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Oriente Médio e Palestina

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Os militares e o segundo governo Vargas - 2º ano



Entre 31 de janeiro de 1951, quando Getúlio Vargas assumiu o governo, e 24 de agosto de 1954, quando se suicidou, a área militar foi marcada por disputas políticas e divergências ideológicas entre duas principais tendências: uma autodenominada "nacionalista" (e acusada de ser esquerdista pelos adversários) e outra "democrática" (acusada de ser "entreguista" pelo lado contrário). Vargas alternou o apoio a uma e outra tendência, num jogo arriscado que levou à perda de apoio do governo na área militar.O clima de dissensão esteve presente já na indicação do general Estillac Leal, um expoente da ala "nacionalista", para ministro da Guerra, que foi mal recebida por círculos militares mais conservadores. A ala "nacionalista" defendeu a neutralidade brasileira na Guerra da Coréia (1950-1953), a campanha pela criação da Petrobras e o monopólio estatal do petróleo. Por seu lado, a tendência autodenominada "democrática" defendia o alinhamento com os Estados Unidos na Guerra da Coréia e a participação de grupos privados na exploração do petróleo, e criticava duramente a "infiltração comunista" nas Forças Armadas. Alguns generais dessa tendência fizeram críticas públicas ao governo, como os generais Euclides Zenóbio da Costa, veterano da FEB e comandante da Zona Militar Leste e da 1ª Região Militar, e Canroberto Pereira da Costa.Um golpe na ala nacionalista foi dado quando o general Góis Monteiro, chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, conseguiu articular, juntamente como o ministro do Exterior, João Neves da Fontoura, o Acordo Militar Brasil-Estados Unidos, assinado em março de 1952. Nesse mesmo mês, os generais Zenóbio e Estillac foram exonerados de suas funções, e o general Ciro do Espírito Santo assumiu o Ministério da Guerra. Um enfrentamento direto entre as duas tendências ocorreu logo em seguida com as eleições para o Clube Militar. Estillac Leal lançou-se candidato à presidência do clube, numa chapa que se chamou de "nacionalista", por oposição aos militares de orientação "entreguista". Concorrendo com ela estava a chapa da "Cruzada Democrática", organizada pelo general Cordeiro de Farias e encabeçada pelos generais Alcides Etchegoven e Nelson de Melo, defendendo a bandeira do "nacionalismo sadio". A Cruzada Democrática foi eleita com 65% dos votos.Em fevereiro de 1954 foi tornado público um documento que ficou conhecido como Manifesto dos Coronéis, assinado por 81 oficiais superiores do Exército, muitos deles ligados à Cruzada Democrática. O documento, que foi enviado ao ministro da Guerra, protestava contra a falta de recursos para o Exército e contra a proposta do governo de dobrar o valor do salário mínimo, apresentada pelo ministro do Trabalho, João Goulart. O episódio levou à substituição do ministro do Exército pelo general Zenóbio. Em maio seguinte, a Cruzada Democrática venceu novamente as eleições do Clube Militar, agora com uma chapa encabeçada pelos generais Canrobert e Juarez Távora.A perda de apoio militar do governo precipitou-se quando, na madrugada de 5 de agosto de 1954, o jornalista e candidato a deputado federal pela UDN Carlos Lacerda sofreu um atentado, no qual morreu o major-aviador Rubens Vaz, integrante de um grupo de oficiais da Aeronáutica que lhe dava proteção durante a campanha eleitoral. Sem confiar na ação da polícia, a Aeronáutica instaurou um IPM na Base Aérea do Galeão para investigar o episódio. Pelo poder de que desfrutou, esse IMP ficou conhecido como "República do Galeão". Diante dos indícios de envolvimento da guarda pessoal de Getúlio no atentado, oficiais da Aeronáutica passaram a exigir a deposição do presidente, numa pressão crescente. No dia 23, o almirantado aderiu à causa da Aeronáutica, e 37 dos 80 generais do Exército que exerciam funções de comando no Rio de Janeiro assinaram um memorial a favor da renúncia de Vargas. Sem apoio efetivo na área militar, Vargas suicidou-se na madrugada de 24.
Celso Castro

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