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Oriente Médio e Palestina

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Afrikan Korps


Para os amantes de 2º guerra mundial eis um texto interessante abordando a participação alemã na África, que embora não fosse um fronte prioritário para Hitler, proporcionou um custo muito alto para o Estado alemão 

 

 

O marechal alemão Erwin Rommel, a Raposa do Deserto, causou várias derrotas aos aliados, até ser vencido pela falta de combustível e munição para seus tanques

por Isabelle Somma
No início do verão de 1942, num pequeno oásis egípcio próximo ao vilarejo de Al Alamayn, o marechal alemão Erwin Rommel enfrentava um clima infernal. Durante o dia, um calor de 45ºC à sombra das tamareiras. À noite, a água dos cantis congelava. Mas Rommel se sentia absolutamente confortável e bem disposto. Ele, a Raposa do deserto, vinha de uma vitória após outra contra os ingleses. E naquele oásis de temperaturas tão radicais, já vislumbrava mais um sucesso fulminante contra os aliados na batalha que se desenrolaria no estratégico entrocamento de linhas férreas próximo dali. Mas o destino da Raposa estava selado. Começaria ali o fim da sorte do comandante nazista.
Dois anos antes da chegada de Rommel, as tropas de Mussolini e de Churchill já lutavam nas areias da Líbia. “Era importante para os aliados controlar o Mar Mediterrâneo para prevenir um ataque ítalo-germânico contra os poços de petróleo no Oriente Médio, pelo caminho do Egito”, diz Colin F. Baxter, autor de quatro livros sobre as batalhas na África. No início de 1941, os aliados já dominavam do Egito ao porto líbio de Benghazi. Pelo menos um terço dos 300 mil soldados italianos estacionados na região havia sido capturado. Com poucos recursos, veículos e armamentos obsoletos, as tropas de Mussolini eram vulneráveis aos ataques britânicos.
Para fazer frente às sucessivas derrotas dos italianos, o Führer enviou para o norte da África o jovem general Erwin Rommel e duas divisões Panzer (motorizadas), que ganharam o nome de Afrika Korps. Mesmo com poucos recursos, Rommel logo organizou uma ofensiva contra Benghazi, na atual Líbia. As táticas do alemão eram bastante eficazes e se baseavam em ataques rápidos e de surpresa com blindados. Além disso, ele também contou com a sorte: boa parte dos soldados britânicos foi enviada de volta para o front na Europa, desguarnecendo a frente de batalha africana. Por isso, em abril de 1941, dois meses depois de chegar à África, a Raposa já havia retomado todo o leste da Líbia, exceto o porto líbio de Tobruk, obrigando os aliados a recuar para o Egito.
Mas nos meses se-guintes, depois da troca de dois comandantes, os aliados receberam reforços e conse-guiram colocar alemães e italianos em posição de defesa. As condições em que as batalhas se davam eram bastante difíceis para ambos os lados. A água era racionada e os insetos eram tão onipresentes que era difícil fazer uma refeição sem engolir alguns deles junto com a comida. E, principalmente, o reabastecimento das tropas era precário.
Em maio de 1942, Rommel se instalou em uma região conhecida como Caldeirão. Pareceu um erro estratégico porque a posição mais expunha do que protegia os soldados. Confiantes, os britânicos atacaram com poucos aviões e pequenos grupos de tanques. A tática foi ineficiente. A artilharia alemã concentrou sua mira e colocou boa parte dos tanques inimigos fora de ação. Apesar de também perder muitos blindados, Rommel manteve sua posição e a linha de abastecimento intactas. Na noite de 13 de junho, os britânicos contavam com apenas 70 tanques, enquanto os adversários tinham mais do que o dobro.
As tropas britânicas recuavam para o Egito em meados de 1942, quando, por ordem de Churchill, 33 mil homens e uma grande quantidade de material bélico foram deixados para defender a fortaleza de Tobruk. A Afrika Korps já havia tentado seguidas vezes conquistar a cidade portuária, sempre sem sucesso. Dessa vez, sem a ajuda de reforços para resistir ao cerco, os soldados sitiados se renderam. Além de fazer milhares de prisioneiros, as tropas do Eixo tomaram posse dos armamentos e dos tanques britânicos que encontraram.
A perda de Tobruk foi um duro golpe para os britânicos, que precisavam desesperadamente de uma vitória. “Foi uma grande derrota moral para as forças britânicas. E marcou o ponto alto da fama de Rommel, que foi alçado a marechal por Hitler”, afirma Baxter, professor da Universidade East Tennessee, EUA. Mas começava o verão de 42. Rommel chegou aos pequenos oásis e começou a traçar o plano de ataque a Al Alamayn, a apenas 96 quilômetros de uma das maiores cidades egípcias, Alexandria.
Seus homens estavam cansados pelo forte ritmo do avanço e a Raposa não conseguiu furar o bloqueio encontrado em Al Alamayn, em julho de 1942. Enquanto ele dava um breve período de descanso para seus homens, os bri-tânicos trouxeram reforços, chegando a contabilizar 700 blindados. Do lado alemão, a situação se agravava. A superioridade aérea dos aliados no Mediterrâneo impedia o fluxo de reforços, munição e combustível. Para fazer frente aos soldados ingleses descansados, a Raposa contava com apenas 450 tanques, a maioria obsoletos equipamentos italianos, menos aviões, equipamentos e homens. Mesmo assim, o marechal atacou, mas teve de recuar.
Apesar da pressão de Churchill, o general britânico Bernard Montgomery, esperou sete semanas para contra-atacar. Tinha sob seu comando 230 mil homens, 1230 tanques, além de 1500 aeronaves, enquanto as forças ítalo-alemãs contavam com apenas 80 mil homens, 210 blindados comparáveis aos dos inimigos e 350 aviões.
No dia 3 de novembro de 1942, chegou a tão sonhada vitória para os aliados. Rommel estava na Europa convalescendo. Seu substituto morreu. Uma nuvem de poeira prejudicava a visibilidade. Ouvia-se apenas o barulho da artilharia. Nunca tanta munição havia sido gasta em um único combate. “A batalha de Al Alamayn foi a grande virada na campanha no norte da África, como a batalha de Stalingrado para o front russo”, diz Baxter. Pelo menos 35 mil soldados morreram, a maioria deles do Eixo. Era o fim da lenda e o começo da virada aliada na guerra.
Verão de 1942
Afrika Corps
2 divisões panzer
80 mil soldados
350 aeronaves
210 tanques
Batalhão de blindados ingleses
230 mil soldados
1500 aeronaves
1200 tanques

Ratos do deserto

A 7ª Divisão Blindada da Grã-Bretanha foi um dos destaques no teatro de guerra do norte da África. A divisão se identificava com um roedor comum na região, que sobrevivia em condições bem próximas às que eles aprenderam a suportar. Por isso, ganharam ao apelido de Ratos do Deserto e adotaram o animal como símbolo. “Eles lutaram no norte da África de 1940 a 1943, entre o Egito e a Tunísia. Lutaram por muito tempo em milhares de quilômetros pelo deserto com equipamentos inferiores e liderança frouxa, contra um dos maiores generais de Hitler”, afirma o professor Colin Baxter. Os Ratos do Deserto foram treinados para sobreviver nas péssimas condições do deserto. Além de desarmar minas e combater no campo de batalha, eles tinham como missão penetrar deserto adentro para cortar as vias de comunicação que pudessem servir para abastecimento ou via de escape do exército inimigo. A divisão ainda existe e atualmente está a serviço no Iraque.

Saiba mais

Livro
Desert War: the North African Campaign 1940–43, Alan Moorehead, Penguin, 2001.

A vida e a morte numa lata de sardinha

Uma das maiores inovações na Segunda Guerra foi a construção de tanques rápidos e letais. Esse tipo de armamento foi durante muito tempo o principal fator de sucesso das campanhas alemãs. As divisões Panzer eram praticamente irresistíveis. O tanque alemão mais rápido era o Panther, que fazia 936 metros por minuto. O mais poderoso dos tanques nazistas foi o Tiger II, que pesava 68 toneladas e tinha armamento de 88 milímetros, um calibre de canhão encontrado nos navios. Mas estar dentro de um deles não era garantia de proteção. A precária visão que o condutor do tanque tinha pela pequena viseira na blindagem permitia que os soldados enganassem a guarnição e destruíssem o veículo. Uma das maneiras de fazer isso era deitar-se no solo entre as lagartas do blindado e colar uma mina magnética na parte de baixo do tanque, enquanto ele passava. Era possível também aproximar-se por detrás do blindado sem ser visto, abrir a escotilha superior e jogar no interior apertado uma granada ou bomba incendiária. O resultado é fácil de adivinhar. O maior estrago, no entanto, eram os tiros de artilharia de outros tanques e de aviões-caça adaptados com canhões. Quando uma bala atinge a blindagem, conforme o ângulo e o calibre da arma, ocorre um fenômeno destruidor. O impacto do projétil na blindagem costuma provocar um pequeno buraco na parte externa do tanque, mas a onda de choque e calor faz com que a parte interna do metal da carapaça exploda em dezenas de estilhaços cortantes. Ironicamente, os ocupantes morrem retalhados por pedaços da blindagem que deveria exatamente protegê-los.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

A Conferência de Munique


Setembro Negro
Willian Shirer revela os bastidores do Munique e suas conseqüências para a Europa
Ao amanhecer do dia 28 de setembro, a quarta-feira sombria, uma atmosfera sinistra pesava sobre Berlim, Praga, Londres e Paris. A guerra parecia inevitável. O general Jodl (chefe do Estado-Maior das Forças Armadas) conta que Göring declarou naquela manhã: “Agora já não é possível evitar uma conflagração mundial. Durará talvez sete anos e será ganha por nós.”

Nesse mesmo dia, ás 11 horas, o telefone tocou em Berlim, no ministério das Relações Exteriores. Ciano chamava de Roma e queria falar com o ministro. Mas como Ribentrop estava na chancelaria do Reich, o ministro das Relações Exteriores italiano pediu que pusessem em comunicação com seu embaixador, Bernado Attolico. Os alemães continuaram á escuta e gravaram a conversa. Soube-se então que era Mussolini quem estava na linha: Mussolini – Aqui o Duce. Ouve-me bem?

Attolico – Sim, ouço-o.

Mussolini – Solicite audiência imediata ao chanceler de Hitler. Diga-lhe que o governo inglês me pediu, por intermédio de Lord Peth, que intervenha como mediador no assunto Sudetos. O ponto sobre o qual há desacordo é de pouca importância. Afirme ao chanceler que estamos ao seu lado, eu a Itália fascista. A ele é quem cabe a decisão. Mas diga-lhe que, na minha opinião, é preciso aceitar a proposta. Percebeu bem?

Attolico – Sim, percebi.

Mussolini – Vá, então. Depressa!

Arfando, congestionado (como observou o intérprete o Dr. Schimidt), Attolico chegou à chancelaria e soube que o embaixador da França, Fraçois-Poncet, estava em conferência com Hitler. A conversa foi interrompida as 14h40 para comunicar ao Führer que Attolico era portador de uma comunicação urgente de Mussolini. Hitler saiu da sala, acompanhado por Schimidt, para a receber.

Depois de cumprir sua missão, Attolico acrescentou que Mussolini pedia ao führer para não se mobilizar. Foi nesse momento – diz Schimdt, a única testemunha sobrevivente - que Hitler resolveu escolher a paz. Era meio-dia. Duas horas depois, o prazo concedido aos tchecos para responderem ao ultimato hitleriano teria expirado.

- Diga ao Duce – respondeu Hitler a Attolico – que aceito as suas propostas.

Foram enviados convites aos chefes de governo da França e da Itália pedindo que se encontrassem em Munique com o führer no dia seguinte, ao meio-dia, para resolver a questão tcheca. Aos tchecos nem sequer se sugeriu que assistissem à reunião, na qual deveria resolver sua condenação à morte.

Quando Chamberlain comunicou a notícia ao Parlamento, a Câmara dos Comuns reagiu com uma manifestação de alívio coletivo. Os deputados lançavam gritos clamorosos e muitos choravam. Jan Masaryk, o ministro tcheco, filho do fundador da República tchecoslovaca, assistia à cena da galeria dos diplomatas e não acreditava no que via. Depois, encontrou-se com o primeiro-ministro e o secretário de Relações Exteriores, para saber se seu país, destinado a sofrer todos os sacrifícios, seria convidado para Munique. Chamberlain e Halifax responderam que não. Masaryk olhou os dois ingleses e fez um tremendo esforço para se dominar.

- Se os senhores sacrificam meu país para salvar a paz do mundo – disse -, eu serei o primeiro a concordar convosco. Senão, que Deus tenha piedade das vossas almas!

No dia 29 de setembro, às 12h30, na cidade bávara de estilo barroco onde começara sua vida de homem político nos cafés miseráveis e onde conhecera o amargo da derrota quando fracassara o putsch da cervejaria, em 1923, Aldof Hitler recebeu como vencedor os chefes de governo da Grã-Bretanha, da França e da Itália.

Naquela manhã, o führer saíra ao encontro de Mussolini, em Kufstein, na antiga fronteira austro-alemã, para determinar as bases de uma ação comum na conferência. Chamberlain não tivera o mesmo cuidado de reunir-se com Daladier. Os jornalistas que, como eu, estavam em contato com as delegações britânica e francesa chegaram à conclusão de que Chamberlain tinha vindo a Munique disposto a que ninguém – nem os tchecos nem os franceses – o impedisse de concluir um acordo com Hitler.

As conversações, que começaram às 12h45, no edifício chamado Führerhaus, na Koenigsplatz, não se revestiram de nenhum caráter dramático e foram uma simples formalidade para entregar a Hitler tudo o que desejava. Quando Mussolini pediu a palavra, disse ter trazido uma proposta escrita para resolver o problema tcheco. Na verdade, o que o Duce fazia passar por um projeto seu fora redigido a toda pressa na véspera, em Berlim, no Ministério das Relações Exteriores. Göring levara o texto a Hitler, que o aprovara. Depois de traduzido para o francês pelo Dr. Schimidt, enviaram-no ao embaixador Attolico, que o transmitiu ao ditador italiano. Embora Hitler não quisesse nem ouvir falar de representantes tchecos na reunião, Chamberlain conseguiu que eles esperassem na sala ao lado. E assim foi feito. Logo que chegaram, Vojtech Mastny, ministro tcheco em Berlim, e Hubert Masaryk, ministro das Relações Exteriores de Praga, foram introduzidos, sem a menor cerimônia, num aposento contíguo.

Lá permaneceram desde as 14 horas. Às 19 horas receberam uma notícia brutal. Um funcionário inglês veio informá-los de que se conseguira um acordo “muitíssimo mais duro” do que as propostas franco-britânicas. Masaryk perguntou se os tchecos não poderiam ser ouvidos. A resposta foi não. Às 22 horas, os infelizes tchecos foram conduzidos à presença de sir Horace Wilson, conselheiro de Chamberlain. Wilson comunicou-lhes os principais pontos do acordo e entregou-lhes um mapa das zonas dos Sudetos que deveriam ser desocupadas. Quando os dois tentaram protestar, ele cortou-lhes a palavra.

- Se os senhores não aceitaram, serão obrigados a regular, sozinhos, seus negócios com os alemães. Talvez os franceses digam isso menos brutalmente. Mas, acreditem, eles têm os mesmos pontos de vista que nós. Desinteressam-se do problema.

Era verdade. No dia 30 de setembro, por volta de 1 hora da madrugada, Hitler, Chamberlain, Mussolini e Daladier assinaram o Acordo de Munique, estipulando que o Exército alemão entraria na Tchecoslováquia no dia 1º de outubro, como Hitler sempre havia dito, e marcando o termo da ocupação dos Sudetos até 10 de outubro.

Entre as recordações que conservei dessa noite, lembro-me da centelha de triunfo que brilhava nos olhos de Hitler enquanto descia, com os passos solenes, as escadarias do Führerhaus; do aspecto auto-suficiência de Mussolini, apertado no seu uniforme de milícia; e dos bocejos de Chamberlain. Naquela noite, escrevi: “Daladier parecia aniquilado. Dirigiu-se ao Regina Palace para se despedir de Chamberlain. Alguém lhe perguntou se ficaria satisfeito com o acordo. Ele se voltou para responder, mas estava tão cansado que as palavras lhe faltaram. Atravessou a porta em silêncio, num passo inseguro.”

No entando, tal como Daladier em Paris, tambem Chamberlain voltou a Londres como vencedor. O primeiro-ministro, radiante, viu-se em presença de uma multidão que se acotovelava em Downing Street. Depois de ter ouvido o povo gritar “Viva Neville!” e cantar for he’s a jolly good fellow, Chamberlain pronunciou algumas palavras do alto de uma janela do 2º andar.

- Meus queridos amigos – disse – pela segunda vez na nossa história, a paz, com honra, foi trazida da Alemanha para Downing Street. Julgo que, desta vez, é a paz para toda vida.

As conseqüências de Munique

Nos termos do Acordo de Munique, Hitler conseguia o que pedira, e a comissão internacional, inclinando-se diante de suas ameaças, concedeu-lhe mais. O acordo final do dia 20 de novembro de 1938 obrigava a Tchecoslováquia a ceder à Alemanha 28,6 mil quilômetros quadrados de território. Ali se situavam as importantes fortificações que constituíam, até então, a linha de defesa mais formidável da Europa, com exceção talvez, da Linha Maginot.

Poloneses e húngaros, depois de terem ameaçado recorrer à ação militar contra a nação reduzida à impotência, lançavam-se agora como abutres sobre a Tchecoslováquia para arrancar um pedaço de cerca de 1,7 mil quilômetros à volta de Teschen. A Hungria obteve um pedaço maior ainda: 19,5 mil quilômetros quadrados.

Por isso, nada admira que o general Jodl tivesse escrito, nessa mesma tarde da reunião de Munique: “Assinou-se o Acordo de Munique. Como potência, a Tchecoslováquia deixou de existir. O gênio do führer e a sua resolução de nunca recuar, mesmo diante da ameaça de uma guerra mundial, obtiveram uma vez mais a vitória, sem o recurso à força. Pode-se esperar que os incrédulos, os fracos e os indecisos estejam convertidos e que não mudem mais de opinião.”

Em grande número, os indecisos foram convertidos. Mas os outros, aliás em pequeno número, mergulharam no desespero. Alguns generais alemães, como Beck, Halder e Witzleben, e ainda os civis que os aconselhavam, não tinha tido razão uma vez mais. Hitler obtivera o que desejava e ainda acabara por alcançar uma grande vitória, sem disparar um tiro. Seu prestígio crescia. Quem quer que se encontrasse na Alemanha durante os dias que se seguiram a Munique, como foi o meu caso, não pode esquecer a embriaguez que se apoderou o povo alemão.

As pessoas sentiam alívio, porque a guerra fora evitada, e orgulho pela vitória, conseguida de forma pacífica por Hitler, não só sobre a Tchecoslováquia, como também sobre Grã-Bretanha e França. Seis meses haviam bastado a Hitler conquistar a Áustria e os Sudetos. Ele concebera e utilizava com êxito uma estratégia e uma tática novas de guerra política que tornava inútil a guerra verdadeira. Em menos de quatro anos e meio, esse homem de origem modesta fizera de uma Alemanha desarmada, caótica e à beira da falência a nação mais poderosa do Velho Mundo.

Só Wiston Churchill, na Inglaterra, pareceu compreender a gravidade da situação. Ninguém expôs as conseqüências de Munique com precisão de seu discurso de 5 de outubro, na Câmara dos Comuns: “Sofremos uma derrota total e absoluta. Estamos no seio de uma catástrofe de amplitude incomparável. O caminho das embocaduras do Danúbio, o caminho do Mar Negro está aberto. Um atrás do outro, todos os países da Europa Central se verão arrastados pela vasta torrente da política nazista. E não pensem que isso é o fim. Isso não é mais do que o princípio.” Mas Churchill não fazia então parte do governo e suas palavras não foram ouvidas. A abdicação anglo-francesa em Munique era necessária? A atitude de Hitler não teria sido um blefe?

Por mais paradoxal que possa parecer, a resposta é não para as duas perguntas. Todos os generais que rodeavam Hitler e sobreviveram à guerra concordam que, se o Acordo de Munique não houvesse sido assinado, Hitler atacaria a Tchecoslováquia em 1º de outubro de 1938. Eles supõem que, mesmo se Grã-Bretanha, França e Rússia tivessem manifestado em princípio alguma hesitação, terminariam arrastadas para a guerra. E dizem mais: que a Alemanha, nesse caso, perderia a guerra em prazo muito-curto.

O general Gamelin, chefe do Estado-Maior francês, apesar de sua extraordinária prudência, não tinha menor dúvida sobre o resultado de uma eventual campanha. Em 12 de setembro, dia em que Hitler, na sessão de encerramento do Congresso de Nuremberg, lançava violentas ameaças à Tchecoslováquia, o general assegurava a Daladier, que, se eclodisse a guerra, “as nações democráticas ditariam as condições de paz.”

Gamelin apoiou essa declaração com uma carta em que explicava as razões de seu otimismo. Em 26 de setembro, no apogeu da crise tcheca, ele havia acompanhado a Londres o dois ministros franceses, e, ao renovar suas opiniões a Chamberlain, tratara de justificá-lo por meio de uma análise da situação militar, destinada a fortificar a energia, não só do primeiro-ministro britânico, mas também do premiê francês, que se mostrava irresoluto.

Fracassou em sua tentativa. Finalmente, no momento em que Daladier ia apanhar o avião para Munique, Gamelin fixou os limites das concessões territoriais que poderiam ser feitas no Sudetos sem pôr em perigo a segurança da França o acesso à passagem da Morávia.

Excelentes conselhos, se o que se queria era que a Tchecoslováquia fosse alguma utilidade à França no caso de uma guerra contra a Alemanha. Mas já vimos que Daladier não era homem que aceitasse conselhos.

Na época de Munique falou-se muito de capitulação de Chamberlain se explicava, em parte, pelo temor de ver Londres destruída pelas bombas alemãs - e não há dúvida de que os franceses pensavam da mesma forma sobre sua magnífica capital. Segundo informações sobre a verdadeira potência da Luftwaffe naquela época, londrinos e parisienses alarmaram-se sem motivo. Do mesmo modo que o Exército, a Aviação alemã estava concentrada sobre a Tchecoslováquia, e os alemães não podiam efetuar operações importantes no oeste.

A resistência teimosa com que Chamberlain se empenhou em conceder ao führer tudo o que ele pedia tirou de Hitler o peso de uma eventual volta atrás, reforçando suas posição na Europa e na Alemanha, assim como sua autoridade sobre o Exército, muito mais do que se poderia imaginar algumas semanas antes.

Isso aumentou, igualmente, a força do III Reich em relação às democracias ocidentais e à União Soviética. Munique foi para França um desastre, e não se pode compreender a cegueira de seu governo. A posição militar francesa na Europa ficava reduzida a zero. O país só conseguiria reunir a metade dos efetivos do Reich. Além disso, produzia menos armamentos. Por isso, edificara um sistema de alianças com as pequenas potências do leste, no outro flanco da Alemanha e da Itália. Tchecoslováquia, Polônia, Iugoslávia e Romênia, reunidas, possuíam a capacidade bélica de uma grande potência. A perda de 35 divisões tchecas, bem treinadas e armadas, atuando por trás das montanhas e capazes de imobilizar as forças alemãs, deixava muito debilitado o Exército francês.

Mas isso não era tudo. Depois de Munique, os aliados que a França conservava na Europa Oriental poderiam começar a se perguntar qual o valor de uma aliança com Paris. Compreendendo que esse valor era muito pequeno, Varsóvia, Bucareste e Belgrado apressaram-se em assinar acordos com os nazistas. Em Moscou, o clima também era tenso. Apesar de a União Soviética ter assinado uma aliança militar com a Tchecoslováquia e França, o governo francês aceitara sem protestar a opinião de Alemanha e Grã-Bretanha, excluindo a Rússia das conversações de Munique. Afronta que Stálin nunca esqueceu e que custaria caro às democracias nos meses futuros.

Em 3 de outubro, quatro dias depois de Munique, o conselheiro da embaixada alemã em Moscou, Werner Von Tippelskirch, enviou informações a Berlim sobre as conseqüências do acordo para política soviética. Acreditava que Stálin tiraria conclusões, mostrando-se menos amistoso para com sua aliada França e mais positivo a respeito da Alemanha. Na realidade, opinava o diplomata alemão, “as circunstâncias atuais oferecem-nos uma ocasião favorável para assinar a União Soviética um novo acordo econômico de grande envergadura”. É a primeira vez que se encontra nos arquivos secretos alemães um indício de uma troca então apenas perceptível, mas que teria conseqüências importantíssimas um ano mais tarde.

Willian L. Shirer

WILLIAN L. SHIRER (1904-1993) trabalhou como jornalista em Berlim para o Columbia Broadcasting System, de 1937 a 1940, período em que pôde observar de perto o crescimento do nazismo. Publicou, entre outros, Ascensão e Queda do Terceiro Reich (1959), do qual foi tirado e condensado o texto acima.
Fonte deste artigo: Almanaque Abril 2005 60 anos da Segunda Guerra Mundial

domingo, 4 de julho de 2010

O Dia "D"


Um pequeno texto sobre a II Guerra Mundial



O Dia D, mais conhecido como Operação Overlord foi uma operação militar realizada pelos países do chamado Bloco Aliado durante a Segunda Guerra Mundial. A operação consistiu em desembarques em diversas áreas da Normandia e saltos de pára-quedistas em Sainte-Mère-Église e Sainte-Marie-du-Mont, na França. As praias em que foram realizados os desembarques, que se estendiam, de leste a oeste, de Ouistreham a Varreville eram codinominadas de leste a oeste: Sword, Juno, Gold, Omaha e Utah beaches. Sobre as praias se estendia um grande complexo de fortificações cobertas por artilharia pesada chamada de Muralha do Atlântico, criada por Hitler e guarnecida pelos seus exércitos. Abaixo confira mais detalhes e a história de uma das praias e os planos da operação.

O plano

O plano do grande ataque à zona francesa foi elaborado pelos mais respeitados generais dos Estados Unidos, entre eles estava o general Dwight David Eisenhower (que, em 1952 se tornaria o presidente dos Estados Unidos da América),Comandante Supremo das Forças Aliadas, e por grandes homens ingleses, entre eles, o Primeiro Ministro Winston Churchill. Olhando o mapa do território, os comandantes aliados chegaram à conclusão de que além de desembarcar soldados e equipamentos na costa da Normandia, paraquedistas (que na época eram os soldados da Airborne) deveriam ser lançados em lugares estratégicos, tomando pontes, vilas, etc e executando missões de sabotagem. Toda essa estratégia, elaborada por mais de três anos, deu certo. Logo após o salto dos paraquedistas, mesmo tendo eles se espalhado caoticamente por toda a Normandia, os aliados disseram que o erro de Hitler ao criar a Muralha do Atlântico foi não ter colocado um telhado nela.

O envolvimento soviético

Foi na Conferência de Teerã que pela primeira vez Stalin ouviu falar da Operação Overlord, o nome código do grande desembarque anglo-saxão nas costas da França atlântica, que seria realizado em 6 de junho de 1944, coordenado com a invasão do sul daquele mesmo país. Stalin não aceitara o plano de Churchill de uma operação de vulto partindo dos Balcãs, para dali abrir um flanco na defensiva alemã da Europa Central. Achou que aquilo era pura tergiversação, uma embromação de Churchill feita às custas do Exército Vermelho que ainda tinha que passar por um inferno para empurrar os alemães para fora da Rússia. Para ele era evidente que o caminho mais curto para o fim a guerra era simplesmente os aliados ocidentais atravessarem o Canal da Mancha, libertar a França, ocupar a região industrial do Ruhr, e, sintonizados com os soviéticos vindos do leste, levar os nazistas à capitulação. Roteiro que rapidamente ganhou o apoio de Roosevelt. Em troca desse gesto, da folga que o soldado russo teria, Stalin comprometeu-se - assim que a guerra contra Hitler se encerrasse, a declarar guerra ao império japonês para acelerar o fim do conflito na Ásia.
Os “Três Grandes”, aproveitando a ocasião, também acertaram que as operações militares de maior vulto seriam doravante sincronizadas, fazendo com que uma ofensiva no fronte ocidental fosse de imediato seguida por um ataque no fronte oriental. Dessa maneira, agindo como um torniquete, as forças armadas aliadas levariam o regime de Hitler à sufocação e à derrota final. O que para acontecer arrastou-se ainda por dolorosos e sangrentos 18 meses de guerra. O único momento emotivo daquele primeiro encontro dos “Três Grandes”, deu-se por ocasião da entrega solene de um presente a Stalin. O ditador, que parecia sempre ser uma esfinge aos seus parceiros da conferencia, frio, desconfiado e distante, veio a derramar discreta lágrima quando Churchill presenteou-o, em nome de Sua Majestade britânica, com uma bela espada cravejada em honra à vitória militar soviética em Stalingrado.

Praia de Omaha


Soldados Aliados desembarcam na Normandia. Data do desembarque: 6 de junho.
A Praia de Omaha, mais conhecida como "Omaha Sangrenta" foi a praia de maior resistência alemã e a praia que deu maior trabalho às forças Aliadas. Omaha era coberta por obstáculos espalhados por toda praia, que foram mandados implantar pelo Marechal Erwin Rommel para que os tanques Aliados não conseguissem invadir a praia, Omaha também tinha armas anti-navais e metralhadoras MG42 para parar o fluxo de soldados invadindo o perímetro. Depois de mais de quatro mil mortes, os Aliados venceram a batalha, invadindo o flanco superior-esquerdo da praia pelo cercado de arames e destruindo as casamatas (bunkers) que ali estavam. Praia de Omaha era um apelido dado ao Canal da Mancha, recebeu este apelido para mensagens que os Estados Unidos enviavam à Inglaterra que os Nazistas interceptavam e não conseguiam entender aonde seria o ataque. Tais filmes que mostram o desembarque Aliado na praia de Omaha, são O Resgate do Soldado Ryan (Saving Private Ryan) e O Mais Longo dos Dias (The Longest Day), além de ter livros como O Dia D - 6 de Junho de 1944, de Stephen E. Ambrose, e jogos como Company of Heroes , Medal of Honor e Call Of Duty

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