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Oriente Médio e Palestina

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Exercícios de fixação - Brasil Império

Enquanto a Europa vivia sua Era Revolucionária citada no texto, o Brasil promovia sua independência política e buscava organizar-se como Estado nacional. A respeito dessa fase da história brasileira, assinale a opção incorreta.
• a) Internamente liberal, a Revolução do Porto, em 1820, pôs fim ao absolutismo português e, simultaneamente, impôs a adoção de medidas para reverter o grau de relativa autonomia conquistado pela colônia brasileira. Daí ser essa revolução considerada fator determinante para a evolução dos acontecimentos que resultaria na declaração de independência do Brasil, em 1822.
• b) A onda liberal que leva às revoluções de 1830 na Europa também se fez presente no Brasil, embora adaptada às condições locais. Esse foi o quadro de adensamento da crise do Primeiro Reinado (1822-1831), que teve seu epílogo no afastamento (abdicação) de D. Pedro I.
• c) O embate entre os defensores do centralismo monárquico - concentração do poder na capital - e as posições federalistas, que advogavam mais autonomia das províncias, é fator significativo para a eclosão de movimentos em várias regiões do país, ao longo do período regencial.
• d) Ao contrário da Cabanagem, movimento armado conduzido pelas elites paraenses, a Revolução Farroupilha, longamente sustentada pelo Rio Grande do Sul, caracterizou-se como movimento essencialmente popular, do qual ricos estancieiros se recusaram a participar.
• e) Em meio à crise política prolongada, em larga medida alimentada pelo choque entre posições centralistas e federalistas, o período regencial chegou ao fim por meio de um golpe sem armas, materializado na antecipação da maioridade de D. Pedro II e na vitória dos defensores da monarquia parlamentar centralizada.

Comentário: (D) esta alternativa está incorreta pois caracteriza a farroupilha como uma revolta popular e sabemos que a motivação inicial congregava os interesses dos estancieiros brasileiros, fato que a afirmativa nega.
Como a questão pede a incorreta todas as outras estão corretas e suas afirmativas fornecem informações suficientes para o aluno responder a próxima questão. Como exercício use os comentários para assinalar a sua resposta e comentá-la.

UNIFESP 2007 REVOLTAS PERÍODO REGENCIAL
Como elemento comum aos vários movimentos insurrecionais que marcaram o período regencial (1831-1840), destaca-se
a) a oposição ao regime monárquico.
b) a defesa do regime republicano.
c) o repúdio à escravidão.
d) o confronto com o poder centralizado.
e) o boicote ao voto censitário.


sexta-feira, 26 de novembro de 2010

América Latina - Independência



Processo de emancipação político-administrativa empreendido pelas colônias ibéricas no continente americano, entre o final do séc. XVIII e as primeiras décadas do séc. XIX. Os ideais revolucionários foram impulsionados pelo fortalecimento da elite econômica e intelectual, chamada criolla (descendentes de espanhóis nascidos na América), pela difusão das idéias liberais da Revolução Francesa e da independência dos EUA e pelo avanço napoleônico sobre a Espanha e Portugal. A maioria das colônias espanholas libertou-se entre 1817 e 1825. O Brasil, único país da região colonizado por portugueses, emancipou-se em 1822. A luta das colônias hispano-americanas por autonomia foi marcada por diversas guerras entre a metrópole e os rebelados, além de conflitos entre os revolucionários. Do processo de emancipação emergiram nações divididas, o que atendia aos interesses da Inglaterra, dos Estados Unidos e das elites locais. O contexto em que a autonomia foi conquistada e o caminho tomado após a ruptura do pacto colonial – fragmentação em um grande número de repúblicas, manutenção do poder das oligarquias rurais, dependência do Capitalismo industrial inglês e ascensão de caudilhos (chefes militares) – fizeram da independência latino-americana um movimento fundamentalmente político, destituído de qualquer reformulação econômica e social.
A Política Colonial. As colônias da América Latina permaneceram sob domínio europeu por mais de 300 anos. Ao longo desse período, prevaleceram um modelo de colonização exploratória, a ausência de autonomia político-administrativa e um pacto colonial que impedia o desenvolvimento econômico da região colonizada.
O monopólio comercial era exercido pela metrópole, que lucrava duplamente ao comprar matérias-primas a baixos preços para comercializá-las na Europa e vender às colônias produtos ingleses manufaturados. A política colonial mercantilista chocava-se com os interesses econômicos da elite colonial e dos capitalistas ingleses, impedidos de vender suas mercadorias diretamente aos países da América. Isso explica o empenho da Inglaterra na independência das colônias ibéricas: o rompimento do pacto colonial permitiria estabelecer o livre comércio e garantir o desenvolvimento do Capitalismo industrial.
Ao mesmo tempo que impunham sua política mercantilista, as metrópoles limitavam o acesso das elites coloniais aos cargos administrativos e políticos. Na América hispânica, esses postos eram restritos aos chapetones, elite política, grupo minoritário formado por espanhóis nascidos na metrópole. Essa situação descontentava os criollos.
No início do séc. XIX, a expansão napoleônica mudou as relações de poder na Europa e influenciou o processo de emancipação da América Latina. A não-obediência ao bloqueio continental imposto contra a Inglaterra levou as tropas de Napoleão a invadir Portugal e a ocupar a Espanha – ver BLOQUEIO CONTINENTAL. A invasão de Portugal, com a conseqüente fuga da família real para o Brasil, provocou o rompimento do pacto colonial luso-brasileiro e acelerou o processo de independência do Brasil – ver INDEPENDÊNCIA do BRASIL. A ocupação da Espanha e a ascensão de José Bonaparte, irmão de Napoleão, ao trono espanhol desencadearam o processo de independência nas colônias hispano-americanas.
A América Espanhola. No início do séc. XIX, as possessões coloniais da Espanha na América Latina estavam divididas em quatro vice-reinados e quatro capitanias gerais. Havia os vice-reinados de Nova Espanha (México e parte do território que atualmente pertence aos EUA), Nova Granada (Colômbia e Equador), Prata (Argentina, Uruguai, Bolívia e Paraguai) e Peru. As capitanias gerais eram representadas por Cuba, Guatemala, Venezuela e Chile.
Nessa época, a sociedade hispano-americana era formada por chapetones, criollos, mestiços (descendentes de índios e espanhóis) e indígenas. Apesar de serem minoria, os criollos dominavam todos os aspectos da vida colonial. Mas seus interesses divergiam. Os criollos eram partidários do livre comércio e da expansão dos setores produtivos, enquanto os chapetones defendiam a manutenção do monopólio metropolitano.
Primeiras Tentativas de Independência. O processo de independência hispano-americano teve início em 1780, quando Tupac Amaru comandou uma insurreição de 60 mil indígenas contra o domínio espanhol. A rebelião só foi totalmente esmagada pelos espanhóis em 1783. Em 1804, escravos revoltaram-se contra a elite branca e proclamaram a independência do Haiti, o segundo país da América a conseguir livrar-se do domínio europeu – o primeiro foram os EUA. Um ex-escravo negro, Toussaint L’Ouverture, foi o principal líder dos haitianos na luta pela liberdade.
Em 1811, explodiu na Venezuela um movimento emancipatório inspirado na independência norte-americana. Essa rebelião foi comandada pelo criollo Francisco Miranda, tendo sido vitoriosa temporariamente. A Venezuela proclamou sua independência em 1811, mas em 1812 uma contra-ofensiva do Exército espanhol derrotou os revolucionários e restabeleceu a condição de colônia na capitania. Miranda foi preso e deportado, morrendo em uma masmorra espanhola.
As Guerras de Independência. A ascensão de José I, irmão de Napoleão, ao trono espanhol, em 1808, estimulou o movimento de emancipação da América espanhola. Os criollos organizaram-se em cabildos (câmaras municipais) e constituíram juntas governativas, assumindo a administração das colônias. Com a restauração da monarquia em 1814, no entanto, a Espanha voltou a reprimir os movimentos separatistas, derrotando-os.
Com o apoio da Inglaterra, livre da ameaça francesa após a derrota de Napoleão em 1815, e dos EUA que, em 1823, proclamaram a Doutrina Monroe, garantindo proteção às nações recém-independentes contra a interferência das potências européias, o movimento de autonomia da América espanhola viria a triunfar. A luta pela independência reiniciou-se em 1817 e terminou vitoriosa em 1825.
Dois movimentos revolucionários percorreram e libertaram a maioria das colônias. Do sul partiu o Exército liderado pelo general argentino José de San Martín, que conquistou a independência da Argentina, do Chile e do Peru. Da Venezuela, o general Simón Bolívar desencadeou a campanha militar que culminou na libertação desse país, da Colômbia, do Equador e da Bolívia. Seu exército participou também da libertação do Peru.
Em 1822, San Martín e Bolívar encontraram-se em Guayaquil, no Equador, para discutir o futuro das ex-colônias. Bolívar defendia a unidade política, com a formação de uma federação de repúblicas, a criação de uma força militar comum e a abolição da escravidão, entre outras medidas. San Martín defendia um governo monárquico constitucional, mas aderiu à idéia de Bolívar. Essa tese foi discutida no Congresso do Panamá, em 1826, sendo rejeitada.
Ao norte, o processo de independência do México havia começado em 1810, quando uma insurreição popular comandada por Miguel Hidalgo, padre Morellos e Vicente Guerrero opôs-se ao mesmo tempo à dominação espanhola e aos criollos. Formados por mestiços e índios, os revolucionários reivindicavam o fim da escravidão, a divisão das terras e a abolição de tributos, mas foram derrotados. A elite criolla assumiu o comando da luta pela independência, proclamada em 1821 pelo general Agustín Itúrbide, que se sagrou imperador em 1822 sob o título Agustín I. Um ano depois, foi deposto e fuzilado num levante republicano.
A América Central, que havia sido anexada ao México por Itúrbide, tornou-se independente em 1823, dando origem às Províncias Unidas da América Central. Em 1838, essas províncias se desmembraram em Guatemala, Honduras, Nicarágua, Costa Rica e El Salvador. O Panamá obteve a independência em 1821 e a República Dominicana, em 1844. Cuba permaneceu como a última possessão espanhola no continente até a Guerra Hispano-Americana, em 1898.
Na América do Sul, o Uruguai, que se libertara do domínio espanhol em 1811, foi anexado pelo Brasil como Província Cisplatina em 1821, obtendo a independência em 1828. O Paraguai proclamou-se independente em 1813, constituindo uma república chefiada pelo criollo Gaspar Francia. Na Argentina, a emancipação declarada em 1816 só foi consolidada pela campanha militar de Manuel Belgrano e San Martín. O Chile tornou-se independente em 1818 graças à atuação dos Exércitos de San Martín e de Bernardo O’Higgins. O general argentino libertou Lima, o maior centro de resistência da Espanha no território colonial, em 1821. A independência peruana foi consolidada pelo Exército de Simón Bolívar, em 1824, quando o general Sucre, lugar-tenente de Bolívar, derrotou os espanhóis na Batalha de Ayacucho. A libertação da Venezuela foi efetivada em 1817; a da Colômbia, em 1819; a do Equador, em 1821; e a da Bolívia, em 1825 – todas por intermédio do Exército de Bolívar.
Pós-Independência. Ao contrário da América portuguesa, que manteve a unidade territorial e o regime monárquico após a independência, a América espanhola dividiu-se em várias nações e adotou o regime republicano.
O sonho de unidade (pan-americanismo) acalentado por Simón Bolívar no Congresso do Panamá (1826) chocou-se com os interesses das oligarquias locais – como a brasileira, comprometida com a monarquia escravista de Dom Pedro I – e com a oposição dos EUA e da Inglaterra, que apostavam na divisão política das nações recém-independentes como forma de expandir sua influência na América Latina. Após o fracasso da Conferência do Panamá, a América Latina fragmentou-se politicamente, dando origem a quase duas dezenas de pequenos Estados, governados pela aristocracia criolla.
O rompimento do pacto colonial e a liberdade político-administrativa passaram longe de mudanças sociais e econômicas. Velhas estruturas coloniais foram preservadas e a dependência econômica apenas mudou de endereço, transferindo-se da Espanha para a Inglaterra. Às incipientes repúblicas latino-americanas, divididas e enfraquecidas, coube o papel de continuar a fornecer matérias-primas e consumir produtos ingleses manufaturados. No campo político, como o processo de independência havia destacado o papel do Exército, as instituições civis permaneceram desorganizadas, o que possibilitou a ascensão de líderes militares, autoritários e personalistas – os caudilhos – em boa parte das ex-colônias.

Regencia -


Entre a abdicação de D. Pedro I e a antecipação da maior idade de D. Pedro II, o Brasil passou por dos periodos mais instaveis e confusos de toda sua história, alguns historiadores chegaram até a afirmar: ‘Se o Brasil não sobreviveu ao Periodo Regencial, então ele resiste a tudo!’. Mas porque eles afirmam isso com tanta certeza? Simples, com a saída de D. Pedro I, o país passou a ser governado por uma regencia trina, primeiramente provisória, pois quando ele abdicou a câmara estava de férias, e depois por uma regencia trina permanente que deveria ser durar até que D. Pedro II tivesse a idade para assumir o posto de imperador, mas que só durou três anos. Daí se tentou uma regencia una, a primeira regida por Diogo Antônio Feijó, mas não chegou a durar nem dois anos pois no seu mandato estouraram todas as revoltas contra o governo central e a última regencia, também regencia una, liderada por Pedro da Araujo Lima, um pernambucano incrivelmente conservador, tanto que seu apelido era ‘Baú da Tradição’, sua regencia durou até 1840 quando o golpe da maior idade se concretizou e ele foi forçado a abandonar o poder, não muito feliz com isso. Mas qual os motivos de tanta instabilidade politica? O principal motivo era o conflito entre os três partidos que tentavam controlar o país e a falta do poder moderador para impor ordem na politica. O antigo Partido Português se tornou quase que exclusivamente o Partido Restaurador com a saída de D. Pedro I e pregava ‘Com Pedro I era ruim, sem ele é pior ainda’ (o partido se desfez com a morte de D. Pedro I em 1834 e se integrou com próximo partido formando o Partido Regressista); o antigo Partido Brasileiro se dividiu em dois: Liberal Moderado, era formado quase que exclusivamente pela aristocracia emergente do sudeste e defendia uma centralização mais forte, onde as provincias mais pobres bancassem o avanço das mais ricas (em 1834 incorporou em si o Partido Restaurador e se tornou o Partido Regressista) e o Liberal Exaltado que se baseavam totalmente nas ideias Iluministas e eram os aristocratas de provincias prejudicadas pela centralização como PE, RS, BA, PA… (em 1834 se tornou o Partido Progressista) Um fato interessante do Periodo Regencial foi que o Brasil experimentou o gosto de Republica em plena monarquia. Como? Simples. Os regentes unos foram escolhidos por meio de uma votação geral e tendo seu mandato aprovado por um coléfio eleitoral, ou seja, do mesmo jeito que um presidente é eleito nos EUA. Foi no Periodo Regencial que houve finalmente a luta pelo poder politico entre o Sudeste emergente e as demais provincias brasileiras e onde o Sudeste saiu vitorioso premeditando o eixo de poder do inicio do periodo republicano.
Principais Revoltas do Periodo Regencial
Cabanagem (1835-1840): com a derrota dos liberais exaltados, ou progressista no Pará, o governador foi indicado pelo RJ, a maioria da aristocracia local não aceitou o fato. Temendo uma revolta o RJ mudou o governador, mas este também não agradou os paraenses, mudou novamente, mas continuou sem agradar porque na verdade os paraenses queriam no poder um progressista paraense, como isso não ia acontecer pelo governo geral estar sendo controlado por regressistas acabou que Rodrigo Lobo de Souza foi escolhido como governador e não aceitou ser retirado do poder pelos aristocratas e já assumiu com mão de ferro contra os aristocratas locais. Alguns progressistas inspirados pelas teorias de Rousseau cometaram o erro de envolver o povo na briga, ou os Cabanos, como eram conhecidos lá. Os Cabanos foram até Belém e retiraram Lobo de Souza a força do palácio do governador e o mataram. Os progressistas colocaram no poder Félix Malcher e mandaram os cabanos de volta para a miséria. Só que agora que eles já tinham provado que poderiam derrubar os aristocratas não aceitaram as ordens mais e começou uma guerra civil com a morte de Félix Malcher, foi só em 1840 quando D. Pedro II assumiu que conseguiram suprimir a revolta onde 40% da população paraense foi dizimada (praticamente todos eram cabanos)
Guerra dos Farrapos ou Revolta, Revolução Farroupilha (1835-1845):
Não só foi a maior revolta do periodo regencial como também a maior guerra civil brasileira se arrastando por 10 anos e tendo chegado a proclamar duas republicas independentes. Ela ocorreu do sul do Paraná até a froteira com o Uruguai, tendo no Rio Grande do Sul o maior expoente de sua batalha. A revolta foi motivada pela desvalorização da charque (principal ração dos escravos)gaúcha, o governo central não criara nenhuma medida protecionista para que a charque do RS pudesse concorrer com a charque platina (que era mais barata e de melhor qualidade). Irritados os aristocratas exigiram que o governo o fizesse, como eles se recusaram a guerra estourou. Liderados por Bento Gonçalves e Giusseppe Garibaldi (herói da unificação italiana que abdicou do seu poder lá para evitar uma guerra civil entre republicanos e monarquistas) os farroupilhos declarararam independente a Replúbica de Pirantini (RS – 16/11/1836) e Juliana (SC – 25/07/1839). Com D. Pedro II assumindo o poder em 1840 a guerra entrou no seu periodo de negociação e em 1845 a paz foi assinada e o RS reincorparado ao país (pois o Brasil era o seu principal mercado consumidor).
Revolta dos Malês
Ocorreu na Bahia, liderado por escravos de origem árabe (eram os mais aculturados, alguns chegavam a ser letrados)que não aceitavam a subordinação aos brancos. Eles lideraram um movimento onde qualquer pessoa que não fosse negra (nem criollo escapava) deveria ter a cabeça cortada. Foi a mais forte rebelião de negros na história brasileira. Foi a guarda nacional que destruiu a revolta, alguns senhores de terras chegaram a mandar carta para o governo geral pedindo para que ele manerasse nas mortes senão ficariam sem seus escravos.
Sabinada (1837-1838):
Também ocorreu na Bahia e foi liderada por Francisco Sabino Alvares Vieira, dai o nome do movimento. Por fazer forte oposição ao governo central os progressistas baianos cortaram laços com o governo central alegando que só voltariam a se incorporar ao Brasil quando D. Pedro II assumisse, eles pretendiam criar uma república baiana com data para ser extinta.
Balaiada (1838-1841):
Ocorreu no Maranhão e posteriormente se alastrou para o Piauí e foi um conjunto de revolta que posteriormente foi chamada de balaiada. Foi marcada pela inusitada proclamação de um lider do quilombo maranhense que se auto proclamou ‘imperador do maranhão’ tal fato assustou as elites locais que passaram a tentar derrubar o tal ‘imperador’
Tais revoltas fizeram com que os Regressistas perdessem prestigio politico e aumentasse as chantes dos Progressistas chegarem ao poder. Com um golpe que ficou conhecido como ‘golpe da maior idade’ eles conseguiram antecipar a maior idade de D. Pedro II, na época com 15 anos e o proclamaram imperador do Brasil. Foi no periodo regencial que o pais criou seu codigo de processo criminal, tentando adequar as leis ao povo e ao cenário politico da época.
Daqui a pouco ou amanhã o gigantesco Segundo Reinado… Deem uma boa olhada no Primeiro Reinado (Confederação do Equador) e depois no Segundo Reinado (Revolução Praieira – essa principalmente esse ano faz 160 anos do movimento) foram dois movimentos que aconteceram em PE, e vocês sabem que a COVEST ama questoes ligadas a nosso amado estado.


sábado, 20 de novembro de 2010

Olinda: Conspiração dos Suassunas - 1801



A chamada Conspiração dos Suassunas foi um projeto de revolta que se registrou em Olinda, na então Capitania de Pernambuco, no alvorecer do século XIX.
Influenciada pelas idéias do Iluminismo e pela Revolução Francesa (1789), algumas pessoas reuniram-se e fundaram o Areópago de Itambé (1798). As mesmas idéias e eventos eram também discutidas pelos padres e pelos alunos no Seminário de Olinda, fundado em 1800.
O primeiro, fundado por Manuel de Arruda Câmara, membro da Sociedade Literária do Rio de Janeiro, era uma espécie de sociedade secreta onde se reuniam maçons e leigos, do qual não participavam europeus.
O Seminário de Olinda, fundado pelo Bispo D. José da Cunha de Azeredo Coutinho, em 16 de Fevereiro de 1800, teve entre seus membros, o padre Miguel Joaquim de Almeida Castro (padre Miguelinho), um dos implicados na revolução de 1817.
As discussões filosóficas e políticas no Areópago, evoluíram para uma conjuração contra o domínio português no Brasil, com o projeto de emancipação de Pernambuco, constituindo-se uma República sob a proteção de Napoleão Bonaparte. Integravam o grupo de conspiradores os irmãos Cavalcanti - Francisco de Paula, Luís Francisco de Paula e José Francisco de Paula Cavalcanti e Albuquerque -, o primeiro proprietário do Engenho Suassuna, que daria nome ao movimento.
A 21 de Maio de 1801, um delator informou às autoridades da Capitania os planos dos conjurados, o que conduziu à detenção de diversos implicados. Instaurado o processo de devassa, entretanto, vieram a ser absolvidos mais tarde, por falta de provas. A Aerópago foi fechado em 1802, reabrindo pouco mais tarde sob o nome de Academia dos Suassunas, com sede no mesmo engenho, palco das reuniões dos antigos conspiradores.
O episódio é pouco conhecido na historiografia em História do Brasil, uma vez que a devassa correu em sigilo à época, devido à elevada posição social dos implicados.
O movimento inscreve-se no contexto de Crise do Antigo Sistema Colonial. Apesar da repressão aos envolvidos, os seus ideais voltaram a reaparecer, anos mais tarde, na Revolução Pernambucana de 1817.

ENEM Simulado

Como os conceitos desse blog são pautados na otimização dos estudos e no aproveitamento da inteligência inata compartilhada por "TODOS" os seres humanos, seguimos fornecendo ferramentas que propiciem aos estudantes as mais diferentes possibilidades e formas de estudo. Neste post disponilizamos links para questões do ENEM com os seus respectivos gabaritos.
Bons estudos!!
Arão Alves

http://public.inep.gov.br/enem/Enem2009_ciencias_da_natureza.pdf

http://public.inep.gov.br/enem/Enem2009_ciencias_humanas.pdf

http://public.inep.gov.br/enem/Enem2009_linguagens_codigos.pdf

http://public.inep.gov.br/enem/Enem2009_matematica.pdf


Curso de Violão Popular

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Oswaldo cruz e a Revolta da vacina



Em 1994, a Casa de Oswaldo Cruz realizou no Espaço Cultural dos Correios, no Rio de Janeiro, a exposição A Revolta da Vacina.
Da Varíola às Campanhas de imunização, atingindo amplo e diferenciado público, composto por escolares, universitários, profissionais liberais e da área da saúde.
A partir de um episódio histórico, a revolta popular ocorrida no Rio de Janeiro em 1904 devido a uma lei federal que obrigava a vacinar-se contra a varíola é contada a milenar histórica dessa doença; sua presença no imaginário das populações por ela assoladas, as técnicas de imunização anteriores à vacina, Jenner e outros inventores de vacinas, os atuais rumos no campo das pesquisas em imunobiológicos, a erradicação de doenças por intermédio de vacinação e as metas da Saúde Pública nessa área.
Utilizando diferentes formas de linguagem, tais como vídeos, painéis fotográficos, e cenários especialmente concebidos para o evento, a exposição foi considera inovadora sob o ponto de vista estético, sem comprometer a seriedade do tema, abordado com didatismo e concisão.
Nosso principal objetivo ao realizar esse trabalho consistia na adequação de temas específicos, pertencentes a disciplinas acadêmicas, a um produto cultural atraente, acessível ao grande público. Desse modo, optamos por uma abordagem interdisciplinar para a exposição, integrando objetos distintos da história das doenças e dos imaginários populares.
Desejávamos com isso despertar no espectador uma relação de identidade com o objeto observado, sugerindo a problematização de questões como o controle social, o ordenamento do espaço urbano as políticas de saúde e sua implementação, e o desenvolvimento tecno-cientifico dos imunoterápicos.
Desde meados do século XVI o Rio de Janeiro convivia com a varíola, que tomava forma epidêmica no inverno e fazia numerosas vítimas. O combate à doença dependia essencialmente da aplicação da vacina jenneriana. No Brasil, seu uso fora declarado obrigatório para as crianças em 1837, estendendo-se, em 1846, aos adultos. Estas leis, no entanto, nunca foram cumpridas, quer por falta de condições políticas e técnicas (sua produção em escala industrial no Rio de Janeiro só começou em 1884), quer pelo horror que a maioria da população nutria à idéia de se deixar inocular com o vírus da doença.
Em 1904, enquanto Oswaldo Cruz combatia à febre amarela, os casos de varíola começaram a crescer assustadoramente na capital. Em meados do ano, o número de internações no Hospital de Isolamento São Sebastião chegava a 1.761. Para enfrentar a epidemia, em 29 de junho de 1904, a Comissão de Saúde Pública do Senado apresentou ao Congresso projeto de lei reinstaurando a obrigatoriedade da vacinação, o único meio profilático real contra a varíola, em todo o território nacional. Figuravam no projeto cláusulas draconianas que incluíam multas aos refratários e a exigência do atestado de vacinação para matrículas nas escolas, empregos públicos, casamentos, viagens etc.
Além de suscitar violentos debates no Congresso, a proposta da comissão de saúde gerou um clima de intensa agitação social. Diferentes segmentos sociais (positivistas, oficiais descontentes do Exército, monarquistas e líderes operários) reuniram-se em torno da idéia do combate ao projeto, movimento que resultaria na formação da Liga contra a Vacina Obrigatória.
Enquanto o projeto era discutido e combatido, Oswaldo Cruz à frente da DGSP ia empregando as medidas profiláticas habituais (o isolamento e a desinfecção), porém insuficientes para controlar a epidemia. A vacina, somente era aplicada quando o doente e sua família o permitiam. Essas permissões, contudo, diminuíam progressivamente à medida que se fortalecia a campanha capitaneada pela Liga. Entre julho e agosto, caiu de 23 mil para seis mil o número de vacinas aplicadas na capital.
A lei que tornava obrigatória a vacinação anti-variólica, logo batizada de Código de Torturas, foi aprovada em 31 de outubro e regulamentada nove dias depois, abrindo caminho para a chamada Revolta da Vacina.
Durante uma semana, milhares de pessoas saíram às ruas para protestar, enfrentando forças da polícia e do exército. A revolta foi violentamente reprimida e o saldo da refrega, segundo os jornais da época, foi de 23 mortos, dezenas de feridos e quase mil presos.
O episódio, entretanto, não deve ser reduzido a uma simples reação das massas incivilizadas à imposição irreversível da razão e do progresso, como pretendeu a literatura oficial da época. Ela reuniu forças sociais extremamente díspares e consistiu, de fato, em duas rebeliões superpostas: um grande motim popular contra a vacina, que eclodiu em 10 de novembro, paralisando a cidade por uma semana; e uma insurreição militar, deflagrada em 15 de novembro, com a finalidade de depor o presidente da República.
Rodrigues Alves logo reassumiu o controle da situação, mantendo-se na Presidência. Recusou-se a demitir Oswaldo Cruz, alvo de manifestações de violenta hostilidade, mas teve que capitular em relação à obrigatoriedade da vacinação, que foi imediatamente suspensa. Em 1908, um novo surto de varíola acometeria mais de nove mil pessoas na cidade.
Texto 2
Oswaldo Cruz queria livrar o Rio de Janeiro da varíola, mas na primeira campanha de vacinação, há 100 anos, a cidade virou um campo de batalha.
Entre os dias 10 e 18 de novembro de 1904, a cidade do Rio de Janeiro viveu o que a imprensa chamou de “a mais terrível das revoltas populares da República”. O cenário era desolador: bondes tombados, trilhos arrancados, calçamentos destruídos — tudo feito por uma massa de 3000 revoltosos. A causa foi a lei que tornava obrigatória a vacina contra a varíola. E o personagem principal, o jovem médico sanitarista Oswaldo Cruz.
A oposição política, ao sentir a insatisfação popular, tratou de canalizá-la para um plano arquitetado tempos antes: a derrubada do presidente da República Rodrigues Alves. Mas os próprios insufladores da revolta perderam a liderança dos rebeldes e o movimento tomou rumos próprios. Em meio a todo o conflito, com saldo de 30 mortos, 110 feridos, cerca de 1000 detidos e centenas de deportados, aconteceu um golpe de Estado, cujo objetivo era restaurar as bases militares dos primeiros anos da República.
A revolta foi sufocada e a cidade, remodelada, como queria Rodrigues Alves. Hoje, a varíola está extinta no mundo todo. E a Organização Mundial da Saúde, da ONU, discute a destruição dos últimos exemplares do vírus da doença, ainda mantidos em laboratórios dos Estados Unidos e da Rússia.
Rodrigues Alves assumiu a presidência da República em 1902, no Rio de Janeiro, sob um clima de desconfiança e com um programa de governo que consistia basicamente de dois pontos: modernizar o porto e remodelar a cidade. Isso exigia atacar o maior mal da capital: doenças como peste bubônica, febre amarela e varíola.
A futura “Cidade Maravilhosa” era, então, pestilenta. Segundo a oligarquia paulista do café, de quem Rodrigues Alves era representante, além de vergonha nacional, as condições sanitárias do Rio impediam a chegada de investimentos, maquinaria e mão-de-obra estrangeira. O projeto sanitário deveria ser executado a qualquer preço. Rodrigues Alves nomeia, então, dois assistentes, com poderes quase ditatoriais: o engenheiro Pereira Passos, como prefeito, e o médico sanitarista Oswaldo Cruz, como chefe da Diretoria de Saúde Pública. Cruz assume o cargo em março de 1903: “Dêem-me liberdade de ação e eu exterminarei a febre amarela dentro de três anos”. O sanitarista cumpriu o prometido.
Em nove meses, a reforma urbana derruba cerca de 600 edifícios e casas, para abrir a avenida Central (hoje, Rio Branco). A ação, conhecida como “bota-abaixo”, obriga parte da população mais pobre a se mudar para os morros e a periferia.
A campanha de Oswaldo Cruz contra a peste bubônica correu bem. Mas o método de combate à febre amarela, que invadiu os lares, interditou, despejou e internou à força, não foi bem sucedida. Batizadas pela imprensa de “Código de Torturas”, as medidas desagradaram também alguns positivistas, que reclamavam da quebra dos direitos individuais. Eles sequer acreditavam que as doenças fossem provocadas por micróbios.
Jacobinos e florianistas, que já articulavam um golpe contra o presidente Rodrigues Alves, perceberam que poderiam canalizar a insatisfação popular em favor de sua causa: a derrubada do governo, acusado de privilegiar os fazendeiros e cafeicultores paulistas.
No dia 31 de outubro, o governo consegue aprovar a lei da vacinação. Preparado pelo próprio Oswaldo Cruz - que tinha pouquíssima sensibilidade política -, o projeto de regulamentação sai cheio de medidas autoritárias. O texto vaza para um jornal. No dia seguinte à sua publicação, começam as agitações no centro da cidade.
Financiados pelos monarquistas — que apostavam na desordem como um meio de voltar à cena política —, jacobinos e florianistas usam os jornais para passar à população suas idéias conspiradoras, por artigos e charges. Armam um golpe de Estado, a ser desencadeado durante o desfile militar de 15 de novembro. Era uma tentativa de retornar aos militares o papel que desempenharam no início da República. Mas, com a cidade em clima de terror, a parada militar foi cancelada. Lauro Sodré e outros golpistas conseguem, então, tirar da Escola Militar cerca de 300 cadetes que marcham, armados, para o palácio do Catete.
O confronto com as tropas governamentais resulta em baixas dos dois lados, sem vencedores. O governo reforça a guarda do palácio. No dia seguinte, os cadetes se rendem, depois que a Marinha bombardeara a Escola Militar, na madrugada anterior. No dia 16, o governo revoga a obrigatoriedade da vacina, mas continuam os conflitos isolados, nos bairros da Gamboa e da Saúde. Dia 20, a rebelião está esmagada e a tentativa de golpe, frustrada. Começa na cidade a operação “limpeza”, com cerca de 1000 detidos e 460 deportados.
Mesmo com a revogação da obrigatoriedade da vacina, permanece válida a exigência do atestado de vacinação para trabalho, viagem, casamento, alistamento militar, matrícula em escolas públicas, hospedagem em hotéis.
Em 1904, cerca de 3 500 pessoas morreram de varíola. Dois anos depois, esse número caía para nove. Em 1908, uma nova epidemia eleva os óbitos para cerca de 6 550 casos, mas em 1910 é registrada uma única vítima. A cidade estava, enfim, reformada e livre do nome de “túmulo dos estrangeiros”.
Texto 3

Em novembro de 1904, o presidente Rodrigues Alves publicou a lei da vacinação obrigatória e autorizou o higienista Osvaldo Cruz a desencadear a vacinação em massa na população do Rio de Janeiro, para deter o surto da varíola. O governo alegava que a vacinação era de interesse da saúde pública, pois, nesse mesmo ano, já haviam morrido de varíola 4.201 pessoas. Entretanto, os opositores do governo alegaram que o decreto da vacina propunha a aplicação de forma truculenta, pois o material era pouco confiável e insistiam que a decisão deveria ser pessoal. Como o povo não fora devidamente esclarecido sobre a necessidade de vacina, reagiu e passou a agredir os vacinadores. Abaixo trechos dos jornais cariocas relatando a revolta.
"O governo arma-se desde agora para o golpe decisivo que pretende desferir contra os direitos e liberdades dos cidadãos deste país. A vacinação e revacinação vão ser lei dentro em breve, não obstante o clmamor levandado de todos os pontos e que foi ecoar na Câmara dos Deputados através de diversas representações assinadas por milhares de pessoas.
De posse desta clava, que o incondicionalismo bajulador e mesureiro preparou, vai o governo do Sr. Rodrigues Alves saber se o povo brasileiro já se acanalhou ao ponto de abrir as portas do lar à violência ou se conserva ainda as tradições de brio e de dignidade com que, da monarquia democrática passou a esta República de iniqüidade e privilégios.
O atentado planejado alveja o que de mais sagrado contém o patrimônio de cada cidadão: pretende se esmagar a liberdade individual sob a força bruta..." - Correio da Manhã, 7 de outubro de 1904.
"Foi extrema a indignação que o projeto do regulamento da vacina obrigatória excitou no ânimo de todos os habitantes de Rio de Janeiro, cuja sensibilidade ainda não embotaram interesses dependentes do governo e da administração sanitária."
"Durante o dia de ontem foram distribuídos boletins convocando o povo para um meeeting no largo de S. Francisco de Paula, contra os demandos do Conselho Municipal e da execução da lei da vacina obrigatória." Correio da Manhã, 11 de novembro de 1904.
"Parece propósito firme do governo violentar a população desta capital por todos os meios e modos. Como não bastassem o Código de Torturas e a vacinação obrigatória, entendeu provocar essas arruaças que, há dois dias já, trazem em sobressalto o povo.
Desde ante-ontem que a polícia, numa ridícula exibição de força, provoca os transeuntes, ora os desafiando diretamente, ora agredindo-os, desde logo, com o chanfalho e com a pata de cavalo, ora, enfim, levantando proibições sobre determinadas pontos da cidade." Correio da Manhã, 12 de novembro de 1904.
" (...) As arandelas do gás, tombadas, atravessaram-se nas ruas; os combustores de iluminação, partidos, com os postes vergados, estavam imprestáveis; os vidros fragmentados brilhavam nas calçadas; paralelepípedos revolvidos, que servem de projéteis para essas depredações, coalhavam a via pública; em todos os pontos destroços de bondes quebrados e incendiados, portas arrancadas, colchões, latas, montes de pedras, mostravam os vestígios das barricadas feitas pela multidão agitada. a viação urbana não se restabeleceu e o comércio não abriu suas portas. (...)" Jornal do Commércio, 15 de novembro de 1904.
"Como ante-ontem, repercutiram-se ontem as correrias e arruaças dos dois dias anteriores. Como na véspera, tiveram princípio no largo de S. Francisco.
Desde que se manifestou o conflito, deu-se a intervenção da força armada, segundo ordem do Dr. Chefe de Polícia, que, por intermédio de seus delegados, determinara que a intervençào só se desse em caso de conflito ou atentado à propriedade.
Na rua do Teatro, do lado de Teatro São Pedro, estava postado um piquete de cavalaria da polícia. Ao aproximar-se o grupo de populares, a gritos e a vaias, a força tomou posição em linha, pronta a agir, caso fosse necessário. A movimentação do piquete de cavalaria aterrorizou um tanto os populares que recuaram. Depois, julgando talvez que a cavalaria se opussesse à passagem, avançaram resolutos, hostilizando a força a pedradas. O comandante da força mandou avançar também, dando-se o choque. (...) Serenado mais ou menos o ânimo popular naquele trecho, seguiu a força a formar na praça Tiradentes, fazendo junção com outro piquete que ali se achava postado." Gazeta de Notícias, 13 de novembro de 1904.
"Seria preciso não conhecermos a vida da cidade do Rio de Janeiro, mesmo nos seus dias anormais, para não compreendermos os acontecimentos de ontem que encheram de pânico e pavor toda a população.
Houve de tudo ontem. Tiros, gritos, vaias, interrupção de trânsito, estabalecimentos e casas de espetáculos fechadas, bondes assaltados e bondes queimados, lampiões quebrados à pedrada, árvores derrubadas, edifícios públicos e particulares deteriorados." - Gazeta de Notícias, 14 de novembro de 1904.
MANHÃ DE ONTEM
"Pela Rua Senhor dos Passos, às 7 horas da manhã, subia uma grande massa de populares, dando morras à vacina obrigatória. Pelos indivíduos que a compunham foram atacados alguns bondes da São Cristovão. Ao entrar na Praça da República foram virados os seguintes bondes: ns. 140, 95, 113, 27, 55, 105, 87, 101, 38, 41, 85, 56, 31, 13, 130, 101 e 129. Em alguns casos os populares atearam fogo. A Jardim Botânico sofreu também prejuízos. seus carros no Catete e Larangeiras, foram atacados.
BOMBAS DE DINAMITE
"Já ontem apareceram as terríveis bombas de dinamite, como elemento de guerra. A 3a Delegacia foi alvejada por inúmeras bombas atiradas pelos populares; estes, ao fim de algum tempo, conseguiram repelir a força de polícia, que foi substituída por praças do corpo de marinheiros.
"A cada passo, no centro da cidade, erguiam-se barricadas e trincheiras de onde os populares atacavam as forças militares. as ruas da Alfândega, General Câmara, Hospício, S.Pedro, Av. Passos etc. foram ocupadas pelo povo."
"Os alunos da Escola Militar do Brasil, depois de deporem o general Costallat do comando desse estabelecimento, elegeram, em substituição, o sr. general Travassos e em saída saíram em grupos, naturalmente para se reunirem na praia de Botafogo. Ao seu encontro seguiu do Palácio o 1o de infantaria do exército, sob o comando do coronel Pedro Paulo Fonseca Galvão." - Gazeta de Notícias, 14 de novembro de 1904.
Interrompemos a nossa narração às 3 horas da manhã. Pouco antes foi-nos telefonado do palácio que um delegado viria ver as provas da nossa folha para se certificar de dávamos notícias alarmantes. respondemos que as nossas notícias eram símples narração de fatos. Foi-nos então pedido para retirar algumas das notícias que enumerara e que entretanto foram publicadas por outros colegas." Gazeta de Notícias, 16 de novembro de 1904.
"A evidente prova de que toda esta agitação em torno da vacina é artificial e preparada com intuitos meramente perturbadores, está em que as arruaças começaram, justamente quando reiteradas declarações do Sr. Ministro do Interior, feitas a todos os jornais,levavam à convicção de que o que indiscretamente se publicou como sendo regulamento da lei não só o não era como o não seria nunca. A discussão sobre a questão da vacina tinha se conservado no terreno doutrinário. (...)
"Continuaram ontem infelizmente as assuadas e correrias da véspera no largo de S. Francisco de Paula, sendo necessária a intervenção da força de polícia para dissolver os grupos de turbulentos. Alguns gaiatos deram largo curso ao boato de que à tarde havia um meeting naquele largo para o fim de se protestar contra a obrigatoriedade da vacina, o que não aconteceu; mas, não obstante, desde as 5 1/2 horas começou a afluir ao lugar indicado várias pessoas, que se aglomeraram próximo à estátua de José Bonifácio.
Eram 6 horas. Notava-se no largo de S. Francisco de Paula desusado movimento, quando principiou a assuada. Não havia orador, todos se olhavam admirados sem saber porque ali se estacionavam. Afinal, dentre os populares surgiram os indivíduos Francisco de Oliveira e Lúcio Ribeiro, os quais, subindo ao pedestal da estátua de José Bonifácio fingiram que iam falar as massas. Os dois pandegos, porém, embatucaram diante da grande multidão e limitaram-se a gesticular estupidamente, sendo isso motivo de datisfação para a garotagem que os aplaudia frenéticamente. (...)" - O Paiz, 12 de novembro de 1904.
"Como nos dois dias anteriores, arruaças começaram ontem à tardinha. Não esta convocado meeting, entretanto, desde 5 horas da tarde o largo de Sào Francisco de Paula esteve repleto de gente em sua maioria curiosos."
"Enquanto se perde tempo e se despende energia nessa agitação injustificável a pretexto da vacinação obrigatória, vamos deixando de lado as questões que realmente nos interessam e que afetam vivamente a situação do país. (...) - O Paiz, 13 de novembro de 1904.
"Não há que se esconder a gravidade da situação que, desde alguns dias já, se vinha desenhando no aspecto da cidade e que tos os espíritos anunciavam porque a pressentiam e apalpavam.(...)
Verdadeiras lutas foram travadas a peito nú entre populares e as forças policiais de infantaria e cavalaria, distribuídas por fortes contingentes nos pontos onde maior era a aglomeração e onde as desordens mais se pronunciavam.
Na execução das ordens recebidas e conforme um edital da polícia publicado pela manhã, a polícia interveio na dispersão do povo, acometendo-o com cargas de espada e lança e não raro travando verdadeiros tiroteios; o povo repelia-a a pedradas, entricheirando-se como podia, e a força despejava os revólveres. Iso mesmo sente-se da relação publicada dos feridos, a maior parte por armas de fogo."
"Os estragos que a cidade apresentou na manhã de hoje, árvores derrocadas, combustores retorcidos, quebrados, e postes por terra, , edifícios com as vidraças estilhaçadas, bondes quebrados uns, incendiados outros, tudo isso dá idéia da intensidade dos conflitos de ontem e do desespero e anarquia que reinaram nas ruas, que mais tétricas e cheias de perigo se tornaram quando a noite caiu, privadas grandes trechos de sua iluminação costumada."
"Jamais podiamos imaginar que da vacina obrigatória pudessem surgir os distúrbios de ontem, iniciados na véspera, depois dos breves mas violentos discursos pronunciados na Liga Contra a Vacinação.
Combatendo a obrigatoriedade desta providência, o fizemos sempre de acordo com a lei, em nome dos princípios constitucionais e da liberdade individual, sem jamais aconselhar a resistência à mão armada, que condenamos com a maior energia porque a desordem não pode governar e o prestígio da autoridade constituída não pode parecer diante da subversão da ordem."
BARRICADAS
"Na rua Senhor dos Passos, esquina da rua Tobias Barreto, Sacramento e Hospício foram levantadas barricadas, havendo em alguns pontos atravessado correntes e arames de lado a lado da rua. Junto a essas barricadas os populares varavam a polícia." - A Tribuna 14 de novembro de 1904.
Fonte: www.irdeb.ba.gov.br







Curso de Violão Popular

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Japão : da antiguidade a contemporaneidade


Da Idade da Pedra à chegada do Budismo
- de 20 mil a.C. a 538 d.C.
O arquipélago japonês esteve unido ao continente, quer dizer, fazia parte da placa asiática. Isso deve ter acontecido há mais de 100 mil anos. Nesta época, supõe-se que a faixa de terra, que viria a se tornar o Japão, era habitada. Para confirmar esta hipótese, foram encontrados esqueletos fossilizados de homens e animais, inclusive de elefantes pré-­históricos. A existência desses animais teria provocado a migração dos povos do norte para o Japão.

O período datado a partir de 20 mil a.C. é conhecido como pré-Jomon. Os habitantes do Japão viviam da caça e da pesca, utilizando-se de instrumentos de pedra, conseguidos através do lascamento. Pode-se dizer, era o período da pedra Lascada ou Paleolítico. Pouco se sabe a respeito deste período.

Os japoneses costumam contar a história, quase sempre, a partir do período posterior ao Paleolítico, denominado era Jomon, que iniciou-se aproximadamente no ano 8 mil a.C. O que marca a era Jomon, ou era Neolítica, é a existência de uma cultura mais complexa. Seus habitantes continuam vivendo da caça e da pesca mas com o uso de instrumentos de pedra, desta vez polida. A diferença é a passagem da pedra lascada para a polida. Entretanto, outros artefatos desenvolvidos na Era Jomon devem ser considerados. Os homens inventaram armas como o arco, a flecha e a lança, úteis para a caça. Técnicas mais apuradas de caça foram criadas nesta época. De todos os aperfeiçoamentos, talvez o maior tenha sido a cerâmica. Potes de barro, magnificamente torneados e depois desenhados em relevo com uso de cordas, serviam para o cozimento de alimentos e para o seu armazenamento. O nome Jomon vem daí: quer dizer, marcas de corda.

No período Jomon haviam tribos, portanto os habitantes compartilhavam um espaço comum. A vida organizada já fazia parte do homem de Jomon. Viviam em casas feitas de galhos de árvores e cobertas com palha que ficavam em valas cavadas na terra. Para alimentação, os habitantes costumavam partir os ossos grandes dos animais para extrair o tutano. O javali era caçado para se conseguir a gordura, produto indispensável para a fabricação do óleo. Do veado, conseguia-se a pele para o vestuário de inverno.

Animais domésticos como o cão, foram incorporados rapidamente à comunidade. Eram usados durante as caças. É desta época a evolução dos cães japoneses, entre os quais os de raça Shiba. Quanto ao gato, acredita-se que teria vindo de outras regiões. O mesmo acontecendo com o porco e o cavalo. Mas os dois últimos foram introduzidos no Japão no período que se segue ao Jomon, a Era Yayoi.

O que irá separar o período Jomon do Yayoi é o início da cultura do arroz, período este que inicia-se um ou dois séculos antes de Cristo. A cultura do arroz vem acompanhada de uma migração vinda do continente, jamais vista até então. Técnicas mais avançadas são introduzidas. O metal passa a ser utilizado junto com a pedra polida. Utiliza-se espadas feitas de bronze e espelhos de metal nos rituais religiosos. Instrumentos agrícolas são incrementados a partir do metal e da madeira.


Mas foi a cultura do arroz que provocou modificações profundas na vida social, política e econômica dos aldeões. Como o cultivo do arroz exigia um trabalho coletivo, houve a divisão do trabalho e, conseqüentemente, as diversas divisões de classe, surgindo uma classe dirigente. Os imigrantes tomaram-se integrantes da corte e de clãs poderosos. Em caso de guerra, eles conseguiam vencer os nativos, com facilidade. E suas aldeias prosperam mais do que a dos antigos moradores. A par com a cultura do arroz, estes migrantes, que trouxeram as técnicas de tecelagem, costura e criação do bicho da seda, formaram grupos de trabalho, o dos artífices, para a manufatura de instrumentos de metais, o dos comerciantes, vendedores de potes de barro e, por fim, o dos agricultores. Este fluxo migratório se fixou notadamente ao sul do Japão.

A partir de Yayoi, e o que viria a se tornar depois o Japão, germinam os alicerces de uma cultura agrária e tribal fundamentada na formação de pequenos estados. Documentos chineses da dinastia Han referem-se a um "país de cem reinos". Estes reinos localizar-se-iam ao norte de Kyushu, uma das quatro ilhas que formam o arquipélago nipônico. Os chineses falam nos reinos de Nu (Na), l-tu (Ito), Mo-lu (Matsura) e Pu-mi (Fumi). Há indícios que o reino de Nu pagava tributos a Han no ano 57 a.C.

As guerras internas assolavam os reinos de Kyushu. A paz só foi conseguida com o entronamento de uma mulher, a rainha Himiko, possivelmente no ano de 188 d.C. Como rainha, Himiko unificou 28 nações sob o nome de reino de Yamatai. Estas informações constam dos documentos chineses. Diz, por exemplo, que Himiko tinha poderes sobrenaturais. Ela conseguia prever se a safra de arroz seria boa, e em caso de guerra, se Yamatai sairia vencedor. As adivinhações eram feitas queimando-se pedaços de ossos. Pela rachadura produzida, podia se prever os acontecimentos.

Com a morte de Himiko, as guerras voltaram a acontecer. Havia a necessidade de alguém que mantivesse a unificação de Yamatai. Portanto, diante do impasse, foi escolhida como sucessora, Iyo, de apenas 13 anos. Assim, Yamatai continuou existindo.

Outro fato importante acontecido no período Yayoi é a consolidação do país de Yamato, no século IV. Yamato localizava-se ao lado do rio, do mesmo nome, nas proximidades da atual província de Nara, na ilha central de Honshu. Yamato consegue dominar as nações do norte de Kyushu, as do vale de Yamato e as de Izumo. O chefe de Yamato recebe o nome de Okimi ou Oaiwô (grande rei), e posteriormente, passou-se a denominá-Io Tennô (imperador). Os indícios levam a crer que a origem dos imperadores japoneses esteja em Yamato
.

Dos tempos de Yamato, o que o Japão conserva ainda são os gigantescos túmulos, conhecidos por Kofun(Ryô). O mais famoso é o do imperador Nintoku, na cidade de Sakai, em Osaka. Os imperadores eram enterrados junto a artefatos feitos de argila, o haniwa. Constitui-se o haniwa de réplicas, em miniatura, de casas, cavalos e seres humanos.

Em pleno explendor, Yamato mandou chamar do continente (China e Coréia) artesãos para ensinar os japoneses. Mas de todos os ensinamentos, quem sabe, os mais importantes foram o budismo e a escrita em forma de ideogramas, o kanji.
Do príncipe Shotoku ao período Heian
- de 604 a 1192
 
A partir da consolidação do reino de Yamato, o Japão começa a tomar forma como um Estado unificado, cabendo aos dirigentes esta unificação. Aquele que vai dar um passo grande neste sentido é Shôtoku Taishi. Saímos do período Yayoi, mais precisamente de sua fase tardia, Kofun (o dos grandes túmulos, de 300 a 391), para o período Assuka. A introdução do budismo se dá neste período.

Intensifica-se as relações com o continente, no caso, a China. Entretanto, Yamato vivia constantes guerras pelo poder. No reinado da imperatriz Suiko surge a figura de Shôtoku (séc. VII). Ele assume a regência e promove diversas mudanças na máquina administrativa. Baixa um decreto no qual os servidores públicos são divididos em doze categorias. Também promulga a "Constituição de Dezessete Artigos", cuja finalidade é disciplinar o trabalho dos funcionários público, tendo por base os ensinamentos do educador chinês Confúcio.

Buscando inovações, Shôtoku torna-se um adepto do budismo. Com entusiasmo, dedica-se a difundir a doutrina de Buda. Ele próprio possui mestres vindos da Coréia para ensina-lo. Um grande contingente de coreanos dos reinos Kokuli e Paikché, dentre monges, estudiosos e artistas fixam residência no Japão. Os templos budistas proliferam e as famílias aristocráticas disputam entre si a sua construção. O mais famoso, o de Hôryuji, fica na cidade de Nara e foi construído por Shotoku Taishi.

A Reforma Taika, de 645 é um marco que os historiadores utilizam para demarcar o final do período Assuka. Com ela é abolido o sistema de propriedade particular, conhecido por "Uji­kabane". Assim, os aristocratas, donos da terra, teriam o seu poder enfraquecido. Antes, eles tentavam, através das guerras, influir nas decisões dos imperadores. Com a Reforma Taika, o imperador fortaleceria o seu poder em detrimento dos aristocratas. Em troca das terras, os aristocratas tornar-se-iam funcionários do governo.

Em suma, a Reforma Taika introduziu o regime Ritsuryô, inspirado no modelo chinês.

O período seguinte é conhecido como: Nara. A cidade de Nara torna-se capital em 710. Ela é construída seguindo-se o modelo de Chang'an (atual Xian), a capital de Tang, na China. O período Nara foi marcado por um governo centralizador e burocrático. Beneficiado pelo Estado, o budismo prosperou, assim como a arquitetura e a escultura.

As relações com Tang intensificam-se neste período. Por duzentos anos o intercâmbio cultural e diplomático se mantém. As frágeis embarcações deixam Naniwa (Osaka) em direção ao continente enfrentando as tempestades que assolam o Mar da China. As que conseguem vencer as intempéries, retomam ao Japão trazendo os louros da cultura mais avançada do mundo. Vão para Yamato chineses, coreanos, indianos e persas. É desta época a chegada do monge chinês Ganjin (688-763) para transmitir o Ritsu. Uma das seis correntes do budismo, depois de ter enfrentado as dificuldades da travessia.


C
omo religião do Estado, o budismo se expande em todas as direções. No mosteiro de Todaiji é construído um Buda de bronze, de 16 metros de altura.

No campo das letras, surgem três obras significativas. As narrativas Kojiki e Nihon Shoki, possivelmente as primeiras fontes da história japonesa, escritas em chinês, contêm lendas a respeito da família imperial, remetendo sempre ao "tempo dos deuses". A outra obra é o Man-yo-shu, onde se encontram reunidos cerca de 4.500 poemas "waka".

A riqueza do período Nara não se estendia às classes menos privilegiadas. Estas continuavam no mesmo estado de pobreza; tinham direito a uma parcela da terra desde que a cultivassem e pagassem os tributos.

Cada vez mais os monges budistas fortaleciam-se como classe, interferindo nas questões burocráticas do Estado. As intrigas palacianas voltaram a acontecer. Quando o sistema encontrou-se saturado, a fim de romper com ele, a solução foi a da mudança da capital. Nara foi trocada por Heian (Kyoto). O período Heian se estendeu de 784 a 1192.

O rompimento no período Nara com o sistema chinês, significava o retorno a uma forma nativa que atendesse aos anseios da nação. Esta forma era a da sofisticação da cultura ao estilo japonês. A família Fujiwara, que se despontou a partir da Reforma Taika, tomou a frente do governo. Utilizando-se de habilidade política aproximou-se da família imperial e por meio de casamentos, o clã Fujiwara passou a exercer poderes próprios ao Imperador.

Enquanto isso, transformações significativas iriam acontecer no campo. As terras, que pertenciam ao governo, entram em colapso. Aproveitando-se disso, as terras privadas (shôen) aumentam nas mãos das famílias poderosas, o mesmo acontecendo com os monges budistas e fazendeiros influentes. Por fim, o governo teve que reconhecer a sua dificuldade em manter as terras. Na época, tinha aumentado o ataque das tribos Ezo vindos do norte do país. Para combatê-Ias, é mandado um grupo de soldados profissionais. A mesma tática é adotada pelos governadores das províncias e donos das terras agrícolas. Eles formam uma guarda particular, recrutando os soldados dentro de seus próprios clãs, de partidários e seguidores. Esta é a origem dos samurais.

Da era Kamakura a Azuchimomoyama
- no tempo dos samurais, 1192 a 1600
A classe dos samurais instala-se no governo através do clã Taira em 1167. À maneira de Fujiwara, duas famílias vindas das classes guerreiras, Heike e Genji, mesclam o sangue com a família imperial. Era a forma para chegar ao poder. Taira, que é chamado também de Heike, chega antes de Genji ao governo. Após a decadência da família Fujiwara, os imperadores tentaram restaurar o seu poder. Período em que inaugura-se a época dos "imperadores enclausurados". As intrigas conduzem às rebeliões, entre elas a de Hogen (1156) e a de Heiji (1159). Desgastes por parte da corte, por outro lado, aumenta o poder dos samurais. Mais precisamente do clã Heike.

Heike que ingressou no governo foi Taira Kiyomori. Casou uma filha com o imperador Takakura, de cuja união nasceu o imperador Antoku. Copiando o fausto da vida palaciana, Taira Kiyomori continua repetindo os erros de Fujiwara, enquanto isso, por fora, os da família Genji estão conspirando. Por fim, os Heike são derrotados na batalha marítima de Danno-ura. Batalha em que todos os chefes Taira são exterminados. O imperador Antoku, de sete anos, é atirado nas águas do mar interior Seto nos braços da avó. Tinha triunfado o clã Genji.

Com Genji no governo inicia-se o período dos shoguns, que perdurou por quase sete séculos. Mais uma vez, a capital é transferida. Desta vez, o shogun escolhe Kamakura. Shogun era o título outorgado pelo imperador ao guerreiro de sua confiança, tornando-o assim, no generalíssimo. No período Kamakura, que se inicia em 1192, coexistem dois governos, o do shogun e o do imperador. Um independente do outro. Em resumo, isto significava o enfraquecimento do poder do imperador.

Entre os fatos marcantes deste período está a invasão do Japão pelos mongóis. Ela acontece por duas vezes no século XIII. Na primeira tentativa, a de 1274, os mongóis chegam a aportar ao norte de Kyushu após sangrenta batalha com os samurais. Mas um tufão violento sopra consegue frustrar as tropas de Kublai Khan. Mas Khan não desiste. Por sorte, mais uma vez o vento sopra a favor dos japoneses. Daí nasce a expressão Kamikaze, ou seja, "o vento divino".

Consolida-se no período Kamakura o poder dos samurais, distribuídos nos feudos. Com o tempo, os feudos se tornam cada vez mais auto-suficientes. Feudos do interior afastam-se do poder central. Assim, conforme aumenta o poder local, as rixas aumentam. As guerras se tornam inevitáveis. Enquanto a classe guerreira se fortalece, são criados códigos que regulamentam as relações entre os seus membros. É o código moral dos samurais.

A história japonesa parece desenrolar-se quase que apenas nas camadas mais elevadas da população. As classes estão divididas entre os nobres, samurais, bonges (comuns) e semmin (marginais). Inúmeras escolas budistas são estabeleci das através do envio de monges japoneses para a China. Às seitas Shingon e Tendai vêm somar-se outras: Jôdo, Jôdo Shin, Hokke e Zen. Seitas ainda existentes no Japão atual.

As guerras desgastam o poder central exercido pelo shogun, principalmente as tentativas dos mongóis em invadir o Japão. Aproveitando-se destas brechas, os imperadores conspiravam a fim de restaurar o seu poder de fato. A primeira tentativa se deu em 1221 com Gotoba, sem sucesso. Mais tarde com Godaigo em 1331. Alguns samurais, descontentes com o shogun, conspiram junto com Godaigo. Entre eles, Takauji Ashikaga. Por fim, o shogun é derrotado e o imperador Kômyô concede a Ashikaga o título de novo shogun. O shogunato de Kamakura vigorou por 140 anos.

Mas Ashikaga não era melhor que o seu antagonista. Com a mudança do governo, muda-se a capital. Ashikaga transfere­a para Kyoto. O terceiro shogun desta dinastia, Yoshimitsu, habita o Palácio das Flores de Muromachi, nome usado também para designar este período. A ostentação é uma das marcas fundamentais de Muromachi. O shogun manda construir o Pavilhão de Ouro, cujas paredes são cobertas pelo nobre metal. Em contrapartida, uma outra característica do período são as guerras internas. A primeira é a Guerra Ônin. A partir desta, diversas outras afloram, manchando com sangue o arquipélago japonês. Os feudos disputam entre si a supremacia diante de um governo desorientado. Apesar desta situação o clã Ashikaga consegue manter-se no poder por 235 anos.

A contradição do período foi a arte convivendo com a desordem provocada pela guerra civil. Enquanto guerreiam, os nobres cultivam a poesia "waka", o teatro "nô" e a cerimônia ­do chá. O gosto pela estética invade os paladares mais finos. É também deste período a chegada dos primeiros ocidentais, os comerciantes portugueses e os jesuítas.

Vai provocar a queda definitiva do clã Ashikaga um general aparentemente obscuro, Nobunaga Oda. De início, fiel a Ashikaga, com o crescimento do seu poder, este é traído por ele. Ashikaga cai. Cresce a influência de Oda a cada batalha ganha. Ele se torna o unificador do Japão, colocando fim nas guerras civis. Derrota a tropa de Katsuyori, o filho do seu maior inimigo, Shinguen Takeda, aliando-se na batalha de Nagashino com Ieyasu Tokugawa. A tática de Oda foi a utilização das armas de fogo, trazidas pelos portugueses. Derrota também os monges guerreiros de Tendai.

A carreira de Oda vai terminar após uma traição. A traição do general Mitsuhide Akechi, depois morto por Hideyoshi Toyotomi, o continuador de Nobunaga Oda. O período conhecido por Azuchimomoyama é pontilhado de acontecimentos, apesar de curto. Não se inaugura nenhum shogunato. A guerra continua fazendo parte do cenário político. É também o momento da expansão do cristianismo na terra de Buda. Quanto ao comércio, os portugueses nunca lucraram tanto como neste período.

Do período Edo aos tempos modernos
- de 1603 a 1867
Mais hábil que os seus antagonistas Nobunaga Oda e Hideyoshi Toyotomi, leyasu Tokugawa conseguiu obter o poder após a derradeira vitória na Batalha de Sekigahara em 1600. Tokugawa era mais um político, que sabia esperar, do que um guerreiro. Foi assim que ele conseguiu obter sucesso. A partir de 1603 começa o último shogunato, o do clã Tokugawa. Nova mudança de capital. Tokugawa preferiu a longínqua vila de Edo, mais tarde Tóquio, distante dos centros aristrocráticos, na região de Kantô.
Não quer repetir os erros dos shogunatos anteriores de permitir que os feudos se fortaleçam e iniciem uma nova guerra civil. Visando este objetivo, Tokugawa fortalece o shogunato, o governo centralizador, e vigia a ação de seus aliados e de antigos inimigos. Este sistema garante um período de imensa paz, que os historiadores denominam de "Pax Tokugawa".

Com Tokugawa no governo, os ânimos são abafados. As divisões em classes sociais, iniciadas por Hideyoshi, tornam­se marcantes. Eram elas em ordem hierárquica: samurais, lavradores, artesãos e comerciantes.

Como visava a reconstrução do país, após mais de cem anos em guerra, Tokugawa resolve tomar medidas duras. Uma delas é a expulsão dos estrangeiros, no caso portugueses e espanhóis. O cristianismo é proscrito e os cristãos perseguidos pelo governo. Por fim, o governo resolve fechar os portos a todos os navios estrangeiros, exceto dos chineses e dos holandeses. Os holandeses só podiam ficar na ilha de Dejima em Nagasaki.

Ainda no primeiro século da administração Tokugawa, as últimas resistências tinham de ser vencidas. A mais significativa foi a revolta de Shimabara, em 1637. Os camponeses revoltam­se contra a opressão dos senhores de Hizen e Amakusa. São mais de 25 mil revoltosos, somando-se aos camponeses os samurais derrotados em Sekigahara e os cristãos proscritos. A revolta tem à frente um católico, o jovem samurai Shiro Amakusa, de 16 anos.

Outras revoltas vão acontecer, sendo sempre abafadas e os revoltosos punidos. Eram revoltas por causa de problemas relacionados à terra. São menos significativas do que as mudanças que ocorrem durante este período de paz. Com o passar das décadas, a classe dos comerciantes começa a ganhar importância. É ela que fomenta a cultura das áreas urbanas. Os senhores feudais pegam dinheiro emprestado dos comerciantes.


Graças aos comerciantes, as cidades se desenvolvem. Principalmente em Edo e Osaka intensificam as transações comerciais. A indústria é igualmente beneficiada. Período de fartura, a cidade conduz também ao esbanjamento. A cultura, antes confinada nos palácios, escapa para as ruas. É a vez da cultura popular. A escola não é mais privilégio dos nobres. Todos que vivem na cidade podem aprendem a ler e escrever.

Nunca produziu-se tanta literatura como nesta época. E os livros de grande tiragem ficavam ao alcance do povo em geral. A arte popular tendia para as poesias "haikai" e "senryu", para o teatro "kabuki" e "Jôruri", para as xilogravuras ukiyo-e.

As mudanças em todos os setores, inevitavelmente iriam dilapidar a imagem do samurai. Sem mais guerras, a classe guerreira tornou-se uma lembrança do passado, que não tinha acompanhado o desenvolvimento da história. Quem entrava em crise não era somente o shogunato, mas o seu equivalente, o samurai. Em oposição ao samurai estava o comerciante, chamado de chõnin.
Período Moderno
Da modernização Meiji à democracia Taishô
- de 1868 a 1926

O fim do domínio dos shoguns acontece no momento em que o mundo ocidental acabava de experimentar as principais revoluções civis, como a americana e a francesa. E a economia capitalista necessitava cada vez mais de novos mercados, inclusive o japonês. O isolamento provocado após a instauração do shogunato Tokugawa contrariava as leis de oferta e procura. Foi assim que a pressão internacional para a abertura dos portos começou na metade do século passado. Sem sucesso, entre os séculos XVIII e início do XIX, os navios ingleses e russos tentaram quebrar o isolamento. Entretanto, a situação iria se modificar.

A intervenção foi dos Estados Unidos na qual o comodoro Mathew Perry entrega uma mensagem ao emissário do shogum pedindo o fim do isolamento. Este fato acontece em 1853. A abertura dos portos iria provocar, posteriormente, a derrubada do shogunato. Os antigos inimigos de Tokugawa, instalados em Kyushu, aproveitando-se da situação, conspiram. Período em que senhores feudais debelam-se contra os estrangeiros, demonstrando também descontentamento com a fraqueza do shogum. Quem se fortalece neste momento é o imperador, apoiado pelos que querem a derrubada do shogunato Tokugawa.

Por fim, depois de um longo período governado pelos shoguns, o governo centralizado na figura do Imperador volta a existir. A volta dos poderes ao Imperador ocorre em 1867.


Quem se encontra no trono é o jovem Mutsuhito que assumiu aos 14 anos, após a morte do imperador Kômei em 1866.


O retomo do governo para o imperador significa uma total reestruturação nacional, que passa a se chamar Restauração Meiji. Para realmente modificar as estruturas do país, Mutsuhito, o imperador Meiji precisou promover as mudanças mais radicais, como o abolição da classe dos samurais. Precisava modernizar o país para atender as necessidades de desenvolvimento capitalista. Em 1890 foi instituído um governo constitucional, tendo como modelo a constituição alemã.

Com o tempo, o governo japonês começa a enfrentar questões internacionais. Quer que a Coréia estabeleça relações comerciais com o Japão. Mas a China, que cobrava tributos da Coréia e a via como parte de seu território, não se simpatiza com os interesses japoneses. O desentendimento com a China irá lançar o Japão na primeira experiência bélica com o uso de armamentos modernos. Surpresos, os países do Ocidente assistem a vitória japonesa sobre a China. Aumenta no Japão o sentimento nacionalista, fortalecendo o espírito militar.


Numa outra guerra, desta vez com a Rússia, novamente o sucesso esteve do lado do Japão. A partir de então, o Japão pode se considerar a nação mais influente de toda Ásia.

O mérito do imperador Meiji, que governou o Japão por 45 anos, foi o fortalecimento interno, modernizando em pouco tempo os setores industriais, políticos e sociais. É também o momento de efervescência intelectual com a tradução e leitura dos clássicos ocidentais.


Durante o governo Meiji, a concentração urbana causada pelos êxodos rurais, vai provocar a emigração para outros países. Primeiro os emigrantes foram para o Havaí, depois Peru e, a partir de 1908, vieram para o Brasil.


O fenômeno emigratório japonês é conseqüência de momentos de grandes mudanças estruturais na sociedade japonesa. Se durante o período de reclusão, da era Tokugawa, os japoneses tiveram que isolar-se do resto do mundo, mudanças radicais aconteceriam com o advento da era Meiji. De certa forma, o processo se deu de maneira inversa. A transição do trabalho campesino para o industrial trouxe conseqüências drásticas. Problemas de modernidade que o Japão foi obrigado a resolver através da emigração.

O imperador Meiji morre em 1912, tendo como sucessor o príncipe Yoshihito, o imperador Taishô. É neste governo que o Japão participa da I Guerra, ao lado dos aliados. Não foi um governo centralizador como o de Meiji, caracterizado pelo avanço das idéias democráticas. Os democratas queriam menos poder para o imperador e mais para o povo. O sufrágio universal se torna lei em 1925, mas só beneficiando homens acima de 25 anos. Movimentos de cunho operário ganham notoriedade ao lado das idéias socialistas e as dos sindicatos.


Entretanto, mal a democracia começa a criar raízes, nos moldes ocidentais, ela tem morte prematura. Tal como o cristianismo nos séculos XVI e XVII, a democracia é uma idéia pouco atraente para a aristocracia japonesa. A oligarquia não está disposta a ceder espaço. O primeiro-ministro Hara Takashi assume o cargo em 1918. Três anos foram suficientes para que um atentado colocasse fim ao seu governo. Hara não era ligado nem à aristocracia e nem à oligarquia "hambatsu", que apoiava o imperador.

No setor econômico, o Japão obteve sucesso durante o período Taishô. Conseguiu monopolizar o mercado asiático, sem a intromissão dos europeus. Devido a desgaste provocado pelo conflito de 1914 a 1918, a Europa estava debilitada. Os industriais japoneses lançam-se a construir navios diante da escassez mundial deste produto. E conseguem capitalizar na indústria naval. Os produtos industrializados, antes fornecidos pela Alemanha, agora são fabricados pelos japoneses que conquistam o mercado. É o caso dos produtos químicos, medicamentos, tintas e adubos. Dos ingleses, os japoneses tomam o mercado asiático de fiação e tecelagem.


Os grandes bancos japoneses são formados nesta época, devido, principalmente, ao crescimento do parque industrial. São grupos de créditos como o Mitsui, Mitsubishi, Sumitomo, Yasuda e Daiichi.

O crescimento da economia japonesa foi temporário. Durou enquanto a Europa demorou para se recuperar. Com o fim da guerra, os japoneses conheceram o reverso do sucesso capitalista. Os produtos japoneses perdem espaço no mercado. Com isso, a recessão toma conta da vida dos japoneses, mas é justamente nesta situação que prosperam as idéias democráticas.

O fim da era Taishô, de altos e baixos, de democracia e crescimento econômico, vai ser marcado com a ascensão das idéias nacionalistas, com o respaldo dos militares.

Do imperador Shôwa ao imperador Akihito
- de 1926 aos tempos atuais


Ao falar da era Shôwa, remetemo-nos naturalmente ao imperador Hirohito -nome que usava quando vivo-, que teve o mais longo dos governos no Japão moderno. De 1926 até 1989, portanto por 64 anos, o imperador Shôwa governou um país que passou por uma guerra mundial, a responsabilidade e o peso da derrota, inclusive experimentando os horrores da bomba atômica, seguida de um intenso trabalho para a recuperação do país. Após a guerra. O imperador, até então considerado uma divindade, declara ser um homem de carne e osso. Falando pelo rádio para todo o país para explicar a derrota, e mais tarde, caminhando pelos destroços e pedindo para que o povo tivesse esperança para reconstrução, ele assumiu a condição de um ser humano. E foi a primeira vez que a grande maioria dos japoneses ouviu ou viu seu líder de perto.

Todas as contradições do Japão' estiveram presentes na era Showa. De nação bélica, o Japão se tornou um país pacífico, cujo espírito provém inclusive da cláusula de sua nova Constituição.

Quando o imperador Showa recebeu o governo de seu antecessor Taisho, a crise estava instaurada. O malogro da democracia tinha criado condições para o fortalecimento de forças paralelas. Para piorar, o "crack" da Bolsa de Nova York em 1929 afetou a já debilitada economia japonesa. O desemprego chega a uma cifra assustadora: dois milhões de trabalhadores estavam fora das fábricas. Na zona rural, o preço dos produtos agrícolas chega ao ponto crítico. Em contrapartida, há o acúmulo de riqueza nas mãos dos capitalistas. Os partidos políticos estão ameaçados pela corrupção. Nesta instabilidade econômica e política nasce o germe do fascismo japonês. Trata­se de um sistema populista centralizador alicerçado na figura do imperador como o único caminho que poderá conduzir o Japão para o desenvolvimento.

Cada vez mais aumenta a influência dos militares diante do fracasso do sistema democrático. O incidente que vai reforçar a expansão imperialista japonesa, sob o comando dos militares, é o de Manchúria. A força japonesa estacionada naquela província desde 1919 provoca em 1931 uma explosão na Estrada de Ferro Sulmanchuriana, pertencente ao governo japonês. A culpa recai sobre os chineses e com isso surge o argumento necessário para justificar uma agressão militar. Assim se inicia o ataque a cidades chinesas pelo exército japonês.

Com a tomada do território, é declarada a independência da Manchúria, colocando como regente Pu Yi, o último imperador da dinastia Ching, deposto pela república. Este Estado, controlado pelos japoneses, é chamado Manchukuo­ - Nação Manchu.

A situação interna no Japão não é das melhores. Não há liberdade de expressão. Os líderes socialistas, operários e liberais desaparecem de cena. São condenados ao ostracismo ou desaparecem nos porões da repressão.

Devido as campanhas militares na China, a economia japonesa encontra-se dilapidada e o comércio exterior impedido de se expandir por pressão dos aliados. Foi quando os Estados Unidos resolveu dar o golpe fatal. O governo americano suspende em 1939 a venda de matérias-primas e demais insumos industriais para o Japão. O petróleo seria uma delas.

Nenhum acordo com o presidente Franklin Roosevelt foi possível. Do lado japonês, o endurecimento das posições se dá com o ministro da Guerra, o general Tojo Hideki, que ascende ao cargo de primeiro ministro. O general não queria mais acordo com os Estados Unidos, preferindo a opção pela guerra.

Ainda não tinha amanhecido em Havaí, em 7 de dezembro de 1941, quando a aviação japonesa ataca a base norte­americana de Pearl Harbor. Em seguida, declara guerra aos Estados Unidos e Inglaterra. Mas a entrada do Japão na guerra estava fadada ao fracasso. Já em 1942, os japoneses davam sinais de debilidade nas guerras do Pacífico.


Derrotada na guerra, o Japão precisa ser reconstruído e adaptado à modernidade. Mas antes, teve que arcar com as dores. As forças aliadas ocupam o Japão em 1945 sob o comando do general Douglas Mac Arthur. O período de ocupação americana, que vai de 1945 a 1951, serviu para o Japão retomar o caminho do desenvolvimento. Foram eliminadas as idéias bélico-imperialistas e restaurada a democracia. Uma década depois, o Japão mostrava sinais de recuperação. É daí a expressão "milagre japonês".

Algumas décadas foram necessárias para colocar o Japão entre os países adiantados. Se no início os produtos japoneses eram considerados baratos e ruins até pelos próprios japoneses, em pouco tempo o País passou a ameaçar os Estados Unidos como segunda potência econômica. Assimilando bem os ensinamentos dos americanos quanto ao aumento de produtividade e melhoria de qualidade, os japoneses passaram a adotar métodos de trabalho que hoje são utilizados no mundo inteiro, que visam principalmente a eliminar o desperdício no processo industrial. Na área comercial, os japoneses ganharam dos americanos em muitos segmentos. Produtos japoneses invadiram as lojas dos Estados Unidos.

O grande desenvolvimento econômico do Japão provocou, a partir da década de 80, um movimento inverso de imigração, comparado àquele do início do século. Os nikkeis do Brasil, do Peru e dos demais países sul-americanos estão retomando ao Japão como mão-de-obra não especializada. São conhecidos como "Dekassegui". Sonham retomar ao Brasil após alguns anos de trabalho no Japão. Por isso, trabalham arduamente a fim de poupar o suficiente para montar um negócio próprio ou adquirir bens no Brasil. Isso nem sempre se realiza. Depois de retomarem ao Brasil, passado algum tempo, voltam ao Japão. E o ciclo volta a se repetir enquanto não conseguem garantir uma estabilidade financeira. A comunidade brasileira no Japão é grande e com isso muitas casas de espetáculos procuram programar shows de música brasileira, enquanto muitos supermercados oferecem comidas típicas. É a cultura brasileira chegando naquele país.

Em 1989, os japoneses choram a morte do imperador Hiroito, que acompanhou os momentos mais difíceis do povo japonês. O imperador que assumiu a nova era, a de Heisei, Akihito, foi o primeiro a se casar com uma moça plebéia, a imperatriz Michiko, e também foi o primeiro a criar seus filhos em sua própria casa. Apesar de a aparência sempre discreta da família imperial ter se mantido a mesma, transformações estavam ocorrendo dentro da milenar tradição. O príncipe herdeiro, Naruhito, seguindo o exemplo do pai, também se casou com uma moça sem laços familiares com a nobreza.

O Japão moderno, consciente de sua limitação territorial e de recursos naturais, procura manter uma relação de cordialidade com todos os países, incentivando sempre o intercâmbio comercial e cultural, Dependente de fornecedores externos, o Japão se tornou o principal exportador de produtos manufaturados e detentor da tecnologia de ponta em quase todos os setores industriais.
Extraído do livro História do Japão – Origem, Desenvolvimento e Tradição de um País Milenar.
Leia mais no Leia mais no livro “História do Japãp
 Leia mais no Livro "História do Japão em Mangá" - 2º edição 2001, associação Cultural e esportiva Saúde, Autores: Francisco Noriyuki sato, Antônio Paulo Goulart, Roberto Kussumoto e Francisco Handa.

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