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Oriente Médio e Palestina

sábado, 28 de agosto de 2010

Revolução Chinesa - 3º ano - 3º bimestre -Texto 2

A revolução Chinesa aconteceu entre 1949 e 1962, e foi um dos maiores acontecimentos históricos. A Revolução se deu por dois movimentos: a luta dos camponeses por terras e a luta do povo chinês pela independência nacional.
Com cerca de 400 milhões de habitantes, a China do final do século XIX era um país submetido aos interesses das principais potências imperialistas. Essa sujeição era tão intensa que, nas praças públicas das cidades chinesas, os ocidentais davam-se direito de fincar cartazes onde se lia: “É proibida a entrada de cães e de chineses no jardim”.
Durante a 2a Guerra Mundial, a China fica dividida em três regiões: uma ocupada pelos comunistas, uma sob controle nacionalista e uma invadida pelo Japão, desde 1931. A reduzida atividade militar do país favorece a reorganização das forças comunistas no norte e leste. Paralelamente, o Kuomintang deteriora-se, desmoralizado pela corrupção de seus dirigentes.
A guerra civil se alastra e, entre 1945 e 1947, os comunistas instalam um governo provisório, decretam a reforma agrária, denominam suas tropas de Exército Popular de Libertação (EPL) e, apesar do ajuda americana ao Kuomintang, ampliam o domínio das áreas rurais e das pequenas e médias cidades. Em 1949 conquistam grandes cidades, como Nanquim e Pequim. Proclamam a nova República Popular em 1o de outubro e forçam a retirada do governo e do exército do Kuomintang para Taiwan (Formosa ). A conquista do restante do território chinês é completada em 1950. Nesse momento a ONU não reconheceu o governo continetal e considerou a existência de duas Chinas, uma continental e a de Taiwan que substituiu a China continental no conselho de segurança.

Curso de Violão Popular

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

1º ano - A Colonização portuguesa na América video 2 - 3º Bimestre

1º ano - A Colonização portuguesa na América video 1 - 3º Bimestre

2º Ano - 3º bimestre - Video - Era Vargas 2

2º Ano - 3º bimestre - Video - Era Vargas

sábado, 7 de agosto de 2010

3º ano - 3º bimestre -Texto 1 - Os primórdios da Guerra Fria


Do Pós guerra à Guerra Fria

 Analisar os resultados da guerra é fundamental para compreendermos o processo que levaria o mundo à Guerra Fria. É possível identificarmos que os Estados Unidos tiveram na Guerra a oportunidade de emergir com grandes vantagens diante dos demais Estados europeus e asiáticos. Isto Porque ele conseguiu reativar e expandir seu parque industrial, absorvendo a enorme massa de desempregados que a década de 1930 produzira, além de ter passado praticamente incólume quanto aos prejuízos materiais advindos dos bombardeios e combates diretos no interior  de seu território. A economia americana transformou-se definitivamente numa economia mundial, onde seu domínio econômico passou a dirigir os rumos do comércio e das finanças em todo o Globo. Como forma de exemplificar pode-se observar que sua produção industrial correspondia a cerca de 60% de toda a industria do planeta, fato este favorecido pelos danos parciais ou totais nos parques industriais de seus principais concorrentes europeus e asiáticos: Alemanha, Itália, Japão, França e Grã-Bretanha.
A União Soviética , que  exercera um decisivo papel na vitória dos aliados sobre os regimes formadores do Eixo, gozou, nesse primeiro momento pós-guerra, de grande prestígio diplomático e militar, conseguindo que seus interesses fossem  reconhecidos quanto as ambições por áreas de influência junto à suas fronteiras européias. Outro fator importante do período foi o fortalecimento de movimentos de esquerda em todo mundo, alguns dos quais haviam participado da luta contra o nazismo nos continentes europeu e asiático.  Nos primeiros anos a postura soviética foi relativamente moderada em relação ao comunismo internacional como por exemplo em sua postura silenciosa diante da contenção capitalista à regimes comunistas, chegando inclusive  a desestimular as ambições revolucionária do comunismo chinês, e até mesmo na Iugoslávia. Talvez não seja coincidência que os dois regimes comunistas quando alcançaram o controle dos seus respectivos Estados tenham trilhado um caminho de autonomia em relação a Moscou.   Essa postura soviética que era considerada por alguns, como ato de traição pode ser compreendida como uma atitude pragmática diante da situação econômica na qual se encontrava, o país, no período imediatamente após o término do conflito mundial. Sua política externa visava apenas conservar as conquistas políticas das conferências de Moscou, Teerã e Yalta.

Síntese das conferências

Moscou ( outubro de 1943):  Incluiu-se além das quatro potências  a China. Isso demonstrava, não apenas o objetivo de concretizar a unidade necessária para o prosseguimento da guerra, como também dar continuidade a cooperação para a organização da paz e para a criação, no mais breve prazo possível, de uma organização internacional aberta a todos os Estados que amassem a paz. Houve também uma declaração a respeito da Itália, através da qual ficava claro a resolução das Aliados de destruírem o regime fascista de Mussolini  e restaurarem um governo democrático, assim que as condições militares o permitissem. Quanto a Áustria ficava estabelecido o desejo de transforma-la num Estado livre e autônomo, isto é fora do domínio alemão. Finalmente, os Aliados afirmaram sua resolução de chamar a prestar contas todos os alemães que participaram de atrocidades de guerra, resolução a que os russos deram aplicação prática por meio do pronto julgamento e da execução de três alemães e um russo acusado de crimes de guerra durante a ocupação alemã de Kharkov.

Teerã ( novembro/dezembro de 1943): Entre os acordos firmados na fase final da guerra este foi o primeiro que reuniu os três grandes estadistas do Mundo da época: Josef Stalin, Winston Churcill e Franklin Roosevelt.  Lançou as bases de definições da  partilhas das áreas de influencia no pós guerra. Decidiu-se que as forças anglo-americanas interviriam na França, completando o cerco de pressão à Alemanha, juntamente com as forças orientais soviéticas, o que foi responsável pelo desembarque aliado  no norte da França. Decidiu-se também acerca da divisão do território alemão, assim como a definição das  fronteiras da Polônia. Foi formulado também as propostas de paz com a colaboração de todas as nações. Os anglo-britânicos reconheceram a fronteira soviética no ocidente, com a anexação da Estônia, Letônia e da Lituânia.

Yalta: ( fevereiro de 1945): Conhecida também como conferência da Criméia, Yalta ensejou delimitar os contornos geopolíticos do mundo pós guerra. Decidiu-se, ainda, a formação de governos de coalizão na Polônia e na Iugoslávia. Ficou  também acordado que a Alemanha não seria partilhada, embora  a curto prazo fosse dividida em zonas de cupação americana, soviética, inglesa e francesa. Nessa conferência a URSS se comprometeu em ajudar os EUA, através da luta contra o Japão na Manchuria. Essa conferência é considerada o momento de maior cooperação entre soviéticos e americanos dentre as demais conferências. Vale lembrar que Roosevelt sofreu grande oposição política interna e foi acusado de “velho” e fraco, devido às concessões dadas à União Soviética.


A situação norte-americana no pós guerra concedeu-lhe hegemonia em âmbito mundial, fato que lhe permitiu construir, a partir de suas concepções, aquilo que podemos chamar de Pax Americana. Se a Inglaterra havia vivido sua Pax durante o século XIX, esse status agora era gozado pelos Estados Unidos. As
vantagens eram enormes e se manifestavam em diversas áreas.      

A divisão da Alemanha em 4 zonas de ocupação

Os americanos dominavam os mares, possuíam bases navais e aéreas espalhadas por várias regiões do Globo, além de tropas postadas em todos os continentes. Em questão de horas seus aviões poderiam atingir todas as regiões do planeta. Não podemos esquecer que além de todos esses poder bélico convencional era a única potência, ao menos até 1949, que possuía a tecnologia atômica.
A crise econômica de 1929 atingira o mundo e destruíra os fundamentos financeiros que funcionavam razoavelmente até então. A partir da crise os Estados buscavam de forma quase anárquica defender suas economias provocando alterações cambiais que comprometiam a “saúde” econômica  e financeira internacional. Essa preocupação foi encampada pelos Estados Unidos que liderou a construção de um novo sistema financeiro mundial que integrasse as economias dos países. A construção desse sistema foi arquitetada  em 1944 na Conferência de Bretton-Woods (1944 ). Nessa conferência instituiu-se o dólar como referência de troca para as moedas mundiais, sendo este valorizado através da paridade com o ouro. Foi também criado O Fundo Monetário Internacional (FMI), além do Banco Internacional para a Reconstrução e Desenvolvimento  (BIRD), conhecido popularmente como Banco Mundial. Como vimos a Hegemonia americana se concretizava na economia mundial através do poder exercido pelo dólar no câmbio mundial, entretanto tal hegemonia não ficaria restrita a esta área. Na Conferência de Dumbarton Oaks (1944) e na de São Francisco construiu-se uma organização de âmbito mundial que objetivava promover a paz através da construção de instrumentos jurídicos.  Essa Instituição era a ONU ( Organização das Nações Unidas ). Buscando evitar o enfraquecimento da organização, como ocorrera com a Liga das Nações (LDS) no pós 1º Guerra, A União Soviética que creditava o insucesso da LDS ao boicote dos Estados Unidos insistiu para que a nova organização fosse sediada no território dos Estados Unidos. A organização da ONU tinha como uma de suas principais instituições o Conselho de Segurança que decidia a intervenção da organização sob o ponto de vista militar.  A Formação desse conselho refletia a geopolítica mundial do pós-guerra e era composta por membros permanentes e membros temporários. A força dos membros permanentes se manifestava no poder de veto que eles detinham, poder este não permitido aos membros temporários. Os membros permanentes do Conselho de segurança eram: Estados Unidos, União Soviética, Grã-Bretanha, França e China. Os demais países possuíam voz na chamada Assembléia Geral, da qual poucos países comunistas e africanos participavam, havendo maior presença de países europeus e latino-americanos. Além da questão da segurança militar a ONU tratava de outros assuntos através da constituição de instituições específicas para o acompanhamento de diferentes questões tais como: UNICEF ( infância), FAO (alimentação), UNESCO (ciência e educação), OIT (trabalho) e OMS (alimentação), Unesco (ciência e educação), OIT (trabalho) e OMS (Saúde).
A Conferência de Potsdam que aparentemente era a continuação das anteriores, apresenta as primeiras marcas evidentes dos rumos ideológicos que norteariam o mundo a partir de 1947. Hospedada na cidade de Berlim em julho de 1945, a conferência contava com a presença de uma nova figura: Harry Truman. Truman, que substituíra Roosevelt –falecido em abril-, defendia uma atitude mas incisiva em relação a URSS. Nessa conferência Stalin foi informado por Truman acerca da existência da Bomba atômica, embora Stalim aparentemente tenha transferido sua confiança em Roosevelt, Truman representava um novo momento, onde a política americana em relação aos soviéticos se modificava visivelmente.     

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Colonização portuguesa na América -1º ano -Texto 1 - 3º Bimestre

A colonização da América portuguesa
A necessidade de efetivar a posse definitiva da terra ameaçada por estrangeiros levou Portugal a iniciar a colonização do Brasil. Na óptica da política mercantilista, no entanto, a ocupação da terra exigia o estabelecimento de uma atividade econômica suficientemente lucrativa que atraísse os interesses de investidores e colonos e que gerasse dividendos para a metrópole. Desse ponto de vista, a exploração do pau-brasil nas costas brasileiras, sozinha, não se ajustava às necessidades da Coroa portuguesa. Era necessário passar de uma fase de mera circulação de mercadorias (comércio afro-asiático) e de exploração predatória da madeira para uma fase de produção. Assim sendo, a ocupação econômica das terras americanas deveria se distinguir do modelo de exploração comercial levado a efeito pelos portugueses no império afro-indiano. Em busca da recuperação econômica, devido à crise do comércio indiano, o governo português tomou a iniciativa de efetivar a colonização de suas terras americanas com a instalação no Brasil de uma empresa açucareira. E nisto Portugal também foi pioneiro. O Brasil teria, portanto, uma colonização de base agrária que se iniciava dentro da estrutura monopolista do sistema colonial.
Do ponto de vista do produto explorado, a colonização brasileira, montada em base agrotropical, difere da colonização de base metalífera das colônias espanholas da América.
De qualquer maneira, tanto as colônias espanholas como a portuguesa na América tropical eram áreas econômicas periféricas cuja função seria a de complementar .a economia central, metropolitana.
Eram colônias de exploração. Isto as diferenciava das colônias de povoamento criadas pelos ingleses na América do Norte. Fatores determinantes do sucesso da empresa agroaçucareira
A escolha da empresa açucareira foi determinada por uma série de fatores. Primeiro, os portugueses já estavam habituados ao plantio da cana e à produção do açúcar desde o século XV, quando transformaram as recém-conquistadas ilhas atlânticas em centros açucareiros. Essa experiência possibilitou-lhes desenvolver o conhecimento sobre a produção do açúcar e o fabrico de equipamentos para os engenhos, provocando a queda de preço do produto, pois quebrou o monopólio veneziano na produção e comercialização do açúcar.
Por sua vez, o açúcar despontava, no início do século XVI, como uma mercadoria de alta aceitação nos mercados consumidores europeus. Crescia o consumo de um produto que já fora considerado de alto luxo e de tal maneira raro que chegara a figurar como dote nos casamentos de rainhas. Naquele momento já era intensa a comercialização com a região de flandres do açúcar português produzido na África. Devido à ampliação do mercado consumidor, o açúcar tomou-se um produto altamente rentável e atraente para aqueles que pretendessem investir na instalação de engenhos no Brasil. O clima quente e úmido e o rico solo de massapê do litoral, especialmente em Pernambuco e na Bahia, tomaram o Nordeste a área por excelência para o cultivo da cana-de-açúcar.
Além disso, dada a rentabilidade da empresa açucareira, os holandeses investiram substancialmente seus capitais no financiamento da refinação, distribuição, importação da mão-de-obra escrava e, em especial, na instalação de engenhos no Brasil, o que lhes garantia maior porcentagem da renda gerada pela empresa açucareira brasileira. Pelo exposto fica claro que a alta rentabilidade do açúcar facilitou a aquisição de financiamentos portugueses ou estrangeiros para a montagem da empresa agromanufatureira do açúcar no Brasil. De resto, havia o problema da mão-de-obra. Transportar para o Brasil uma quantidade de mão-de-obra livre compatível com as necessidades da empresa que se iniciava era demasiado caro e antieconômico. Além disso, havia escassez de mão-de-obra em Portugal. Portanto, o trabalho assalariado era inviável. E mesmo que fosse possível pagar salários, isto não estimularia a vinda de portugueses para a colônia. Não devemos esquecer que o colono português não vinha à América para ser mão-de-obra e sim para ser senhor. O que o estimulava era a idéia de ter na colônia uma projeção social e econômica superior à que tinha na metrópole, ser proprietário, enriquecer rapidamente e, se possível, voltar para gozar a vida na Corte.
Ora, como "... a produção se devia organizar de modo a possibilitar aos empresários metropolitanos ampla margem de lucratividade", impunha-se a utilização do trabalho obrigatório, isto é, da mão-de-obra escrava. "Sem embargo, também neste caso uma circunstância veio facilitar enormemente a solução do problema. Por essa época os portugueses eram já senhores de um completo conhecimento do mercado africano de escravos. As operações de guerra para captura de negros pagãos, iniciadas quase um século antes (...), haviam evoluído num bem organizado e lucrativo escambo que abastecia cenas regiões da Europa de mão-de-obra escrava. Mediante recursos suficientes, seria possível ampliar esse negócio e organizar a transferência para a nova colônia agrícola da mão-de-obra barata, sem a qual ela seria economicamente inviável.’’
Estrutura de produção
A empresa agrocolonial brasileira se estruturou na plantation, grande propriedade monocultura escravista. Em concordância com o sistema colonial que lhe deu vida, essa empresa teria de viabilizar a colonização e gerar fortunas para o Estado e o grupo mercantil metropolitano.
Inserida nos quadros da política mercantilista, a empresa agrícola recém-instalada no Brasil só seria economicamente viável se fosse suficientemente grande para produzir em larga escala para os crescentes mercados internacionais.
A produção em grande escala, por sua vez, exigia a utilização de vasta área territorial e o emprego de uma grande quantidade de mão-de-obra. Em síntese, para que houvesse o rápido retomo do capital aplicado em sua instalação, a empresa tinha de ser de grande porte. Daí a grande propriedade monocultura escravista ter sido a célula fundamental da exploração agrária colonial.
Como já vimos, a concessão de grandes propriedades (sesmarias) no Brasil já era uma atribuição legal dos donatários e depois do governador geral. A concessão de sesmarias foi a fórmula encontrada pelo governo português para atrair colonos e investimentos para o Brasil.
O colono recebia a sesmaria e em troca se obrigava a utilizar a terra, sob pena de perdê-la. Deveria cultivá-la e torná-la produtiva com capital próprio ou emprestado. O engenho
O engenho era a unidade de produção onde se localizavam os canaviais, as plantações de subsistência, a fábrica do açúcar com sua moenda, a casa das caldeiras e a casa de purgar -, a casa-grande, a senzala, a capela, a escola e as habitações dos trabalhadores livres - como o feitor, o mestre do açúcar, os lavradores contratados etc.
Havia alguns engenhos que produziam exclusivamente cachaça, um dos produtos utilizados no escambo de negros africanos.
Em curvos engenhos produtores de açúcar as destilarias de cachaça funcionavam como atividade secundária.
Na moenda a cana era prensada para a extração da garapa. Na casa das caldeiras fazia-se a apuração e a purificação do caldo. Na casa de purgar, o caldo era colocado em formas especiais de barro para esfriar, até o mestre "dá o ponto". Depois desse processo, o açúcar era encaixotado e transportado para a metrópole. Dai, seguia para a Holanda,
onde era refinado. O transporte do açúcar, inclusive parte do transporte do Brasil para Portugal, era controlado pelos holandeses, o que contribuía para transformá-los nos principais interessados nos negócios açucareiros.
A casa-grande era a residência do senhor do engenho e sua família, e centro irradiador e autoridade e de toda a atividade econômica e social da propriedade. A senzala era a habitação reservada aos negros. O número de negros numa unidade de produção açucareira dependia da capacidade produtiva do engenho. Podia chegar a algumas centenas. A capela era ao mesmo tempo centro religioso e social, onde se reuniam os homens livres do local e das proximidades. O primeiro engenho brasileiro foi instalado por Martim Afonso de Sousa na Capitania de São Vicente.
A capitania foi, durante algum tempo, um importante centro produtor de açúcar, mas perdeu posição para a empresa nordestina de Pernambuco e Bahia, que se transformaram, ainda no século XVI, nos principais centros açucareiros do Brasil Colônia. A produção açucareira pernambucana e baiana superou a vicentina devido tanto ao predomínio do solo de massapê, apropriado para o cultivo da cana, quanto pela localização geográfica do Nordeste, mais próximo dos mercados consumidores europeus, o que tomava a sua empresa mais lucrativa.
Na zona açucareira havia também os fazendeiros obrigados. Eram arrendatários que não possuíam engenhos. Plantavam cana nas terras que arrendavam de outros fazendeiros e eram obrigados a moê-la no engenho do dono da terra, que lhes cobrava 50% do açúcar produzido, além de uma outra porcentagem pelo uso da terra.
Havia também fazendeiros que não possuíam engenho, mas eram os donos da terra onde se cultivava a cana. Apesar de serem "obrigados" a moer a cana no engenho de outro senhor, a quem pagavam metade do açúcar produzido, não tinham outras obrigações. Atividades econômicas complementares Mandioca, tabaco e algodão
Paralelamente ao crescimento da lavoura cavadeira e da produção açucareira, principal atividade exportadora, desenvolveu-se na colônia um setor de subsistência responsável pela produção de gêneros que vinham atender às necessidades básicas dos colonos e escravos. Nesse particular, a produção de subsistência contribuiu fortemente para o perfeito funcionamento da economia colonial centrada no açúcar.
Isso quer dizer que, além da cana, desenvolveram-se na colônia algumas atividades econômicas complementares como a pecuária e o cultivo agrícola do tabaco, do algodão, da mandioca, do milho, do feijão e outros.
O principal produto agrícola de subsistência para o consumo interno era a mandioca, pois com ela se fazia a farinha, elemento básico da alimentação do brasileiro. Apesar disso, muitos senhores não admitiam plantar mandioca em suas terras, já que estavam más interessados em ampliar as áreas para o plantio da cana. Este fato gerou, muitas vezes, a carência do produto nos mercados locais.
O fumo passou a ocupar o segundo lugar na economia colonial como produto de exportação. Sua importância consistiu no fato de ter se transformado, juntamente com a cachaça, num dos produtos básicos para aquisição de escravos no mercado africano. A produção do fumo na época colonial se concentrou em zonas restritas da Bahia e Alagoas.
Planta nativa do Brasil, o algodão já era conhecido pelo índio pré-cabralino. Com a colonização, passou a ser usado no fabrico de tecidos de baixa qualidade destinados à confecção de roupas para os mais pobres, especialmente para os escravos.
O algodão se tomou o terceiro produto de exportação no século XVIII, devido à Revolução Industrial iniciada na Inglaterra.
A mecanização da indústria têxtil transformou o algodão em matéria-prima fundamental, na medida em que foi responsável pela queda do preço dos tecidos e, conseqüentemente, pela ampliação dos mercados consumidores desse produto.
O estímulo e o financiamento da produção algodoeira para exportação foram iniciativa das companhias de comércio criadas no século XVIII pelo marquês de Pombal: a Companhia Geral do Grão-Pará e Maranhão e a Companhia Geral de Pernambuco e Paraíba. O principal centro produtor no século XVIII foi o Maranhão e, em menor escala, Pernambuco. A partir do início do século XIX, a produção algodoeira do Brasil voltou a sofrer a concorrência da produção dos Estados Unidos.
Pecuária Bovina no nordeste
A pecuária bovina foi introduzida no Brasil em meados do século XVI e se desenvolveu inicialmente em Pernambuco e na Bahia, de onde penetrou para os sertões consumidores desse produto brasileiros. Apesar da sua importância como elemento de penetração e de povoamento de várias regiões, a pecuária bovina foi sempre uma atividade secundária, complementar portanto às atividades econômicas principais como a lavoura cavadeira e mais tarde a mineração. Importante como fornecedora de força de tração animal e meio de transporte para os engenhos, além de ser fonte de alimento e de couro, a pecuária não exigia, como o engenho, muito capital para seu desenvolvimento. Por isso mesmo, era muito mais fácil instalar uma fazenda de gado do que um engenho de açúcar. Para formar uma fazenda de gado, o eventual fazendeiro não precisava de mão-de-obra abundante nem de importar equipamentos caros. O fundamental era a terra, em grande extensão e aberta ao desbravamento no interior da colônia.
Aos senhores de engenho não interessava criar gado. Pelo contrário, para eles as terras deveriam ser usadas para o plantio da cana e não para pastagens. Além disso, devido à ausência de cercas, o gado estragava as plantações. Por essa razão o gado foi afastado do litoral e penetrou para o interior em busca de novas pastagens e outros alimentos naturais.
O sertão nordestino seria, finalmente, povoado. Nas margens do Rio São Francisco nasceram e cresceram muitas fazendas de gado no decorrer do século XVII. A pecuária era o vínculo de ligação do senão do Nordeste com o litoral açucareiro. As fazendas nordestinas do senão abasteciam a zona do açúcar, ao mesmo tempo que se tornavam área de atração para as pessoas pobres e marginalizadas daquela região, que viam na pecuária uma possibilidade de melhorar sua condição de vida.
Geralmente, como dissemos, a fazenda de gado exigia pouca mão-de-obra. Os trabalhadores (vaqueiros) eram livres e só excepcionalmente se encontrava um negro numa fazenda do senão nordestino. Os vaqueiros eram brancos, mestiços, poucos negros livres e alguns índios.
Além de um pequeno salário, o vaqueiro era pago com um quarto das crias, que ele recebia após cinco anos de trabalho. Essa forma de pagamento era um grande estímulo para o vaqueiro que sonhava em ser fazendeiro e se instalar por conta própria, passados os cinco anos.
A pecuária foi responsável pelo povoamento do sertão nordestino da Bahia ao Maranhão. Foi um excelente instrumento de expansão e colonização do interior do Brasil. Com ela surgiram muitas feiras que deram origem a importantes centros urbanos, como por exemplo Feira de Santana, na Bahia. No século XVIII, com a mineração, a pecuária nordestina ganhou novo impulso econômico. A necessidade de abastecimento das zonas mineradoras elevou o preço da carne bovina e, conseqüentemente, estimulou os criadores nordestinos a expandir suas atividades.
Sociedade açucareira Características
A sociedade colonial como um todo era o reflexo da estrutura econômica escravista e, portanto, foi estruturada para atender aos interesses mercantilistas da metrópole.
Mesclada por elementos feudais e capitalistas importados de Portugal, a sociedade colonial apresentou características próprias. Apesar do absoluto domínio do senhor de engenho em suas propriedades e até fora delas, a sociedade colonial não era feudal e sim escravista.
Na sociedade feudal os servos não eram propriedade dos senhores; no modo de produção colonial, os escravos o eram. No sistema feudal os servos eram donos da matéria-prima e dos instrumentos de trabalho; no sistema escravista o escravo não era dono de nada, nem mesmo da sua força de trabalho. De resto, vale frisar que o escravismo moderno difere do modelo escravista greco-romano, pois, iniciado no século XVI, ele foi estruturado como elemento de acumulação capitalista em conjunção com a política mercantilista.
Na sociedade colonial açucareira a mobilidade social era praticamente inexistente. A vida social se restringia aos limites da grande propriedade açucareira (o engenho). Havia basicamente duas classes sociais (bipolaridade social), opostas e conflitantes: a do branco senhor e a do negro escravo. Não havia ainda classes médias no Brasil, e as camadas intermediárias eram extremamente heterogêneas em sua composição. De forma geral, a sociedade colonial brasileira era:

• escravista;
• rural;
• bipolar;
• aristocrata;
• patriarcal.
A classe senhorial
A elite dominante (classe senhorial) era formada pelos grandes proprietários rurais que formavam a aristocracia brasileira. Dona de terras e de escravos, essa elite era senhora de amplos poderes sobre todas as pessoas que viviam na fazenda - familiares ou não. Seu domínio muitas vezes extrapolava as fronteiras de sua propriedade.
Sua palavra tinha força de lei, e contestá-la era um abuso imperdoável. O poder político da elite senhorial pode ser simbolizado no controle que ela tinha sobre as Câmaras Municipais.
Por isso, como disse Antonil, "o ser senhor do engenho é título a que muitos aspiram porque traz consigo o ser servido, obedecido e respeitado de muitos. E se for, qual deve ser, homem de cabedal e governo, bem se pode estimar no Brasil o ser senhor de engenho, quanto proporcionadamente se estimam os títulos entre fidalgos do Reino".
O regime familiar era patriarcal. Neste regime, todos, familiares, escravos, agregados, deviam se submeter ao pátrio poder, isto é, ao poder do patriarca, que, não raro, decidia sobre a vida e a morte daqueles que estavam a ele subordinados. Nesse regime o herdeiro de todos os bens era o filho mais velho (primogênito), a quem todos deveriam obedecer quando se tomasse senhor.
A mulher, além de subordinada ao homem, era considerada um ser inferior. Tinha de obedecer cegamente às ordens do pai e, depois de casada, às do marido. A preservação da virgindade feminina era fundamental para o casamento. Por isso a sinhazinha só podia sair de casa acompanhada. Vivia confinada e seu quarto geralmente não tinha janelas. Deveria casar-se entre os quinze e dezessete anos com um marido muito –mais velho que ela e escolhido pelo "pater família". No fundo, a mulher era um objeto e seu casamento não passava de uma troca de favores políticos ou materiais entre seu pai e membros da elite.
Sobre a vida sexual vale dizer que, "submetendo as escravas (e muitas vezes os garotos escravos) a seus caprichos, os senhores impunham à escravaria uma verdadeira depravação, pois se tratava, a mais das vezes, de uma sexualidade pervertida e sadomasoquista. A consciência culpada do lusitano moralista se descarregava na atribuição da culpa suposta lubricidade da raça negra, às "torpezas" da mulher escrava. Dessa forma, as relações eram carregadas de violência e promiscuidade, e as negras tinham que servir a vários filhos da casa-grande e a outros membros do engenho; nesse quadro, espalhavam-se as doenças venéreas...
"' O negro africano Suplantação da mão-de-obra indígena
O negro foi trazido para o Brasil para atender a uma necessidade básica do colono branco: ser utilizado como mão-de-obra na lavoura canavieira. Não sabemos precisar o momento em que desembarcou o primeiro negro no Brasil. Como antecedente, sabemos que a primeira mão-de-obra utilizada em terras brasileiras pelo homem branco foi a indígena.
Vimos também que aos portugueses, inferiorizados numericamente e temerosos e forçar os índios a um trabalho obrigatório, restava usar o índio como trabalhador livre. E o mecanismo usado para alcançar tal objetivo foi a instituição do escambo.
Essa situação se alterou com a montagem da colonização e da empresa agroexportadora. Tomou-se então necessário explorar o índio na lavoura canavieira não como trabalhador livre, mas como trabalhador forçado, escravizado.
O índio foi finalmente submetido, pela força das armas, a um sistema até então desconhecido por ele: o do trabalho escravo. Em algumas capitanias como a de São Vicente, o índio foi escravizado até fins do século XVII, e no Pará e Maranhão, até fins do XVIII. Por é falsa a idéia de que o índio não foi escravizado no Brasil porque reagiu à escravização. É verdade que o índio, assim como o negro, reagiu, mas isso não impediu a escravização de ambos, pois o. poder econômico, político e militar do homem branco definiu o dominador e o dominado.
A partir de meados do século XVI, o número de trabalhadores escravos africanos superou o de indígenas como mão-de-obra escrava explorada nas áreas produtoras de açúcar. A superação não se deu, como afirmaram falsamente alguns autores, pela superioridade da mão-de-obra negra em relação à indígena nem porque o índio não aceitou a condição de trabalhador escravo na lavoura. Puro falseamento ideológico, pois o negro e o índio não tinham condições de escolher o tipo de trabalho. Na falsa afirmação desses autores está implícita também a idéia de que o negro foi escravo porque não reagiu à escravidão. Ora, nada mais falso, preconceituoso e racista.
A superação se deu por um complexo de razões, a saber: as dificuldades para abastecer regularmente as zonas canavieiras de mão-de-obra indígena - dada a dispersão do índio pelo território -, a defesa do índio pelos jesuítas e as guerras indígenas em reação à escravidão e ao roubo de suas terras. Estas razões dificultavam a organização da empresa agromanufatureira do açúcar, uma empresa que tinha de produzir em larga escala em atendimento aos interesses mercantilistas.

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