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Oriente Médio e Palestina

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Expansão Marítima -Texto IV 1º ano


Encontramos na Idade Média a origem da formação dos chamados “Estados Nacionais”, que formaram-se não necessariamente de maneira homogênea, pois se analisarmos o histórico das nações ibéricas (Portugal e Espanha) perceberemos que nestas duas sociedades o sentimento nacional e o processo de centralização política manifestaram de maneira bastante particular, que de certa forma, os distanciam dos mesmos processos que ocorreram na França e na Inglaterra. Pois na península ibérica a consolidação dos “Estados Nacionais” está diretamente antenado com a “revolução de Avis” e as chamadas “Guerras de Reconquista”que foram de suma importância para a formação das nações ibéricas na medida que promoveram a articulação de toda a cristandade existente na região para expulsar os árabes invasores (Mouros) que permaneciam em parte da península ibérica desde o século VIII. cristandade ibérica para expulsar os muçulmanos acabou fortalecendo o sentimento nacional e conseqüentemente acelerando o processo de consolidação das nações ibéricas”
1. AS ORIGENS DA DOMINAÇÃO ÁRABE NA
PENÍNSULA IBÉRICA:
“A civilização européia é, em boa parte, uma civilização mediterrânea. As margens do Mediterrâneo (“Mar no meio da terra”). Portugal não é banhado pelo Mediterrâneo, mas pelo oceano (“mar circundante”) batizado de Atlântico. Para chegar por mar a Portugal era preciso atravessar as Colunas de Hercules (Atual Estreito de Gibraltar) e entrar no Atlântico. Os Fenícios forjaram a lenda, segundo a qual o Atlântico era uma mar tenebroso, vigiado por um dragão.
No ano de 711, árabes cruzaram as colunas de Hercules e invadiram Portugal. Por 700 anos, foram senhores da Península Ibérica. Os árabes deram grande impulso a cultura ibérica, criando universidades e fundindo a Matemática grega, a Astronomia indiana, Astrologia e Geografia Alexandrina. Mas eram invasores e foram tratados como tal”.
2 – AS ORIGENS DE PORTUGAL:
Portugal já tinha sido ocupado várias vezes antes da invasão árabe e seu povo estava acostumado a enfrentar estrangeiros. A luta para expulsar os muçulmanos iniciou-se no norte da Península ibérica foi liderada pelo reino de Castela. Para o sucesso da luta contra os árabes, os ibéricos contaram com o auxilio de nobres cavaleiros de outras nações européias, e promoveram a união militar de quatro reinos iberocristãos: Leão, Castela, Navarra e Aragão; que inicialmente lutaram juntos para expulsar os muçulmanos. Após o sucesso na expulsão muçulmana de grande parte da península ibérica, os castelhanos começaram a se julgar donos de toda península, inclusive do Condato Portugalense (Atual Portugal). A ambição de Castela por dominar Portugal aumentou ainda mais com a morte do ultimo rei português, D. Fernando, que não deixou um herdeiro varão para assumir o trono português. Com isso Portugal passaria mais facilmente para o domínio de Castela, pois a sucessora do trono lusitano, D.Beatriz, era casada com o rei de Castela.
Então devido a grande ameaça de perder autonomia, desenvolveu-se em Portugal um movimento de comerciantes e populares nacionalistas que lutaram pela coroação de D.João,
mestre de Avis, que era meio-irmão do rei morto, D.Fernando. Iniciou-se a chamada Revolução de Avis que pos fim as pretensões castelhanas de dominar Portugal e colocou no trono português D.João I, iniciando a dinastia de Avis. Desta forma após se livrar dos árabes, Portugal teve que lutar para poder se livrar da dominação do reino de Castela, seu antigo aliado na Guerra de Reconquista.
Após subir ao trono D.João I organizou um governo forte e centralizado e defensor dos interesses mercantis. Uma das características marcantes de D.João I foi o grande apoio ao progresso técnico e ao desenvolvimento da navegação o que contribuiu demasiadamente para o pioneirismo lusitano na expansão pelo Atlântico.
A CENTRALIZAÇÃO POLÍTICA LEVA A
EXPANSÃO PELO ATLÂNTICO:
Desde o século XIV Portugal buscava ter um contato mais direto com as Índias orientais almejando uma
participação mais lucrativa neste comércio, o que há muito tempo não acontecia sendoque grandes partes das
valiosas especiarias vindas do oriente eram distribuídas em Portugal a preços altíssimos mediante a grande quantidade de atravessadores e intermediários que elevavam muito o preço dos produtos. Sendo assim esta necessidade do comércio oriental contribuiu consideravelmente para que os comerciante portugueses tivessem uma grande atuação no processo de unificação portuguesa, o que não anula a participação da
nobreza e Igreja embora com atuações menos dinâmicas que os burgueses lusitanos. Isto nos leva a crer na estreita relação de construção do Estado português com a necessidade de se encontrar novas rotas comerciais que fugissem dos atravessadores, piratas e árabes que mantinham o controle da única rota até então onhecida que era o Mediterrâneo. A necessidade de comércio, por tanto, acabou acelerando as duas
nações ibéricas a consolidar seus processos de centralização política e iniciar a expansão pelo Atlânti o, onde os portugueses foram os pioneiros neste processo sendo que foram os primeiros a centralizar-se c politicamente.
A expansão marítima européia, processo histórico ocorrido entre os séculos XV e XVII, contribuiu para que a Europa superasse a crise dos séculos XIV e XV.

Através das Grandes Navegações há uma expansão das atividades comerciais, contribuindo para o processo de acumulação de capitais na Europa.

O contato comercial entre todas as partes do mundo (Europa, Ásia, África e América ) torna possível uma história em escala mundial, favorecendo uma ampliação dos conhecimento geográficos e o contato entre culturas diferentes.
Fatores para a Expansão Marítima

A expansão marítima teve um nítido caráter comercial, daí definir este processo como uma empresa comercial de navegação, ou como grandes empreendimentos marítimos. Para o sucesso desta atividade comercial o fator essencial foi a formação do Estado Nacional.

Formação do Estado Nacional e a centralização política-as Grandes Navegações só foram possíveis com a centralização do poder político, pois fazia-se necessário uma complexa estrutura material de navios, armas, homens, recursos financeiros.
A aliança rei-burguesia possibilitou o alcance destes objetivos tornando viável a expansão marítima.

Avanços técnicos na arte náutica-o aprimoramento dos conhecimentos geográficos, graças ao desenvolvimento da cartografia; o desenvolvimento de instrumentos náuticos-bússola, astrolábio, sextante - e a construção de embarcações capazes de realizar viagens a longa distância, como as naus e as caravelas.

Interesses econômicos- a necessidade de ampliar a produção de alimentos, em virtude da retomada do crescimento demográfico; a necessidade de metais preciosos para suprir a escassez de moedas; romper o monopólio exercido pelas cidades italianas no Mediterrâneo que contribuía para o encarecimento das mercadorias vindas do Oriente; tomada de Constantinopla, pelo turcos otomanos, encarecendo ainda mais os produtos do Oriente.

Sociais-o enfraquecimento da nobreza feudal e o fortalecimento da burguesia mercantil.
Religiosos-a possibilidade de conversão dos pagãos ao cristianismo mediante a ação missionária da Igreja Católica.
Expansão marítima portuguesa
Portugal foi a primeira nação a realizar a expansão marítima. Além da posição geográfica, de uma situação de paz interna e da presença de uma forte burguesia mercantil; o pioneirismo português é explicado pela sua centralização política que, como vimos, era condição primordial para as Grandes Navegações.

A formação do Estado Nacional português está relacionada à Guerra de Reconquista - luta entre cristãos e muçulmanos na península Ibérica.
A primeira dinastia portuguesa foi a Dinastia de Borgonha ( a partir de 1143 ) caracterizada pelo processo de expansão territorial interna.

Entre os anos de 1383 e 1385 o Reino de Portugal conhece um movimento político denominado Revolução de Avis -movimento que realiza a centralização do poder político: aliança entre a burguesia mercantil lusitana com o mestre da Ordem de Avis, D. João. A Dinastia de Avis é caracterizada pela expansão externa de Portugal: a expansão marítima.
Etapas da expansão
A expansão marítima portuguesa interessava à Monarquia, que buscava seu fortalecimento; à nobreza, interessada em conquista de terras; à Igreja Católica e a possibilidade de cristianizar outros povos e a burguesia mercantil, desejosa de ampliar seus lucros.
A seguir, as principais etapas da expansão de Portugal:
1415 -tomada de Ceuta, importante entreposto comercial no norte da África;
1420 -ocupação das ilhas da Madeira e Açores no Atlântico;
1434 -chegada ao Cabo Bojador;
1445 -chegada ao Cabo Verde;
1487 -Bartolomeu Dias e a transposição do Cabo das Tormentas;
1498 -Vasco da Gama atinge as Índias ( Calicute );
1499 -viagem de Pedro Álvares Cabral ao Brasil.
Expansão marítima espanhola
A Espanha será um Estado Nacional somente em 1469, com o casamento de Isabel de Castela e Fernando de Aragão. Dois importantes reinos cristãos que enfrentaram os mouros na Guerra de Reconquista.
No ano de 1492 o último reduto mouro -Granada -foi conquistado pelos cristãos; neste mesmo ano, Cristovão Colombo ofereceu seus serviços aos reis da Espanha.
Colombo acreditava que, navegando para oeste, atingiria o Oriente. O navegante recebeu três navios e, sem saber chegou a um novo continente: a América.
A seguir a principais etapas da expansão espanhola:
1492 - chegada de Colombo a um novo continente, a América;
1504 -Américo Vespúcio afirma que a terra descoberta por Colombo era um novo continente;
1519 a 1522 - Fernão de Magalhães realizou a primeira viagem de circunavegação do globo.
As rivalidades Ibérica
Portugal e Espanha, buscando evitar conflitos sobre os territórios descobertos ou a descobrir, resolveram assinar um acordo -proposto pelo papa Alexandre VI - em 1493: um meridiano passando 100 léguas a oeste das ilhas de Cabo Verde, dividindo as terras entre Portugal e Espanha. Portugal não aceitou o acordo e no ano de 1494 foi assinado o Tratado de Tordesilhas.
O tratado de Tordesilhas não foi reconhecido pelas demais nações européias.
Navegações Tardias
Inglaterra, França e Holanda.
O atraso na centralização política justifica o atraso destas nações na expansão marítima:
A Inglaterra e França envolveram-se na Guerra dos Cem Anos(1337-1453) e, após este longo conflito, a inglaterra passa por uma guerra civil - a Guerra das Duas Rosas ( 1455-1485 ); já a França, no final do conflito com a Inglaterra enfrenta um período de lutas no reinado de Luís XI (1461-1483).

Somente após estes conflitos internos é que ingleses, durante o reinado de Elizabeth I (1558-1603 ); e franceses, durante o reinado de Francisco I iniciaram a expansão marítima.
A Holanda tem seu processo de centralização política atrasado por ser um feudo espanhol. Somente com o enfraquecimento da Espanha e com o processo de sua independência é que os holandeses iniciarão a expansão marítima.
CONSEQÜÊNCIAS

As Grandes navegações contribuíram para uma radical transformação da visão da história da humanidade. Houve uma ampliação do conhecimento humano sobre a geografia da Terra e uma verdadeira Revolução Comercial, a partir da unificação dos mercados europeus, asiáticos, africanos e americanos.
A seguir algumas das principais mudanças:
A decadência das cidades italianas; a mudança do eixo econômico do mar Mediterrâneo para o oceano Atlântico; a formação do Sistema Colonial; enorme afluxo de metais para a Europa proveniente da América; o retorno do escravismo em moldes capitalistas; o euro-centrismo, ou a hegemonia européia sobre o mundo; e o processo de acumulação primitiva de capitais resultado na organização da formação social do capitalismo.


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