeks, Iranian officials have made confusing and often contradictory comments about the fate of Mohammadi Ashtiani in hope of distracting attention from the executions or arrests of the political activists.
Drewery Dyke, of Amnesty International, said: "Issuing old news about the fate of Sakineh Mohammadi Ashtiani, by way of a letter from a parliamentarian to the president of Brazil, Dilma Rousseff, is being used to distract from the more pressing news about the rate of executions in the country."
According to the ICHRI, Iran executes more people per capita than any other country, and in absolute numbers is second only to China. Iran executed at least 179 people in 2010 and 388 in 2009.
The two known political activists hanged recently were Ali Saremi, accused of waging war on God, and Hossein Khezri, a Kurdish prisoner accused of belonging to the Pejak, an armed Kurdish opposition group.
Hadi Ghaemi, executive director of the ICHRI, said: "There are many questions about proper legal proceedings, charges against executed people, and even their identities. There are serious concerns about the abuse of the judiciary by intelligence and security forces to push their agenda through such widespread executions."
Activists believe that Iran has launched a campaign against active members of its Kurd minority. According to the ICHRI, at least 14 Kurdish activists are in danger of execution.
Today HRANA, a human rights website, reported that a 16-year-old high school student was facing imminent execution in Iran. Fatemeh Salbehi, a juvenile offender, is sentenced to death after being convicted of murder.

The Guardian

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Markets in muddle


If 2008 was the year of the financial crisis, and 2009 the year of recovery, then 2010 was largely marked by indecision. Equity markets repeatedly rallied and then faltered as they alternately took heart from the strength of corporate profits and fretted over the sustainability of the economic recovery.
Perhaps the biggest element of indecision concerned the outlook for inflation. Many people worried that the overhang of debt, and the depressed state of the economy, would cause a prolonged period of deflation, as experienced by Japan over the past two decades. That fear showed up in the steady downward drift of Treasury bond yields, despite the blizzard of government issuance. On the other hand, some investors are concerned that past governments have used inflation as a way of dealing with a heavy debt burden. One can see that fear reflected in the steady rise in gold to an all-time high over the past decade, with bullion easily outperforming the stockmarket.
The volatility of other commodity markets, such as oil and food, lends another element to this debate. The effect of such movements may vary in different parts of the world. Higher raw-material prices are both a sign of increased demand in developing countries and a symptom of higher inflation in those nations. In the developed world, however, higher commodity prices may act as a deflationary force, a tax that reduces the spending power of consumers. The result of this dichotomy may be different policy responses across the world, adding to the confusion.
Investors will get a much clearer idea of the eventual outcome of the inflation/deflation dilemma in 2011. One possibility is that the economy will start returning to normal, in which case short-term interest rates will rise and bond markets will suffer. The alternative is that it will become clear that the recovery is stalling in the face of the tightening of fiscal policy, particularly in Europe. In that case, there will be much talk of the Japan syndrome, and it is conceivable that medium-term bond yields will drop into the 1-2% range.
This might seem incredible in light of the sovereign-debt crisis which loomed so large in 2010. But government bonds are also the safe havens of financial markets; doubts about the creditworthiness of Greek or Portuguese bonds only encourage investors to opt for the security of German government bonds or US Treasuries. Governments will thus walk a tightrope in 2011, trying to show enough budget discipline to reassure the markets without doing so much as to damage their recoveries.
Equity markets will take their cue from the signals on growth and inflation. The recovery in profits has driven down the historic price-earnings ratio on most markets. Dividend yields in Europe were higher than the yields available on government bonds, a phenomenon not seen since the late 1950s. Investor demand for a higher dividend yield implied a fear of very subdued dividend growth, or even cuts in payouts.
If the outlook is for years of low economic growth, then this gloomy dividend assessment will probably be correct. After all, the rebound in profits in 2009-10 owed much to an improvement in margins. Companies were able to shed staff while improving productivity in the remaining labour force. But this does not seem sustainable in the long term. Either the economy will recover, and labour costs will rise, or the high level of unemployment will weigh on demand and revenues will suffer.
Exporters, yuan and all
The faltering performance of stockmarkets added weight to the idea that they are stuck in a long-term bear phase, akin to that seen in 1929-49 or in 1965-82. That does not rule out the possibility that share prices can rise sharply in individual years (such as 2009), but it does make multi-year rallies impossible by definition. The great hope is that emerging markets will produce big enough returns to rescue investors’ portfolios, but by the second half of 2010 that was fast becoming a consensus bet and was already priced into the market.
Perhaps, however, 2011 will be a year in which neither equities nor government bond markets take centre-stage, but in which currencies dominate the headlines. After all, it is becoming ever more difficult to think of a country that would like to see its currency appreciate. Admittedly, during 2010 China, constantly criticised—especially by America—for its undervalued currency, did move to allow the yuan to rise against the dollar, but the increase was so marginal as to be meaningless. China is of course a very successful exporter, with a substantial trade surplus. Other countries are trying to follow its example, using their export sectors as the engine of recovery. That implies currency depreciation as a way of making their exports attractive. But there is another side to the equation: someone must act as a net importer and someone must let their currency rise.
At best, this may lead to choppy trading in 2011 as countries try to talk down their currencies, or even to intervene in the markets. At worst, the result could be increasing protectionism as countries accuse each other of “artificially” gaining market share. Talk of currency wars has grown louder.
Thus there is plenty of scope for politics to ambush the markets in 2011, even though it is not a presidential-election year in America. When resources become scarce, the quarrels about parcelling them out become that much more intense.

Philip Coggan: capital-markets editor, The Economist



Nuclear - Acordo Brasil-Alemanha de 1975


Acordo Nuclear Brasil-Alemanha (1975)
Para entender o Acordo Nuclear Brasil - Alemanha, assinado em 27 de junho de 1975 durante o governo do general Ernesto Geisel (1974-1979), é necessário realizar um esforço de contextualização histórica, levando em consideração dois importantes fatores: as relações Brasil - Estados Unidos no setor de energia atômica durante a segunda metade do século XX e a política nuclear brasileira desenvolvida nesse período. No decorrer da década de 1950, os Estados Unidos exerciam total supremacia no campo tecnológico-industrial, particularmente no setor da energia nuclear. Diante desse quadro, alguns países em desenvolvimento, entre eles o Brasil, resolveram enfrentar o desafio de desenvolver uma política científica e tecnológica autônoma no campo nuclear. Essa foi a principal motivação para a criação, em 1951, do Conselho Nacional de Pesquisa - CNPq. Durante seus primeiros anos de existência, o novo órgão pautaria sua política no princípio da autonomia, apesar da forte oposição de uma ala pró-americana existente nos meios científicos e governamentais. Em 1956, a Comissão Nacional de Energia Nuclear - a CNEN, desmembrada do CNPq, assume o comando da política nuclear brasileira, em estreita colaboração com a política norte-americana. Desde dezembro de 1953, os Estados Unidos haviam proposto um programa denominado Átomos para a Paz, cuja filosofia consistia na utilização da energia nuclear para fins pacíficos. Na prática, esse programa significava para os países não detentores de conhecimento científico e de tecnologia nessa área, continuar na condição de importadores da tecnologia americana e exportadores de matérias primas. Foi no âmbito desse programa que o Brasil e os Estados Unidos assinaram, em 1955, o Acordo de Cooperação para o Desenvolvimento da Energia Atômica com finalidades pacíficas, no qual ficou estabelecido que o Brasil compraria, dos americanos, reatores de pesquisa baseados na utilização da tecnologia do urânio enriquecido, para os seus laboratórios no Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte. Esse acordo, contudo, gerou uma grande polêmica nos meios científicos brasileiros, acirrando um conflito que vinha se desenvolvendo nos últimos anos e que perdurou até o final da década de 1960. De um lado, havia os que defendiam a importação da tecnologia americana; do outro, os que desejavam o desenvolvimento de uma tecnologia própria, utilizando o urânio natural ou o tório, como único caminho para se desenvolver uma política científica verdadeiramente nacional.
A compra do reator da Westinghouse Electric Corporation, em 1971, a ser instalado na usina nuclear Angra I, representou a vitória do grupo favorável ao desenvolvimento de uma política nuclear no país associada à tecnologia norte-americana. A crise do petróleo em 1973, a expansão do mercado internacional de reatores nucleares e a brusca decisão dos Estados Unidos de suspender, em 1974, o fornecimento do urânio enriquecido para novas usinas, levaram o governo brasileiro a redefinir sua política nuclear e a adotar uma postura mais ousada, que incluísse a construção, no país, de centrais nucleares, responsáveis pelo desenvolvimento das diversas etapas do ciclo de produção de energia nuclear. É nesse contexto que se insere o acordo assinado com a Alemanha, 27 anos atrás. Por esse acordo, o país se comprometeu a desenvolver um programa, juntamente com empresas alemãs lideradas pela Kraftwerk Union -KWU, de construção de oito grandes reatores nucleares para a geração de eletricidade, e de implantação, no país, de uma indústria teuto-brasileira para a fabricação de componentes e combustível para os reatores, por um prazo de 15 anos. O acordo com a Alemanha, apesar de não reverter a opção pela tecnologia do urânio enriquecido, permitia ao Brasil desenvolver essa tecnologia dentro do país.
Além das pressões da imprensa e do Congresso norte-americanos, o Acordo Nuclear Brasil-Alemanha sofreu severas críticas dentro e fora do país, no plano ecológico, político e econômico. Entre outras coisas, questionava-se o destino a ser dado ao lixo atômico que resultaria da produção dos reatores. O fato de o Brasil não ter assinado o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares - TNP, em julho de1968, também era objeto de preocupação de quase todos os grandes países, apesar de o tratado prever o uso pacífico da energia nuclear. Como resultado dessas pressões foi firmado, em fevereiro de 1976, um acordo entre o Brasil, a Alemanha e a Agência Internacional de Energia Atômica - AIEA, complementando o acordo de 1975, no qual foram estabelecidas salvaguardas mais rígidas do que as previstas no TNP. No plano interno, as críticas crescentes ao Acordo Nuclear Brasil-Alemanha, tanto por parte da comunidade científica, quanto da sociedade de uma maneira geral, resultaram na instalação, na Câmara dos Deputados, de uma CPI para investigar as supostas irregularidades do Acordo denunciadas pela imprensa dos dois países. Das oito centrais previstas, apenas duas foram construídas. Em face dos resultados não satisfatórios do Acordo, os militares brasileiros começaram a desenvolver, a partir de 1979, um programa nuclear paralelo visando ao desenvolvimento de uma tecnologia nacional para o enriquecimento do urânio. Esse programa contou com a colaboração do Centro Técnico Aeroespacial -CTA, da Aeronáutica, em São José dos Campos, e do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares, em São Paulo.

Célia Maria Leite Costa
CPDOC - FGV

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Waging the currency war

Latin America's economies

HAVING quickly shaken off the world recession, many countries in Latin America are prospering again. The region’s economies grew by an average of 6% last year, according to a preliminary estimate from the United Nations Economic Commission for Latin America and the Caribbean. This strong performance, linked in large part to the global commodity boom, has attracted big inflows of foreign cash. With that has come a familiar problem: the region’s currencies have soared in value against the dollar (see chart), making life uncomfortable for Latin American manufacturers. They find themselves priced out of export markets or struggling to compete with cheap imports. Worried governments are launching a battery of measures to try to restrain the value of their currencies. Will they work?
This month alone Chile announced it would buy $12 billion of foreign reserves in 2011 and Brazil began requiring its banks to cover 60% of their bets against the dollar with deposits at the Central Bank that will attract no interest. Peru is buying dollars, too, and similarly extended reserve requirements for banks’ sales of foreign exchange. Central banks in Mexico and Colombia are intervening to buy dollars. Chile’s announcement prompted an immediate fall in the peso, and other currencies have temporarily stabilised, but there is no guarantee that these measures will be effective in the medium term.
In part, stronger currencies reflect Latin America’s stronger economies. The commodity boom plays to the region’s comparative advantage: China and India are gobbling up Brazilian soyabeans and iron ore, Chilean copper and Peruvian silver. Brazil and Colombia have both made big oil discoveries. These countries all have fairly sound economic policies, and their financial systems are deepening. With money cheap and returns poor in the rich world, Latin America has become a tempting destination for investors. Guido Mantega, Brazil’s finance minister, has blamed the real’s strength and his country’s rising import bill both on loose monetary policy in the United States and China’s refusal to allow the yuan to appreciate.
But this is becoming too much of a good thing. The real has appreciated by 38% against the dollar over the past two years, for example. Overall, Latin America posted a current-account surplus of 1.6% of GDP in 2006; this year it is likely to post a deficit of similar magnitude, according to the IMF. There are other signs of overheating: inflation for non-tradable products in Chile is 6.4% and Brazilian wages are increasing at double-digit rates.
Affected businesses are howling. Chile’s wineries need an exchange rate of 530 pesos to the dollar (at the start of this month it was at 464) to be profitable, according to René Merino, who represents the industry. In Brazil, São Paulo’s industrialists’ association claims that “excessive imports” of consumer goods have led to a “dizzying process of deindustrialisation”, costing 46,000 manufacturing jobs and $10 billion in lost output in the first nine months of 2010.
Uncomfortably strong currencies and overheating economies pose an excruciating dilemma for policymakers. If central bankers raise interest rates to curb inflation, they risk driving up the currency further. But if their interventions in the foreign-exchange market drive the currency down, that may boost inflation.
In Brazil overheating has been aggravated by official tardiness in withdrawing the fiscal stimulus applied during the recession. Brazil’s new government has said it will curb its fiscal deficit, though many economists are sceptical as to how deep budget cuts will go. Mr Mantega now accepts that expansionary fiscal policy has helped drive up interest rates and the currency, something he previously denied.
To ease the pressure on currencies, governments are shifting some of their assets abroad. Colombia has urged Ecopetrol, its state oil company, to refrain from repatriating its international profits. Peru’s Congress is considering a bill that would raise the cap on foreign investment by pension funds, from 30% to 50% of their assets. Brazil recently authorised its sovereign-wealth fund to trade currency derivatives.
They are also reaching for less orthodox tools. Brazil introduced a 2% tax on the purchase of bonds by foreigners last year, and then raised it to 6%. Colombia and Peru both tax interest payments to non-residents. Colombia is considering whether to reintroduce a measure to require foreign buyers to deposit 30% of the price of their financial investments in the country for a year at its central bank with no interest.
Measuring the effectiveness of these tools is hard, since nobody can know what the exchange rate would be in their absence. Bankers worry that they might work too well. “Be careful what you wish for,” says Marcelo Carvalho, an economist at BNP Paribas in São Paulo. “If you try too hard to scare investment away, you might succeed.” Reforms, often neglected, of taxes, infrastructure, red tape and labour laws would help manufacturers compete. Nevertheless, trying to scoop the froth from the commodity boom looks justified in the struggle to ensure more balanced long-term growth.
The Economist

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Mussolini e o Fascismo

Com o fim da Primeira Guerra Mundial (1914 – 1918), a Itália  foi ignorada nos tratados que selaram o conflito. O desgaste social e econômico mal recompensado mobilizou diferentes grupos políticos engajados na resolução dos problemas da nação italiana. No ano de 1920, uma greve geral de mais de dois milhões de trabalhadores demonstrava a situação caótica vivida no país. No campo, os grupos camponeses sulistas exigiam a realização de uma reforma agrária.

A mobilização dos grupos trabalhadores trouxe à tona o temor dos setores médios, da burguesia industrial e dos conservadores em geral. A possibilidade revolucionária em solo italiano refletiu-se na ascensão dos partidos socialista e comunista. De um lado, os socialistas eram favoráveis a um processo reformador que traria a mudança por vias estritamente partidárias. Do outro, os integrantes das facções comunistas entendiam que reformas profundas deviam ser estimuladas.

O processo de divisão ideológica das esquerdas acontecia enquanto os setores conservadores e da alta burguesia pleitearam apoio ao Partido Nacional Fascista. Os fascistas liderados por Benito Mussolini louvavam uma ação de combate contra os focos de articulação comunista e socialista. Desse modo, o “fasci di combattimento” (fascismo de combatimento) passou a atacar jornais, sindicatos e comícios da esquerda italiana.

Criando uma força miliciana conhecida como “camisas negras”, os fascistas ganharam bastante popularidade em meio às contendas da economia nacional. A demonstração de poder do movimento se deu quando, em 27 de outubro de 1922, os fascistas realizaram a Marcha sobre Roma. A manifestação, que tomou as ruas da capital italiana, exigia que o rei Vitor Emanuel III passasse o poder para as mãos do Partido Nacional Fascista. Pressionado, a autoridade real chamou Benito Mussolini para compor o governo.

Inserido nas esferas de poder político central, os fascistas teriam a oportunidade de impor seu projeto político autoritário e centralizador. Já nas eleições de 1924, os representantes políticos fascistas ganharam a maioria no parlamento. Os socialistas, inconformados com as fraudes do processo eleitoral, denunciaram a estratégia antidemocrática fascista. Em resposta, o socialista Giacomo Matteotti foi brutalmente assassinado por partidários fascistas.

Mussolini já tomava ações no sentido de minar as instituições representativas. O poder legislativo foi completamente enfraquecido e o novo governo publicou a Carta de Lavoro, que declarava as intenções da nova facção instalada no poder. Explicitando os princípios fascistas, o documento defendia um Estado corporativo onde a liderança soberana de Mussolini resolveria os problemas da Itália. No ano de 1926, um atentado sofrido por Mussolini foi a brecha utilizada para a fortificação do estado fascista.

Os órgãos de imprensa foram fechados, os partidos políticos (exceto o fascista) foram colocados na ilegalidade, os camisas negras incorporaram as forças de repressão oficial e a pena de morte foi legalizada. O Estado fascista, contando com tantos poderes, aniquilou grande parte das vias de oposição política. Entre os anos de 1927 e 1934, milhares de civis foram mortos, presos ou deportados.

O apelo aos jovens e à família instigou grande apoio popular ao regime do “Duce”. Em 1929, os acordos firmados com a Igreja no Tratado de Latrão aproximaram a população católica italiana ao regime totalitário. Ao mesmo tempo, o crescimento demográfico e o incentivo às obras públicas começaram a reverter os sinais da profunda crise que tomava conta da Itália. O setor agrícola e industrial passou a ganhar considerável incremento, interrompendo o processo inflacionário da economia.

Com a crise de 1929, a prosperidade econômica vivida nos primeiros anos do regime sofreu uma séria ameaça. Tentando contornar a recessão econômica, o governo de Benito Mussolini passou a entrar na corrida imperialista. No ano de 1935, os exércitos italianos realizaram a ocupação da Etiópia. A pressão das demais potências capitalistas resultaria nas tensões que desaguaram na deflagração da Segunda Guerra Mundial (1939 – 1945), momento em que Mussolini se aproxima do regime nazista alemão. 
Por Rainer Sousa
Graduado em História

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