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Oriente Médio e Palestina

sábado, 31 de dezembro de 2011

Brasil na primeira Guerra Mundial


A participação do Brasil na Primeira Guerra Mundial é um incidente pouco conhecido e, em termos do Conflito, de pequenas conseqüências. Contudo, deu-se em um momento delicado de nossa história e inseriu-se dentro de uma proposta de se obter uma maior participação nacional nos negócios mundiais, de forma que teve uma relativa importância local. Mais importante do que isso, as suas conseqüências econômicas foram marcantes, de forma que abordar o assunto é relevante para o sítio GrandesGuerras, como uma demonstração de como o Grande Conflito influenciou muito a situação mundial, mesmos nos países que tiveram uma pequena participação nele.

A situação do Brasil nas vésperas do conflito não era das melhores. O boom econômico da borracha, que tinha financiado em parte os programas de modernização da marinha (adquiriu dois encouraçados, dois cruzadores e 10 contratorpedeiros do último tipo em 1910) e do exército (comprou centenas de metralhadoras, 212 canhões de diversos calibres e 400.000 fuzis Mauser entre 1905 e 1910) tinha acabado, com a substituição das importações européias pela borracha da Malásia. Isso resultou no fato de que as forças armadas contassem com equipamentos modernos, mas carecessem de meios de operá-los eficazmente.

Por outro lado, a situação social e econômica também era complicada. A economia nacional ainda era basicamente uma fundamentada na exportação de apenas um produto agrícola, o café (na década de 1900 a 1910, correspondia 53% da pauta de exportações, a borracha sendo responsável por outros 26%), e este não podia ser classificado como essencial, de forma que suas exportações (e as rendas alfandegárias, a principal fonte de recursos do governo) diminuíram com o conflito. Isto foi um fator que se acentuou com o imediato bloqueio imposto às Potências Centrais e, mais tarde, com a proibição de se importar café feita pela Inglaterra em 1917, quando esta passou a considerar que o espaço de carga nos navios era necessário para produtos mais vitais, por causa das grandes perdas causadas pelos afundamentos de navios mercantes pelos alemães.

Do ponto de vista da economia não-agrícola, ainda muito incipiente neste período, pode-se dizer a Guerra ajudou no desenvolvimento de uma indústria local, pois foi necessário montar-se um esquema de substituição de importações, com a criação de fábricas aqui, Mas mesmo isso não foi tão acelerado quanto poderia ter sido, pois os tradicionais países exportadores de capital, que financiariam estes empreendimentos fabris, estavam envolvidos no conflito e, sem os recursos provenientes das exportações de café, faltava dinheiro para financiamento industrial.

Aos problemas econômicos, juntavam-se outros, de natureza social. Para se conseguir braços para a lavoura, o Brasil tinha implantado uma política de incentivo à imigração, sendo que no período de 1904 a 1913, tinham entrado mais de um milhão de imigrantes no País – 4% da população total, de 25 milhões. Esses números tornam-se mais significativos quando lembramos que eles vieram a se juntar à outros imigrantes já morando no Brasil e que a maioria de importantes grupos étnicos envolvidos no conflito (duzentos mil italianos, 56.000 alemães e austríacos e 42.000 turcos) se concentravam em um região restrita, São Paulo e, principalmente, nos três estados do sul do País (onde esses imigrantes recentes chegaram a compor por volta de 10% da população total).

Como o governo não tinha uma política de assimilação cultural para esses imigrantes, havia diversos enclaves onde a língua – inclusive a escrita, em jornais – era a de seus países de origem, não havendo uma identificação desses imigrantes com a sua nova nação. Muito pelo contrário, eles se viam mais como nacionais europeus do que como brasileiros.

Finalmente, a crise econômica causada pela Guerra teve suas conseqüências no espaço urbano, com o crescimento dos problemas trabalhistas nas fábricas, ocasionado pelas péssimas condições de trabalho, baixos salários e alta inflação. Estes fatores incentivavam a ação dos anarquistas e outros socialistas entre os trabalhadores, levando ao surgimento de um movimento operário que era contrário à Guerra européia. Por exemplo, uma assembléia realizada em março de 1915 com representantes de organizações e jornais operários, criou uma “Comissão Popular de Agitação contra a Guerra”, que conseguiu uma certa adesão. No dia 1º de maio daquele ano foi feita uma manifestação no largo de São Francisco, com cartazes contra o conflito, entre os quais havia uns onde se lia “Viva a Internacional” [Socialista], “Abaixo a Guerra” e “Queremos a paz”. Nesta ocasião foi lido um manifesto pela paz, onde estava escrito, sem exagero:

“Os efeitos maus da guerra não se delimitam às fronteiras das nações conflagradas. Eles repercutem mais ou menos fundamente por toda a parte. No Brasil, por exemplo, nunca se atravessou crise parecida com a atual. As fábricas, as oficinas estão paradas, e as que ainda não o estão, funcionam dois ou três dias por semana. Formam legiões os operários sem trabalho. Por outro lado, a carestia dos gêneros de primeira necessidade é cada vez mais acentuada. Atravessamos uma situação como jamais se viu. A miséria agora é regra. Milhares de famílias proletárias passam fome”.

Em termos de 1913, os salários perdem 25% do seu valor, enquanto os preços aumentam 23% um ano depois do início da Guerra, fator agravado com o aumento dos impostos gerais, feito pelo governo para suprir a queda das rendas alfandegárias, dando razão aos trabalhadores, que viam na Guerra um dos seus maiores problemas.

Muitos desses problemas sócio-econômicos já existiam e eram evidentes em agosto de 1914, de forma que a decisão do então presidente Hermes da Fonseca, de manter uma estrita neutralidade é perfeitamente compreensível, já que qualquer outra medida só aumentaria os conflitos internos. Apesar disso, o Brasil foi o único país da América do Sul a protestar formalmente contra a invasão da Bélgica pelos Alemães.

No processo de firmar a nossa neutralidade, o presidente baixou o decreto 11.037, de 4 de agosto de 1914, definindo estritas regras de conduta para o País, com a proibição de atracamento de navios de guerra e de recrutamento de pessoal para ir lutar no exterior, além de vedar o armamento de corsários, exportação de material de guerra, instalação de estações de apoio aos beligerantes (inclusive radiotelegráficas) e assim por diante. Esses decretos foram detalhados e ampliados em outros documento legais, os decretos 11.093, de 24 de agosto e 11.141, de 9 de setembro.

Por estas normas, por exemplo, foram internados 45 navios mercantes das Potências Centrais, com cerca de 1.200 tripulantes e até uma canhoneira, a Eber, mas não antes que o armamento e a maior parte do seu pessoal tivessem sido transferidos ilegalmente em Trindade, para armar o corsário Cap Trafalgar. Mesmo assim, a ação de agentes estrangeiros teve continuidade, especialmente entre as comunidades de imigrantes, com a venda de bônus de guerra e um pequeno recrutamento clandestino, principalmente entre os italianos. É óbvio que nem todas as ações contrárias à neutralidade brasileira podiam ser evitadas. O caso dos corsários, como o Möwe, que teria se abastecido e carvão no então distante e abandonado igarapé do Inferno no Amapá (28 de janeiro de 1917) é sintomático dos problemas de nossa marinha em patrulhar a costa, apesar de ter sido criada uma força de patrulha justamente para coibir este tipo de atividade. Registros abundam da ação desses incursores de superfície nas nossas costas, desde o já citado Cap Trafalgar, indo até o Karlsruhe e o famoso Seeadler. Só não se pode dizer que foi totalmente ineficaz, pois a instalação de uma pequena guarnição na ilha da Trindade em 1916, equipada com um rádio, impediu uma repetição do incidente do desarmamento da Eber: quando o corsário Wolf, de acordo com as memórias de seu comandante, percebeu o tráfego de rádio vindo de Trindade, ele deixou de usar a ilha como ponto de abastecimento de carvão.

Independentemente da vontade brasileira e da eficiência da aplicação das normas, a política de neutralidade tinha seus problemas. O Brasil, por exemplo, não considerava o café como material de guerra – nem o poderia fazer, já que era a base de sua economia –, mas o produto era visto como contrabando por todos os beligerantes, estando sujeito a imediata apreensão assim que fosse descoberto a caminho de um porto inimigo. Isso resultou na imediata proibição de venda para as Potências Centrais, mas conseguimos manter um certo comércio com os aliados, vendendo café aos ingleses (pelo menos até 1917), e aos franceses durante o conflito. Isso não foi muito problemático nos dois primeiros anos da Guerra, pois, de acordo com as normas do direito internacional, um bloqueio só poderia ser declarado se ele pudesse ser efetivamente implantado, com a inspeção de navios suspeitos, para procura de contrabando de guerra. Devido à superioridade naval inglesa, era impossível aos alemães estabelecerem um bloqueio nesses termos aos portos aliados, de forma que nossos navios, navegando totalmente iluminados, com o nome do País pintado no casco e a bandeira içada, para não serem confundidos com navios de guerra, podiam seguir até os portos aliados.

Desta forma, somente um navio brasileiro, o Rio Branco, foi afundado por um submarino nos primeiros anos da guerra (em 3 de maio de 1916), mas este estava em águas restritas, operando a serviço inglês e com a maior parte de sua tripulação sendo composta por noruegueses, de forma que, apesar da comoção nacional que o fato geral, não poderia ser considerado como um ataque ilegal dos alemães.

Esta situação de paz se alterou em 1º de fevereiro de 1917. Neste momento, o almirante Tirpiz, convencido que uma campanha irrestrita de ataques ao comércio teria condições de retirar a Inglaterra da Guerra, autorizou seus submarinos a afundar qualquer navio que entrasse nas zonas de bloqueio, sem as formalidades legais da vistoria para verificar se o navio portava contrabando ou não.

Sabedor dessa medida, Lauro Müller, o ministro das relações exteriores do Brasil, apesar de ser considerado germanófilo (era descendente de alemães), reuniu os embaixadores e representantes de outras nações sul-americanas em Petrópolis, conseguindo o apoio para uma tomada de posição firma por parte do Brasil, com relação a nova política alemã, fato este que foi facilitado pelo fato noticiado na imprensa, poucos dias depois, da descoberta de uma estação de rádio clandestina alemã, em Niterói.

Mesmo assim, em 9 de fevereiro, o ministro das relações exteriores alemão, Zimmerman, encaminhou um ofício a Lauro Müller, nos seguintes termos:

“... contra suas intenções, devido à atitude dos inimigos da Alemanha, [esta] se vê na obrigação de abater as restrições às quais se sujeitou o emprego de suas forças navais durante quase dois anos, apesar dos importantes interesses militares prejudicados por semelhante resolução”.

O documento era acompanhado de outro, a notificação de bloqueio de 31 de janeiro, em que se colocava que:

O Governo Imperial [da Alemanha] não poderia assumir a responsabilidade perante sua própria consciência, perante o povo alemão, perante a História, de não utilizar todos os meios para apresar o fim da Guerra. Tinha sido o desejo e a esperança de ai chegar por via de negociações. Os adversários têm respondido à tentativa de entrar nesse caminho pela declaração de intensificar a luta. O Governo Imperial, para servir a humanidade em sua expressão mais alta e para não se sobrecarregar com pesada falta aos olhos de seu próprio povo, deve pôr em ação todos os meios a fim de continuar a luta a que foi compelido para defender sua existêcnia. Vê-se forçado pois a suprimir as restrições mantidas até agora no emprego dos meios de combater no mar ...”

No mesmo dia do recebimento do documento, o embaixador na Alemanha o respondia, afirmando que os termos da proclamação eram inaceitáveis, pois o bloqueio por submarinos não poderia ser considerado como legal e efetivo, além de protestar contra as imensas áreas declaradas como estando sob bloqueio e contra a forma como as operações se dariam, sem restrições. O protesto brasileiro terminava concluíndo:

Por isso o Governo brasileiro, não obstante o seu sincero e vivo desejo de evitar divergências com as nações amigas ora em luta armada, sente-se no dever de protestar contra esse bloqueio, como efetivamente protesta e, em conseqüência disso, deixo ao Governo alemão a responsabilidade de todos aqueles casos que se derem com cidadãos, mercadorias e navios brasileiros, desde que se verifique a postergação dos princípios reconhecidos do Direito Internacional ou de atos convencionais dos quais o Brasil e a Alemanha sejam parte”.

Os protestos brasileiros caíram em ouvidos moucos. Em 5 de abril o Paraná, um dos maiores navios da nossa frota mercante (4.466 toneladas), carregado de café, foi torpedeado a 10 milhas do Cabo Barfleur, na França, apesar de vir iluminado, estar com a bandeira brasileira içada e ter a palavra “Brasil” pintada no casco. Somando-se a esta ofensa, o submarino alemão, emergindo, ainda disparou cinco tiros de canhão contra os náufragos, além de, obviamente, não prestar socorros a eles.

A reação do governo foi a de se recusar a receber o embaixador alemão, Pacti, que tinha ido apresentar explicações sobre o incidente. De forma mais contundente, as relações diplomáticas com a Alemanha foram rompidas no dia 11 do mês, com o argumento de que o bloqueio germânico era ilegal do ponto de vista do direito internacional, não sendo aceito pelo Brasil, além da desumanidade do ataque feito contra o Paraná. Neste momento foram devolvidos os passaportes aos funcionários alemães no Brasil, não mais vistos como personas gratas. Além disso, se assumiu a posse legal dos navios mercantes alemães surtos nos nossos portos, sem os confiscar, contudo, só se determinando que fossem colocados guardas a bordo deles, para reduzir a sabotagem que já estavam sofrendo por parte de suas tripulações.

A neutralidade, contudo, foi mantida, como pode-se observar pelo decreto 12.458, de 25 de abril, que declarava o País neutro no conflito que se estabelecia entre as Potências Centrais e os Estados Unidos, que tinham entrado em guerra em 9 do mês, ainda em função da campanha submarina irrestrita. Essa decisão moderada não foi bem vista por todos. O povo foi as ruas, clamando por uma reação mais forte do Governo, posição que foi apoiada por políticos da oposição, como Rui Barbosa, que fez um discurso dizendo que o mero abandono da neutralidade não seria suficiente – nada além da entrada na Guerra satisfaria a nação. Rui Barbosa colocava ainda que a posição do Brasil era semelhante à dos EUA, perguntando se as vidas dos brasileiros valeriam menos do que as dos norte-americanos, já que eles tinham entrado na Guerra e nós não.

Se a declaração de guerra dos EUA a Alemanha não tinha sido suficiente para parar o conflito, certamente não seriam os protestos do Brasil que fariam diferença, de forma que a campanha submarina contra o comércio continuou – e as conseqüências disso para o Brasil não tardaram. Em 20 de maio outro navio brasileiro, o Tijucas, foi afundado ao largo de Brest, sendo seguido seis dias depois, pelo Lapa, que foi inspecionado e afundado por três disparos de um submarino, ao largo da Cabo Trafalgar.

Em função desses ataques, o presidente Wenceslau Brás declarou sem efeito nossa neutralidade em relação aos EUA (permitindo o uso de nossos portos e outras pequenas vantagens aos navios de guerra norte americanos), fato que foi aproveitado logo pelos americanos, que enviaram uma esquadra com quatro encouraçados em meados de junho, para fazer uma visita de boa vontade ao Brasil. Wenceslau Brás também autorizou o uso dos navios alemães que aqui se encontravam (decreto legislativo 3.266, de 1 de junho e decreto 12.501, de 2 de junho). Finalmente, os benefícios dados aos norte-americanos foram estendidos a neutralidade em relação a França, Inglaterra, Japão e Portugal, mantendo uma dúbia neutralidade em relação aos conflitos que ocorriam entre a Itália e Alemanha e entre os aliados e a Áustria-Hungria, Império Otomano e Bulgária.

Esses fatos foram recebidos de forma diversa pela população: um importante segmento, alimentado pela máquina de propaganda, assumia uma posição agressiva contra as Potências Centrais, como quando da suposta descoberta pelo Contra-torpedeiro Maranhão do que seria uma base de operações de submarinos alemães em Combari, perto de Santos, ou a acusação de que o incêndio do jornal o “O Paiz” teria sido causado por uma alemão, de nome Hubner, dentro de uma atuação de sabotagem semelhante a que ocorria nos EUA. Para atender essas pessoas – e mostrar uma posição firme – o general Lauro Müller foi substituído no ministério por Epitácio Pessoa.

Mas a ameaça de guerra não tinha conseguido afastar de todos os problemas que o conflito vinha trazendo ao País. A questão operária, tratada como se fosse “caso de polícia”, vinha recrudescendo, com o aumento do custo de vida, inflação e congelamento de salários, a ponto de estourar a primeira grande greve entre os operários de São Paulo. Em junho de 1917, estes cruzam seus braços, pedindo 20% de aumento, em 14 de julho o número de grevistas chegava a 40.000 e o movimento se alastrava para Santos e Campinas. Alguns aumentos são obtidos e o movimento se encerra, mas é considerado um marco no movimento sindical brasileiro e pode ser usado também como índice do aumento da industrialização, pois agora o setor urbano já era numeroso suficiente para causar preocupações ao governo.

Do ponto de vista do conflito externo, a situação continuava a mesma, a campanha de submarinos prosseguia e o Brasil tinha que manter seu comércio de exportação de café, de forma que novos confrontos eram inevitáveis. Os navios alemães apresados aqui faziam parte da “Lista Negra” aliada, o que permitia a sua apreensão pelos aliados, mas o Brasil fez um acordo com a França, arrendando 30 deles (com tripulações brasileiras) e passando a usar os 15 outros, retirados da lista negra. Os que não se encontravam muito sabotados por seus tripulantes alemães (recolhidos em campos de internação no Rio de Janeiro), foram imediatamente postos em uso no comércio exterior. Um desses, o Macau, ex-Palatia, em 18 de outubro estava com uma carga de café a 200 milhas do Cabo Finesterra, quando foi parado por um submarino alemão. O capitão do navio, seguido por seu despenseiro, foram a bordo do submarino com os papeis do cargueiro, sendo aprisionados (e nunca mais vistos). O navio em seguida foi torpedeado.

O conflito já existia de fato e só restava ao governo brasileiro reconhecer a existência do estado de guerra (o Brasil nunca declarou guerra a ninguém). Assim, o presidente Wenceslau Brás enviou em 25 de outubro uma mensagem ao congresso, onde dizia: ... não haver como iludir a situação ou deixar de constatar o estado de guerra que nos é imposto pela Alemanha”. O Congresso, no dia seguinte, aprovava o decreto 3.361, onde se “reconhecia e proclamava o estado de guerra iniciado pelo Império Alemão contra o Brasil”.

Os contra-torpedeiros Piauí e Mato Grosso foram enviados para a Bahia, para capturar a canhoneira Eber, mas os tripulantes desta conseguiram incendiar o navio antes que pudessem ser detidos. Além disso, como uma das primeiras medidas de reforço da nacionalidade, os jornais em língua alemã foram proibidos. Mas esses atos não atendiam os interesses da população dos políticos, que queriam uma participação mais ativa, como uma forma de vingança e para desviar a atenção dos problemas internos. Desta forma, foi criada a Divisão Naval em Operações de Guerra (D.N.O.G.), além de ter sido declarado o Estado de Sítio nos estados do Sul (com numerosos imigrantes estrangeiros) e no Rio de Janeiro e São Paulo, por causa das agitações operárias.

A iniciativa da criação de uma divisão naval tinha sido apresentada pelo Brasil na conferência de Paris, no final de novembro, com a oferta de dos dois cruzadores leves (Bahia e Rio Grande do Sul) e de quatro contra-torpedeiros, para operar no circuito Dacar-São Vicente-Gibraltar. Aceita a oferta, a Divisão foi criada em 30 de janeiro de 1918, com do citados cruzadores e os contra-torpedeiros Piauí, Rio Grande do Norte, Paraíba e Santa Catarina, sob o comando do contra-almirante Pedro Max Fernando de Frontin. Este pediu a cessão de um navio para servir de tender, tendo-lhe sido designado o Belmonte (ex-alemão Valesia), armado como cruzador auxiliar. Finalmente, o rebocador Laurindo Pita (hoje preservado como navio-museu no Rio de Janeiro) completava a DNOG, com um efetivo total de 1502 homens: 75 oficiais de armada, 4 médicos, 50 oficiais de máquinas, 5 oficiais comissários (intendentes), um farmacêutico, um dentista, um capelão, um sub-maquinista, 41 sub-oficiais, 43 mecânicos, 4 auxiliares de fiel, 702 marinheiros, 481 foguistas, 89 taifeiros, um padeiro e três barbeiros.

Deve-se observar que essa oferta não era apenas simbólica – os aliados necessitavam urgentemente de navios e tripulações para o serviço de escolta de comboios. Por exemplo, 22 comboios (19 lentos e 3 rápidos) foram organizados entre o Rio de Janeiro e a Inglaterra em 1917 e 1918 e para acompanhar esses comboios eram necessários navios de guerra – e isto em uma frente secundária. O desespero por navios e, mais ainda, tripulações, era tal que a Inglaterra teve que desativar alguns encouraçados velhos para usar as tripulações em navios de escolta e aceitou-se até o envio de uma esquadra de destróieres japoneses para operar no Mediterrâneo, cedendo a eles também dois contratorpedeiros ingleses, para serem tripulados por nipônicos.

Mesmo sendo uma medida necessária, a formação da flotilha brasileira sofreu de uma série de problemas, desde o início. Os navios brasileiros, lançados ao mar em 1910, não estavam equipados para a guerra anti-submarina: não tinham hidrofones para detecção de embarcações submersas e não havia calhas especializadas para o lançamento de bombas de profundidade. Além disso, os navios eram movidos por máquinas a vapor queimando carvão, o que exigia um número elevado de foguistas e demandava reabastecimentos constantes, fator agravado pelo pequeno porte de todas as embarcações – os contra-torpedeiros tinham somente 600 toneladas e um raio de ação muito limitado, exigindo constantes transferências de carvão, atividade muito complicada de ser feito em alto-mar. Finamente, devido à própria Guerra, que impedia o fornecimento de peças de reposição, as caldeiras dos cruzadores precisavam ser reparadas, o que não pode ser feito no Brasil.

Apesar de todos os pesares, a Divisão seguiu para o Teatro de operações em 16 de julho de 1918. Na viagem, o incidente mais notável teria sido um ataque de torpedo feito contra o tender Belmonte, nas proximidades de Dacar, felizmente não bem sucedido. O suposto submarino foi atacado por tiros de canhão e bombas de profundidade, mas o ataque e o possível afundamento do submarino não puderam ser confirmados. Contudo o almirantado inglês informou sobre o desaparecimento de um submarino alemão que operava na rota da DNOG.

Em Dacar, onde a Divisão chegou em 26 de agosto, após sucessivas paradas na rota, os navios receberam ordens de operar na área de Cabo Verde, até então só patrulhada – de forma inadequada – por duas canhoneiras inglesas. Os problemas, entretanto, continuavam. O vírus da gripe espanhola, adquirido em Freetown, começou a causar baixas (no final, a DNOG perderia 110 mortos e 140 incapacitados pela doença: 17% do seu efetivo total). Somava-se a isso os problemas mecânicos, que imobiliziram os dois cruzadores e um dos contra-torpedeiros, o que certamente reduziu em muito a eficácia de ação da Divisão.

Após algum tempo, nossos navios receberam ordens dos ingleses para seguirem para Gibraltar, tendo ocorrido na rota alguns incidentes. O Almirante Frontin fora alertado pra tomar cuidado, pois o encouraçado Britânia, designado para acompanhar a flotilha brasileira tinha sido afundado em rota por um submarino e havia um alerta de presença de submersíveis na área. Desta forma, foi com muita tensão que navegamos, o que pode ser a explicação de duas confusões que ocorreram. A primeira foi a muito conhecida “batalha das toninhas”, quando um cardume destes peixes foi confundido com o rastro de um periscópio, fazendo com que o Bahia disparasse seus canhões contra os peixes. O outro incidente foi um ataque de canhões, feito pelo contra-torpedeiro Piauí contra o caça-submarinos 190 da marinha norte-americana, confundido com um submarino devido às suas pequenas dimensões, felizmente sem causar danos ao navio aliado, que logo se identificou.

A Divisão chegou a Gibraltar no dia 10 de novembro, às vésperas do armistício, retornando ao Brasil após uma visita de boa vontade à Inglaterra. A ação da DNOG não foi das mais gloriosas. Mesmo tendo sido uma tentativa de mostrar nossa capacidade e vontate de combater o inimigo, serviu mais para ilustrar as deficiências que nossa incipiente marinha tinha que superar. Isso fica claro nos “comentários finais” escritos na História Naval Brasileira, a obra oficial que trata do assunto:

“A DNOG escreveu página mais triste do que gloriosa da História da Marinha brasileira. Mas nossa participação na Primeira Guerra, com suas dificuldades e limitações, foi grito de alerta sobre a importância de se manter permanentemente força naval pronta e adestrada, mesmo que modesta, pois, dispondo-se do material, os marinheiros que o guarneceriam não desmentirão, a bravura, a abnegação, o entusiasmo, o espírito de sacrifício, que foram o apanágio das tripulações da DNOG”.

Afora a participação da Divisão Naval, o Brasil também enviou um hospital completo para Paris, com 100 médicos e pessoal de apoio, assim como oficiais para participarem do conflito, aprendendo as últimas técnicas que estavam sendo desenvolvidas, como as relativas à aviação (oito pilotos lutaram com a RAF, sete da marinha e um do exército) e em terra. Houve até um oficial que esteve presente na Batalha de Jutlândia e outros combateram na Frente Ocidental. Um deles, o tenente Carlos de Andrade Neves, morreu de doença enquanto servia no 8º Regimento de Artilharia de Campanha Francês, em 1918.

Destes oficiais que serviram no exército francês, o caso mais importante e famoso foi de José Pessoa Cavalcanti de Albuquerque, que comandou pelotões de cavalaria francesa de três regimentos diferentes, sendo que pelo menos em um dos casos ele comandou uma pequena unidade do 504 Regimento de Dragões, equipados com tanques (Renault FT-17). A experiência adquirida com esses carros e o papel deles no conflito fez com que o exército comprasse o primeiro material blindado do País, uma companhia de 12 carros Renault FT-17, que seria comandada por Albuquerque. A experiência dele com os carros permitiu também que eles fossem adaptados para o Brasil, corrigindo-se uma série de pequenos defeitos de projeto. Por essas razões o General Albuquerque é conhecido como o pai da força blindada brasileira.

Além disso, a Guerra – e a compreensão das novas realidades causadas pelo conflito – facilitou em muito a implantação do recrutamento obrigatório no Brasil. Esta era uma campanha que vinha sendo desenvolvida à vários anos pela Liga de Defesa Nacional, e por alguns expoentes de nossa cultura, o maior de todos sendo o poeta Olavo Bilac. Entretanto, essa proposta não tinha tido muito sucesso. Durante a Guerra, todos os grandes exércitos passaram a ser compostos de recrutas conscritos, sendo que alguns dos grandes exércitos já antes da Guerra eram compostos de cidadãos que tinham recebido o treinamento básico durante a paz (54% dos homens franceses em idade militar antes de 1914 tinham recebido esse treinamento). Os antigos exércitos profissionais, de pequenos efetivos, não tinham mais lugar na nova guerra de massa, e isso forçou o Brasil a adotar o recrutamento em 1917 – um fato de grande efeito, pois até hoje nosso exército é formado por um grande número de conscritos que recebem treinamento básico, formando as reservas mobilizáveis em caso de guerra.

Os beligerantes também prestaram apoio às forças nacionais, com o envio de missões militares e material de guerra. Os franceses cederam, por exemplo, trinta aviões, base de nossa incipiente aviação militar. Mais tarde, o Brasil contrataria uma missão militar francesa, para treinar nosso corpo de oficiais, fato que teria profundas implicações, já que duas gerações de oficiais foram treinados e instruídos pelos Franceses, entre 1921 e 1934.

Do ponto de vista da paz, o Brasil enviou uma imensa comitiva para participar da conferência de Versalhes, chefiada pelo futuro presidente Epitácio Pessoa. Esta comitiva conseguiu incluir dois parágrafos no acordo de paz, um relativo à indenização de sacas de café apreendidas em portos alemães quando da declaração da Guerra e outro relativo a venda dos navios alemães apresados (menos dois, apreendidos pelos Franceses), ambas em condições favoráveis a nós. O Brasil também foi um dos fundadores da Liga das Nações, órgão que antecedeu as Nações Unidas e na qual nossos diplomatas colocaram grandes esperanças, pelo menos inicialmente. A decisão norte-americana de não participar da Liga, e medidas posteriores tomadas por esta, nos desiludiram, fazendo com que o Brasil abandonasse a Liga alguns anos depois, sendo a saída Brasileira considerada por muitos como um símbolo do fracasso daquela organização.

Internamente, a Guerra implicou em uma transformação interna mais profunda. A necessidade de substituir importações tinha levado ao surgimento de um núcleo industrial maior e este tinha sido financiado, basicamente, por capitais norte-americanos, já que a Inglaterra, antiga financiadora primordial, não era mais capaz de faze-lo, marcando uma mudança de orientação na formação de nossa dependência econômica, situação que só viria a se acentuar ao longo das décadas seguintes.

De um ponto de vista econômico mais imediato, a crise da Guerra não seria totalmente solucionada com o término do conflito. A isso somava-se a visão de diversos setores – interessados na modernização do País – de que uma economia dependente de apenas um único produto agrícola não era aceitável, o Brasil precisando de reformas econômicas e sociais. Esta visão de que reformas eram necessárias, claramente representada pelos oficiais mais jovens das forças armadas, os Tenentes, fizeram com que o período que se seguiu a Guerra fosse marcado por revoltas internas, como o movimento dos “18 do Forte” e a coluna Prestes – todo o mandato de Epitácio Pessoa (1922 a 1926) foi passado com o país em Estado de Sítio devido a estes movimentos e o problema só se resolveria em 1930, com a ascensão ao poder de Vargas e a queda do poder dos cafeicultores de São Paulo.

Desta forma, mesmo que a participação brasileira no conflito tenha sido restrita, a 1ª Guerra teve profundas e duradouras conseqüências, tanto militares, como sociais e econômicas.
Fonte deste artigo: Adler Homero Fonseca de Castro

sábado, 10 de dezembro de 2011

Questões discursivas com gabarito comentado sobre: Reforma Religiosa, Revolução Inglesa do século XVII, Primeiro Reinado (1822-1831), Regências (1831-1840), Segundo Reinado,Iluminismo, Revolução Industrial, Cultura no Brasil Império (1822-1889) e Crise do Segundo Reinado.


Essas questões abordam os seguintes capítulos dos livros 3 e4 do UNO:

Livro 3 – Reforma Religiosa, Revolução Inglesa do século  XVII, Primeiro Reinado (1822-1831), Regências (1831-1840) e Segundo Reinado.

Livro 4 – Iluminismo, Revolução Industrial, Cultura no Brasil Império (1822-1889) e Crise do Segundo Reinado.



1. (Fuvest 2011)  Observe os dois quadros a seguir.



Essas duas pinturas se referem à chamada Guerra da Tríplice Aliança (ou Guerra do Paraguai), ocorrida na América do Sul entre 1864 e 1870.
a) Esses quadros foram pintados cerca de dez anos depois de terminada a Guerra do Paraguai, o da esquerda, por um brasileiro, o da direita, por um uruguaio. Analise como cada um desses quadros procura construir uma determinada visão do conflito.
b) A Guerra do Paraguai foi antecedida por vários conflitos na região do Rio da Prata, que coincidiram e se relacionaram com o processo de construção dos Estados nacionais na região. Indique um desses conflitos, relacionando-o com tal processo.
  
2. (Ufrs 2011)  Leia o texto abaixo.

Conheça o Brasil que o dia 20 de setembro de 1835 foi a consequência inevitável de uma má e odiosa administração; e que não tivemos outro objeto, e não nos propusemos a outro fim que restaurar o império da lei, afastando de nós um administrador inepto e faccioso, sustentando o trono constitucional do nosso jovem monarca e a integridade do Império. (Manifesto de 25 de setembro de 1835)

Coletânea de documentos de Bento Gonçalves da Silva. Porto Alegre: Arquivo Histórico do Rio Grande do Sul, 1985. p. 269.

Em relação ao manifesto acima, é correto afirmar que
a) os farroupilhas defendiam, desde o primeiro momento, o ideário republicano e separatista.   
b) os revoltosos desejavam antecipar a posse de Dom Pedro II, ainda menor de idade.   
c) a revolta foi motivada pelo desejo dos farroupilhas de reintegrar a província ao Império brasileiro.   
d) os revoltosos estavam contrariados com o governo do presidente provincial.   
e) os farroupilhas representavam os ideais conservadores, manifesto na defesa do "império da lei".   
  
3. (Unicamp 2011)  Na Inglaterra, por volta de 1640, a monarquia dos Stuart era incapaz de continuar governando de maneira tradicional. Entre as forças sociais que não podiam mais ser contidas no velho quadro político, estavam aqueles que queriam obter dinheiro, como também aqueles que queriam adorar a Deus seguindo apenas suas próprias consciências, o que os levou a desafiar as instituições de uma sociedade hierarquicamente estratificada.

(Adaptado de Christopher Hill, “Uma revolução burguesa?”. Revista Brasileira de História, São Paulo, vol. 4, nº 7, 1984, p. 10.)

a) Conforme o texto, que valores se contrapunham à forma de governo tradicional na Inglaterra do século XVII?
b) Quais foram as consequências da Revolução Inglesa para o quadro político do país?
  
4. (Unesp 2010)  No século XVIII, surgiram novas ideias que despertaram o interesse de muitos adeptos que rejeitavam as tradições e almejavam explicações racionais para compreender os fenômenos naturais e sociais. Como ficaram conhecidos os pensadores desse período e de que modo esses pensadores influenciaram monarcas e ministros europeus?
  
5. (Unicamp 2010)  Na Europa, até o século XVIII, o passado era o modelo para o presente e para o futuro. O velho representava a sabedoria, não apenas em termos de uma longa experiência, mas também da memória de como eram as coisas, como eram feitas e, portanto, de como deveriam ser feitas. Atualmente, a experiência acumulada não é mais considerada tão relevante. Desde o início da Revolução Industrial, a novidade trazida por cada geração é muito mais marcante do que sua semelhança com o que havia antes.

(Adaptado de Eric Hobsbawm, O que a história tem a dizer-nos sobre a sociedade contemporânea?, em: Sobre História. São Paulo: Companhia das Letras, 1998, p. 37-38.)

a) Segundo o texto, como a Revolução Industrial transformou nossa atitude em relação ao passado?
b) De que maneiras a Revolução Industrial dos séculos XVIII e XIX alterou o sistema de produção?
  
6. (Ufg 2010)  Leia e compare os documentos.

O trono real não é o trono de um homem, mas o trono do próprio Deus. Três razões fazem ver que a monarquia hereditária é o melhor governo. A primeira é que é o mais natural e se perpetua por si próprio. A segunda razão é que esse governo é o que interessa mais na conservação do Estado e dos poderes que o constituem: o príncipe, que trabalha para o seu Estado, trabalha para seus filhos. A terceira razão retira-se da dignidade das casas reais.

BOSSUET, Jacques-Bénigne. A política inspirada na Sagrada Escritura. In: FREITAS, Gustavo de. 900 textos e documentos de História. Lisboa: Plátano,1977. (Adaptado).

Nenhum homem recebeu da natureza o direito de comandar os outros. A liberdade é um presente do céu, e cada indivíduo da mesma espécie tem o direito de gozar dela logo que goze da razão. Toda autoridade (que não a paterna) vem duma outra origem, que não é a da natureza. Examinando-a bem, sempre se fará remontar a uma dessas duas fontes: ou a força e violência daquele que dela se apoderou; ou o consentimento daqueles que lhe são submetidos, por um contrato celebrado ou suposto entre eles e a quem deferiram a autoridade.

DIDEROT, Denis. Autoridade política. In: FREITAS, Gustavo de. 900 textos e documentos de História. Lisboa: Plátano, 1977.

O primeiro documento data de 1708, ao passo que o segundo faz parte da Enciclopédia, cujos volumes foram publicados entre 1751 e 1780. Ambos os escritos tratam do poder político e da relação entre governantes e governados, expressando perspectivas distintas. Nesse sentido, identifique e explique os princípios presentes em cada um dos documentos, que definiram a relação entre governantes e governados.
  
7. (Uerj 2009)  O rei é vencido e preso. O Parlamento tenta negociar com ele, dispondo-se a sacrificar o Exército. A intransigência de Carlos, a radicalização do Exército, a inépcia do Parlamento somam-se para impedir essa saída "moderada"; o rei foge do cativeiro, afinal, e uma nova guerra civil termina com a sua prisão pela segunda vez. O resultado será uma solução, por assim dizer, moderadamente radical (1649): os presbiterianos são excluídos do Parlamento, a câmara dos lordes é extinta, o rei decapitado por traição ao seu povo após um julgamento solene sem precedentes, proclamada a república; mas essas bandeiras radicais são tomadas por generais independentes, Cromwell à testa, que as esvaziam de seu conteúdo social.
            RENATO JANINE RIBEIRO. In: HILL, Christopher. "O mundo de ponta-cabeça: ideias radicais durante a Revolução Inglesa de 1640". São Paulo: companhia das letras, 1987.

O texto faz menção a um dos acontecimentos mais importantes da Europa no século XVII: a Revolução Puritana (1642-1649). A partir daquele acontecimento, a Inglaterra viveu uma breve experiência republicana, sob a liderança de Oliver Cromwell. Dentre suas realizações mais importantes, destaca-se a decretação do primeiro Ato de Navegação.
Explique a importância do Ato de Navegação para a economia inglesa e aponte duas ações políticas da República Puritana.
  
8. (Unicamp 2009)  A base da teologia de Martinho Lutero reside na ideia da completa indignidade do homem, cujas vontades estão sempre escravizadas ao pecado. A vontade de Deus permanece sempre eterna e insondável e o homem jamais pode esperar salvar-se por seus próprios esforços. Para Lutero, alguns homens estão predestinados salvação e outros à condenação eterna. O essencial de sua doutrina é que a salvação se dá pela fé na justiça, graça e misericórdia divinas.
            (Adaptado de Quentin Skinner, "As fundações do pensamento político moderno". São Paulo: Companhia das Letras, 1996, p. 288-290.)

a) Segundo o texto, quais eram as ideias de Lutero sobre a salvação?
b) Quais foram as reações da Igreja Católica à Reforma Protestante?
  
9. (Uerj 2009)  Relações entre a pregação protestante e as estruturas políticas então existentes foram muitas vezes decisivas tanto para os destinos da pregação em si quanto para os rumos afinal tomados pela organização das novas Igrejas.
            FRANCISCO JOSÉ CALAZANS FALCON In: RODRIGUES, Antonio Edmilson M. e Falcon, Francisco José C. "Tempos modernos: ensaios de história cultural". Rio de Janeiro: civilização Brasileira, 2000.

O texto acima se refere a processos da Reforma Religiosa ocorridos na Europa. O movimento reformista, entretanto, conheceu diferentes reações em distintas áreas.
Indique duas causas para a Reforma Religiosa na Inglaterra e uma consequência econômica desse movimento.
  
10. (Unifesp 2008)  Com a Reforma e a Contra-Reforma, os dois protagonistas principais de uma e de outra foram Calvino e Inácio de Loyola.
Comente o papel e a importância de
a) Calvino para o protestantismo.
b) Inácio de Loyola para o catolicismo.
  
11. (Unicamp 2007)  "Se eu pudesse alguma coisa com Deus, lhe rogaria quisesse dar muita geada anualmente nas terras de serra acima, onde se faz o açúcar; porque a cultura da cana tem sido muito prejudicial aos povos: 10-) porque tem abandonado ou diminuído a cultura do milho e do feijão e a criação dos porcos; estes gêneros têm encarecido, assim como a cultura de trigo, e do algodão e azeite de mamona; 20-) porque tem introduzido muita escravatura, o que empobrece os lavradores, corrompe os costumes e leva ao desprezo pelo trabalho de enxada; 30-) porque tem devastado as belas matas e reduzido a taperas muitas herdades; 40-) porque rouba muitos braços à agricultura, que se empregam no carreto dos africanos; 50-) porque exige grande número de bestas muares que não procriam e que consomem muito milho; 60-) porque diminuiria a feitura da cachaça, que tão prejudicial é do moral e físico dos moradores do campo."
            (Adaptado de José Bonifácio de Andrada e Silva [1763 -1838], "Projetos para o Brasil". São Paulo: Companhia das Letras, 1998, p. 181, 182.)

Retome o texto apresentado, escrito por José Bonifácio de Andrada e Silva.
a) Identifique dois aspectos negativos da cultura da cana-de-açúcar mencionados no texto.
b) A Assembleia Constituinte, à qual José Bonifácio encaminhou seus projetos sobre a escravidão, foi dissolvida em novembro de 1823 por D. Pedro I, que promulgou uma Constituição em março de 1824. Essa carta outorgada instituiu o Poder Moderador. De que maneira o Poder Moderador levou à centralização da Monarquia?
c) Aponte dois fatores que contribuíram para a abolição da escravidão no Brasil.
  
12. (G1 - cftce 2007)  "A Revolução Inglesa estimulou o desenvolvimento do capitalismo na Inglaterra. O Parlamento adotou diversas medidas favoráveis aos negócios da burguesia. No final do século XVIII, a Inglaterra foi o primeiro país do mundo a instalar fábricas que utilizavam máquinas a vapor. Começava, então, a Revolução Industrial".
            (Schmidt, Mário. "Nova História Crítica". São Paulo: Nova Geração, 2002).

Analise o texto, destacando os principais fatores que contribuíram para a Revolução Industrial.
  
13. (Ufscar 2007)  Eu vos exorto, soldados do Exército da República Inglesa! O inimigo não poderia vencer-vos no campo de batalha, porém pode derrotar-vos nos meandros de sua política se não conservardes firme a tenção de estabelecer a liberdade de todos. Pois, se ele vencer, a autoridade régia retornará a vossas leis, o rei Carlos vos terá vencido e à vossa posteridade pela sua política, terá ganho a batalha, embora aparentemente lhe tenhais cortado a cabeça.
            (Winstanley, 1652.)

a) Quais são as ideias defendidas pelo autor no texto?
b) Qual o contexto histórico tratado no texto?
  
14. (Uff 2006)  "Juro defender o vasto Império do Brasil e a liberal constituição digna do Brasil e digna do seu imortal defensor como pedem os votos dos verdadeiros amigos da Pátria"

Segundo Lucia Neves, com essas palavras, D. Pedro I colocava-se, antecipadamente, na qualidade de juiz e revisor da Constituição Brasileira que seria elaborada pelos representantes da Nação.
            (apud Neves, Lucia Pereira das & Machado, Humberto. "O Império do Brasil". Rio de Janeiro, Nova fronteira, 1999, p. 84.)

Com base nessa afirmativa, analise o contexto político que originou a Carta outorgada de 1824.
  
15. (Ufrrj 2006)  Leia o texto a seguir:

"Durante o primeiro século da era colonial, Espanha e Portugal dominaram o novo mundo, pois a França e a Inglaterra eram demasiado fracas e se achavam excessivamente divididas por disputas intestinas, e não poderiam fazer mais do que enviar expedições exploratórias que estabeleceram os seus direitos sobre as terras que elas haveriam de colonizar durante o século XVIII."
            (Jensen, Merrill 'A Fase Colonial' in Woodward, C.Vann, "Ensaios Comparativos sobre a História Americana". São Paulo: Cultrix, 1972: 30.)

O texto faz referência a disputas intestinas da Inglaterra que teriam retardado o seu empreendimento expansionista e sobre o início de seu processo de conquistas de colônias. A este respeito, responda as questões a seguir.
a) Mencione pelo menos um processo político que pode ser caracterizado como gerador de situações de crise interna na Inglaterra.
b) A colonização por ingleses ao norte do continente americano gerou um tipo de sociedade colonial particular que, em vários aspectos, se diferencia das experiências coloniais estabelecidas ao sul. Cite duas características das chamadas "colônias de povoamento" que as diferenciam das "colônias de exploração".
  
16. (G1 - cftce 2005)  Explique a crise política do Brasil durante o 10. Reinado, que culminou com a abdicação de D. Pedro I.
  
17. (Ufv 2005)  O pioneirismo inglês no processo de constituição do capitalismo industrial é explicado por um conjunto de fatores de natureza social, política e econômica, durante os séculos XVII e XVIII.
Indique três condições que favoreceram o desenvolvimento do capitalismo naquele país, sendo uma política, uma social e uma econômica.

a) Política:
b) Econômica:
c) Social:
  
18. (G1 - cftce 2005)  Destaque três fatores geográficos que contribuíram para que a Revolução Industrial ocorresse na Inglaterra.
  
19. (Uerj 2005)  CANÇÃO LUDITA
E noite trás noite, quando tudo está tranquilo
e a lua se esconde por detrás da colina
Nós marchamos para executar a nossa vontade
Com acha, lança ou fuzil
Oh! meus valentes cortadores
Os que com um só forte golpe
rompem com as máquinas cortadeiras ...
            (http://educaterra.terra.com.br)

O movimento Ludita, ocorrido na Inglaterra principalmente entre 1811 e 1813, conhecido na História como "quebra-máquinas", foi uma reação contra os problemas decorrentes da Revolução Industrial. Mencione:

a) dois fatores para o movimento Ludita;
b) duas razões, uma no plano social e outra no plano tecnológico, que justifiquem o fato de a Revolução Industrial ser considerada um marco do início do mundo contemporâneo.
  
20. (Unesp 2004)  O texto seguinte se refere a um esforço de implantação de fábricas no Brasil em meados do século XIX. Não se pode dizer (...) que tenha havido falta de proteção depois de 1844. Nem é lícito considerar reduzido seu nível (...) Não se está autorizado, portanto, a atribuir o bloqueio da industrialização à carência de proteção. O verdadeiro problema começa aí: há que explicar por que o nível de proteção, que jamais foi baixo, revelou-se insuficiente.
(J. M. Cardoso de Mello. O Capitalismo tardio, 1982.)

a) Qual foi a novidade da Tarifa Alves Branco (1844), comparando-a com os tratados assinados com a Inglaterra em 1810?
b) Indique duas razões do "bloqueio da industrialização" ao qual se refere o autor.
  
21. (Fuvest 2000)  Criada pelo Ato Adicional de 1834, a Regência Una (1835-1840) é considerada como uma experiência republicana do Império que usou elementos da Constituição dos EUA.

Quais determinações do Ato Adicional tornaram possível tal experiência?
  
22. (Fuvest 1999)  Discuta, exemplificando, as dificuldades enfrentadas pela monarquia, nas décadas de 1830 e 1840, para a manutenção da unidade territorial brasileira.
  
23. (Unicamp 1997)  No século XVIII, um grupo de economistas franceses conhecidos por fisiocratas defendeu a livre concorrência e a liberdade no funcionamento da economia, cunhando a famosa expressão "laissez faire, laissez passez, le monde va de lui-même" (deixe estar, deixe passar, o mundo caminha por si). Este ideal foi uma das bases para o liberalismo econômico que, diretamente ligado à ascensão da burguesia, marcou o pensamento do século das Luzes. Explique as relações entre os princípios do liberalismo econômico e os objetivos da burguesia ascendente.
  
24. (Ufrj 1997)  "Quem quiser falar com certa clareza da dissolução do governo deve, em primeiro lugar, distinguir entre dissolução da sociedade e dissolução do governo. O que constitui a comunidade, e leva os homens do livre estado de natureza para uma só sociedade política, é o acordo que cada um faz com os outros para se incorporar com eles e deliberar como um só corpo e, desse modo, formar uma única sociedade política distinta. O modo habitual, e quase o único, pelo qual essa união se dissolve é a invasão de uma força estrangeira (...)"
            (John Locke. TWO TREATISES OF GOVERNMENT)

As ideias liberais consagraram um conjunto de atitudes próprias da burguesia. John Locke (1623-1704) foi um dos filósofos a expressar essa visão de mundo que se fez presente nas revoluções do século XVII.
a) Explique uma transformação política ocorrida na Inglaterra a partir das revoluções do século XVII.
b) Cite dois princípios do liberalismo.
c) Justifique o interesse da burguesia inglesa nos aspectos econômicos do liberalismo.
 
Gabarito:  

Resposta da questão 1:
 a) O quadro da esquerda, pintado por um brasileiro, retrata uma das mais importantes batalhas da guerra (Batalha do Riachuelo), na qual o exército brasileiro se faz vencedor. Tal obra exalta o exército como uma força superior (navios brasileiros X homens inimigos), que iria acabar definitivamente com o conflito e marcar a hegemonia brasileira na região. Já o quadro da direita, pintado por um uruguaio, representa a situação de destruição e miséria na qual se encontram as localidades marcadas pela guerra (mais especificamente, áreas paraguaias). Vale ainda a ressalva de que esta obra retrata uma mulher solitária em meio à destruição e morte, situação que marcou o Paraguai após o fim do conflito devido ao alto índice de mortandade masculina.

b) A Guerra da Cisplatina (Brasil x Argentina), entre 1825 e 1828, que resultou na Independência do Uruguai. A região havia sido anexada por D. João VI e a população local, assim como os argentinos nunca aceitaram tal situação. Apesar do desejo argentino de controlar a região, a guerra garantia a independência e a origem de um novo Estado, o Uruguai.
            Podemos citar ainda a Guerra contra Oribe e Aguirre, líderes blancos uruguaios contrários à influência do Brasil na sua nação; e a Guerra contra Rosas, líder argentino que buscava anexar o Uruguai e ameaçava o domínio brasileiro na região.  

Resposta da questão 2:
 [D]

O movimento farroupilha não adotou, em um primeiro momento, um caráter de ruptura, mas reivindicava uma mudança na política adotada pelo governo regencial, que havia impostos maiores tributos ao charque nomeado Antonio Rodrigues Braga para presidência da província, contrariando os interesses dos estancieiros.  

Resposta da questão 3:
 a) Pode-se dizer que UM grande valor se contrapunha a monarquia Stuart, a Liberdade. Segundo o texto, a ascensão da burguesia no plano econômico se fazia sentir também na vida política e essa classe pretendeu ocupar lugar de comando na vida do país. Dentro do mesmo contexto se desenvolveu a oposição à religião do Estado, o anglicanismo, e esta foi dirigida, principalmente, pelos puritanos, grande parte deles burgueses, com o argumento de que a religião deveria se desvincular do Estado.

b) A Revolução Inglesa – puritana e gloriosa – foi responsável pela eliminação do absolutismo na Inglaterra e pela adoção de um modelo baseado no Parlamento. A monarquia parlamentarista inglesa foi o primeiro modelo político liberal na história moderna e esteve baseada nos princípios iniciais do iluminismo a partir das teorias de John Locke.  

Resposta da questão 4:
 Os pensadores dessa época ficaram conhecidos como Iluministas. O movimento iluminista, também denominado de “Ilustração”, nasceu no final do século XVIII, época da Revolução Gloriosa na Inglaterra e influenciou toda uma grande geração de pensadores, principalmente na França. A força desse movimento que contestava o absolutismo, fez com que diversos monarcas adotassem algumas de suas ideias, num processo de adaptação parcial, com vistas a reduzir as críticas que sofriam. Esses governantes foram denominados “Déspotas Esclarecidos”. Déspotas por preservaram a maior parte das práticas absolutistas e esclarecidos por conhecerem e a adotarem algumas características iluministas.  

Resposta da questão 5:
 a) De acordo com o texto sim, pois antes da Revolução Industrial, “o passado era o modelo para o presente e o futuro”, pois o velho representava a sabedoria, experiência e a memória. Depois da Revolução Industrial, novidade surgida a cada geração ganhou mais importância em relação a sua semelhança com o que havia antes.

b) A Revolução Industrial dos séculos XVIII e XIX promoveu a substituição da produção artesanal como sistema de produção predominante pelo sistema fabril. Promoveu também a mecanização da produção e a perda o controle por parte do trabalhador sobre o processo de trabalho, isto é, a alienação.   

Resposta da questão 6:
 O princípio que orienta o primeiro documento é o do direito divino dos Reis; já, no segundo, o princípio orientador é o da razão iluminista. Para os defensores do Absolutismo, como Jacques-Bénigne Bossuet (1627-1704), o poder político dos Reis emanava de Deus, sendo, portanto, um “poder divino” e determinado pelo nascimento (a hereditariedade sustentava a sucessão dinástica). Isso significa que a legitimidade dos monarcas é indiscutível e natural, constituindo, então, uma relação entre governantes e governados, na qual o primeiro tem autoridade e o segundo deve-lhe obediência e fidelidade, na categoria de súdito. Para os iluministas, em geral, e para Diderot (1713-1784), em particular, tal como se pode deduzir da leitura do fragmento, o poder político não é algo natural ou tomado como uma herança divina, uma vez que os homens, amparados pela razão, devem gozar de sua liberdade.
Por isso, a relação entre governo e governado depende de fonte distinta: a força (o uso da violência) e o consentimento (o contrato).  

Resposta da questão 7:
 A decretação do primeiro Ato de Navegação (1651) determinou que o transporte de produtos importados pela Inglaterra deveria ser feito apenas em navios ingleses ou pertencentes aos países de origem dos respectivos produtos, ampliando o processo de acumulação de capitais.
Duas das ações:
- dissolução do Parlamento
- conquista da Jamaica à Espanha
- supressão da Câmara dos Lordes
- vitórias militares contra a Holanda e a Espanha
- submissão da Irlanda e da Escócia, outra vez, à Inglaterra
- confisco e leilão das terras pertencentes à Igreja Anglicana e aos nobres que apoiaram o rei
- autoproclamação de Cromwell como Lorde Protetor das Repúblicas da Inglaterra, Escócia e Irlanda  

Resposta da questão 8:
 a) Segundo o texto, para Lutero o homem, por seus próprios esforços não faria jus salvação eterna,  ficando dependente de sua fé na misericórdia divina.

b) No que se convencionou chamar "Contrarreforma", a Igreja Católica promoveu o combate ao protestantismo pela ação da Companhia de Jesus nos campos da catequese e da educação, através da Inquisição (Tribunal do Santo Ofício) e pela censura imposta no Índice dos Livros Proibidos (Index). No Concílio de Trento a Igreja reviu e reafirmou os dogmas católicos e procurou reorganizar e moralizar o clero.  

Resposta da questão 9:
 Duas das causas:
- interesse do rei Henrique VIII nas terras da Igreja
- interesse da burguesia na queda de taxas e impostos
- interesse da burguesia em ampliar o seu poder no Parlamento
- interesse do rei em fortalecer sua autoridade a partir da criação de uma Igreja subordinada diretamente a ele
- não concessão da anulação do casamento do rei com Catarina de Aragão pelo Papa e consequente interdição de seu casamento com Ana Bolena
Uma das consequências:
- aceleração do processo de cercamento dos campos
- início da projeção da Inglaterra como potência econômica e naval na Europa
- confisco e leilão das terras da Igreja Católica, ampliando os recursos disponíveis à monarquia  

Resposta da questão 10:
 a) João Calvino, ao estabelecer a Teoria da Predestinação, em que a salvação eterna estaria condicionada ao sucesso material, criou uma ética religiosa estimuladora das práticas capitalistas e portanto, sintonizada às transformações econômicas e sociais que se verificavam no início da Idade Moderna, contribuindo significativamente para a ruptura da unidade cristã em torno da Igreja Católica.

b) Inácio de Loyola organizou a Companhia de Jesus, em reação às críticas que as ordens religiosas católicas vinham recebendo no contexto das reformas religiosas. Os jesuítas tiveram por função, resgatar a credibilidade da Igreja, organizar a educação europeia e a catequização dos indígenas no Novo Mundo.  

Resposta da questão 11:
 a) Entre os aspectos negativos mencionados no texto, pode-se destacar: a diminuição da produção de gêneros para o mercado interno, com a consequente elevação dos preços e o emprego do trabalho escravo que segundo o autor, "... empobrece os lavradores, corrompe os costumes e leva ao desprezo pelo trabalho de enxada...". Pode-se mencionar ainda, a  derrubada das matas.

b) O Poder Moderador, constante na  Constituição imperial, conferia ao imperador autoridade para interferir nos demais poderes. Por exemplo, podia o imperador dissolver a Câmara dos Deputados, convocar ou anular eleições, nomear ou demitir juízes e empossar Senadores. Assim sendo, o Poder Moderador representava o fortalecimento do poder imperial, através do fortalecimento do Poder Executivo, dando a monarquia um caráter centralista.

c) Entre os fatores que contribuíram para a abolição da escravidão pode-se mencionar o fim do tráfico negreiro, estabelecido pela Lei Eusébio de Queirós em 1850, que levou a uma diminuição gradativa  do número de escravos  e a Campanha Abolicionista, que envolveu setores da classe média e  intelectuais.  

Resposta da questão 12:
 O texto faz referência à Revolução Gloriosa (1688) que estabeleceu a monarquia parlamentarista na Inglaterra e promoveu a ascensão da burguesia ao poder político, o que contribuiu para acelerar o desenvolvimento do capitalismo inglês.
Também foram fatores que contribuíram para a  Revolução Industrial na Inglaterra: a disponibilidade de capitais acumulados na fase mercantilista e aplicados em inovações tecnológicas, os cercamentos e as inovações técnicas no campo, a disponibilidade de matérias-primas e mercados e o Banco da Inglaterra.  

Resposta da questão 13:
 a) O texto revela as incertezas quanto aos rumos políticos da República Inglesa diante das ameaças de um eventual retorno da Monarquia.

b) Esse texto insere-se no contexto da Revolução Puritana, particularmente, no período republicano (1649-1658) conduzido por  Oliver Cromwell.  

Resposta da questão 14:
 Nos primeiros anos da Independência, o debate político se concentrou no problema da aprovação de uma Constituição. As desavenças entre Dom Pedro e a Assembleia giraram em torno do papel do Imperador, ou seja, das atribuições do Poder Executivo. Os constituintes queriam, por exemplo, que o imperador não tivesse o poder de dissolver a Câmara dos Deputados. Queriam também que ele não tivesse o poder do veto absoluto, isto é, o direito de negar validade a qualquer lei aprovada pelo Legislativo. Nesse sentido, era consenso a escolha da monarquia constitucional, como regime de governo, capaz de sustentar a união até então compartilhada por todos os constituintes de várias regiões do recente império. A carta outorgada de 1824 consolidou, no entanto, a centralização do poder político no Rio de Janeiro, sustentada especialmente pelas camadas de grandes comerciantes e traficantes de escravos. A concentração do poder na esfera do Executivo, ou seja, no Imperador e seus ministros, em detrimento do Poder Legislativo, reforçou o projeto centralizador.  

Resposta da questão 15:
 a) Revolução Puritana (1642-1649), Restauração dos Stuart (1660-1688) e Revolução Gloriosa (1688- 1689)

b) O objetivo da produção era o mercado interno, o trabalho era fundamentalmente livre, predominância da pequena e média propriedades, existência de produção manufatureira.  

Resposta da questão 16:
 A crise foi motivada basicamente pelos seguintes fatores que geravam a desconfiança dos brasileiros em relação a Dom Pedro I:
- o autoritarismo do imperador evidenciado na dissolução da Assembleia Constituinte em 1823, por discordar das limitações ao seu poder, presentes  no texto constitucional e a outorga da Constituição de 1824, na qual estabeleceu o poder Moderador que lhe conferia poderes para interferir no legislativo e no judiciário;
- a crise financeira pela qual passava seu governo, agravada com os gastos e a derrota na guerra contra a província Cisplatina;
- a estreita ligação do imperador com o partido português no Brasil;
- o interesse do imperador na sucessão do trono português após a morte de Dom João VI.  

Resposta da questão 17:
 a) A ascensão política da burguesia inglesa após a Revolução Gloriosa em 1688 que pôs fim à monarquia absolutista ao instituir a monarquia paralamentarista, submetendo a autiridade real ao parlamento liderado pela burguesia.

b) O acúmulo de capitais durante a fase mercantilista do capitalismo a partir da hegemonia exercida no comécio marítimo internacional, sobretudo após o Ato de Navegação de 1651, tanto pelo potencial da marinha mercante inglesa quanto pelo volume na exportação de manufaturas, além dos acordos comerciais estabelecidos com outras nações e a existência de um eficiente sistema financeiro, consolidado com a criação do Banco da Inglaterra em 1694.

c) A Revolução Agricola caracterizada pelos cercamentos, ao incorporar a atividade rural à produção em regime capitalista, provocou a ruína dos arrendatátios e pequenos proprietários de terras, que obrigados a abandonar o campo, transformaram-se em abundante exército de mão de obra para as indústrias.  

Resposta da questão 18:
 Dentre três fatores geográficos que contribuíram para que a Revolução Industrial ocorresse na Inglaterra, pode-se destacar:
- a existência de grandes reservas de carvão mineral e minério de ferro em território inglês;
- a disponibilidade de mâo-de-obra nas áreas urbanas em decorrência do êxodo rural provocado pelos cercamentos;
- a disponibilidade de matérias-primas e mercados consumidores pelos ingleses, na América e na Ásia.  

Resposta da questão 19:
 a) Dois dentre os fatores:
- crescimento do desemprego
- diminuição dos salários dos trabalhadores
- concorrência das máquinas com o trabalho dos artesãos

b) Uma dentre as razões no plano social:
- surgimento do operariado
- início do processo de urbanização
- surgimento da burguesia industrial
- separação entre o trabalho e o capital

Uma dentre as razões no plano tecnológico:
- introdução do vapor como força-motriz
- substituição da força humana pela máquina
- aumento indefinido da capacidade de produção  

Resposta da questão 20:
 a) Enquanto os Tratados de 1810 entre Brasil e Inglaterra estabeleciam privilégios alfandegários à Inglaterra no comércio com o Brasil, a tarifa Alves Branco estabeleceu o protecionismo ao elevar em 60% as tarifas alfandegárias, criando condições para o desenvolvimento industrial.
b) A falta de apoio governamental aos projetos de industrialização em razão da sustentação política de Dom Pedro II pela aristocracia rural e a dificuldade de concorrência com os produtos ingleses no mercado brasileiro.  

Resposta da questão 21:
 A Criação das Assembleias Legislativas nas províncias e a criação da Regência Una com eleição pelo voto censitário com mandato de 4 anos, assemelham-se ao federalismo e presidencialismo que constituíam a organização política dos Estados Unidos. Daí, se falar em experiência republicana no Brasil, durante o Período Regencial.  

Resposta da questão 22:
 O período regencial foi conturbado por rebeliões de caráter separatistas como a Guerra dos Farrapos (RS) e Sabinada (Bahia), e rebeliões contrárias à marginalização social como a Cabanagem (Pará) e Balaiada (Maranhão).
As causas e a repressão a estas rebeliões, associadas às divergências de grupos políticos, revelam a crise econômica, política e social que marcaram o período.  

Resposta da questão 23:
 A burguesia, interessada em desenvolver o capitalismo, encontra no liberalismo a ideologia que melhor expressa esse interesse.  

Resposta da questão 24:
 a) A limitação do poder monárquico e o fortalecimento do parlamento.

b) O anti-absolutismo, o não-intervencionismo estatal, o constitucionalismo, o individualismo.

c) As vantagens da livre concorrência, do livre cambismo, da livre produção e a defesa da propriedade privada. 



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